<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:tt="http://teletype.in/" xmlns:opensearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/"><title>Jean</title><author><name>Jean</name></author><id>https://teletype.in/atom/jean_paolo</id><link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://teletype.in/atom/jean_paolo?offset=0"></link><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><link rel="next" type="application/rss+xml" href="https://teletype.in/atom/jean_paolo?offset=10"></link><link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" title="Teletype" href="https://teletype.in/opensearch.xml"></link><updated>2026-08-13T01:47:52.180Z</updated><entry><id>jean_paolo:invisibilidade-social-na-igreja</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/invisibilidade-social-na-igreja?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Quando A Igreja Não Cura: Um micro-estudo de caso sobre a invisibilidade social na &quot;casa de Deus&quot;</title><published>2026-07-30T02:28:23.414Z</published><updated>2026-07-30T03:12:45.236Z</updated><category term="psicologia" label="Psicologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/da/61/da61968e-7a67-4af7-8856-5c707edc0bd5.jpeg&quot;&gt;Quando A Igreja Não Cura: Um micro-estudo de caso sobre invisibilidade social</summary><content type="html">
  &lt;p id=&quot;U2lp&quot;&gt;🗓 30/04/2026&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Q3a9&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;WsKh&quot;&gt;⚠️ A experiência de leitura desse artigo fica mais imersiva acompanhando os vídeos e canções indicados. Use fones de ouvido e boa leitura!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;A2xy&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;PPtx&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GEYK&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;a7XM&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.instagram.com/reel/DaobcvaBIXL/embed/captioned/&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;f4AB&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Porque toda vez que fizestes isso a um destes meus pequeninos, o fizestes a mim&amp;quot;. Mateus 25:40&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;itLP&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;UDo1&quot;&gt;Sendo um psicólogo que foi criado num ambiente religioso, desde pequeno frequentando igreja, penso que consegui acumular uma certa dose de experiências a respeito de como esse ambiente pode ser tanto um ambiente de cura quanto... de peso. De fato, existe inclusive uma área da Psicologia dedicada a estudar os fenômenos religiosos e o comportamento: se chama Psicologia da Religião. Nas áreas humanas em geral existe um grande interesse por esse tipo de estudo e a gente poderia observar reverberações desse tipo de análise (com focos diferentes) na Sociologia da Religião, Filosofia da Religião e Antropologia da Religião.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Bnmt&quot;&gt;...Entretanto, a matéria de hoje é mais um recorte de uma experiência pessoal com uma ótica de quem estudou um pouco dessas áreas a respeito do quanto o ambiente religioso pode nem sempre ser um ambiente acolhedor.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;pBGJ&quot;&gt;Meu próprio pai é pastor evangélico e esteve com problemas de saúde algum tempo atrás. Sensibilizados, alguns dos membros da igreja estiveram presentes algumas vezes nesse período para visitá-lo. Em uma dessas visitas, foi ministrado brevemente (mais de uma vez e por mais de uma pessoa) a respeito da importância das amizades, de prestar atenção no próximo e de como o reino de Deus envolve fortalecermos uns aos outros... Ao final, nas despedidas, estando eu mesmo presente, terminei por receber um estranho cumprimento que foi mais ou menos assim: &amp;quot;Tudo bem, né? Como você está sempre com a gente eu nem te notei...&amp;quot; O &amp;quot;eu nem te notei&amp;quot; quicava em meus pensamentos como uma bola de ping pong sendo arremessada de um lado para o outro. Depois disso, tive a certeza de que eu deveria falar sobre invisibilidade na igreja.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7SWO&quot;&gt;Não me entendam mal, eu compreendo que qualquer pessoa pode passar desapercebida por alguém... por vários motivos. Mas dizem que &amp;quot;quanto maior a luz, maior a sombra&amp;quot; e, nesse caso, eu sou a sombra, eu fui um dos invisíveis. Então, ao invés de lamentar, eu escolhi me perguntar o que os membros de igreja podem aprender através da MINHA experiência? Matutando inicialmente eu gostaria de propor a seguinte pergunta:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bJc1&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1paf&quot;&gt;Vocês conseguem responder para si mesmos quem são os seus amigos... E por quê?&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;YIbb&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;A1IS&quot;&gt;Mateus 9:1-8 nos conta a história de um grupo de amigos que literalmente tirou o telhado de uma casa para que um paralítico tivesse a chance de ser curado (e ele talvez nem estava de fato doente porque o que Jesus disse pra ele de imediato foi &amp;quot;teus pecados estão perdoados&amp;quot;). É difícil pra mim lembrar dessa passagem sem me lembrar também de Mateus 5:20:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EwpW&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;w1fW&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus&amp;quot;.&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;NHbG&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;gbv1&quot;&gt;A invisibilidade de que quero falar não é aquela de &amp;quot;ficar invisível&amp;quot; e &amp;quot;transparente&amp;quot; como uma porta de vidro (que você, às vezes, até mesmo dá de cara por falta de atenção), mas daquela &amp;quot;invisibilidade&amp;quot; em que você deixa de &amp;quot;ser uma pessoa&amp;quot; e se torna &amp;quot;parte da paisagem do lugar&amp;quot; de tanto que estar ali ficou &amp;quot;normalizado&amp;quot;. E a Bíblia está cheia dessas pessoas invisíveis. Por exemplo: Qual não deve ter sido a surpresa do aleijado &amp;quot;invisível&amp;quot; esperando uma simples esmola às portas do Templo de Jerusalém e recebendo a força pra se levantar em Atos 3:6! Ou da mulher do fluxo de sangue que teve de se esconder para tocar em Cristo já que se sua impureza fosse notada seria expulsa da multidão.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;rHhq&quot;&gt;Há alguns anos atrás, me lembro inclusive que um dos membros da igreja pregou uma mensagem sobre &amp;quot;amizade&amp;quot; e eu me apeguei tanto ao que ele dizia que pedi para que ele me enviasse o texto (que eu tenho salvo no celular até hoje com uma lista de versículos) sobre muitos aspectos da amizade... nos mostrando que Jesus &amp;quot;é nosso amigo&amp;quot; a ponto de entregar sua própria vida em resgate de muitos; sobre como &amp;quot;ser amigo de Deus&amp;quot;; quem de fato são os &amp;quot;bons amigos&amp;quot; (aqueles que dão bons conselhos e permanecem conosco nos momentos de dificuldades) e os perigos decorrentes das &amp;quot;más amizades&amp;quot;...  O que me fez lembrar de &amp;quot;People Are Strange&amp;quot; do The Doors que, parafraseando, começa dizendo: &amp;quot;Pessoas estranhas te olham estranho, de cara feia, quando estás só&amp;quot;:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Vqfw&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;dcwB&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;The Doors - People Are Strange [Tradução/Legendado]&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;lnVG&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;S0Ic&quot;&gt;O engraçado é que eu tenho mais discos em mp3 do que amigos (e não sou o único, tem até um blog relativamente famoso com esse nome). Uma curiosidade: a maioria das minhas canções favoritas não está escrita em português. Uma delas, escrita originalmente em inglês, se chama &amp;quot;Os Perdoados&amp;quot; (&amp;quot;The Forgiven&amp;quot;, de David Ramirez)... que tem um trecho que diz: &lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Upfl&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;64qu&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;Lacey Sturm - The Forgiven (David Ramirez) - legendado&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;ACJO&quot;&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;ubD4&quot;&gt;&amp;quot;Talvez foi isso que matou todas as últimas vozes desse mundo, eu sangrava por cada linha, mas ninguém sangrava de volta&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;7xA7&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Nkje&quot;&gt;Eu fico triste quando ouço versões traduzidas de músicas que não respeitam a intensidade do texto original. Ex.: Muitos de vocês talvez também conheçam a canção &amp;quot;Aleluia&amp;quot; em português na voz de Gabriela Rocha dizendo:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;cMtM&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;A0IK&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;Aleluia - Gabriela Rocha&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;j7qT&quot;&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;UPnb&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Senhor, preciso do Teu olhar; ouvir as batidas do Teu coração (...) e Te render glória e aleluia&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;8lVS&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;lYOU&quot;&gt;...Mas a letra original de &amp;quot;Hallelujah&amp;quot;, de Leonard Cohen, na verdade dizia:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;KzWj&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;XO8S&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;&amp;quot;Hallelujah&amp;quot;, interpretação de Jeff Buckley (minha favorita❤)&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;yg0W&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;4KGd&quot;&gt; &lt;em&gt;&amp;quot;E eu vi sua bandeira no arco de mármore e o amor não era uma marcha vitoriosa, mas um frio e sofrido aleluia&amp;quot;.&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;Qfg2&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;CBEK&quot;&gt;Uma das coisas que eu tento lembrar aos meus pacientes é que o movimento da vida é como uma roda em que você tem os momentos de altos e baixos, subidas e descidas, ascese e queda.. &lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Sjak&quot;&gt;Isaías 53:10 nos lembra: &lt;em&gt;&amp;quot;Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer&amp;quot;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;AX7a&quot;&gt;...A vida só te dá o que você entrega. Então, em algum momento você vai ter que se perguntar: Quem irá te visitar quando você estiver doente esperando uma cirurgia? Quem vai te ligar quando você estiver longe de todos e com o coração destroçado? Quem vai te pagar um lanche quando seu dinheiro acabar e você estiver falido? Quem vai visitar você quando você for um velho solitário, acamado e desinteressante? Quem irá até sua casa orar por você quando seu casamento estiver em crises? Quem irá te visitar quando você for acusado injustamente? Quem vai te ouvir e chorar contigo quando um divórcio esmagar sua esperança? Será que você já fez alguma dessas coisas por uma única pessoa que seja? O que a vida vai te devolver quando Deus resolver te esmagar? Mateus 7:2 nos diz &lt;em&gt;&amp;quot;Com a medida que usares para medir os outros, igualmente medirão a vós&amp;quot;. &lt;/em&gt; Não é questão de &amp;quot;se&amp;quot;, mas de &amp;quot;quando&amp;quot; será a SUA vez.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ZPYU&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;6LpY&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/Q-OSeUy_gXA?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;🎧 Oficina G3 | Quem&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;fYNk&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;j7bk&quot;&gt;Eu dou graças a Deus que, mesmo diante das minhas fraquezas e pecados, me permitiu amparar pessoas o bastante pra que alguns (poucos) me amparassem de volta em meus próprios sofrimentos... E a maioria deles não está nas igrejas. Tento entender o porque, mas a resposta não é simples: vai desde a conduta de encarar a igreja como uma espécie de &amp;quot;central de entretenimento&amp;quot; até o outro extremo em que as pessoas frequentam o ambiente apenas para &amp;quot;bater o ponto&amp;quot; pra não receberem cobrança a respeito da sua própria frequência. Há quem frequente igrejas pelo ambiente, por tradição, por ter recebido a religião de seus pais, porque seus amigos frequentam esse local e até aqueles que vão porque não tem nada melhor para fazer.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;adGq&quot;&gt;A grande questão é que uma boa igreja é tão boa quanto a comunidade que a forma. É comum ver grupos religiosos estabelecerem que o &amp;quot;ponto central&amp;quot; de se reunir numa igreja seja (dependendo do grupo religioso) a &amp;quot;tradição&amp;quot;, a &amp;quot;forma de culto&amp;quot; ou mesmo a &amp;quot;verossimilhança do conteúdo das proposições de acordo com as Escrituras Sagradas&amp;quot;. Novamente, não me levem a mal: tudo isso é importante. Mas a qualidade da comunidade onde se está inserido e a capacidade da mesma de se tornar parte da sua vida não deveria ser encarada como um ponto importante?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;T5Q7&quot;&gt;É fácil para os grupos religiosos esquecerem na prática que a cruz de Cristo tem uma representação dupla: o relacionamento vertical, entre Deus e o homem; e o horizontal, entre nossos &amp;quot;semelhantes&amp;quot;. ...Mas seriam mesmo essas pessoas &amp;quot;semelhantes&amp;quot; entre si num mundo de bolhas virtuais, polarização política e gostos cada vez mais nichados como resultado das mudanças nos padrões de socialização induzidos pelos algoritmos das redes sociais? E aqui, eu nem vou colocar o problema dos neurodivergentes que já são essencialmente diferentes e, por isso, custam mais a conseguir socializar nem dos mais pobres, pois a Bíblia já censura quem faz &amp;quot;acepção de pessoas&amp;quot; (Atos 10:34).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;BiRm&quot;&gt;A Universidade Brigham Young (EUA), publicada em 2015, que identificou que o isolamento social aumenta o risco de morte prematura em cerca de 29–32%, nível comparável ao de fumar 15 cigarros por dia.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;8C1T&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;uRwG&quot;&gt;HOLT-LUNSTAD, Julianne et al. Loneliness and social isolation as risk factors for mortality: a meta-analytic review. Perspectives on Psychological Science, [s. l.], v. 10, n. 2, p. 227–237, 2015. DOI: 10.1177/1745691614568352. &lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;qIOl&quot;&gt;📲 Disponível em: &lt;a href=&quot;https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1745691614568352&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1745691614568352&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;tupw&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6ksh&quot;&gt;A comparação “equivalente a fumar 15 cigarros por dia” é uma interpretação jornalística e de autoridades de saúde (como o cirurgião-geral dos EUA, Vivek Murthy) com base nos achados de risco de mortalidade desse estudo e de trabalhos correlatos.&lt;br /&gt;De acordo com Holt-Lunstad et al. (2015), o isolamento social e a solidão estão associados a um aumento de aproximadamente 30% no risco de morte prematura, efeito na saúde comparável ao de fumar 15 cigarros diariamente.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;loGt&quot;&gt;Nas igrejas cristãs (evangélicas e católicas, por exemplo) há grupos geralmente divididos por &amp;quot;idade&amp;quot; ou &amp;quot;estado civil&amp;quot;, mas de alguns anos pra cá me passam alguma impressão de que agora é &amp;quot;cada um por si&amp;quot;. Quero dizer, não aparecem realmente muitas situações em que haja uma tarefa em comum que permita a essas pessoas criar &amp;quot;vínculo verdadeiro&amp;quot; porque &amp;quot;vínculo verdadeiro&amp;quot; pressupõe &amp;quot;expor suas fraquezas sem medo&amp;quot; e ganhar algum grau real de &amp;quot;intimidade&amp;quot; no processo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;xQbC&quot;&gt;Não sei vocês, mas tenho notado cada vez mais a dificuldade de algumas pessoas em formar vínculos &amp;quot;por gostar&amp;quot;. Ademais, para quem estuda saúde mental, neurodivergência e temperamentos, existem perfis de pessoas que só consegue formar &amp;quot;vínculo verdadeiro&amp;quot; por PROPÓSITO SEMELHANTE. Isso é bem documentado na área de humanas desde Hegel até Carl Gustav Jung: A intimidade real brota do reconhecimento que nos dá motivo para viver, e esse &amp;quot;reconhecimento&amp;quot; é uma identificação de que ambos os amigos estão &amp;quot;olhando juntos para mesma direção&amp;quot; (como na definição de amizade que C. S. Lewis nos dá no livro &amp;quot;Os Quatro Amores: &amp;quot;A amizade costuma começar quando alguém diz ao outro algo como: &amp;#x27;Você também? Eu pensava que era o único.&amp;#x27; ”). Sem a dimensão do reconhecimento é impossível estabelecer relações duradouras e profundas... e sem relações duradouras e profundas não existe cura psicológica... nem social.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;uOps&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;ROT1&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.instagram.com/reel/DYxqx9tJi2W/embed/captioned/&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;6Y6Y&quot;&gt;Encerrando esta reflexão, também me recordo que, no que seria o último e melhor show de uma das minhas bandas favoritas - &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/playlist?list=PLUkivEN1pETy_XhKZsZ56kjYoZsSVvnmf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Alice In Chains&lt;/a&gt; - o então vocalista Layney Stanley se despediu da multidão de modo parecido com como meu pai às vezes faz. Ele disse: &lt;em&gt;&amp;quot;Esse foi um dos melhores shows da minha carreira, eu gostaria de sair daqui e abraçar cada um de vocês... (mas não vou)&amp;quot;.&lt;/em&gt; Layney morreria pouco tempo depois, sozinho em sua casa, sendo seu corpo encontrado apenas após 2 semanas... porque ninguém se lembrou dele... por 2 semanas!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;v0fH&quot;&gt;...Não se pode obrigar, comprar, conquistar, convencer nem pedir por afeto &lt;em&gt;(&amp;quot;O amor não se compra, nem se merece... O amor se ganha, de graça o recebe&amp;quot;)&lt;/em&gt; . Particularmente, creio que amigos reais não se escolhe, se reconhece. E, se você tem algum, invisível ou não, apenas se lembre de lhes dar flores enquanto ainda estão vivos. 🙏🏽💐&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;izg5&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;YMs1&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.instagram.com/reel/Da5eebTT23z/embed/captioned/&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
  &lt;/figure&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:yolo</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/yolo?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Orientação Vocacional na Sociedade Líquida: YOLO, António Damásio e o Cansaço como &quot;Virtude&quot;</title><published>2026-03-17T02:57:23.615Z</published><updated>2026-03-17T02:57:23.615Z</updated><category term="sociologia" label="Sociologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/50/ad/50ad9d77-d7ab-400a-9b2a-253484d3cd95.jpeg&quot;&gt;A expressão &quot;YOLO&quot; (You Only Live Once), popularizada na última década, resgata o milenar conceito latino de carpe diem. No entanto, longe de ser apenas um lema de redes sociais, o movimento reflete uma mudança profunda na subjetividade contemporânea: a recusa de uma vida pautada exclusivamente pela produtividade em favor de uma busca radical pela satisfação imediata, como um &quot;carpe diem moderno&quot; que ganhou notoriedade (se é que não foi &quot;causado&quot;) através de uma, hoje clássica, canção da banda The Strokes, chamada justamente &quot;You Only Live Once&quot; (de 2005).</summary><content type="html">
  &lt;h2 id=&quot;r8xm&quot;&gt;INTRODUÇÃO:&lt;/h2&gt;
  &lt;p id=&quot;e2tj&quot;&gt;A expressão &amp;quot;YOLO&amp;quot; (You Only Live Once), popularizada na última década, resgata o milenar conceito latino de carpe diem. No entanto, longe de ser apenas um lema de redes sociais, o movimento reflete uma mudança profunda na subjetividade contemporânea: a recusa de uma vida pautada exclusivamente pela produtividade em favor de uma busca radical pela satisfação imediata, como um &amp;quot;carpe diem moderno&amp;quot; que ganhou notoriedade (se é que não foi &amp;quot;causado&amp;quot;) através de uma, hoje clássica, canção da banda The Strokes, chamada justamente &amp;quot;You Only Live Once&amp;quot; (de 2005).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;KPTA&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;Nt3U&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/hgpPPrTFG5w?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;The Strokes - You Only Live Once (Legendado em Português)&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;1gm7&quot;&gt;Muitos autores que se aventuram pelas águas da &amp;quot;sociologia&amp;quot; olham para movimentos massivos e enxergam neles não apenas a soma de decisões individuais, mas tendências com uma causa (ou conjunto de causas) comum. Então, para esse pequeno ensaio, vou usar 3 referências: Zygmunt Bauman, conhecido pela obra &amp;quot;Modernidade Líquida&amp;quot;, Byung-Chul Han, autor de &amp;quot;Sociedade do Cansaço&amp;quot; e o dr. Jonathan Tam (youtuber).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;2qRE&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;V4Sm&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;SOME PEOPLE THINK THEY&amp;#x27;RE ALWAYS RIGHT, OTHERS ARE QUIET AND UPTIGHT&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;FMyn&quot;&gt;Ao analisarmos essa tendência em diálogo com o pensamento de Zygmunt Bauman e Byung-Chul Han, percebemos que o YOLO é tanto um sintoma da &amp;quot;liquidez&amp;quot; das relações quanto um grito de socorro contra a &amp;quot;sociedade do desempenho&amp;quot;. Em sua teoria da Modernidade Líquida, Bauman argumenta que as estruturas sociais (empregos, casamentos, identidades) deixaram de ser sólidas. Neste cenário, o compromisso a longo prazo é visto como uma armadilha. A satisfação das escolhas no movimento YOLO baseia-se na premissa de que nada é permanente. Se o futuro é incerto e as instituições não garantem mais segurança, o indivíduo sente-se compelido a consumir experiências aqui e agora. A escolha profissional deixa de ser uma &amp;quot;carreira para a vida&amp;quot; e passa a ser um item de consumo emocional; se não traz felicidade imediata, é descartada: uma característica bastante marcante da &amp;quot;geração z&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Jsk0&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;N5aL&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;OTHERS, THEY SEEM SO VERY NICE, INSIDE THEY MIGHT FEEL SAD AND WRONG&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;kDEK&quot;&gt;Por outro lado, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han oferece uma visão mais sombria sobre o que impele esse movimento. Em A Sociedade do Cansaço, Han descreve que passamos da &amp;quot;sociedade disciplinar&amp;quot; de Foucault para a sociedade do desempenho, onde o indivíduo explora a si mesmo na busca por uma auto-otimização infinita. O movimento YOLO surge como uma tentativa de ruptura com esse ciclo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;nUvi&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;KnUS&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;TWENTY-NINE DIFFERENT ATTRIBUTES... ONLY SEVEN THAT YOU LIKE&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;RXRN&quot;&gt;Quando o sujeito percebe que o &amp;quot;multitasking&amp;quot; e a positividade tóxica levam ao burnout, ele tenta resgatar a sua humanidade através do hedonismo ou do ócio. Contudo, Han alerta que, muitas vezes, essa própria busca pela &amp;quot;vida plena&amp;quot; acaba se tornando uma nova cobrança: a pressão para que cada momento da vida seja instagrámavel e extraordinário. Assim, o YOLO corre o risco de se tornar apenas mais uma forma de desempenho. A satisfação absoluta com as escolhas, prometida pelo YOLO, esbarra na angústia da liberdade. Ao rejeitar as normas tradicionais do mercado de trabalho e da estabilidade, o indivíduo assume o peso total de sua própria felicidade. Se você vive apenas uma vez e é livre para fazer tudo, o erro torna-se imperdoável.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6INW&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;mDPp&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;TWENTY WAYS TO SEE THE WORLD, AND TWENTY WAYS TO START A FIGHT&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;6aOo&quot;&gt;Desempenho, produtividade, meritocracia, eficiência, racionalização da produção e das relações tem, cada vez mais me parecido (independente do espectro político) um &amp;quot;tiro no pé&amp;quot; como meta mas até então eu não tinha muita noção do motivo... até me deparar com o vídeo &amp;quot;Why Korea Has The Hightest Suicide Rate in the World&amp;quot;, do dr. Jonathan Tam no YouTube...&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;Zvzu&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/ToV2wDsAyww?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Why Korea Has The Hightest Suicide Rate in the World?&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;RNai&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;zBmh&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;I CAN&amp;#x27;T SEE THE SUNSHINE&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;qweo&quot;&gt;Tam apresenta um intrigante estudo de caso sobre como a modernização hiperacelerada da Coréia do Sul (hoje em evidência, inclusive na cultura pop com quadrinhos manhwa, doramas/kdramas, cinema, música kpop) como sendo mais agressiva que a do Japão, anterior campeão no ranking mundial de suicídios, como diretamente relacionada ao boom de suicídios graças justamente a uma fortíssima pressão por desempenho excelente pareada a uma desestruturação das redes de apoio humanas que dão sentido à batalha nossa de cada dia: sem a segurança do amor familiar (a Coréia do Sul também tem taxas de divórcio e abandono de idosos alarmantes), sem redes de apoio orgânicas compostas de relacionamentos formados sem o peso por cobrança e desempenho, a Coréia se torna modelo de como provocar um profundo desejo de morte no coração dos jovens adultos entre 20 e 40 anos, quando o peso por &amp;quot;produzir&amp;quot; e se &amp;quot;destacar&amp;quot; é maior (com o agravante de lá a fidelidade ao trabalho competir diretamente com a fidelidade familiar). Tudo isso intimamente ligado ao conceito de suicídio por &amp;quot;anomia&amp;quot; de Durkheim: quando uma sociedade &amp;quot;cresce&amp;quot; rápido demais anulando valores antigos sem ter tempo suficiente para formar novos valores - a instabilidade sobre o futuro é em boa parte econômica (para bem ou para mal) e essa instabilidade se torna emocional a ponto de haver tanto quem se mate ao ter seus bens congelados pelo governo (como no Brasil da era Collor) quanto quem ser torne ídolo/celebridade do kpop e, igualmente, se mate pela falta de autenticidade e instabilidade emocional geradas pela cobrança de desempenho.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;RnMB&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;qAsA&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;I&amp;#x27;LL BE WAITING FOR YOU, BABY... CAUSE I&amp;#x27;M THROUGH&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;Yavo&quot;&gt;Então, voltando ao YOLO... Para compreender o YOLO no mercado de trabalho — onde jovens abandonam carreiras estáveis em busca de propósito ou lazer, talvez precisemos de mais do que um diagnóstico social, mas de motivos individuais fortes para manter a nossa própria integridade mental. No mercado de trabalho, o YOLO muitas vezes mascara a falta de garantias trabalhistas com um discurso de &amp;quot;liberdade e flexibilidade&amp;quot;. Mas o Brasil não é a Coréia do Sul, nem o Japão, mas somos sabidamente o país mais ansioso do mundo e tenho razões para crer que o abandono da ideia de &amp;quot;vocação&amp;quot; tem tudo a ver com isso. Para que o YOLO resulte em satisfação real, e não apenas em um escapismo momentâneo, é necessário que o indivíduo reconheça que a vida, embora única, exige mais do que satisfação dos impulsos: exige DECISÕES que permitam a construção de sentidos que sobrevivam à transitoriedade do tempo. É nesse ponto que recorro, desta vez, não a um sociológo, mas a um neurologista...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;iif8&quot;&gt;António Damásio é um neurologista português que escreveu um livro chamado &amp;quot;O Erro de Descartes&amp;quot;, fazendo referência ao filósofo francês racionalista René Descartes, o mesmo da frase &amp;quot;penso, logo existo&amp;quot;. René Descartes estabelece um dualismo metafísico: na visão geral, as pessoas acreditam que a relação entre corpo e mente seria pra Descartes a mesma entre o motorista e o veículo - o que o corpo é o veículo, e a mente, ou a alma, como você preferir chamar, seria o motorista desse veículo. Essa seria a primeira dualidade: mente e corpo. Mas, como Descartes era racionalista, isso acaba, supostamente, derivando uma série de outras dualidades, como por exemplo: a prevalência da razão acima da vontade, da razão acima da emoção, da razão como &amp;quot;o guia perfeito pras decisões que a gente deveria tomar&amp;quot;. E aqui eu quero pegar um gancho porque os contraexemplos que o Antônio Damásio traz, eles funcionam bem pra combater a ideia de que o processo de pensamento está separado de outras coisas como vontade, identidade, desejo, emoção, intuição, impulso, instinto, etc. Vou trazer aqui alguns exemplos:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;K4PC&quot;&gt;a) Imagine uma pessoa que sofre uma lesão cerebral: quem antes era uma pessoa de bem começa a se tornar alguém impulsivo e mau caráter... mesmo lembrando de quem era, mesmo supostamente com as suas funções cognitivas de pensamento preservadas.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;rzyK&quot;&gt;b) Imagine também uma pessoa que sofre um derrame e esquece da família, esquece de quem era, esquece até como fala, tem que reaprender tudo de novo. A pessoa vai construir uma nova identidade, ela não vai mais ser aquela primeira pessoa, que foi antes do episódio, antes do derrame.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;wIPC&quot;&gt;c) Imagine ainda alguém que sofreu uma lobotomia, perdeu uma parte do cérebro por causa de uma operação, e aparentemente se recuperou, lembra de quem é, sabe ler e escrever, sabe resolver problemas, mas não consegue mais entender qual é a sua própria vontade. Você pergunta pra ele se quer café ou chá, ele consegue ver os prós e contras como uma inteligência artificial, mas não consegue decidir. Você quer entrar na porta da direita ou da esquerda? A pessoa vê os prós e contras, mas não consegue decidir. Você quer que marque o almoço pra meio dia ou uma da tarde. A pessoa vê os prós e contras mas não consegue se DECIDIR. E muitas vezes não consegue DESEJAR, sofre um embotamento afetivo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;x15r&quot;&gt;Aparentemente a cognição, o pensamento está lá, perfeito, mas a pessoa não consegue fazer nada. Ela perde a autodeterminação, ela perde a autonomia. Por que estou citando esses exemplos? Porque na minha vivência clínica enquanto psicólogo eu vejo pacientes que têm dificuldade de entender o que eles gostam e pacientes que têm dificuldade de entender o que eles querem. Dificuldade até de dizer isso, inclusive: dificuldade de elaborar. E, não raras vezes, a dificuldade de elaboração está ligada à pessoa ter parado de ouvir a intuição, ter parado de desejar, ter parado de fazer coisas que gostava, ter se desconectado das suas próprias emoções. E claro, se desconectar das suas emoções é um processo de dissonância cognitiva...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;YILu&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;eqaJ&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;ONE STUBBORN WAY TO TURN YOUR BACK&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;1idC&quot;&gt;Apesar dos exemplos que Antônio Damásio apresenta serem mais drásticos (por serem de pessoas que sofreram lesão, acidentes, operações, lobotomia, &amp;quot;derrame&amp;quot;, etc), o princípio de que emoção e razão estão interligadas (inclusive, a nível fisiológico) se impõe. Como a gente tem uma noção mais ou menos clara de que algumas áreas do cérebro elas têm especializações, elas podem estar mais ligadas a processo de decisão, processo de entendimento emocional, processo de memória, mas isso não é puro, já que o cérebro é uma unidade, quando você danifica uma coisa, você danifica outras por tabela.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;VmKB&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;PrBj&quot;&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;THIS I&amp;#x27;VE TRIED AND NOW REFUSE&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;r4H7&quot;&gt;Emoções elas não estão dissociadas da razão, assim como os impulsos, assim como os instintos, assim como as intuições. E é necessário entender que nós não percebemos nem experienciamos o mundo apenas a partir da razão. Você pode desejar coisas que a sua razão está dizendo pra você que são inconvenientes. Ou você pode ver uma oportunidade ótima, que você não consegue julgar racionalmente se vai dar bom ou não, e você fica paralisado sem conseguir decidir porque a sua razão te sabota ao invés de te ajudar... porque nós não fomos feitos pra ser totalmente racionais. Existe uma outra vertente filosófica (que não é nem o empirismo que se opõe ao racionalismo, nem o racionalismo puro) chamada voluntarismo, que diz que existe uma prevalência da vontade sobre a razão na hora de estabelecer decisões. E essa vontade ela englobaria os nossos processos intuitivos, os nossos processos emocionais, invés de excluí-los, como se a razão devesse sempre dar a última palavra.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;TUdV&quot;&gt;Qual é o meu ponto aqui com toda essa conversa? Às vezes você pode ter muitas habilidades. E você pensa: &amp;quot;a minha habilidade, ela garante que se eu entrar nesse ramo x, onde essa habilidade vai ser usada, eu estou seguindo a minha vocação e eu vou estar satisfeito&amp;quot;. Isso por si só já me parece uma contradição de termos, porque a satisfação é emocional, ela não é racional. Você termina a tarefa e daí? Dane-se! Uma máquina também pode terminar muitas tarefas, às vezes até melhor do que a gente. Por que que você vai querer fazer alguma coisa?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;8UeA&quot;&gt;A gente deveria olhar um pouquinho mais pra as nossas habilidades, não a partir da habilidade em si, a partir da vontade, a partir da intuição, a partir de o que que eu faço que tem significado afetivo pra mim e pode criar laços afetivos interessantes?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;sjPA&quot;&gt;Veja, a habilidade, por exemplo, de falar em público: ela pode ser usada por um apresentador de circo, ela pode ser usada pra você ser um professor, ela pode ser usada pra você ser um filósofo, um palestrante, um advogado... E todos esses exemplos envolvem gente que fale bem em público. Mas isso não diz se você é introvertido, se é extrovertido, se você gosta disso ou não, se isso faz sentido pra você ou não, se você quer estar lidando com o público todos os dias ou eventualmente... Isso não diz muita coisa sobre você! ...E nem sobre a tarefa na verdade. A habilidade em si não determina a vocação. O que determina a vocação é o significado. E o significado é uma coisa afetiva. Tem a ver muito mais com o tipo de pessoa que você quer se tornar, o tipo de experiência que você quer vivenciar, e o tipo de relação que você quer estabelecer com as pessoas. Nada disso é racional.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;wmtG&quot;&gt;Então, por mais que você consiga escolher uma profissão baseada em habilidades, se você não prestar atenção em &amp;quot;até que ponto as tarefas para as quais eu posso usar essa habilidade estão de acordo com o tipo da minha vontade, o tipo de energia que eu disponho (se é mais pra fora, se é mais pra dentro), o tipo de emoção que isso vai me apresentar diariamente. E a gente sabe que emoção, vontade, tem uma certa relação com com desejo, com querer. E é importante a gente olhar um pouquinho pra essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Vyt2&quot;&gt;Existe uma grande quantidade de pessoas que acaba escolhendo profissões para as quais têm habilidade, mas não têm o tipo emocional adequado, e se frustra (se afasta ou até se mata) justamente porque não conseguiu observar que a decisão não podia ser pesada apenas pelo filtro da razão.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;zht3&quot;&gt;Nós somos uma unidade, nisso eu concordo com Antônio Damásio, uma unidade que precisa, ao decidir, respeitar a razão, a intuição, a emoção, o impulso, o instinto, tudo isso tem que estar integrado de alguma forma, pra que a gente não se arrependa depois. Mas se você já se arrependeu, não tem problema. Começa de novo. Faz direito dessa vez. Enquanto a vida, há esperança.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;oZJL&quot; data-align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;🎶&amp;quot;Sit me down, shut me up, I&amp;#x27;ll calm down and I&amp;#x27;ll get along with you&amp;quot;.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;AX6t&quot;&gt;&lt;br /&gt;📝REFERÊNCIAS:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;JcLI&quot;&gt;BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;OoMA&quot;&gt;HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2015.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5hzl&quot;&gt;OLIVEIRA, Jean Paolo Martins de. O que eu aprendi sobre orientação vocacional com Antônio Damásio. Disponível em: &amp;lt;&lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/reel/DU0pfSeCRmp/?igsh=YzZhN2o5djF2cG5k&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.instagram.com/reel/DU0pfSeCRmp/?igsh=YzZhN2o5djF2cG5k&lt;/a&gt;&amp;gt;. Acesso em 17 mar. 2026.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;V3UH&quot;&gt;TAM, Jonathan. Why Korea Has The Hightest Suicide Rate in the World. Disponível em: &amp;lt;&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=ToV2wDsAyww&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=ToV2wDsAyww&lt;/a&gt;&amp;gt;. Acesso em 17 mar. 2026.&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:sobre-testes-de-inteligencia-e-IAs</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/sobre-testes-de-inteligencia-e-IAs?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Um pequeno compilado sobre testes de inteligência e o desenvolvimento de inteligências artificiais...</title><published>2025-09-22T15:31:42.637Z</published><updated>2025-09-22T15:34:17.805Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img1.teletype.in/files/c9/f9/c9f9640a-ae38-4d43-a58d-7201355523f4.png"></media:thumbnail><category term="psicologia" label="Psicologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/43/7b/437befa2-819d-473b-a504-25561843de7d.png&quot;&gt;Testes de inteligência! Você sabia que o tipo de inteligência medida neles é apenas lógico-matemática? E boa parte destes testes se parece com um quebra-cabeças justamente porque podemos usar imagens para sondar identificação de padrões, posição e até fazer cálculos aritméticos sem usar números ou escrita (já que muitas pessoas são analfabetas, surdas-mudas ou sofrem de discalculia).</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;wEsP&quot; class=&quot;m_original&quot;&gt;
    &lt;video src=&quot;/file/4e9deac3b43378b090d4b.mp4&quot;&gt;&lt;/video&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/jeanpsicologia/470&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;KJmW&quot;&gt;Testes de inteligência! Você sabia que o tipo de inteligência medida neles é apenas lógico-matemática? E boa parte destes testes se parece com um quebra-cabeças justamente porque podemos usar imagens para sondar identificação de padrões, posição e até fazer cálculos aritméticos sem usar números ou escrita (já que muitas pessoas são analfabetas, surdas-mudas ou sofrem de discalculia).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;OjBE&quot;&gt;Mas o que é inteligência? Normalmente associamos inteligência à capacidade de fazer coisas complicadas e é por isso que hoje trago a vocês a pergunta base para o chamado &amp;quot;Paradoxo de Moravec&amp;quot;: por que inteligências artificiais conseguem resolver equações complexas, lembrar, evocar e trabalhar com uma enormidade de dados numa velocidade que nenhum ser humano poderia e, mesmo assim, robôs não conseguem ser programados suficientemente bem para desviar de obstáculos móveis como qualquer criança de 2 anos faz? Isto inclusive desafia nossas definições do que seja fácil ou difícil.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;ZMfM&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/jy0sGTbP3Qs?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;O Paradoxo de Moravec&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;MqIV&quot;&gt;Muita gente considera este paradoxo resultado de os seres humanos terem evoluído ao longo de milhões de anos se especializando lentamente em tarefas motoras enquanto que inteligências artificiais, mesmo aprendendo exponencialmente mais rápido que nós à medida que as alimentamos com bilhões de dados, estas mesmas inteligências artificiais não detém do análogo desenvolvimento que tivemos no quesito movimento.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6bFd&quot;&gt;...Aliás, se uma máquina consegue evoluir cognitivamente o equivalente a milhões de anos em pouco tempo sendo alimentada por bilhões de dados, por que tem gente que acha impossível uma mente com bilhões de dados ter projetado em pouco tempo a existência das coisas? Taí uma coisa que eu nunca vou entender.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;xCHx&quot;&gt;Mas, voltando ao assunto, se inteligência é normalmente vista como &amp;quot;o que nem todos conseguimos fazer, o que não vemos todo dia, o ser capaz de fazer facilmente coisas que são difíceis para outros... Seria possível que estejamos de fato enganados já que o fácil pra máquina nos é difícil e o difícil pra nós é fácil pra máquina?&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;hqRY&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/43/7b/437befa2-819d-473b-a504-25561843de7d.png&quot; width=&quot;1280&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Hans Moravec&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;AkWj&quot;&gt;Muito do que foi desenvolvido pela ciência da computação foi retirado de modelos psicológicos de como o cérebro percebe sons, imagens e como trabalha com o input e o output de dados a ponto de escritores como Isaac Asimov terem escrito trabalhos notáveis de ficção científica com direito até a &amp;quot;psicólogos de robôs&amp;quot; (o que não está tão longe da realidade se você for trabalhar em áreas como aprendizado de máquina ou redes neurais).&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;5ec2&quot; class=&quot;m_original&quot;&gt;
    &lt;video src=&quot;/file/fcdd9dd275e735ef0416e.mp4&quot;&gt;&lt;/video&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/jeanpsicologia/475&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;figure id=&quot;M4CJ&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img4.teletype.in/files/b0/5d/b05d3e49-92ba-46aa-a906-8249f6930fe6.png&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Leia Online o livro &amp;quot;Eu, Robô&amp;quot;, de Isaac Asimov.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;vjmJ&quot;&gt;👉&lt;a href=&quot;https://asdfiles.com/2Mkch~s&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://asdfiles.com/2Mkch~s&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;gMuT&quot;&gt;Apesar de todos os avanços, ainda tem um probleminha com as inteligências artificiais: se ninguém consegue competir com uma máquina e não há nada além dela mesma que garanta que o cálculo por ela realizado esteja certo (como acreditamos estar) como teremos certeza de que a máquina não está enganada?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EBH0&quot;&gt;Para outras questões problemáticas envolvendo inteligências artificiais há um Documentário da IBM transmitido pela Discovery Brasil chamado &amp;quot;Por Trás da Inteligência Artificial&amp;quot; que é bastante esclarecedor.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;BMUE&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/W95YlM5-iPk?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Documentário: &amp;quot;Por Trás da Inteligência Artificial&amp;quot;.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;0plI&quot;&gt;Aliás, para entender a diferença entre a inteligência humana e a inteligência artificial, vale usar uma breve referência ao filósofo Bertrand Russell:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;X0Uj&quot;&gt;&amp;quot;No universo de Russell não existem verdadeiramente objetos tais como livros ou casas, nem pessoas como Churchill ou Marxis, mas apenas dados sensoriais, que são os elementos dessas construções simbólicas ou lógicas. Se digo, por exemplo, &amp;quot;O autor de Waverley era escocês&amp;quot;, devo traduzir a frase numa sequência de sentenças logicamente depuradas, o que resultaria em:&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;iKwm&quot;&gt;1 - &amp;quot;X escreveu Waverley&amp;quot; não é sempre falsa;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;UtVo&quot;&gt;2 - Se X e Y escreveram Waverley, X e Y são idênticos;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;e18J&quot;&gt;3 - &amp;quot;Se X escreveu Waverley, X era escocês é sempre verdadeira.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Kxhq&quot;&gt;Isso, em linguagem ordinária, significa que ao menos uma pessoa escreveu Waverley; que no máximo uma pessoa escreveu Waverley e que quem quer que tem escrito Waverley era escocês. Essas proposições atômicas esclarecem o sentido da frase original, que é de uma complexidade lógica que só se revela na análise.¹&amp;quot;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;Cvj4&quot;&gt;¹ - &lt;strong&gt;Fonte&lt;/strong&gt;: Coleção &amp;quot;OS PENSADORES&amp;quot; - História da Filosofia. Organizado e redigido por Bernadette Siqueira Abrão8 Revisto por Mirtes Ugeda Coscoda. São Paulo, 1999. Editora Nova Cultural.&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:Sobre-A-Natureza-do-Inferno</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/Sobre-A-Natureza-do-Inferno?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Sobre a Natureza do Inferno</title><published>2025-09-11T22:18:37.793Z</published><updated>2025-09-12T17:51:02.920Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img1.teletype.in/files/86/2a/862a05e5-f5ef-414b-94a0-d90a62220f91.png"></media:thumbnail><category term="teologia" label="Teologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://external-content.duckduckgo.com/iu/?u=https%3A%2F%2Ftse2.mm.bing.net%2Fth%2Fid%2FOIP.F8pLchiotcyr5OpFZHFQaQHaEO%3Fpid%3DApi&amp;f=1&amp;ipt=316771f00bc510397d31a983e89c1faa86ccf099085dcf2192c77fbf4dd5edfc&amp;ipo=images&quot;&gt;A mais impopular de todas as doutrinas cristãs estaria de fato na centralidade da fé? E estando, sua realidade ontológica já pode ser afirmada? Afinal, argumentos de castigo eterno justificados a partir da chamada &quot;dignidade divina&quot; fazem sentido? Vamos falar um pouco sobre isso hoje em nove etapas antes de propôr uma conclusão...</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;ZwDi&quot; class=&quot;m_original&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://external-content.duckduckgo.com/iu/?u=https%3A%2F%2Ftse2.mm.bing.net%2Fth%2Fid%2FOIP.F8pLchiotcyr5OpFZHFQaQHaEO%3Fpid%3DApi&amp;f=1&amp;ipt=316771f00bc510397d31a983e89c1faa86ccf099085dcf2192c77fbf4dd5edfc&amp;ipo=images&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Eterno?&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;W3uq&quot;&gt;A mais impopular de todas as doutrinas cristãs estaria de fato na centralidade da fé? E estando, sua realidade ontológica já pode ser afirmada? Afinal, argumentos de castigo eterno justificados a partir da chamada &amp;quot;dignidade divina&amp;quot; fazem sentido? Vamos falar um pouco sobre isso hoje em nove etapas antes de propôr uma conclusão...&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;1)-O-Hades&quot;&gt;1) O Hades&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;t2G9&quot;&gt;Em primeiro lugar, é necessário lembrar que a Bíblia foi escrita em Hebraico (AT), Aramaico (AT) e Grego Koiné (NT). E o termo Hades que aparece no Novo Testamento (sim, porque não há &amp;quot;Hades&amp;quot; no Antigo Testamento), que pode ser traduzido tanto como &amp;quot;inferno&amp;quot; quanto como &amp;quot;morada dos mortos&amp;quot; e até mesmo como &amp;quot;sepultura&amp;quot;, é um termo GREGO. Ou seja, foi um termo que passou por uma &amp;quot;apropriação cultural&amp;quot; e que não era o idioma original nem dos antigos hebreus nem dos judeus. Não sendo termo de &amp;quot;natureza abrâamica&amp;quot; já nos coloca em algum lugar de dificuldade porque para entender &amp;quot;o que diabos devo entender de Hades&amp;quot;, com o perdão do trocadilho, precisaremos avaliar os campos semânticos tanto de Hades para os gregos quanto devemos investigar quais termos lhe seriam equivalentes em hebraico/aramaico (idiomas abrâamicos) e avaliar EM QUÊ ambos os campos semânticos convergem.&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;1.1)-Quais-passagens-bíblicas-distinguem-Hades-de-Geena-ou-Lago-de-Fogo?&quot;&gt;1.1) Quais passagens bíblicas distinguem Hades de Geena ou Lago de Fogo?&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;gA96&quot;&gt;As passagens bíblicas que distinguem Hades de Geena (ou Lago de Fogo) destacam as diferenças entre esses termos como diferentes realidades pós-morte:&lt;/p&gt;
  &lt;ul id=&quot;dB0C&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;JJSY&quot;&gt;Apocalipse 20:13-14 apresenta a distinção clara: &amp;quot;deu o inferno (no original, Hades) os mortos que nele havia, e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.&amp;quot; Aqui Hades é o lugar intermediário onde as almas aguardam o juízo, enquanto o lago de fogo representa a punição final e eterna após o juízo.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;vzyq&quot;&gt;Em Mateus 11:23, o termo grego &amp;quot;Hades&amp;quot; é usado para indicar o lugar dos mortos, contrastando com os vivos e o céu, mas não como um lugar de tormento eterno. Já a Geena, mencionada em passagens como Mateus 23:33 e Marcos 9:43-48, é simbolizada como fogo inextinguível e lugar de destruição eterna, não um local de espera.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;8MCW&quot;&gt;Lucas 16:19-26 conta a parábola do rico e Lázaro, onde o rico está no tormento no Hades, mas ainda existe uma separação permanente com o Lázaro no seio de Abraão, ilustrando o estado consciente das almas no Hades antes do juízo final.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;4Vzl&quot;&gt;Geena (do hebraico &amp;quot;Vale de Hinom&amp;quot;) simboliza um lugar de aniquilação total e destruição eterna, conforme Jesus usa para ilustrar a punição dos ímpios, enquanto Hades é o mundo invisível dos espíritos aguardando o julgamento.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;p id=&quot;VQo0&quot;&gt;Estas passagens revelam que Hades refere-se a um estado temporário ou local intermediário dos mortos, enquanto Geena ou Lago de Fogo representa o local de punição eterna após o juízo final.&lt;a href=&quot;https://leituracrista.com/livros/o-que-respondi-volume-1/ha_diferenca_entre_inferno,_lago_de_fogo,_hades,_s.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;leituracrista+3&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;1.2)-Cristo-no-Hades&quot;&gt;1.2) Cristo no Hades&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;2Aaf&quot;&gt;Cristo no Hades, ou &amp;quot;Descendit ad Inferna&amp;quot; costuma ser encenado como &amp;quot;a ida do Jesus desencarnado ao infeno tomar as chaves metafísicas da morte e do inferno das mãos do diabo&amp;quot;... literalmente. Mas toda a cena parece teatral demais para se tratar realmente disso... Quer dizer, existe uma &amp;quot;chave da morte&amp;quot;? O inferno tem &amp;quot;portões&amp;quot; para serem trancados? O diabo &amp;quot;governa&amp;quot; o inferno como uma espécie de monarca déspota? Eu gosto de teatralidade, mas seu uso é para remeter a algo mais conceitual do que para encenar as coisas tal e qual elas de fato acontecem e eu pretendo me segurar nessa analogia.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;b8Sn&quot;&gt;Heber Carlos Campos, doutor em Teologia Sistemática, defende que houve uma &amp;quot;tomada de campo semântico&amp;quot; por parte da tradição grega que se sobrepôs, por razões culturais e religiosas associadas ao significado de &amp;quot;hades&amp;quot;, ao que provavelmente era o pensamento hebraísta por trás da tradução do termo: a carga cultural do judeu sobre a morte se encerra na sepultura, e ao converter o conceito para o grego, o grego que se deparasse com &amp;quot;hades&amp;quot; não interpretaria naturalmente estarem falando APENAS da sepultura já que sua cultura e identidade religiosas imprimiriam por cima do conceito sua própria visão metafísica sobre o pós-morte. Por mais que um judeu soubesse grego, não há sinônimos perfeitos entre idiomas diferentes. Então, onde o judeu mirou em &amp;quot;Cristo desceu à sepultura&amp;quot; o grego leu &amp;quot;Cristo desceu ao domínio de Hades&amp;quot;, que são duas afirmativas (que partem de suas metafísicas religiosas) completamente diferentes. O que nos leva à pergunta: o que é o &amp;quot;Hades&amp;quot; para o grego?&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Referência:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;5plL&quot;&gt;CAMPOS, Heber Carlos. “Descendit ad Inferna”: Uma Análise da Expressão “Desceu ao Hades”&lt;br /&gt;no Cristianismo Histórico. Disponível em: &amp;lt;https://www.monergismo.com/textos/comentarios/descida_inferna_heber.pdf&amp;gt;. Acesso em 22 out. 2010.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;2)-O-Inferno-Grego&quot;&gt;2) O Inferno Grego&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;5Iik&quot;&gt;&amp;quot;O conceito de &amp;quot;Hades&amp;quot; na mitologia grega refere-se principalmente ao reino dos mortos, ou mundo inferior, para onde as almas se dirigiam após a morte. É um lugar invisível aos vivos, situado nos confins do mundo, geralmente descrito como estando nas profundezas ou nos limites exteriores do oceano. Nesse reino, a alma se desprende do corpo e passa por um julgamento que determina seu destino, que poderia ser o Tártaro (prisão para almas amaldiçoadas), os Campos Elísios (morada dos virtuosos) ou o Campo de Asfódelos (terra dos mortos em geral). O deus Hades, soberano desse reino, é uma figura temida; seu nome muitas vezes era evitado por causar medo, e ele é acompanhado pelo cão de três cabeças, Cérbero, guardião da entrada do submundo. Hades não representa a morte em si, mas seu domínio e o destino dos mortos, sendo uma figura impiedosa (...). Cultos a ele eram raros, pois seu reino era separado da vida dos vivos e pouco relacionado ao cotidiano deles.&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;2.1)-Aspectos-principais-do-&amp;quot;Hades&amp;quot;-como-morada-dos-mortos:&quot;&gt;2.1) Aspectos principais do &amp;quot;Hades&amp;quot; como morada dos mortos:&lt;/h3&gt;
  &lt;ul id=&quot;v1SE&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;ezqa&quot;&gt;Localização: submundo invisível, situado nos confins da terra, além do oceano e do mundo dos vivos.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;Z9eI&quot;&gt;Função: lugar para onde vão as almas após a morte, onde ocorre o julgamento.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;iSHC&quot;&gt;Destinos possíveis: Tártaro (alma punida), Campos Elísios (alma virtuosa), Campo de Asfódelos (alma comum).&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;n8b1&quot;&gt;Guardiões: Cérbero, cão de três cabeças que impede a fuga dos mortos.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;Lito&quot;&gt;Figura do deus Hades: soberano do reino dos mortos (...).&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;h3 id=&quot;2.2)-Como-funcionava-o-julgamento-das-almas-ao-chegar-em-Hades&quot;&gt;2.2) Como funcionava o julgamento das almas ao chegar em Hades&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;emWy&quot;&gt;O julgamento das almas ao chegar em Hades funcionava da seguinte maneira: após a morte, a alma era conduzida ao reino de Hades, onde deveria oferecer um óbolo (moeda) ao barqueiro Caronte para atravessar o rio e entrar no submundo. Lá, as almas eram apresentadas a um tribunal presidido por três juízes principais — Éaco, Radamanto e Minos — que avaliavam a vida e ações dos mortos. O próprio deus Hades assistia ao julgamento, e suas sentenças eram irrevogáveis, sem possibilidade de intervenção mesmo por Zeus.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;eKum&quot;&gt;(...)&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;bqKL&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/me-explique-de-forma-panoramic-eT1.xu6OSfima7ptIU4xQA&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/me-explique-de-forma-panoramic-eT1.xu6OSfima7ptIU4xQA&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;cqnn&quot;&gt;O Hades grego vai, inclusive, servir de base imagética para boa parte das construções literárias do inferno, das quais, talvez a mais notável seja &amp;quot;A Divina Comédia&amp;quot;, de Dante Alighieri, com seus 3 tomos: Inferno, Purgatório e Paraíso, influenciando não só a literatura (e, talvez, teologia) de toda matriz de idiomas latinos como vai também deixar sua marca no imaginário coletivo mundial a respeito do Cristianismo como um dos grandes clássicos da literatura. Mesmo quem nunca o leu pode estar familiarizado com o conceito de &amp;quot;9 infernos&amp;quot; (no Budismo são 10 mundos e 6 reinos infernais, mas isso é só uma curiosidade gratuita para entrarmos no próximo tópico).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EFVh&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;3)-O-Inferno-no-Budismo&quot;&gt;3) O Inferno no Budismo&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;YDa4&quot;&gt;Entender as palavras que costumeiramente traduzimos por &amp;quot;inferno&amp;quot; na Bíblia Sagrada e entender o pensamento grego sobre o que seria o &amp;quot;mundo dos mortos&amp;quot; está diretamente ligado ao problema da natureza do inferno mas citar o Budismo no mesmo artigo parece ser um distanciamento gratuito do ponto central do artigo, como numa &amp;quot;tergiversação&amp;quot;. Só peço aos leitores um pouco de paciência para que eu explique meus motivos:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EJRC&quot;&gt;Ainda em meu tempo de faculdade tive um bom amigo que era budista e, em meio a uma de muitas conversas, tendo inclusive levado material de leitura para casa emprestado para entender como funcionava o pensamento dentro de uma religião oriental, meu colega me explicou que existe o conceito de &amp;quot;inferno&amp;quot; também no Budismo. Na sua vertente, enquanto um &amp;quot;estado de espírito&amp;quot; mas budismo é como igreja evangélica: tem muitas vertentes! Algumas delas, inclusive, entendem sim o inferno como um lugar, de forma parecida com o entendimento cristão.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;dpPb&quot;&gt;Vou tentar então sintetizar as duas versões do problema a seguir pela ótica budista (enquanto leigo, afinal, não sou especialista no assunto).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;aUi2&quot;&gt;Mais especificamente:&lt;/p&gt;
  &lt;ul id=&quot;s5El&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;RJeF&quot;&gt;No Budismo Mahayana, o inferno é entendido como estados de sofrimento que são consequências diretas do karma negativo e que podem se manifestar tanto em reinos metafísicos como em estados mentais de sofrimento intenso.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;Z1a4&quot;&gt;Algumas interpretações, como as de Vasubandhu (filósofo budista), consideram o inferno essencialmente como um estado psicológico, uma manifestação da mente atormentada e suas projeções.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;2bM1&quot;&gt;Também há a visão de que o próprio ciclo do samsara, no qual todos os seres experienciam sofrimento, pode ser interpretado como um estado infernal enquanto durar o apego e as ilusões mentais.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;Yg13&quot;&gt;Em certos ensinamentos budistas, o inferno não é um lugar eterno, mas um estado de sofrimento temporário, podendo ocorrer aqui e agora como tormentos mentais profundos, além de possíveis reinos metafísicos.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;MHzl&quot;&gt;Na tradição Theravada, o &amp;quot;Inferno&amp;quot; (Niraya) é reconhecido como um estado ou plano de existência literal onde seres podem renascer e sofrer intensamente devido ao karma negativo. (...) O inferno literal é um dos planos de renascimento condicionado pelo karma negativo.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;h3 id=&quot;3.1)-Niraya,-O-&amp;quot;Inferno&amp;quot;-Budista&quot;&gt;3.1) Niraya, O &amp;quot;Inferno&amp;quot; Budista&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;0Ja0&quot;&gt;No Budismo Theravada, os textos canônicos que descrevem os infernos literais pertencem principalmente ao Cânone Páli, especialmente nos discursos conhecidos como Suttas. Entre eles, destacam-se:&lt;/p&gt;
  &lt;ul id=&quot;mkA6&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;keg6&quot;&gt;Os textos do Tipitaka, em particular o Dīgha Nikāya (Coleção dos discursos longos) e o Saṃyutta Nikāya (coleção de discursos conexos), que relatam várias descrições de reinos infernais, chamados de Niraya. Nestes textos, o inferno é retratado como um dos planos de renascimento, onde seres sofrem por karma negativo acumulado.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;6Q3v&quot;&gt;O Devadūta Sutta (do Majjhima Nikāya) também fala sobre seres enviados aos infernos para punição temporária devido a más ações.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;xUxU&quot;&gt;Além disso, comentários tradicionais como os de Buddhaghosa, que elaboram e interpretam os sutras, dão mais detalhes sobre esses reinos inferiores e suas características.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;p id=&quot;QZT4&quot;&gt;O inferno literal no Theravada não é eterno, mas um estado passageiro condicionado pelo karma, que pode durar longos períodos e causar sofrimento extremo, mas do qual a alma pode renascer em outros planos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;N0TI&quot;&gt;Portanto, o Theravada vê o Niraya como um dos seis reinos da existência cíclica (samsara) descritos nos textos canônicos, com referências claras no Tipitaka Páli e nos comentários tradicionais como os escritos por Buddhaghosa.&lt;a href=&quot;https://www.acessoaoinsight.net/glossario.php.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;acessoaoinsight+3&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;vBnZ&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/existe-algum-conceito-no-budis-J.xx792TTzuhjWxOyFoH5A&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/existe-algum-conceito-no-budis-J.xx792TTzuhjWxOyFoH5A&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Fuuz&quot;&gt;...É possível que um pensamento parecido com o budista exista em germe em alguns cristãos mais leigos, afinal, quem nunca se perguntou se é possível &amp;quot;sair&amp;quot; ou não do inferno ou ainda, quem nunca pensou que &amp;quot;Deus é bom demais para mandar alguém pro inferno&amp;quot; e preferiu olhar para a maldade cometida pelo ser humano como o próprio &amp;quot;inferno na Terra&amp;quot;? O ponto que quero trazer aqui é que se há &amp;quot;versões&amp;quot; de inferno mesmo em religiões que não compartilham a mesma matriz cultural originária, talvez estejamos diante de algo &amp;quot;parecido&amp;quot; com &amp;quot;a regra de ouro&amp;quot; no sentido de que pode ser arquetipicamente universal ou, ao menos, um conceito amplo em culturas civilizatórias dotadas de estrutura social e leis complexas, então, para além da curiosidade, talvez a ideia de inferno esteja mais entranhada na psique humana do que gostaríamos de admitir e, alterando levemente o famoso &amp;quot;argumento do desejo&amp;quot; de C. S. Lewis, &amp;quot;se eu encontrar dentro de mim terrores que nada neste mundo pode expressar...&amp;quot;, talvez isso seja um indicativo de alguma coisa.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;XAdR&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;4)-O-Inferno-e-o-Credo-Apostólico&quot;&gt;4) O Inferno e o Credo Apostólico&lt;/h3&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;CszP&quot;&gt;&amp;quot;&lt;em&gt;Creio em Deus Pai, Todo-poderoso&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;a2qe&quot;&gt;&lt;em&gt;Criador dos Céus e da Terra&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;BSoc&quot;&gt;&lt;em&gt;Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;xl2Q&quot;&gt;&lt;em&gt;O qual foi concebido por obra do Espírito Santo e nasceu da virgem Maria&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;NdGE&quot;&gt;&lt;em&gt;Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;eoLQ&quot;&gt;&lt;em&gt;Desceu em Hades, ressurgiu dos mortos ao terceiro dia&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;goHy&quot;&gt;&lt;em&gt;Subiu ao céu e está assentado à mão direita de Deus Pai, Todo-poderoso&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;0zYd&quot;&gt;&lt;em&gt;De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;0aON&quot;&gt;&lt;em&gt;Creio no Espírito Santo, na santa igreja universal, na comunhão dos santos&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;cooE&quot;&gt;&lt;em&gt;Na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo, na vida eterna&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;dvD4&quot;&gt;&lt;em&gt;Amém!&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;kYd1&quot;&gt;Este é o Credo Apostólico Cristão desde o Concílio de Jerusalém datado entre 48-50 d.C. Nele temos o &amp;quot;problema do Hades&amp;quot; tal e qual foi explicado pelo professor Heber Carlos Campos e a diversidade cristã de interpretações sobre esse &amp;quot;Hades&amp;quot; realmente parece não só ter origem grega mas se basear na repetição se quisermos assumir &amp;quot;dúvida razoável&amp;quot;, afinal pra que a gradação &amp;quot;crucificado, morto e sepultado&amp;quot; precisaria culminar em &amp;quot;desceu em Hades&amp;quot; se esse &amp;quot;Hades&amp;quot; for entendido apenas como &amp;quot;sepultura&amp;quot;? Afinal, muitos ramos do Cristianismo acreditam em revelação progressiva e o próprio Jesus foi quem introduziu o conceito de &amp;quot;Inferno&amp;quot; (que posteriormente ecoaria sob diversas matizes nas cartas de Pedro Judas e no Apocalipse de São João). Não seria então esse &amp;quot;Hades&amp;quot; de fato o &amp;quot;Inferno&amp;quot;?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;0bmZ&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;5)-O-Inferno-como-Desenvolvimento-Póstumo&quot;&gt;5) O Inferno como Desenvolvimento Póstumo&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;jloo&quot;&gt;Falar de &amp;quot;revelação progressiva&amp;quot; ou ainda de &amp;quot;sucessão apostólica&amp;quot; tende a nos levar a algo que a academia secular admite há muito tempo e o cristão devoto resiste em aceitar: dogmas são CONSTRUÍDOS... ou, como alguns cristãos preferem, são REVELADOS. Se assim é, além do problema de saber quais são os limites da extensão da revelação divina (que eu não pretendo tratar aqui) temos a vantagem de podermos rastrear historicamente de onde vieram as concepções atuais de Inferno. E o &amp;quot;Inferno&amp;quot; como desenvolvimento póstumo precisaria comparar o que era dito sobre no Cristianismo dos primeiros séculos até chegarmos no que hoje os cristãos entendem a respeito. As duas tarefas são bastante extensas e complexas, mas achei um breve documentário (infelizmente de viés único, secularizado) sobre o tema... Mas é melhor que nada e &amp;quot;se não tem tu, vai com tu mesmo&amp;quot;:&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;EC3v&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/GUU7wkjsoLg?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;ul id=&quot;nX7E&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;rq1D&quot;&gt;Documentário A História do Diabo | The History Of Devil. Disponível em: &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=GUU7wkjsoLg&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=GUU7wkjsoLg&lt;/a&gt;. Acesso em 02 set. 2025.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;p id=&quot;t2cJ&quot;&gt;O &amp;quot;plot&amp;quot; do documentário é simples: o inferno é uma construção cultural, logo não é real. Ora, Wittgenstein¹ vai defender que a linguagem é uma &amp;quot;construção cultural&amp;quot; ao defender que &amp;quot;não existe linguagem privada&amp;quot;¹ e nem por isso a linguagem deixa de existir. O problema do inferno ser &amp;quot;culturalmente construído&amp;quot; como &amp;quot;desenvolvimento póstumo&amp;quot; me parece ser outro: descrições incompatíveis do que seria o &amp;quot;Inferno&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;MHKC&quot;&gt;¹ - WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. Tradução de José Arthur Giannotti. São Paulo: Biblioteca Universitária da USP, 1968.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;v4At&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;6)-O-Inferno-enquanto-Revelação-Metafísica&quot;&gt;6) O Inferno enquanto Revelação Metafísica&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;kjoe&quot;&gt;Qual a natureza do &amp;quot;inferno&amp;quot;? Ele pode ser experienciado? No budismo, sim, já que pode ser também visto como um &amp;quot;estado de espírito&amp;quot;, mas estamos (novamente) falando de Cristianismo e, pelo menos na boca da maior parte dos cristãos, o inferno é uma &amp;quot;certeza de fé&amp;quot;. E, por ser assim, trata-se de uma certeza &amp;quot;metafísica&amp;quot;. Pra dizer no português mais claro possível: é uma certeza sem evidência ou prova, é uma certeza por necessidade do sistema de pensamento e confiança no discurso, no caso, de Jesus, seguindo uma interpretação bastante literalista, o que não costuma ser problema... a menos que a linguagem usada seja imagética e simbólica e, portanto, não-literal. Então, vejamos alguns textos sobre o inferno no Novo Testamento (afinal, o inferno não é realmente uma doutrina veterotestamentária ou seria também credo judaico, o que não é o caso):&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7Z8A&quot;&gt;Jesus comparou o inferno ao fogo (Mateus 25:41) , à escuridão exterior (Mateus 8:12) e relatou também que lá &amp;quot;vermes devoradores não morrem, e as chamas nunca se apagam&amp;quot; (Marcos 9:44). Mas como podemos ter &amp;quot;fogo&amp;quot;, &amp;quot;escuro&amp;quot; e ainda dotado de &amp;quot;vermes imortais&amp;quot; num mesmo lugar. Natural e nominalmente toda a construção da ideia de &amp;quot;Inferno&amp;quot; soa como uma &amp;quot;contradição de termos&amp;quot; já que &amp;quot;vermes&amp;quot;, &amp;quot;fogo&amp;quot; e &amp;quot;escuro&amp;quot; não combinam todos simultaneamente num mesmo lugar. Isso é admitido até mesmo por Luís Sayão, teólogo batista e hebraísta. Então, mesmo aceitando as &amp;quot;imagens terríveis&amp;quot; (certamente não se trata de um &amp;quot;lugar ou &amp;quot;estado de espírito&amp;quot; em que você gostaria de estar), não seria mais sensato admitirmos que &amp;quot;não sabemos o que de fato o inferno é&amp;quot;?&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;HBCa&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/ptF2HTYX_TY?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;N7Jw&quot;&gt;HolyCuts. O INFERNO É TEMPORÁRIO? – Luiz Sayão [Vídeo curto]. YouTube, 14 maio 2024. Disponível em: &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/shorts/ptF2HTYX_TY?utm_source=chatgpt.com&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.youtube.com/shorts/ptF2HTYX_TY&lt;/a&gt;. Acesso em: 5 set. 2025.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Z4Ab&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;7)-A-Natureza-do-Tempo-na-Eternidade&quot;&gt;7) A Natureza do Tempo na Eternidade&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;3uGR&quot;&gt;A natureza do tempo e da eternidade é um conceito que tentarei simplificar aqui da melhor maneira possível:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;rgIU&quot;&gt;Tempo é &amp;quot;devir&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Htf0&quot;&gt;Devir é &amp;quot; vir-a-ser&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;kb8b&quot;&gt;Vir-a-ser é &amp;quot;tornar-se algo&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;kgmj&quot;&gt;Tornar-se algo é estar em &amp;quot;movimento&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;ykDf&quot;&gt;Aquilo que é movido é posto em movimento por outro.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;wXdU&quot;&gt;Não existe passado infinito (se existisse, o hoje não chegaria).&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1aRI&quot;&gt;O movimento, todavia, pode ser infinito se assim for movido, independente da extensão do espaço... &lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;j4ie&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;KljL&quot;&gt;Portanto:&lt;/p&gt;
  &lt;ol id=&quot;7VvY&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;5O8U&quot;&gt;O movimento exige uma CAUSA PRIMEIRA;&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;Chqk&quot;&gt;A causa primeira PRECISA ser ETERNA para CONTER o MOVIMENTO;&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;45Ub&quot;&gt;O tempo acontece DENTRO da ETERNIDADE;&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;hyl1&quot;&gt;ETERNO é que sempre É, mas infinito é aquilo que começa, mas nunca tem fim (por ser contínua e imparavelmente movido).&lt;/li&gt;
  &lt;/ol&gt;
  &lt;p id=&quot;Q4s9&quot;&gt;Exemplos:&lt;/p&gt;
  &lt;ul id=&quot;7ybM&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;q573&quot;&gt;O conjunto dos números inteiros é infinito, mas começa com zero...&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;Esse&quot;&gt;Aquilo que é eterno SEMPRE EXISTIU (existe e continuará existindo).&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;ycNK&quot;&gt;Tudo que existe ou sempre existiu ou começou a existir.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;GWu7&quot;&gt;Só que tudo que começa a existir foi criado/gerado por outro que lhe seja anterior.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;p id=&quot;YW7A&quot;&gt;Simplificando: Eterno é que sempre houve-há-haverá; infinito é o que começa e não tem fim; e o tempo é um subconjunto dentro da eternidade.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;yAGN&quot;&gt;OLIVEIRA. Jean Paolo Martins. A Diferença Entre Eterno E Infinito. Disponível em: &amp;lt;&lt;a href=&quot;https://teletype.in/@jean_paolo/a-diferenca-entre-eterno-e-infinito&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://teletype.in/@jean_paolo/a-diferenca-entre-eterno-e-infinito&lt;/a&gt;&amp;gt;. Acesso em: 11 set. 2025.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;qVf5&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;8)-Sobre-a-Justiça-Divina&quot;&gt;8) Sobre a Justiça Divina&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;HRnl&quot;&gt;Para prosseguir na argumentação em direção ao aspecto da &amp;quot;Justiça Divina&amp;quot;, entendendo que Deu é ETERNO, como já explicado no tópico anterior, nos resta entender como o conceito de &amp;quot;Justiça&amp;quot; funciona na visão da cosmovisão cristã. Em termos simples &amp;quot;Justiça é dar a cada um a recompensa moral que lhe cabe&amp;quot;. Em outras palavras:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;9N4N&quot;&gt;O Bem é a Justiça, a Justiça é a Verdade e a Verdade simplesmente É.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1qmm&quot;&gt;(t.me/FilosofiaEAfins/34597)&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;miow&quot;&gt;A &amp;quot;Justiça Divina&amp;quot; então, corresponde a Deus extender a causalidade dos atos a todas as pessoas.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EqPl&quot;&gt;Eu, particularmente, dividi o argumento em 3 proposições:&lt;/p&gt;
  &lt;ol id=&quot;G3Uy&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;Jwd1&quot;&gt;PROPOSIÇÃO 1: Aquelas que não puderam agir ou não tinham controle/consciência de seus atos não podem ser julgadas (ex.: deficiente mental, bebê abortado, criança pequena, etc);&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;dq4J&quot;&gt;PROPOSIÇÃO 2: Aqueles que tomam parte dos méritos de Cristo herdam a &amp;quot;vida eterna&amp;quot; e&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;MH3P&quot;&gt;PROPOSIÇÃO 3: Quem rejeitar a salvação oferecida por Cristo recebem a paga de seus pecados.&lt;/li&gt;
  &lt;/ol&gt;
  &lt;p id=&quot;f7oI&quot;&gt;Obs.: Muito embora eu entenda que a &amp;quot;Proposição 1&amp;quot; é problemática se assumirmos uma hamartiologia muito rígida: já que costumeiramente entendemos que o pecado se tornou parte da &amp;quot;natureza humana&amp;quot; poderíamos assumir, se levarmos o &amp;quot;sistema de pensamento&amp;quot; às últimas consequências, que &amp;quot;Deus não seria injusto ao deixar no inferno cada um dos exemplares da proposição 1&amp;quot; da mesma forma que alguns pensam que &amp;quot;Deus manter pecadores no inferno sofrendo eternamente por pecados temporais é algo &amp;#x27;BOM&amp;#x27; &amp;quot;. Mas não creio em nenhuma dessas duas derivações e acho ambas INTRAGÁVEIS. Há algo disso em adaptações modernas do &amp;quot;Inferno de Dante&amp;quot; para o cinema (numa versão em anime, especificamente, há um local no inferno destinado a bebês abortados), na História do Catolicismo (quando surdos, por um tempo, foram considerados impossíveis de serem salvos já que não podiam &amp;quot;ouvir o evangelho&amp;quot;) e na hamartiologia calvinista já que, levada às últimas consequências em &amp;quot;redução ao absurdo&amp;quot; (coisa que, até onde sei, nem Calvino fez), vai nos obrigar a admitir que &amp;quot;se a eleição não têm reverberações sinérgicas&amp;quot;, Deus seria (probabilisticamente) justo ao mandar um bebê abortado para o inferno devido à sua onisciência antever que sua (ou suas) versão adulta (que nunca veio-a-ser) se tornaria alguém que rejeitaria a Cristo... ainda que essa admissão se dê apenas hipoteticamente.&lt;br /&gt;Como eu disse outrora: IN-TRA-GÁ-VEL! Razão esta porque eu, assim como C.S. Lewis, NEGO a doutrina da &amp;quot;depravação total&amp;quot; por algo que soaria mais como uma &amp;quot;depravação suficiente&amp;quot; (para responsabilização pelo pecado) já que a &amp;quot;totalidade da depravação&amp;quot; é uma tautologia que, creio, DESTRÓI o conceito de JUSTIÇA: sendo a Justiça uma retribuição, o pecado uma &amp;quot;depravação total da natureza&amp;quot; mesmo sem ser posta em ato, LOGO, seria &amp;quot;justo&amp;quot; um julgamento ANTES ou mesmo SEM o ato ser cometido, já que Justiça depende da causalidade e a causalidade é o próprio tempo.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fontes:&quot;&gt;Referências:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;50Q8&quot;&gt;BACCHIOCCHI, Samuele, Ph. D. Inferno: Tormento Eterno ou Aniquilamento? Biblia.com.br, s.d. Disponível em: &lt;a href=&quot;https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/inferno-tormento-eterno-ou-aniquilamentocd?utm_source=chatgpt.com&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/inferno-tormento-eterno-ou-aniquilamentocd&lt;/a&gt;. Acesso em: 5 set. 2025.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ut45&quot;&gt;LEWIS, C. S. O Problema da Dor. Tradução de Francisco Nunes. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021.&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;8.1)-Referências-Bíblicas&quot;&gt;8.1) Referências Bíblicas&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;VXC2&quot;&gt;Postas como verdadeiras as proposições 1, 2 e 3, tudo se resume em:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;O5bg&quot;&gt;&amp;quot;Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor&amp;quot;. (_Romanos 6:23.)&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;VWxZ&quot;&gt;Mas aqui também podemos ser mais esquemáticos:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;LaAH&quot;&gt;¹⁰ Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;WZaM&quot;&gt;¹¹ Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;U7bu&quot;&gt;¹² Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1Fzj&quot;&gt;¹³ A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;zElU&quot;&gt;¹⁴ Cuja boca está cheia de maldição e amargura.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;627g&quot;&gt;¹⁵ Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;KvJl&quot;&gt;¹⁶ Em seus caminhos há destruição e miséria;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;sMzu&quot;&gt;¹⁷ E não conheceram o caminho da paz.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;CFdH&quot;&gt;¹⁸ Não há temor de Deus diante de seus olhos.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Mihu&quot;&gt;¹⁹ Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;P4Cx&quot;&gt;²⁰ Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;R8cf&quot;&gt;²¹ Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;tYCv&quot;&gt;²² Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;ckz6&quot;&gt;²³ Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;kQm2&quot;&gt;²⁴ Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;VD3s&quot;&gt;²⁵ Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;p1KQ&quot;&gt;²⁶ Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;jDam&quot;&gt;Romanos 3:10-26&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;PrST&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;9)-Os-Argumentos-da-&amp;quot;Dignidade-Divina&amp;quot;&quot;&gt;9) Os Argumentos da &amp;quot;Dignidade Divina&amp;quot;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;Ul07&quot;&gt;&amp;quot;A gravidade de um crime é proporcional à dignidade do ofendido. Quanto mais digno o ofendido, maior a gravidade da ofensa cometida pelo ofensor&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;SQom&quot;&gt;Este é um argumento comum usado para designar porque um pecado contra Deus é visto como tendo maior gravidade do que um pecado contra o próximo, contra a natureza, contra si mesmo, etc. É simples de entender e exemplificar, afinal, nossa consciência nos diz que é pior roubar quando não há necessidade de sobrevivência, que é pior a violência cometida contra indefesos e que o mal planejado é pior do que o mal não intencionado. Mas eu tenho algumas objeções a esse tipo de argumento...&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;9.1)-Quando-Deus-&amp;quot;Releva&amp;quot;-o-Pecado&quot;&gt;9.1) Quando Deus &amp;quot;Releva&amp;quot; o Pecado&lt;/h3&gt;
  &lt;h4 id=&quot;&amp;quot;Há-pecado-que-não-é-para-a-morte&amp;quot;.1-João-5:17&quot;&gt;&amp;quot;Há pecado que não é para a morte&amp;quot;.1 João 5:17&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;SF6C&quot;&gt;É fato que &lt;em&gt;&amp;quot;Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam.&amp;quot; (Atos 17:30)&lt;/em&gt;. Mas, ao ler o contexto de 1 João 5 algumas coisas pairaram por bastante tempo na minha mente. Por exemplo: estou lendo a mesma Bíblia que diz que &lt;em&gt;Deus não tem o culpado por inocente (Naum 1:3)&lt;/em&gt; e que &lt;em&gt;abomina os que tramam contra o inocente (Salmo 15)&lt;/em&gt;?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vb0D&quot;&gt;&lt;em&gt;Voltando até o versículo 16 temos:&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ukMq&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte.&amp;quot; (1 João 5:14-17).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ccmu&quot;&gt;Sabemos que a Bíblia classifica apenas um pecado como imperdoável (Mateus 12:31). Então, isso leva a pensar que os demais não necessariamente incorrem em &amp;quot;morte eterna&amp;quot; ou no &amp;quot;dano da segunda morte&amp;quot; de Apocalipse 20:14-15.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;3Gbu&quot;&gt;O que nos coloca diante da seguinte situação: ou todos os perdidos que cometeram pecados &amp;quot;que não são para morte&amp;quot; acabaram por cometer, por gradação, o &amp;quot;pecado para morte&amp;quot; ou não tiveram quem &amp;quot;pedisse a Deus&amp;quot; por sua salvação, certo?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;B29E&quot;&gt;Mas vamos pensar só nos cristãos nesse caso, pois o texto está falando de cristãos (afinal, não se chamava de &amp;quot;irmão&amp;quot; quem não tivesse a mesma fé). Sendo o texto para cristãos ele revela:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;4HDF&quot;&gt;1 - A possibilidade do cristão cometer um pecado imperdoável contra Deus e;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;tTSQ&quot;&gt;2 - Os demais pecados não irão nos levar à morte eterna.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;zzXM&quot;&gt;Quando olho para textos que endossam a crença da onipotência divina como Jó 42:2 que dizem com palavras diferentes quase a mesma coisa: &amp;quot;Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.&amp;quot; sempre me vem à mente qual o sentido de dizer coisas como &amp;quot;precisamos fazer a vontade de Deus&amp;quot;? Ora, se nada do que Deus planejou sai diferente do plano e isso inclui o &amp;quot;cálculo do livre-arbítrio&amp;quot; humano, nossas decisões erradas mas bem intencionadas ou desesperadas (e acredite, se você não teve uma ainda, vai ter...) têm alguma relevância?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;3FHq&quot;&gt;Opa! Mas a matéria não era sobre sexo? Sim. E agora deixe-me dar um exemplo sobre sexo do contexto expresso acima: um rapaz cristão engravida a namorada mesmo sabendo que a igreja considera isso pecado de fornicação e decide se casar com a moça. Em primeiro lugar o pecado chamado &amp;quot;fornicação&amp;quot; é um pecado bastante nebuloso na Bíblia... Não vou tocar no âmbito dos pensamentos porque não se pode ler os pensamentos dos outros, mas se admitirmos que a situação da historinha dos namorados ocorreu numa relação exclusivamente monogâmica e todas as passagens usadas para falar contra relações fora do casamento na Bíblia se dão em relações em que há, no mínimo, um terceiro elemento (caracterizando prostituição ou devassidão e, no caso dos casais, adultério). Você pode checar isso em:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;2DOg&quot;&gt;&lt;em&gt;Dt 22:20-21; Jó 31.1; At 15:20,29; 1Cor 5:1-13; 6:9-10,13,15,18; Gl 5:19,21; Ef 5:5,8,11-12;1Tm 1:10; Hb 12.16; Ap 21.8.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;VhC3&quot;&gt;E antes que algum engraçadinho venha com essa ideia já vou avisando que não estou defendendo de forma alguma relacionamento sexual antes do casamento porque as pessoas são criaturas de hábitos, tendem a repetir os mesmos erros e conhecem muito mal suas próprias emoções e as do próximo, o que faz com que, na maioria das vezes, &amp;quot;um abismo chame outro&amp;quot; e torne tudo um grande círculo vicioso.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;qeHR&quot;&gt;Mas, na situação acima (que já observei em alguns casos na vida real), o ato foi isolado, motivado por certo descontrole, mas monogâmico... e produziu casamento. Eu posso dizer que isso aconteceu contra a vontade de Deus se eu o observar o casal unido e feliz?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;uky1&quot;&gt;É uma pergunta séria. Nós cristãos costumamos dizer coisas polêmicas como &lt;em&gt;&amp;quot;O que Deus uniu não separe o homem&amp;quot; (Marcos 10:9)&lt;/em&gt; - ou &amp;quot;se separou é porque não foi Deus quem uniu&amp;quot; e coisas mais polêmicas ainda como o pastor Nelson Júnior em alguns vídeos em que declara que &amp;quot;o sexo já é o casamento&amp;quot; baseado na conversa de Jesus com a Samaritana em João 4:4-26. Quem tiver paciência, assista ao vídeo de 119 minutos:&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;05B8&quot; class=&quot;m_original&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgyNc3u6d027Bv2v0m-U0YMlvvHhyLGqKSOGMlKyjnZBtv4oL2qj4bmDXdy6I1cE7OHrbi1kWxygKtyNZupS85oQ3mySJOxdU0qmsbvK6bRD0reAVWCrgB7VEZpY1_RpIJNxE-Bb6iycp4/s320/maxresdefault.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;T507&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://youtu.be/tEgn2sIXnxo&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://youtu.be/tEgn2sIXnxo&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HEPS&quot;&gt;&lt;em&gt;Obs.: Interrompemos nossa programação para informar que pastor Nelson Júnior viu que:&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9tyI&quot;&gt;&lt;em&gt;a) Estava falando merda e deletou o vídeo;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HubA&quot;&gt;&lt;em&gt;b) Usou uma música da Rihanna ou do David Guetta ao fundo do vídeo e levou um strike do youtube;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;qMXQ&quot;&gt;&lt;em&gt;c) Não conseguiu views o suficiente e mudou o formato dos vídeos do &amp;quot;Eu Escolhi Esperar&amp;quot;;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6NxA&quot;&gt;&lt;em&gt;d) Deletou o vídeo de propósito pra me fazer passar por mentiroso;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Et43&quot;&gt;&lt;em&gt;e) Todas as alternativas anteriores.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HPhk&quot;&gt;Quem não tiver (teve) paciência, adiante o vídeo para entre 26:04 a 26:50 e vai ver que não estou inventando coisas.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5ZKH&quot;&gt;A punição para quem violasse uma virgem em Israel está bem clara em Deuteronômio 22:28-29 e era CASAMENTO:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ZR8q&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Se um homem achar uma moça virgem não desposada e, pegando nela, deitar-se com ela, e forem apanhados, o homem que se deitou com a moça dará ao pai dela cinqüenta siclos de prata, e porquanto a humilhou, ela ficará sendo sua mulher; não a poderá repudiar por todos os seus dias.&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;j7Y4&quot;&gt;Me chamem de maluco se quiserem mas eu não estou enxergando onde está o castigo aqui... Tipo: quis? fez? agora assume. Agora imagine um casal que quisesse ficar junto contra a vontade das famílias, por exemplo. Eles poderiam (como alguns até hoje o fazem) recorrer a isso como solução. Estou sendo claro?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;cXf9&quot;&gt;Por que nas outras situações a má conduta sexual era punida com a morte e nessa não? E por que diante dessa situação nas igrejas as pessoas ficam discriminadas ou perdem a boa fama? Acho que um dos malefícios da era moderna sobre relacionamentos é que eles demoram demais pra evoluir. Como já dizia &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=WmDQzSuBGew&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;a filha do seu Faceta&lt;/a&gt;: &amp;quot;Papai, eu quero me casar!&amp;quot; mas ao invés de perguntar &amp;quot;Oh minha filha, ocê diga com quem!&amp;quot; as pessoas de hoje dizem: &amp;quot;faz faculdade primeiro&amp;quot;, &amp;quot;termina a pós&amp;quot;, &amp;quot;não paga aluguel, não! - tem que fazer a casa antes&amp;quot;, &amp;quot;compra um carro&amp;quot;, &amp;quot;arruma um emprego pra não depender só do dinheiro dele&amp;quot;, &amp;quot;muda de emprego&amp;quot;, &amp;quot;aprende outro idioma&amp;quot;, &amp;quot;vai fazer intercâmbio antes&amp;quot;, etc, etc... What a hell!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;3cBO&quot;&gt;Relacionamentos muito longos fatalmente vão terminar em sexo antes do casamento se não se deixar que os pobres &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=MtzHD0DqmRk&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Juleo &amp;amp; Romieta&lt;/a&gt; se casem, véi! É óbvio! É um dos motivos principais pras pessoas se casarem!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;0Ha2&quot;&gt;Vejam só, meu questionamento é o seguinte: essa situação específica pode ser interpretada como:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7Xoo&quot;&gt;1 - &amp;quot;Pecado que não é pra morte&amp;quot;, a ponto de Deus &amp;quot;relevar&amp;quot; e dizer &amp;quot;casem que tá tudo bem&amp;quot; ou&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Ogsd&quot;&gt;2 - O sexo é a própria consumação do casamento, do mesmo modo que Jesus deu a entender e que motivou o vídeo do pastor Nelson (assistam completo porque há outras nuances, sendo esta apenas a principal pois, como disse o pastor Nelson, &amp;quot;sexo é uma união de sangue com consequências para toda a vida&amp;quot;).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;z1Qr&quot;&gt;Se prosseguirmos na mesma linha de raciocínio teremos a razão de a prostituição ser condenada: ela &amp;quot;quebra&amp;quot; a consumação do que se poderia, grosso modo, chamar de &amp;quot;casamentos anteriores&amp;quot; sendo o mesmo que adultério, na lógica que Jesus, como aplicado à Samaritana. Mais grave ainda: qualquer pessoa que já teve experiência sexual, se converte, &amp;quot;escolhe esperar&amp;quot; e casa de novo é, por definição de Jesus, adúltera! Mesmo sem casamento civil oficializado da ou das uniões sexuais anteriores. Agora resta saber qual a diferença prática entre fornicação e adultério, pois se em João 4:4-26 Jesus estava falando do casamento do Éden (sexo) e em Marcos 10:9 (o mesmo discurso se repete mais detalhado em Mateus 19:3-11) do casamento civil como é que ficam os fornicadores arrependidos, afinal, Deus fará vistas grossas a qualquer novo relacionamento que eles tenham desde que monogâmico e oficializado em cartório ou o casamento destes em si mesmo já lhes acrescenta o pecado de adultério?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;QL17&quot;&gt;Parece uma petição de princípio um tanto forte vinda de um Deus que tolerou a poligamia escancarada por tanto tempo no Antigo Testamento - e não estou falando de Elcana e suas 2 esposas legalmente adquiridas e sustentadas por ele (1 Samuel 1:1 e 8), mas de Salomão e suas 1000 mulheres... sim, eu disse 1000 MULHERES (1 Reis 11:1 a 3).&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;ae9c&quot; class=&quot;m_original&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhO6yVslABBWRK2WIBVjGuJbmz9Jwneuo3Q6J9Mw90GzlZROobA2jBewNrHpn0cC18xv5jIh3vopQQPenhpgDknFzt97i0rsRjrSNztWm95BiIB-ipzldmcKnbA2geFXcwpTP2KzsMVaU0/s1600/113-Salomao.jpg&quot; width=&quot;470&quot; /&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;LtKn&quot;&gt;Ora, o Deus do Antigo Testamento fulminava pessoas por muito menos que isso (leia Gênesis 38:1-10 e 2 Samuel 6:1-8). Me arrisco a dizer que Deus tem assuntos mais importantes pra pensar do que sexo antes do casamento e poligamia ou teria sido mais claro no que estava dizendo... Mas posso estar errado.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;0HUF&quot;&gt;Se alguém puder me ajudar a compreender melhor o assunto, fique à vontade pra comentar... Daqui até lá vou centrar minha opinião num saudável ceticismo até que alguém me prove que Deus não fez do sexo e do casamento outro entre tantos paradoxos bíblicos.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;MoLN&quot;&gt;OLIVEIRA, Jean Paolo Martins de. Sexo e Casamento: Quando Deus releva o pecado... Ou quase. BLOG PROIBIDO PENSAR. Disponível em: &lt;a href=&quot;https://proibidopensar1.blogspot.com/2014/12/sexo-e-casamento-quando-deus-releva-o.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://proibidopensar1.blogspot.com/2014/12/sexo-e-casamento-quando-deus-releva-o.html&lt;/a&gt;. Acesso em: 08 set. 2025.&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;9.2)-O-Problema-do-&amp;quot;Ato-em-Si&amp;quot;&quot;&gt;9.2) O Problema do &amp;quot;Ato em Si&amp;quot;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;jw3X&quot;&gt;Vamos falar sobre multivaloração de atos morais. Imagine atos morais numa escala em que, uma ponta, temos o pior ato possível, o mais depravado e cruel de todos, e, na outra ponta, a maior de todas as bondades. Acredito que o maior problema em multivalorar atos morais é que alguns atos morais não me parecem sujeitos a escalas por seus resultados serem concretos. Explico: Diferentemente de algo roubado que pode ser devolvido, se eu mato alguém, não posso devolver a vida ao morto. Logo, a punição do ato, ao menos em tese, DEVERIA ser uma perda equivalente. Vemos isso, na lei de Talião: &amp;quot;Olho por olho, dente por dente&amp;quot;. Se, eventualmente, hoje podemos devolver olhos ou dentes, e também evitamos pensar castigo em termos de &amp;quot;dor&amp;quot;, sobra ser &amp;quot;criativo&amp;quot; e podemos propôr, por exemplo, que seja tirada do agressor a possibilidade de repetir o ato (e há muitos modos de fazer isso).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;M5bP&quot;&gt;Qual ato poderia de fato &amp;quot;ofender&amp;quot; a Deus se ele, teoricamente, pode &amp;quot;desfazer&amp;quot; qualquer coisa? E, se não puder desfazer qualquer coisa ou...&lt;/p&gt;
  &lt;ol id=&quot;x1ZZ&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;yGR8&quot;&gt;Não será mais onipotente, Ou&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;n40c&quot;&gt;Não agirá conforme sua onipotência por não desejar usá-la numa situação específica.&lt;/li&gt;
  &lt;/ol&gt;
  &lt;p id=&quot;ODcx&quot;&gt;No exemplo 2, mantemos a onipotência funcional e onde ela deve estar: num paradoxo. Já a Palavra de Deus revelada nos propõe que Deus fará Justiça (Gênesis 18:25), mas que Ele é compassivo (Êxodo 34:6, Salmos 103:8, etc.) em &amp;quot;aguardar&amp;quot; o tempo certo para isso (Gênesis 15:16, Apocalipse 20:11-21:4). Mas não me parece que o logicamente adequado no sentido de &amp;quot;dar a recompensa e desfazer o mal&amp;quot; seja &amp;quot;torturar por toda eternidade devido à responsabilidade de um ato que pode ser desfeito&amp;quot;. A menos que &amp;quot;não possa ser desfeito&amp;quot; e voltamos ao problema da onipotência conforme posto em 1 e deveremos admitir, como taoístas, maniqueus e zoroastristas que, em certo sentido, o mal e o bem são coeternos (e, me corrijam se eu estiver errado, essa não me parece ser a versão cristã &amp;quot;oficial&amp;quot; nem sobre a natureza do mal nem sobre os modos de afirmar a onipotência de Deus).&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;7UD8&quot;&gt;ALLAN, Dennis. O que quer dizer &amp;quot;encher a medida dos pecados&amp;quot;? Disponível em: &lt;a href=&quot;https://www.estudosdabiblia.net/bd711.htm&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.estudosdabiblia.net/bd711.htm&lt;/a&gt;. Acesso em 08 set. 2025.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;fydP&quot;&gt;Claro que também me parece possível enquanto cristão afirmar uma &amp;quot;versão fraca&amp;quot; de onipotência onde a mesma seria apenas uma figura de linguagem para expressar que Deus faz o que não é possível a homem algum mas Deus teria sim limitações. Alguns candidatos a exemplos seriam um tipo de lógica metafísica inescapável como nos primeiros princípios; ontologicamente e materialmente, já que a escolha do material da obra determina o resultado necessariamente uma vez posto em ato) ou até mesmo seguindo uma linha &amp;quot;voluntarista&amp;quot; em que Deus simplesmente não faz algo não porque não possa, mas porque é caprichoso e não tem interesse nem vontade nenhuma de agir em certas direções. A &amp;quot;versão fraca&amp;quot; da onipotência parece mais adequada ao intelecto e à literatura bíblica e pode ser explicada de qualquer uma das 3 formas exemplificadas e parece preferível a uma onipotência &amp;quot;literal&amp;quot; já que há pelo menos uma coisa que qualquer cristão de qualquer tradição deve concordar para ser considerado cristão e é uma limitação à onipotência divina: &amp;quot;Deus não pode pecar&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;z0mW&quot;&gt;Se Deus pode desfazer o mal, o Inferno precisa:&lt;/p&gt;
  &lt;ol id=&quot;zcZi&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;vuRi&quot;&gt;Ser algo &amp;quot;bom&amp;quot; - enquanto pode ser chamado de &amp;quot;bom&amp;quot; punir o mal, ou&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;YTzV&quot;&gt;Contar com a presença de Deus - já que enxergar o Inferno como &amp;quot;ausência de Deus&amp;quot; só faz sentido se o Inferno for &amp;quot;aniquilação&amp;quot; já que Deus, como formulado na teologia cristã, precisa ser onipresente e, ao contrário da onipotência, a onipresença não tem via de ser anulada por &amp;quot;vontade&amp;quot; como o é a onipotência, ao menos não nas 3 pessoas da trindade (Ex.: Jesus, ao encarnar a primeira vez, abandonou a onipresença para estar corporalmente em um lugar de cada vez... Aliás, a encarnação criou uma SÉRIE DE PARADOXOS EM DEUS sobre os quais eu talvez escreva um dia... Por exemplo, se seu colega ateu resolveu te perguntar &amp;quot;se Deus tem nariz&amp;quot; a resposta é SIM já que Jesus é Deus!), ou&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;P81r&quot;&gt;Ser, de FATO, ANIQUILAÇÃO.&lt;/li&gt;
  &lt;/ol&gt;
  &lt;h3 id=&quot;9.3)-A-Etimologia-da-Palavra-&amp;quot;Dignidade&amp;quot;&quot;&gt;9.3) A Etimologia da Palavra &amp;quot;Dignidade&amp;quot;&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;zD66&quot;&gt;Em sua origem, a palavra que hoje se tornou &amp;quot;dignidade&amp;quot;, do original &amp;quot;dignitas&amp;quot; proveniente de &amp;quot;dignus&amp;quot; tem no cerne de seu &amp;quot;campo semântico&amp;quot; as ideias de &amp;quot;mérito&amp;quot; e &amp;quot;propriedade&amp;quot;. Assim, poderíamos resumir a base da hamartiologia cristã nos diz que &amp;quot;Deus é digno, nós não&amp;quot;, uma vez que o pecado dos primeiros pais (Adão e Eva) é transmitido (ou seria &amp;quot;imputado&amp;quot;?) aos seus descendentes. Portanto, não haveria realmente nenhum &amp;quot;mérito&amp;quot; ou &amp;quot;propriedade&amp;quot; humanos partindo da ideia de que &amp;quot;todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus&amp;quot; (Romanos 3:23).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;u6k7&quot;&gt;Se a &amp;quot;dignidade&amp;quot; de fato é atributo divino, e não humano, estaria melhor representada pelo termo &amp;quot;autoridade&amp;quot; por ser Deus o &amp;quot;autor da vida, do universo e tudo mais&amp;quot;. Assim, para fins de seguir esta argumentação, vou assumir que o &amp;quot;núcleo&amp;quot; (o &amp;quot;core&amp;quot;) de &amp;quot;dignidade&amp;quot; é a &amp;quot;autoridade&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;tsWQ&quot;&gt;Por conseguinte, o que chamamos de &amp;quot;dignidade humana&amp;quot; seria ontologicamente vazia e logicamente derivada da/subordinada à &amp;quot;dignidade divina&amp;quot; (a conclusão aqui se deriva da doutrina cristã do &amp;quot;Imago Dei&amp;quot;: Deus é &amp;quot;digno&amp;quot;; o ser humano é criado à &amp;quot;imagem e semelhança de Deus&amp;quot;; logo, a dignidade divina se extende ao ser humano na forma do que chamamos de &amp;quot;dignidade humana&amp;quot;), seja na vida, seja na morte conforme Eclesiastes 12:7: “e o pó retorna à terra como o era e o espírito retorna a Deus que o deu.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Fonte:&quot;&gt;Fonte:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;pSqE&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/qual-a-etimologia-da-palavra-d-ccCEkmrhSEGz2ct21grlwQ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/qual-a-etimologia-da-palavra-d-ccCEkmrhSEGz2ct21grlwQ&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;XXbQ&quot;&gt;No Cristianismo, &amp;quot;do Senhor é a Terra e tudo quanto nela há&amp;quot; (Salmos 24:1), portanto, o homem &amp;quot;não tem propriedade&amp;quot;... ao menos não propriedade extrínseca. Mas pela mesma razão do argumento anterior, alguma &amp;quot;propriedade&amp;quot; pode ser extendida ao ser do homem se entendermos que Deus enquanto doador, sendo &amp;quot;autor&amp;quot; daquilo que doa ou, se tentarmos nos expressar com mais precisão, daquilo que &amp;quot;empresta&amp;quot; (afinal, qual o sentido de &amp;quot;doar&amp;quot; para &amp;quot;tomar de volta&amp;quot;?) temos como nossa propriedade (além de nossa morte) o nosso corpo. C. S. Lewis dizia que &amp;quot;Você não é um corpo que tem uma alma. Você é uma alma que tem um corpo&amp;quot;. Então, de algum modo impróprio, nossa vida não nos pertence porque não somos nossos próprios sustentadores nem causamos a nós mesmos (afinal, isso seria absurdo), mas em algum sentido nossas &amp;quot;almas&amp;quot; (enquanto &amp;quot;vida&amp;quot; manifesta no corpo) são &amp;quot;nossas&amp;quot; enquanto algo ali imiscuído revela nossa identidade.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;YZ2S&quot;&gt;Se aceita essa interpretação, a conclusão necessária é que todos os pecados são indignidades cujo salário é morte e, uma vez que todos pecaram, não resta ninguém entre os humanos que seja &amp;quot;digno em si&amp;quot;. Nossa consciência insiste em agravar ou abrandar julgamentos baseado nas condições do pecado cometido talvez por resquícios da Imago Dei em nós, não totalmente depravada como o querem alguns sistemas teológicos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;yWpx&quot;&gt;Veja, biblicamente o próprio Jesus ilustrava em parábolas que Deus também reconhece esse senso de gravidade para o bem ou mal cometidos porque Deus nos recompensa e mesmo fora dos evangelhos esse tipo de &amp;quot;raciocínio econômico&amp;quot; também aparece nos ensinos apostólicos (Mateus 25:14-30; Lucas 12:45-48, Hebreus 11:6, etc). Se formos procurar problema de fato nesse entendimento de &amp;quot;dignidade&amp;quot;, o senso de &amp;quot;valor&amp;quot; de onde deriva essa &amp;quot;dignidade&amp;quot; é que pode ser problemático: Veja, se todo valor e autoridade &amp;quot;emana&amp;quot; de Deus, o ser humano é &amp;quot;eternamente despojado&amp;quot; - se o ser humano nada tem de valor em si e nada pode dar a Deus, por que Deus deveria &amp;quot;valorar&amp;quot; nossos pecados a ponto de nos responsabilizar? Não faz muito sentido cobrar de alguém que nada tem, especialmente se o que esse alguém tem de posse pode ser expropriado, reapropriado ou até anulado pelo &amp;quot;dono&amp;quot; em questão a qualquer hora. O que poderíamos ter para que Deus quisesse, já que Ele literalmente nos deu e nos dá tudo?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;sorZ&quot;&gt;É por isso que eu estou utilizando a palavra &amp;quot;autor&amp;quot; - o autor autoriza, autua, escreve e se responsabiliza pelo que põe em ato ao (d)escrever. Levando um pouco para o lado do storytelling, podemos dizer que o autor é quem tem a liberdade de dizer &amp;quot;que mundo é aquele&amp;quot; que está sendo (d)escrito com suas regras, seus ambientes e seus personagens. Mas o personagem permanece com as características dadas e aprendidas e permanece dono de suas decisões mesmo quando o autor as determina. As responsabilidades não se anulam, só estão em níveis diferentes. Entretanto, a &amp;quot;vontade&amp;quot; do autor em direcionar a história &amp;quot;assim ou assado&amp;quot; é soberana do autor.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5FJx&quot;&gt;O que nos leva à questão de se a gravidade de um mal ato é (ou não) realmente proporcional à dignidade do ofendido. Por mais que se entenda que &amp;quot;quanto mais digno o ofendido, maior a gravidade da ofensa cometida pelo ofensor&amp;quot;, não se segue que seria justo receber punição de DURAÇÃO ETERNA apenas porque o ofendido é eterno em &amp;quot;dignidade&amp;quot;. Tal alegação extraordinária só faria sentido se esta for a &amp;quot;vontade&amp;quot; arbitrária do autor. O que nos leva ao próximo problema, sobre a possibilidade (ou não) de resolver &amp;quot;o problema do mal&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;9.4)-A-Questão-do-Aniquilacionismo&quot;&gt;9.4) A Questão do Aniquilacionismo&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;N1nQ&quot;&gt;Como vimos anteriormente, temos 3 opções em relação ao inferno (seja ele o que for): ele tem que ser &amp;quot;bom&amp;quot; (o que pode ser questionado, já que aparenta ter em si uma desproporção ao ato punido); que Deus precisa estar lá (então, de modo direto ou indireto, seria ele a &amp;quot;causa&amp;quot; do sofrimento no inferno, o que parece ser difícil mas não impossível de aceitar no caso de um Deus onibenevolente) e a opção que me parece mais logicamente e etimologicamente adequada ao modo obscuro como a escritura monta o tema é justamente a terceira: resolver o problema do mal não seria, na verdade, eliminá-lo de uma vez por todas? Fazê-lo cessar? Impossibilitar que os &amp;quot;crimes&amp;quot; cometidos se repetissem?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;C2ML&quot;&gt;Vejam, a linguagem usada pela Escritura não é única, mas muitas vezes é mais imagética que literal, daí termos inconsistências entre termos como &amp;quot;vermes&amp;quot;, &amp;quot;fogo&amp;quot; e &amp;quot;trevas&amp;quot;. Mas o desfecho para o problema do mal dado tanto no Apocalipse quanto pelo próprio Jesus é &amp;quot;fazer perecer tanto o corpo quanto a alma no inferno&amp;quot; (Mateus 10:28) e &amp;quot;perecer é cessar&amp;quot;. Sei que há propostas metafísicas diferentes para o entendimento do que seja a &amp;quot;segunda morte&amp;quot; (como a que diz que, ao serem lançado &amp;quot;a morte&amp;quot; e &amp;quot;o inferno&amp;quot; no lago de fogo tudo passaria a existir para sempre porque a &amp;quot;morte&amp;quot; enquanto &amp;quot;cessação&amp;quot; já não existiria) mas olhando para uma lógica simples &amp;quot;morrer não é viver para sempre sendo torturado&amp;quot;. Existe um adágio popular que diz que &amp;quot;a vida é sofrimento&amp;quot; e, filosoficamente, sabemos que &amp;quot;não existe vantagem alguma na inexistência&amp;quot;. Então, com que coerência podemos afirmar que &amp;quot;morte eterna&amp;quot; é &amp;quot;viver para sempre&amp;quot;? Eu, ao menos, não vejo como. Morte é morte, e morte não é vida.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;8oSs&quot;&gt;Entendo que o argumento aqui é uma faca de dois gumes, já que quem advoga um inferno eterno poderia dizer que Deus, em sua &amp;quot;misericórdia&amp;quot;, prefere deixar os perdidos sofrendo para sempre do que aniquilá-los já que &amp;quot;não existe vantagem alguma na inexistência&amp;quot;, mas eu continuo entendendo que a questão aqui não RESOLVE o &amp;quot;problema do mal&amp;quot; e torna Deus, ao menos no aspecto do juízo, ineficiente (Salmos 6:5, Salmos 115:17-18, Isaías 38:18-20).&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;Conclusão&quot;&gt;Conclusão&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;5aUu&quot;&gt;Resumindo a linha de raciocínio da argumentação, vejamos se a mesma faz sentido:&lt;/p&gt;
  &lt;ol id=&quot;kc5b&quot;&gt;
    &lt;li id=&quot;B9Sk&quot;&gt;Hades é sepultura.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;9jpY&quot;&gt;O Hades Grego é a raiz do entendimento de inferno como &amp;quot;lugar&amp;quot;.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;F0Fs&quot;&gt;Outras religiões, a exemplo do budismo, podem entender o inferno como lugar ou estado de espírito.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;YKtD&quot;&gt;O Inferno / Hades no Credo Apostólico é (ou parece muito ser apenas) a sepultura.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;kd4p&quot;&gt;A doutrina cristã do inferno é um &amp;quot;desenvolvimento posterior&amp;quot; ao Cristianismo Primitivo e tem suas raízes no imaginário grego.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;LAZN&quot;&gt;As descrições bíblicas do inferno são imagéticas e não literais por usarem termos incompatíveis entre si.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;fQVX&quot;&gt;O tempo está dentro da eternidade, a eternidade está apenas na divindade e em tudo que existe Deus precisa estar presente enquanto sustentador.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;jlRm&quot;&gt;A Justiça Divina é eterna tanto em sua recompensa aos crentes em Cristo quanto no castigo dos pecados cometidos pelos &amp;quot;filhos da desobediência&amp;quot;.&lt;/li&gt;
    &lt;li id=&quot;f3DR&quot;&gt;Da &amp;quot;dignidade&amp;quot; da Justiça Divina não só não se segue necessariamente a eternidade do inferno como o conceito de eternidade no inferno torna o mal algo eterno e o problema do mal insolúvel em última análise.&lt;/li&gt;
  &lt;/ol&gt;
  &lt;p id=&quot;DePB&quot;&gt;Vejam bem, eu NÃO SOU TEÓLOGO! Algo do que eu disse pode ter representado mal alguma das doutrinas citadas (Hamartiologia, Soteriorologia, Antropologia Bíblica, Escatologia, Metafísica Cristã) e, se assim o for, estou disposto a discutir e voltar atrás no que disse uma vez que eu seja convencido racionalmente de uma abordagem melhor. Assevero o mesmo a respeito dos idiomas originais em que os textos bíblicos sobre o assunto estão presentes: não sou hebraísta nem filólogo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;VVKY&quot;&gt;Meu único objetivo em escrever este artigo foi, enquanto cristão, aclarar minhas próprias ideias a respeito da doutrina do inferno a partir do conhecimento que tenho hoje de storytelling, Filosofia e Lógica porque realmente me parece que o entendimento médio sobre o tema, ao menos se levarmos em consideração a apresentação que chegou a mim tem um número tão grande de inconsistências que não parece estar certo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7Bcx&quot;&gt;No mais, espero sinceramente que as descrições apresentadas sobre o entendimento comum das doutrinas das quais &amp;quot;a doutrina do inferno&amp;quot; depende e que tentei aqui contrargumentar não se trate de um &amp;quot;argumento espantalhado&amp;quot; e que a leitura desse artigo não induza ninguém a erro em matéria de fé, mas nos ajude a entender melhor em que a doutrina do inferno consiste ou, ao menos, o que de fato não podemos afirmar ou derivar dela.&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:Entre-Ansiedade-E-A-Despersonalizacao</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/Entre-Ansiedade-E-A-Despersonalizacao?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Psicologia Existencial E Timidez: Entre A Ansiedade E A Despersonalização</title><published>2025-08-23T02:07:43.561Z</published><updated>2026-04-13T14:06:25.045Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img1.teletype.in/files/c3/5e/c35e3b4c-daee-471e-a166-2271bda49d04.png"></media:thumbnail><category term="psicologia" label="Psicologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/4e/39/4e39f1e4-f5e3-4ea9-88fa-d8461c282257.png&quot;&gt;Esta é uma matéria diferente, separada em tópicos temáticos, escrita pelo psicólogo Jean de Oliveira, CRP-03/9178, abordando uma ligeira interseção entre música, psicologia, cristianismo e filosofia.</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;8sMc&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;10 DICAS PARA VENCER A TIMIDEZ&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;YPfK&quot;&gt;Esta é uma matéria diferente, separada em tópicos temáticos, escrita pelo psicólogo Jean de Oliveira, CRP-03/9178, abordando uma ligeira interseção entre música, psicologia, cristianismo e filosofia.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;K8Tl&quot;&gt;Boa leitura!&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;irD9&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;AQf7&quot; class=&quot;m_original&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/c7/2c/c72c14ff-db70-4176-9096-5a8036a83d2a.jpeg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/JeanPsicologia&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;wn5J&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;2Pp1&quot;&gt;📝&lt;strong&gt;Sumário do&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;artigo:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;s3k5&quot;&gt;Obs.: Pra quem está lendo pelo Telegram é possível copiar o sub-título e pesquisar na opção &amp;quot;Buscar&amp;quot; dos 3 pontinhos da parte superior direita da tela indo direto pro tópico que mais interessar.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;uSi6&quot;&gt;Parte 1 - Psicologia da Timidez e da Introversão&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;bSlk&quot;&gt;Parte 2 - Timidez na Bíblia Cristã: Uma faca de dois gumes&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;rnff&quot;&gt;Parte 3 - Timidez &amp;amp; O Sentido da Vida: Entre livros e música...&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;OpUZ&quot;&gt;Parte 4 - O Inferno São Os Outros?&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;HiU1&quot;&gt;Parte 5 - As lições de &amp;quot;Memento Mori&amp;quot; em Frank Sinatra e Titãs&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Rj6T&quot;&gt;Parte 6 - Negando-se A Si Mesmo do Jeito Errado: Uma visão Cristã sobre a &amp;quot;despersonalização&amp;quot;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Parte-1---Psicologia-da-Timidez-e-da-Introversão&quot;&gt;Parte 1 - Psicologia da Timidez e da Introversão&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;SBkY&quot;&gt;Trabalhando como Psicólogo é comum que parte dos atendimentos não seja de fato visando corrigir ou controlar uma patologia mental, mas administrar um traço de personalidade eventualmente difícil ou problemático. E não, esse tipo de problema não se resolve com medicamentos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;xfUA&quot;&gt;Um dos traços de personalidade que, 10 anos atrás, seria tido apenas como tímido ou &lt;a href=&quot;https://g.co/kgs/ei1MWT&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;distímico&lt;/a&gt; hoje em dia é tido como &amp;quot;ansioso&amp;quot;. De toda modo, é raro encontrar uma pessoa ansiosa que não seja tímida. Não digo isso universalmente, mas apenas em minha experiência clínica.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;CYzv&quot;&gt;E afinal, o que é a timidez? Talvez a melhor resposta já tenha sido dada na canção homônima de Biquíni Cavadão:&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;Crst&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://player.vimeo.com/video/218188632/?autoplay=false&amp;loop=false&amp;muted=false&amp;title=true&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;BIQUINI CAVADÃO TIMIDEZ 1986 (Video Original)&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;YL7U&quot;&gt;&amp;quot;Eu ensaio, mas nada sai... O seu rosto me distrai.&amp;quot;...Ou seja, basicamente, uma forma de &amp;quot;ansiedade social&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;1WUg&quot;&gt;Diferente do &lt;a href=&quot;https://maisterapia.com.br/introversao-nao-e-timidez&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;introvertido&lt;/a&gt; (embora estas palavras sejam usadas como se fossem sinônimas) o que chamarei de &amp;quot;tímido ansioso&amp;quot; precisa de validação social (coisa que não interessa ao introvertido, cuja essência é avessa aos holofotes ou se meter na vida alheia).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vemQ&quot;&gt;Como toda pessoa desejosa por validação, o &amp;quot;tímido ansioso&amp;quot; é um julgador que teme receber do próximo um julgamento tão pesado quanto o que ele faz de si mesmo. O que é esquisito já que, ao contrário do extrovertido que deliberadamente busca (apenas) validação social, o &amp;quot;tímido ansioso&amp;quot; tende a evitar agir e costuma estar cercado por pessoas que não o acham interessante justamente por não fazer nada de mais para ser notado.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Parte-2---Timidez-na-Bíblia-Cristã:-Uma-faca-de-dois-gumes&quot;&gt;Parte 2 - Timidez na Bíblia Cristã: Uma faca de dois gumes&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;qXWl&quot;&gt;Aqui é importante relembrar a diferença entre aquele que é popularmente chamado de &amp;quot;tímido&amp;quot;, mas que é apenas introvertido, e o &amp;quot;tímido ansioso&amp;quot;, que é um julgador, como já descrevemos alguns passos atrás. Alertava Jesus nos Evangelhos:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Vrb4&quot;&gt;-&amp;quot;Não julgueis para que não sejais julgados, pois com a mesma medida com que medirem também lhes medirão os homens!&amp;quot; Mateus 7:1-2&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bAze&quot;&gt;E que julgamento poderia ser pior do que o que fazemos de nós mesmos? Certa feita, assistindo a um episódio da série &amp;quot;Doctor Who&amp;quot;, num dado episódio, uma personagem &lt;a href=&quot;https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Transmorfo&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;metamorfa&lt;/a&gt; não conseguia controlar sua habilidade e acabava se tornando idêntica a qualquer pessoa que tocasse, e uma pergunta da mesma me chamou atenção:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ANtI&quot;&gt;&amp;quot;Como abraçar alguém que tem o mesmo rosto que você?&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;kaUv&quot;&gt;No caso do background de construção da personagem, isso havia destruído seus relacionamentos. Óbvio que me chamou atenção.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Zo2D&quot;&gt;Voltando às da Escrituras Sagradas, há uma passagem extremamente pesada sobre &amp;quot;timidez&amp;quot; na Bíblia que vem de Apocalipse 21:8 na Tradução Almeida Corrigida Fiel - ACF (apesar deste versículo não conter a melhor das traduções, decidi usar o texto assim mesmo por conta do contexto do presente artigo):&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7TOK&quot;&gt;&amp;quot;Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vExe&quot;&gt;Outra passagem com tradução menos problemática sobre este tipo específico de &amp;quot;tímido&amp;quot; a que me refiro aparece ne Evangelho de Marcos:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;65FC&quot;&gt;&amp;quot;Então lhes perguntou: Por que sois assim tímidos? Ainda não tendes fé?&amp;quot; Marcos 4:40&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Pvjm&quot;&gt;Se o tipo ansioso de timidez é julgador por ser auto-referente e, ao mesmo tempo, incapaz de agir devido também a esse aspecto julgador, pode-se concluir, por conseguinte, que tais pessoas não confiam nem em si nem no próximo. E o que seria a fé senão um tipo de confiança?&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Parte-3---Timidez-&amp;-O-Sentido-da-Vida:-Entre-livros-e-música...&quot;&gt;Parte 3 - Timidez &amp;amp; O Sentido da Vida: Entre livros e música...&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;yH4l&quot;&gt;Viver a vida como quem não age, não cria laços, julga e se julga acaba por nos levar a um tipo de &lt;a href=&quot;https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Disson%C3%A2ncia_cognitiva&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;dissonância cognitiva&lt;/a&gt; entre o que queríamos fazer e o que de fato fazemos, como se o que as pessoas desejam de nós fosse mais importante do que quem de fato somos e a missão que temos, independente de se entender missão como a concretização de uma obra, a realização de um talento desenterrado ou um dom espiritual que Deus lhe entregou para servir ao próximo da maneira como Ele projetou para que fossemos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ID0N&quot;&gt;Inevitável passar por este tema sem parar para pensar na resposta para a pergunta de &amp;quot;qual é o sentido da vida?&amp;quot; ou, ao menos, &amp;quot;qual é o sentido da MINHA vida?&amp;quot; Eu mesmo tive de tatear a resposta e ainda me lembro do que escrevi:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;SmQv&quot;&gt;Acredito que o sentido de viver seja dar forma à própria alma (self). A vida dura pouco, e é nesse pouco tempo que devemos nos tornar aquilo que de fato somos, assim como a semente deve se tornar a árvore. E isso já é demasiado cheio de empecilhos que nos podam para adicionarmos a isso vivermos como mentirosos numa vida que não é a nossa.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;zIgM&quot;&gt;As pessoas deveriam gastar mais tempo sendo o que de fato são (e não o que pensam ser, queriam ser, se sentem como se fossem nem o que te dizem pra ser). E isso é difícil porque é um processo que precisa acontecer através dos nossos relacionamentos humanos fundamentais de afeição, amizade, paixão e caridade. Tem um livro do C. S. Lewis sobre isso chamado &amp;quot;Os Quatro Amores&amp;quot;, que ilustra bem, com diversos exemplos da vida real e da ficção, como cada uma dessas coisas pode desde nos curar até causar profundo sofrimento.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;3GLo&quot;&gt;Acho que a única forma de ser mais claro que isso é com poesia:&lt;/blockquote&gt;
  &lt;figure id=&quot;IY9P&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://player.vimeo.com/video/689072236/?autoplay=false&amp;loop=false&amp;muted=false&amp;title=true&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;The Calling - Things Will Go My Way (legendado)&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;lYjI&quot;&gt;&amp;quot;Nada parece funcionar&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;iO8S&quot;&gt;E eu estou deprimido novamente&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;MNnf&quot;&gt;Eu me espremo para atravessar&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;o8xj&quot;&gt;a multidão de almas perturbadas&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;OhhD&quot;&gt;Apenas para descobrir que eu estou bem aqui atrás&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;uoQ1&quot;&gt;Fazendo o que me falam&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;LEQp&quot;&gt;Então segure a minha mão&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vTxE&quot;&gt;E não deixe eu me entregar&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vYqz&quot;&gt;Porque talvez algum dia, a seu tempo&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;CASY&quot;&gt;As coisas serão do meu jeito&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7Yc2&quot;&gt;Por todas as mentiras que eu tenho provado&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;8G6u&quot;&gt;Apenas buscando a verdade&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;oYLk&quot;&gt;Por todos os sonhos que estou perseguindo&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ru5C&quot;&gt;O que eu devo fazer&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;49v8&quot;&gt;Quando tudo está contra mim&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;2xjC&quot;&gt;E as respostas estão todas erradas?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;4e4Q&quot;&gt;Eu espero que possa descobrir&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Zrge&quot;&gt;Que tudo valeu à pena todo o tempo&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5hns&quot;&gt;Então me abrace agora&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9IVF&quot;&gt;E diga que isso não é para sempre&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GsUl&quot;&gt;Porque eu sei que algum dia, ao seu tempo&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;TZhD&quot;&gt;As coisas serão do meu jeito&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;pwIw&quot;&gt;&lt;strong&gt;Obs&lt;/strong&gt;.: A poesia acima é um trecho da canção 🎧&amp;quot;Things will go my way&amp;quot;, do The Calling.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Parte-4---O-Inferno-São-Os-Outros?&quot;&gt;Parte 4 - O Inferno São Os Outros?&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;cQBC&quot;&gt;Pessoas que vivem para si são egoístas, mas pessoas que vivem apenas &amp;quot;por e para os outros&amp;quot; são &amp;quot;outroístas&amp;quot;. Me perdoem o &lt;a href=&quot;https://g.co/kgs/onthjW&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;neologismo&lt;/a&gt; mas, para variar, a sabedoria está no meio, no equilíbrio, na justa medida. Já dizia o ditado popular:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;3jcG&quot;&gt;&amp;quot;Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9QBD&quot;&gt;Como então encontrar este equilíbrio? &lt;a href=&quot;https://g.co/kgs/1wHuyF&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Sartre&lt;/a&gt; afirmava que a verdadeira liberdade só nos é clara diante da morte. Neste ponto, devo concordar. Infelizmente, Sartre, &lt;a href=&quot;https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%B5es_francesas_contra_a_idade_de_consentimento&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;que não era nenhum homem santo&lt;/a&gt;, também concluiu de forma bastante problemática em uma de suas &lt;a href=&quot;https://biblioteca.pucrs.br/curiosidades-literarias/voce-sabe-de-onde-e-a-expressao-o-inferno-sao-os-outros/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;peças&lt;/a&gt; que...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;BasW&quot;&gt;&amp;quot;O inferno são os outros.&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;lAH1&quot;&gt;Como nem negligenciar sua própria verdade nem cair no poço sem fundo da auto-indulgência?&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Parte-5---As-lições-de-&amp;quot;Memento-Mori&amp;quot;-em-Frank-Sinatra-e-Titãs&quot;&gt;Parte 5 - As lições de &amp;quot;Memento Mori&amp;quot; em Frank Sinatra e Titãs&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;MIAe&quot;&gt;Talvez você, que lê este artigo, não esteja familiarizado com o significado da expressão em latim &amp;quot;Memento Mori&amp;quot;, por isso farei uma pequena introdução ao conceito:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;lDlz&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;qn8t&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/4mdegKfaPaI?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;A ideia de memento mori: Vivendo com a consciência da morte&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;anEq&quot;&gt;&amp;quot;Memento Mori&amp;quot; basicamente significa &amp;quot; &amp;quot;lembra-te da morte&amp;quot;. Mas para quê?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;He46&quot;&gt;Duas canções bastante famosas que nos dão um vislumbre de como a consciência da obviedade da morte põem em perspectiva como vivemos (se vivemos para nós mesmos, para os outros ou para a Verdade) são:&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;zu5k&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/LLazwzt3XyU?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;&amp;quot;Epitáfio&amp;quot;, da banda brasileira Titãs&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;eFvI&quot;&gt;Devia ter amado mais&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5GmH&quot;&gt;Ter chorado mais&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;s6fl&quot;&gt;Ter visto o Sol nascer...🌄&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vOpN&quot;&gt;Devia ter arriscado mais&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;M8A8&quot;&gt;E até errado mais&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;foOB&quot;&gt;Ter feito o que eu queria fazer...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9ih2&quot;&gt;Queria ter aceitado&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;jqTR&quot;&gt;As pessoas como elas são&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;DC63&quot;&gt;Cada um sabe a alegria&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GHuJ&quot;&gt;E a dor que traz no coração&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;lGTq&quot;&gt;(O acaso vai me proteger&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;jI7P&quot;&gt;Enquanto eu andar distraído&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;LJrX&quot;&gt;O acaso vai me proteger&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;pKhE&quot;&gt;Enquanto eu andar...)&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;eL9b&quot;&gt;Devia ter complicado menos&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;q030&quot;&gt;Trabalhado menos&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;LnIT&quot;&gt;Ter visto o Sol se pôr&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;KxV0&quot;&gt;Devia ter me importado menos&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GJyQ&quot;&gt;Com problemas pequenos&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5g2z&quot;&gt;Ter morrido de amor...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;S0Yv&quot;&gt;Queria ter aceitado&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;DLHB&quot;&gt;A vida como ela é&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;k4rO&quot;&gt;A cada um cabe alegrias&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;8lbx&quot;&gt;E a tristeza que vier&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GzsK&quot;&gt;(O acaso vai me proteger&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7m3M&quot;&gt;Enquanto eu andar distraído&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;TZ8O&quot;&gt;O acaso vai me proteger&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9byL&quot;&gt;Enquanto eu andar...)&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;PIB2&quot;&gt;Devia ter complicado menos,&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;jqi5&quot;&gt;Trabalhado menos,&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;xQHm&quot;&gt;Ter visto o Sol se pôr... 🌅&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;04Cg&quot;&gt;&amp;amp;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;XY9m&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/-mVjJ0u9VHc?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;&amp;quot;My Way&amp;quot;, de Frank Sinatra.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;s9Vt&quot;&gt;E agora, o fim está próximo&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;mw3E&quot;&gt;E então eu encaro o último ato&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HbUC&quot;&gt;Meu amigo, vou falar claro&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;eph0&quot;&gt;Vou expor meu caso, do qual estou certo:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;gYZa&quot;&gt;Eu vivi uma vida completa!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bpET&quot;&gt;Eu viajei por toda e qualquer estrada&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;A7Le&quot;&gt;E mais, muito mais que isso:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;12zn&quot;&gt;Eu fiz isso do meu jeito.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;suBu&quot;&gt;Arrependimentos, tenho alguns&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5JAu&quot;&gt;Mas então novamente, muito poucos a citar&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;JpNR&quot;&gt;Eu fiz o que eu tive que fazer&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6o8P&quot;&gt;E vi por completo, sem isenção&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;1gS1&quot;&gt;Planejei cada curso traçado&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;jNVw&quot;&gt;Cada passo cuidadoso ao longo do atalho&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;wv6z&quot;&gt;E mais, muito mais que isso:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HDxG&quot;&gt;Eu fiz isto do meu jeito.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Xmrr&quot;&gt;Sim, houve momentos&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;LRX4&quot;&gt;(Tenho certeza que você soube)&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;i43S&quot;&gt;Quando eu mordi&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;APhV&quot;&gt;Mais do que podia mastigar&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bjQc&quot;&gt;Mas por tudo isso&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;kDXk&quot;&gt;Quando havia dúvida&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;AFjK&quot;&gt;(Eu devorei e cuspi)&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;OCUe&quot;&gt;Enfrentei tudo isso e continuei de pé&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;iBts&quot;&gt;E fiz isso do meu jeito.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;uurc&quot;&gt;Eu amei, ri e chorei&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;F6a0&quot;&gt;Tive minhas conquistas, minha parte de perdas&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EEM8&quot;&gt;E agora, enquanto as lágrimas cessaram&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;PDlY&quot;&gt;Eu acho tudo isso tão divertido&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;hlVk&quot;&gt;E pensar que fiz tudo aquilo&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ZwUa&quot;&gt;E posso dizer: não de uma maneira tímida&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6XcE&quot;&gt;Não, ah não, não eu!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;n8X3&quot;&gt;Eu fiz isso do meu jeito.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ezOL&quot;&gt;Pois o que é um homem, o que ele tem?&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HcL8&quot;&gt;Se não a si mesmo, então não tem nada!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;syGA&quot;&gt;Para dizer as coisas que ele sente de verdade&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;SG8F&quot;&gt;E não as palavras de alguém que se ajoelha&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ELsR&quot;&gt;As lembranças mostram, eu levei os golpes,&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;K4Rz&quot;&gt;E fiz isso do meu jeito&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;UihR&quot;&gt;Sim, eu fiz tudo isso do meu jeito!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;2geE&quot;&gt;&amp;quot;Epitáfio&amp;quot;, assim como &lt;a href=&quot;https://g.co/kgs/RdtF5p&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/a&gt;, se propõe a analisar a vida da perspectiva de um morto que não pode mais escolher uma vida diferente da que teve. &lt;a href=&quot;https://g.co/kgs/TwUn4T&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Wittgenstein&lt;/a&gt;, em sua primeira fase, se &amp;quot;reviraria no túmulo&amp;quot; se pudesse ouvir esta canção e, de fato, só não o faz porque, em suas palavras:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;EnR9&quot;&gt;&amp;quot;A morte não é um fenômeno da vida; (portanto) não se vivencia a morte&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;gMyL&quot;&gt;Graças a Deus, todavia, assim como é possível usar palavras para nomear coisas indizíveis e impossíveis de expressar por palavras, também podemos refletir sobre a vida da perspectiva de um morto.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;0ig4&quot;&gt;Já em &amp;quot;My Way&amp;quot;, um Frank Sinatra em fins de carreira (e não muito longe da morte, diga-se de passagem) medita sobre o fim de sua vida da perspectiva de alguém que buscou fazer aquilo que realmente acreditou e que procurou viver sem se curvar, trilhando o próprio caminho e não o de outra pessoa.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Parte-6---Negando-se-A-Si-Mesmo-do-Jeito-Errado:-Uma-visão-Cristã-sobre-a-&amp;quot;despersonalização&amp;quot;&quot;&gt;Parte 6 - Negando-se A Si Mesmo do Jeito Errado: Uma visão Cristã sobre a &amp;quot;despersonalização&amp;quot;&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;KAfj&quot;&gt;Infelizmente, também é possível vivenciar a morte ainda vivos, seja pelo egoísmo de se negar a agir para e por algo maior do que você mesmo, seja pelo &amp;quot;outroísmo&amp;quot; de sofrer um severo processo do que na Psicologia chamamos de &lt;a href=&quot;https://g.co/kgs/A5QPyM&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&amp;quot;despersonalização&amp;quot;&lt;/a&gt;, simplesmente para se adequar ou atender a expectativa dos outros sobre você, negando quem de fato se é no sentido mais luciferino possível: ao contrário de negar a si mesmo e tomar a cruz da realidade buscando em Cristo a expiação de seus pecados; na despersonalização, o que se faz é negar a essência do que Deus te fez para ser, dos dons, talentos e situações onde a vida nos pôs, para se tornar mero joguete do que os outros, tão contingentes e de conhecimento tão limitado quanto você, queriam que fosses.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;q4Ll&quot;&gt;Esta é a idolatria: colocar algo, alguém, uma idéia, prazer ou grupo no lugar que deveria pertencer somente a Deus. Neste caso, o &amp;quot;acaso&amp;quot; não irá &amp;quot;te proteger enquanto você andar distraído&amp;quot;, só irá te impedir de acordar para a realidade. Mas a morte irá lembrá-lo de tudo que poderia ter feito e não fez. Isto é Memento Mori!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7csD&quot;&gt;Talvez seja uma boa hora para refletir em todas as vezes que a timidez te impediu de fazer o que é bom, belo, justo e verdadeiro porque talvez os grupos, sua família, amigos, chefe, etc. não aceitariam ou concordariam.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Enr4&quot;&gt;É certo o que diz a frase atribuída a &lt;a href=&quot;https://en.m.wikipedia.org/wiki/Clare_Boothe_Luce&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clare Boothe Luce&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;XuAR&quot;&gt;&amp;quot;Nenhuma boa ação fica impune.&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;t8oy&quot;&gt;...Mas ao menos você terá a dignidade de se olhar no espelho e dizer, assim &amp;quot;como disse Frank: Eu fiz do meu jeito&amp;quot;.¹&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;c2jf&quot;&gt;&amp;quot;Você é o que você se torna e não o que você foi.&amp;quot; Jon Goom, músico. (trecho da letra da canção ♫&lt;a href=&quot;https://letras.mus.br/jon-gomm/passion-flower/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&amp;quot;Passionflower&amp;quot;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;m7TC&quot;&gt;¹ - Referência à tradução direta do trecho da canção &lt;a href=&quot;https://letras.mus.br/bon-jovi/4924&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&amp;quot;It&amp;#x27;s My Life&amp;quot;&lt;/a&gt;, de Jon Bon Jovi, em referência a Frank Sinatra: &amp;quot;Like Frankie said: I did it my way&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;tmgb&quot;&gt;Caso queira ler mais artigos como este visite meu canal no Telegram, &lt;a href=&quot;https://t.me/jeanpsicologia/885&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;@JeanPsicologia&lt;/a&gt;:&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;bB11&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;lg58&quot;&gt;➡️&lt;a href=&quot;https://t.me/jeanpsicologia/885&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Canal do Telegram &lt;/a&gt;⬅️&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:Descartes-e-o-Misterio-Mente-Corpo</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/Descartes-e-o-Misterio-Mente-Corpo?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>René Descartes e o Mistério da Relação Mente-Corpo</title><published>2025-08-23T01:48:58.622Z</published><updated>2025-10-10T16:16:59.647Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img1.teletype.in/files/8b/ab/8babdc49-946f-4d2b-a252-da3c4546060f.png"></media:thumbnail><category term="psicologia" label="Psicologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/87/ff/87ffb7c5-4a54-40f1-bed3-0e8ff7b25ec1.png&quot;&gt;Em sua obra, &quot;Discurso sobre o Método&quot;, René Descartes não só inaugura o método cartesiano enquanto Filosofia da Ciência a partir do &quot;cogito&quot; sendo considerado o &quot;pai da ciência moderna&quot; e de seus solipsismos, como também &quot;inaugura&quot; uma distinção que, se não é tão inovadora (por já existir desde o hinduísmo, em que o universo em todas as suas faces - incluindo os deuses, é, na verdade, a emanação da MENTE de um Deus uno), certamente será posta de forma bastante difícil de desvencilhar do pensamento epistemológico moderno e pós-moderno: a distinção, exposta na quarta parte de seu &quot;Discurso sobre o Método&quot;, entre res cogitans e res extensa:</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;Qje0&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/87/ff/87ffb7c5-4a54-40f1-bed3-0e8ff7b25ec1.png&quot; width=&quot;1109&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;O cérebro não é a mente&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;z6xl&quot;&gt;Em sua obra, &amp;quot;Discurso sobre o Método&amp;quot;, René Descartes não só inaugura o método cartesiano enquanto Filosofia da Ciência a partir do &amp;quot;cogito&amp;quot; sendo considerado o &amp;quot;pai da ciência moderna&amp;quot; e de seus solipsismos, como também &amp;quot;inaugura&amp;quot; uma distinção que, se não é tão inovadora (por já existir desde o hinduísmo, em que o universo em todas as suas faces - incluindo os deuses, é, na verdade, a emanação da MENTE de um Deus uno), certamente será posta de forma bastante difícil de desvencilhar do pensamento epistemológico moderno e pós-moderno: a distinção, exposta na quarta parte de seu &amp;quot;Discurso sobre o Método&amp;quot;, entre res cogitans e res extensa:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;4Q74&quot;&gt;a) Res cogitans (a mente): substância pensante, imperfeita, finita e dependente.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;pUYP&quot;&gt;b) Res extensa (a matéria): substância que não pensa, extensa, imperfeita, finita e dependente.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bIJV&quot;&gt;Da distinção de Descartes se segue que &amp;quot;a matéria não é a mente&amp;quot; e &amp;quot;a mente não é a matéria&amp;quot;, embora ambas estejam unidas de modo misterioso. Por exemplo: se aceitarmos a ideia de que a mente não é nem propriedade, nem produto nem emanação do corpo, todos os objetos físicos só se movem por terem sido primeiramente &amp;quot;animados&amp;quot; (de &amp;quot;anima&amp;quot;) pela mente; isto vale, inclusive pra toda vez que você pensa e, decorrente disto, move um grupo ósseo-muscular qualquer do corpo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;A4FF&quot;&gt;Passados 4 séculos após a obra de Descartes ter saltado da mente do filósofo para as páginas escritas e impressas, surge um outro livro de nome bastante revelador, desta vez pela mente (ou seria pela mão?) do médico neurologista português António Damásio, chamado &amp;quot;O Erro de Descartes&amp;quot;. Desta vez, ao contrário do que o nome da obra pode sugerir, não se trata de um livro de Filosofia ou de Metodologia da Ciência (como também é classificado o Discurso sobre o Método), mas como um compêndio de Descobertas científicas de como áreas do cérebro danificadas destruíam propriedades anteriormente presentes na mente e comportamento de pacientes com lesões por acidentes ou quadro neurodegenerativos levando à interpretação de que &amp;quot;Descartes errou&amp;quot; e que a mente seria um subproduto gerado a partir da matéria. Mas, claro, esta relação não seria explicada de forma tão simples nem pelo mais ferrenho cientificista após quase 30 anos do lançamento da obra de Damásio. Joel e Ian Gold (o primeiro, psiquiatra; e o segundo, neurocientista), diante do aumento incontestável dos DIAGNÓSTICOS de doenças mentais as mais variadas (desde coisas comuns como depressão e ansiedade até diagnósticos que no passado correspondiam a outra sintomatologia bem distinta, como é o caso do autismo, que saltou praticamente 30 vezes o número de diagnósticos em aproximadamente um século) responderam à pergunta &amp;quot;Que ideia científica está pronta para a aposentadoria?&amp;quot; com: &amp;quot;A doença mental nada mais é do que uma doença cerebral&amp;quot;. E embora não venha tanto ao caso, é difícil dizer se a dupla de homens da ciência estaria se referindo à percepção empírica da multifatorialidade de um mal estar na civilização num tempo de relacionamentos líquidos e cientificismo que relegou à ciência materialista o papel sacerdotal de cuidar da (alma?) humana condição ou se teriam noções filosóficas suficientes para notar um erro de lógica gravíssimo na base de TODO pensamento cientificista, a saber, a &amp;quot;falácia do nada mais/mais do que&amp;quot;, cujo erro consiste no seguinte raciocínio: &amp;quot;afirmações do tipo &amp;#x27;nada mais&amp;#x27; implicam o conhecimento de &amp;#x27;mais do que&amp;#x27;&amp;quot; (um bom exemplo pode ser retirado do livro &amp;quot;Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Um Ateu&amp;quot; onde um exemplo é dado contra o próprio ceticismo filosófico do filósofo alemão Immanuel Kant: &amp;quot;Kant disse saber que as informações que chegam ao seu cérebro nada mais são do que fenômenos. Mas, com o objetivo de saber isso, precisaria ser capaz de ver mais do que simplesmente o fenômeno&amp;quot;; sendo portanto a falácia &amp;quot;nada mais/mais do que&amp;quot; um tipo de raciocínio circular, falso e mal embasado tanto quanto Neil Armstrong dizer que &amp;quot;eu sei que não é possível ao homem ir à lua, eu já estive lá!&amp;quot;... isto, se admitirmos que ele realmente esteve lá, obviamente).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;PYiB&quot;&gt;Mas, se Descartes é considerado o &amp;quot;pai da ciência moderna&amp;quot;, como pode a ciência moderna dizer que Descartes errou ao mesmo tempo em que se admite que &amp;quot;doenças mentais nada mais são do que doenças cerebrais&amp;quot;? As duas afirmações não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo num mesmo sentido, ou a mente é material e resultado da &amp;quot;atividade do cérebro&amp;quot;, ou a mente não é física como parecem evidenciar o aumento de diagnósticos e, consequentemente, de medicalização dos afetos presentes nas chamadas &amp;quot;doenças mentais&amp;quot; não-morfológicas, as que são chamadas de &amp;quot;doenças mentais&amp;quot; que nenhum exame realmente atesta como &amp;quot;transtorno de ansiedade generalizada&amp;quot;, &amp;quot;depressão&amp;quot;, &amp;quot;ideação suicida&amp;quot;, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e até alguns graus mais leves do chamado &amp;quot;espectro autista&amp;quot; que, aliás, recentemente passou a englobar uma miríade de diagnósticos distintos em um só conceito (há de se convir que o humor depressivo não pode ser confundido com condições físicas que o imitem, como o hipotireoidismo; problemas cognitivos decorrentes de má educação ou vício da preguiça não podem ser confundidos com incapacidade cognitiva decorrente de coágulo, acidente vascular encefálico/cerebral, câncer no cérebro ou lesão traumática; mesmo surtos psicóticos ocasionados por stress, ansiedade, trauma psicológico não podem ser comparados, por exemplo, a doenças neurodegenerativas como o &amp;quot;Mal de Alzheimer&amp;quot;, os problemas de socialização comuns não podem ser confundidos com uma lesão por lesão grave no córtex pré-frontal, enfim... o que todos os exemplos que cito tem em comum são: mesmos sintomas gerais, embora os primeiros casos não tenham origem física e os segundos tenham alteração morfológica notável).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Orp0&quot;&gt;Descartes costuma ser acusado de ter criado um sistema que divide desnecessariamente mente e corpo como um binômio, uma dualidade, comumente chamada por seus interpretadores de &amp;quot;fantasma na máquina&amp;quot;, já que a &amp;quot;máquina&amp;quot; ou &amp;quot;hardware&amp;quot; correspondente ao corpo seria regida por um suposto &amp;quot;homúnculo&amp;quot;/fantasma da alma (ou espírito, como queiram) correspondente à mente de um modo que nem mesmo Descartes foi capaz de explicar. Mas quanto do mundo nunca fomos capazes de fato de explicar e no entanto, assim é? Quaisquer investigação que se preze deveria entender que, diante das evidências em favor, descartado o completamente impossível, mesmo o mais improvável deve (ou, ao menos, PODE) ser verdade. Ademais, temos uma forma um tanto quanto &amp;quot;estranha&amp;quot; de entender as ciências da mente. No passado, Sócrates, São Tomás de Aquino e Kierkegaard já tratavam de temas Psicológicos como viés, vontade e angústia, apenas para citar alguns, com muito mais profundidade (e sem premissas mecanicistas) do que se faz com a nova &amp;quot;ciência&amp;quot; da Psicologia inaugurada em 1879.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;YPR3&quot;&gt;Para, de fato, entender de onde veio tamanho problema, se faz necessário conceitualizar corretamente o que se está investigando. A saber, a ciência não se baseia em si mesma, mas em um modelo metafísico cuja realidade é pressuposta &amp;quot;a priori&amp;quot; como verdade incontestável; porém, a menos que seja auto-evidente, por útil que seja, não pode ser considerado definitivo ou &amp;quot;intocável&amp;quot;. De fato, a impermanência é característica marcante da ciência moderna (a ponto de gerar certo desconforto, quando não &amp;quot;desconfiança&amp;quot; quanto a seu paradigma de interpretação da realidade ter se tornado preponderante no mundo atual). Trazendo para nossa conceituação um acadêmico da Semiótica, o doutor em Literatura Alexandre Linck, por exemplo, vai dizer que:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;vJ2O&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;KmSV&quot;&gt;&amp;quot;Se engana quem acha que a ciência é sempre a construção, a elaboração de dados objetivos (...). Galera precisa voltar a ler Thomas Kuhn, voltar a ler sobre o conceito de &amp;#x27;paradigma&amp;#x27; na ciência. (...): O &amp;#x27;paradigma&amp;#x27; é, antes de tudo, um produtor de modelos. Veja, um &amp;#x27;paradigma&amp;#x27; não é um modelo, o paradigma PRODUZ o modelo. Daí que, o paradigma, ele é sempre muito inacessível, ele muda a solavancos, ele opera a revoluções, e podem ser revoluções silenciosas, cabe dizer... Mas são revoluções. A gente faz ciência dentro de certos paradigmas, (...) dentro de certas limitações de ordem filosófica. Não por acaso, coisas que eram consideradas &amp;#x27;ciência&amp;#x27; deixaram de ser, outras que não eram passaram a ser... Isso é a história da ciência&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;KM8N&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;pT3Z&quot;&gt;A questão do paradigma construtor de modelos talvez seja mais visível na Física Quântica, uma vez que modelos matemáticos discordantes e até contraditórios (o exemplo mais famoso é o do problema da &amp;quot;Interpretação de Copenhague&amp;quot; x o &amp;quot;Princípio da Incerteza&amp;quot; de Heisenberg para quem quiser pesquisar a respeito) são usados de forma eficaz inclusive na produção de sistemas eletrônicos simplesmente para dar as respostas de controle necessárias a produzir o resultado desejado, a física de Einstein nega a visão de cosmos de Newton, mas Newton continua sendo usado para calcular trajetórias e movimentos inclusive em perícia de acidentes de trânsito e balística, enquanto que Einstein nos deu a base matemática pra fazer o sistema de GPS funcionar.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ZGRV&quot;&gt;Hoje, campo das chamadas &amp;quot;ciências da mente&amp;quot;, há uma influência direta (e contraditória), de um lado, do positivismo cientificista em entender a mente como algo dentro da esfera de estudo da matéria num cosmos de sistema fechado que oscila entre o deísmo e o naturalismo e, do outro, do materialismo &amp;quot;histórico&amp;quot; presente tanto no marxismo original quanto em suas variantes no sentido de pautar politicamente a pauta da saúde mental. Se por um lado, a primeira visão se faz determinista e medicamentosa patologizando afetos e comportamentos, por outro, se entende que o nominalismo impera no que tange aos assuntos mentais, de modo que, desde Foucault, tudo que é não-virtuoso e que o homem positivista tinha por &amp;quot;anormal&amp;quot; (como se vício ou virtude fossem temas de escrutínio estatístico) foi politicamente deslocado para a pauta da revolução em nome da construção de um novo homem (ideal também presente em Nietzsche) sob a forma do &amp;quot;não venha me rotular, eu construo meu destino, posso ser o que eu quiser e o governo deve oprimir a todos igualmente de modo a me conceder meu direito especial de negar a natureza da realidade objetiva&amp;quot; (coisa que, apesar dos pesares, o positivismo não faz), especialmente desconstruindo o conceito de &amp;quot;natureza humana&amp;quot;. Inclusive, parte do problema é historicamente apontado como decorrente do &amp;quot;divórcio teórico&amp;quot; entre a psicanálise e a psiquiatria na década de 1980 (Dunker, 2014). Ao se negar a explicar qual a natureza da mente ou, ao menos, afirmar, tal qual Sócrates, a própria ignorância do assunto, preferimos, uma vez mais, após abandonar os confessionários imitados por Freud em seu setting terapêutico, abandonamos agora também a psicanálise para buscar as métricas das &amp;quot;técnicas estatisticamente comprovadas&amp;quot; de como &amp;quot;mudar e ser feliz&amp;quot; conforme a moda de cada ano ou as mais modernas &amp;quot;pílulas mágicas&amp;quot; da indústria farmacêutica, com a bênção dos sacerdotes de jaleco, para fazer virtude brotar dos humores de hipócrates. Apartar o conceito de &amp;quot;mente&amp;quot; do(s) conceito(s) de alma me parece levar inevitavelmente para a medicalização e auto-afirmação como um binômio dialético que é insuficiente, em ambos os pólos, de entender o que somos e do que precisamos: virtude, solitude e silêncio.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;4hWG&quot;&gt;A confusão ainda deve imperar, dopar e matar alguns milhares de pessoas enquanto a Psicologia, a Psiquiatra e a Neurociência (para citar as atuais principais &amp;quot;ciências da mente&amp;quot;) se negarem (assim como a ciência cientificista) a responder adequadamente à pergunta mais básica sobre seu objeto de estudo: O que é a mente? ...Eu sugeriria começar por Bodhidharma para nossos teóricos começarem a entender, ao menos, o que a mente não é.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;EPÍLOGO:&quot;&gt;EPÍLOGO:&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;NyXE&quot;&gt;&amp;quot;DESCARTES: Alguém resolveu o problema de como a mente relaciona-se com o corpo? Tenho consciência de que não deixei resposta satisfatória a essa questão.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;2Wi1&quot;&gt;Pensei que talvez a resposta pudesse vir dos fisiologistas, que, no meu tempo, haviam descoberto, na base do cérebro, a primeira glândula sem duto, a glândula pineal. Pensei que, por flutuar livremente e não estar ligada ao restante do corpo como os outros órgãos, essa glândula poderia ser a sede da alma; mas já penso que isso foi um erro bobo, pois uma glândula, tenha ela dutos ou não, é algo puramente material, de forma alguma uma ponte entre mente e matéria. Ausência de dutos não é o mesmo que imaterialidade.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;gjp1&quot;&gt;Encontrou alguém, portanto, uma resposta melhor do que a minha para a misteriosa questão de como estes dois entes, absolutamente diferentes um do outro, o corpo e a mente, conseguem relacionar-se de modo tão perfeito que parecem ser um só?&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;IIeL&quot;&gt;SÓCRATES: Não. Mas houve quem achasse resposta melhor que a tua para outra pergunta: a questão acerca do porquê de ninguém ter encontrado uma resposta adequada a esta questão. Isso te interessaria?&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Qjgi&quot;&gt;DESCARTES: Bastante.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;u8dc&quot;&gt;SÓCRATES: Seu nome é Gabriel Marcel, e viveu trezentos anos depois de ti. Era um católico francês, como tu. Ele dividiu todas as questões filosóficas em duas categorias: a primeira, que ele chamou “problemas”, e a segunda, que ele chamou “mistérios”. Com “mistérios” ele quis dizer questões que não só ainda não haviam sido esclarecidas ou respondidas, mas que em princípio jamais poderiam ser totalmente esclarecidas ou satisfatoriamente respondidas, como qualquer dos “problemas” poderia, e por causa disto: porque no “mistério” o interrogador “participa” da pergunta. Ele está envolvido, e não distanciado. Em outras palavras, a verdadeira pergunta é o próprio interrogador, de modo que ele não pode torná-la objeto, mas precisa vivê-la no ato mesmo de perguntá-la&amp;quot;(Sócrates encontra Descartes, p. 119-120).&amp;quot;¹&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;S3fR&quot;&gt;REFERÊNCIAS:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;OLDX&quot;&gt;ALMEIDA, Maíra Lopes; NEVES, Anamaria Silva. A População Diagnóstica do Autismo: Uma Falsa Epidemia? Revista Psicologia: Ciência e Profissão n. 40, Out-Dez 2020. Publicado em 09 nov. 2020. Disponível em: &amp;lt;https://www.scielo.br/j/pcp/a/WY8Zj3BbWsqJCz6GvqGFbCR&amp;gt;. Acesso em: 11 nov. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Mrkt&quot;&gt;AZEVEDO, Thiago (Mestre em Psicologia). Blog Universo da Psicologia. Disponível em: &amp;lt;https://universodapsicologia.com/transtornos-mentais-sao-transtornos-cerebrais-mas-nao-so&amp;gt;. Acesso em: 07 nov. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6odZ&quot;&gt;BAKER, J. (2015). 50 ideias de Física Quântica que você precisa conhecer. São Paulo: Editora Planeta.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;SJzE&quot;&gt;BIERNARTH, André. Por que a solidão virou uma das grandes preocupações de saúde do século 21 (Canal BBC News Brasil). YouTube, 12 set. 2023 . Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=jbPZTYHfcu4&amp;gt;. Acesso em 18 set. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;mtVm&quot;&gt;BRASIL PARALELO. A FACE OCULTA DE MICHEL FOUCAULT. YouTube, 04 out. 2023. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=3BLkGxsc5WE&amp;gt;. Acesso em: 12 nov. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9c32&quot;&gt;DAMÁSIO, António. O Erro de Descartes: Emoção, Razão e o Cérebro Humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 338p.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ytjd&quot;&gt;DESCARTES, René. Discurso Sobre O Método (Tradução de Márcio Pugliesi e Norberto de Paula Lima). Curitiba-PR: Hemus Editora LTDA., 2000. 136p.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;semM&quot;&gt;GEISLER, N., &amp;amp; TUREK, F. Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu. Editora Vida (Acadêmico), 2006. 424p.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;hR9m&quot;&gt;¹KREEFT, Peter. Sócrates Encontra Descartes [recurso eletrônico]; Tradução de Gabriel Melatti - Campinas, SP : Vide Editorial, 2012.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;D5hO&quot;&gt;LINK, Alexandre. Disseram que a psicanálise é pseudociência... DE NOVO? YouTube (Canal Cortes da Sarjeta), 22 ago. 2023. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=bHhofIfXp2U&amp;gt;. Acesso em: 12 nov. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;RUQ0&quot;&gt;MARTINS, Andrei. A INVENÇÃO DO EU. Canal: Casa do Saber. YouTube, 25 ago. 2019. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=pMmv2fhyV2w&amp;gt;. Acesso em: 08 ago. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;6m3d&quot;&gt;MOCELLIN, Rodrigo. A teoria dos 4 temperamentos não é bíblica e nem científica. YouTube, 20 abr. 2022. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=9MhZTQ13d8Y&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2022.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;er1H&quot;&gt;MOCELLIN, Rodrigo. Depressão é doença? O que sugere estudo científico. YouTube, 30 jul. 2022. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=TDTnvmkfWKw&amp;gt;. Acesso em: 13 ago. 2022.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;rjTZ&quot;&gt;MOCELLIN, Rodrigo. Obesos, fumantes, mas felizes e prósperos. Por quê? YouTube, 23 mai. 2023. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=0aLU2sW3hzM&amp;gt;. Acesso em: 18 set. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;TvYs&quot;&gt;PASCAL, Blaise. Pensamentos (1669). Tradução Maria Ermantina Galvão. Editora Martin Claret, 2000.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;sxFk&quot;&gt;PUTINI, Júlia. &amp;quot;Estudo sugere que depressão não está relacionada com baixos níveis de serotonina, o &amp;#x27;hormônio da felicidade&amp;#x27;.&amp;quot; 23/07/2022 . Disponível em: &amp;lt;http://osdb.link/feuqb&amp;gt;. Acesso em: 01 mai. 2023.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;sOjd&quot;&gt;VAN LENTE, Fred; DUNLAVEY, Ryan. Filósofos em Ação: Volume Um. São Paulo: Gal Editora, 2008.&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:Entre-O-Desabafo-E-A-Epifania</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/Entre-O-Desabafo-E-A-Epifania?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Entre O Desabafo &amp; A Epifania: Explicando Cosmovisão, Religião, Ideologia e Capacidade de Mudança com Música...</title><published>2025-08-22T14:49:36.501Z</published><updated>2025-08-22T14:49:36.501Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img3.teletype.in/files/24/d9/24d9d565-4bc3-40ee-a760-769404b49abc.png"></media:thumbnail><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/a6/af/a6afc051-3324-4738-88fb-f674f242c63f.png&quot;&gt;Postado originalmente em:</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;7M6x&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/a6/af/a6afc051-3324-4738-88fb-f674f242c63f.png&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Blue pill x Red pill&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;MDiJ&quot;&gt;Postado originalmente em:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;JwHe&quot;&gt;🔊&lt;a href=&quot;https://t.me/joinchat/hA3KiMbX_oQ0OWEx&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Músicas p/ Viver Melhor📲&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;DhX2&quot;&gt;Acho que nunca mencionei antes nos canal que estou cursando Filosofia. Desde a polarização, tem se tornado cada vez mais difícil conversar com qualquer pessoa sobre qualquer assunto e não acho que as pessoas estão saindo disso melhores nem mais espertas. Mais um motivo pra estudar Filosofia nestes tempos estranhos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;syhI&quot;&gt;Temos duas postagens no canal sobre a importância da discordância quando abordamos as canções &lt;a href=&quot;https://t.me/c/1567409470/341&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;🔗&amp;quot;Não Olhe pra Trás&amp;quot;&lt;/a&gt;, de Capital Inicial, e &lt;a href=&quot;https://t.me/c/1567409470/179&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;🔗&amp;quot;Lareira&amp;quot;&lt;/a&gt;, de Palankin.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;YUxf&quot;&gt;De fato, as pessoas tem motivos diferentes para ver a vida de modos diferentes e cosmovisões diferentes só convergem entre si parcialmente, isso quando há semelhanças o bastante pra isso.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;elGZ&quot;&gt;Em 10 anos de trabalho como psicólogo, a capacidade dos seres humanos de olharem para as mesmas questões sob prismas completamente diferentes ainda me assusta, especialmente pelo fato de raramente se tratar de fato de quem está certo ou errado ou de qual é a verdade da questão, mas da enorme carga afetiva que nossas ideias carregam. Alguém já discordou de você sem conseguir dizer o motivo e a conversa morreu ali mesmo?&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;ytLc&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/PeUiAHtdTAM?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Catedral - Cotidiano&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;CZ4Z&quot;&gt;De fato, só o que conseguimos mostrar ao outro é o que conseguimos perceber de nosso próprio ângulo, seja ele amplo ou estreito. Usando aquela velha metáfora budista dos cegos descrevendo o elefante pelo toque, cada um tateando uma parte diferente: o que consigo dizer é a parte do elefante que eu alcanço.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Fh7K&quot;&gt;Algumas pessoas aceitam que os outros digam o que é melhor para elas enquanto outros só querem seguir o próprio caminho.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;nacI&quot;&gt;Fazendo parte do segundo grupo, tive uma pequena &amp;quot;epifania&amp;quot; sobre este tema na última vez que fui à igreja:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Ppzh&quot;&gt;Existe um &amp;quot;consenso forçado&amp;quot;, quase implícito, em algumas igrejas sobre como a música deve soar e quais &amp;quot;modos gregos&amp;quot; (entenda como &amp;quot;sonoridades&amp;quot; se não estiver acostumado com teoria musical) são adequados ao ambiente de culto. Não importa o quanto soe bem, o quanto os músicos sejam competentes, o quanto você goste de um determinado gênero musical: existe certo tabu sobre certas formas de melodia (geralmente cultural/regional em que a música só serve como &amp;quot;identificador tribal&amp;quot;, com poucas exceções). Pouco, muito pouco ou quase nada mudará nesse quesito, embora quando velhos músicos finalmente dão lugar a músicos mais jovens haja um respiro temporário de alívio... até que estes mesmos jovens se cansem e e envelheçam e repitam o ciclo anterior.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;bl4r&quot;&gt;&amp;quot;Não há nada de novo debaixo do sol&amp;quot;. (Eclesiastes 1:9b)&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;srwL&quot;&gt;O problema das ideologias e das cosmovisões me parece ser da mesma espécie: igrejas em épocas e lugares diferentes se dedicaram a modos musicais diferentes a ponto de dessacralizar ou não mais suportar os demais, não sei dizer. Só sei que, ao voltar pra casa, raramente quero ouvir as mesmas canções da igreja, mesmo assim isso não me impede de voltar sempre e sempre, apesar de algum incômodo musical ocasional. A importância da vida espiritual é maior que isso, o todo é maior que a soma das partes.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;1gNO&quot;&gt;Paralelamente, o que me preocupa no contexto atual é que as pessoas discutem ideias não para aprender e &amp;quot;reter o que é bom&amp;quot; (1 Tessalonicenses 5:21), mas sempre no intento de convencer o outro do próprio ponto de vista. Parece que esquecemos que, mesmo que ninguém mude de ideia, as ideias são refinadas ao lidar com a própria sombra ou ao enfrentar uma ideia contraditória. A música em duas igrejas de tradições distintas pode ser igualmente maravilhosa a seu próprio modo.&lt;/p&gt;
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    &lt;figcaption&gt;Salmo 104 cantado em hebreu antigo&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;beTK&quot;&gt;Da mesma forma, se duas pessoas conseguirem conversar de fato, olhando fundo para as próprias inconsistências, os dois lados tornarão seus próprios argumentos mais fortes ao lidar com as falhas flagradas um pelo outro (&amp;quot;o que se esconde não conserta&amp;quot;); e, feito isso, ainda respeitarão as convicções e ideias um do outro como &amp;quot;inimigos honrados&amp;quot; (falo das ideias), como no Bushido.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;67Y2&quot;&gt;Um dos lados ou mesmo os dois podem estar errados, o tempo há de revelar... O problema é quando a opinião ou a experiência individual se cauteriza a ponto de a discordância virar um &amp;quot;fim de papo&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;hwz7&quot;&gt;Onde fica nossa busca pela verdade? Não quero &amp;quot;fins de papo&amp;quot;. Quero perguntar, quero entender e até discordar! Quero a Verdade (com V maiúsculo) e não vou conseguir se as pessoas ao redor se calarem (como normalmente se calam) diante de assuntos desconfortáveis.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;d2wq&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Mas o objetivo da Filosofia não é apenas perguntar?&amp;quot;&lt;/em&gt; - alguém pode alegar.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;quij&quot;&gt;&amp;quot;Não se encontra as respostas certas fazendo as perguntas erradas.&amp;quot;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;Afqb&quot;&gt;Existe uma enormidade de versões desta mesma frase com formatos ligeiramente diferentes na literatura, cinema, filosofia, educação, etc. Não vem ao caso agora de quem é a autoria ou qual a forma exata das palavras serem apresentadas, mas imagino que fazer perguntas sem se preocupar com as respostas seja infantil. Claro que as crianças são excelentes filósofas por natureza, mas não farão muita coisa da vida se não crescerem e usarem o que aprenderam...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GqMJ&quot;&gt;Cresça e ajude alguém a crescer também.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;IaIA&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;Palavrantiga (Marcos Almeida) - Rookmaaker&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;🎵-Rookmaaker&quot;&gt;🎵 Rookmaaker&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;👥Palavrantiga&quot;&gt;👥Palavrantiga&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;💽-Esperar-é-Caminhar&quot;&gt;💽 Esperar é Caminhar&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;📆-2010&quot;&gt;📆 2010&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;nMyt&quot;&gt;Eu leio Rookmaaker, você Jean-Paul Sartre&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;pv4e&quot;&gt;A cidade foi tomada pelos homens&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;34Ka&quot;&gt;Na cidade dos homens tem gente que consegue ler&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;O83Q&quot;&gt;Mas os outros estão néscios pra Ti&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;rexE&quot;&gt;Eu canto Keith Green, você canta o quê?&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;UBmj&quot;&gt;A cidade está cheia de sons&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;t7EH&quot;&gt;Na cidade dos homens tem gente que consegue ouvir&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;tfEn&quot;&gt;Mas os outros estão surdos pra Ti&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;5Ml8&quot;&gt;Vem, jogando tudo pra fora&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;oRN0&quot;&gt;A verdade apressa minha hora&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;9b1B&quot;&gt;Vem, revela a vida que é nova&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1LUp&quot;&gt;Abre os meus olhos agora&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;fuiU&quot;&gt;Eu fico com a escola de Rembrandt&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;y40q&quot;&gt;Você no dadaísmo de Berlim&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;3Jk0&quot;&gt;A cidade está cheia de tinta&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;9pZT&quot;&gt;Na cidade dos homens tem gente que consegue ver&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;xS00&quot;&gt;Mas os outros estão cegos pra Ti&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;85W9&quot;&gt;Eu monto o paradoxo no palco&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;gPun&quot;&gt;Você anda zombando da Cruz&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;OFj8&quot;&gt;A cidade está cheia de atores&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;nNEy&quot;&gt;Na cidade dos homens tem gente que consegue dizer&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;y0rh&quot;&gt;Mas os outros estão mudos pra Ti&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;NIQ0&quot;&gt;Toda vez que procuro pra mim algo pra ler&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;5LWt&quot;&gt;Ouvir, olhar e dizer&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;KqIU&quot;&gt;Senhor sabe o que eu quero&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;OOtD&quot;&gt;Não me furto a certeza: és a Vida que eu quero!&lt;/blockquote&gt;
  &lt;figure id=&quot;uxGd&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;EXPLICANDO AS MÚSICAS - ROOKMAAKER&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;EPÍLOGO:&quot;&gt;EPÍLOGO:&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;AxW6&quot;&gt;&amp;quot;– Mas eu gosto dos inconvenientes.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;848R&quot;&gt;– Nós, não. Preferimos fazer as coisas confortavelmente.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Yh9t&quot;&gt;– Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade, quero o pecado.&amp;quot;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;Jr04&quot;&gt;👤 Huxley, Aldous.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;pYgq&quot;&gt;📖 Admirável Mundo Novo.&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:EL7oJV5lMWC</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/EL7oJV5lMWC?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Heráclito Em Nova Perspectiva: Uma Transposição Cristã do Princípio Dialético da Mudança</title><published>2025-08-22T14:30:01.134Z</published><updated>2025-08-22T14:30:01.134Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img3.teletype.in/files/2a/20/2a20946f-26e0-4c44-b0b5-adde4dda8eef.png"></media:thumbnail><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/6b/1d/6b1d1efe-22ab-4d5d-bc04-5eb0f3041895.png&quot;&gt;Já faz algum tempo desde que compartilhei uma reflexão em que expresso uma crença baseada numa percepção de que &quot;o inverso nasce de seu oposto&quot; que apresentei metafisicamente como o &quot;O Uno (que) gera o Múltiplo&quot;, sem necessidade (em sentido aristotélico) de &quot;revoluções&quot; mas simplesmente por saturação e inversão, num determinismo (aberto, mas) causal.</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;8bbK&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/6b/1d/6b1d1efe-22ab-4d5d-bc04-5eb0f3041895.png&quot; width=&quot;580&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;&amp;quot;Um é tudo, tudo é um&amp;quot;.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;figure id=&quot;R4DC&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
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    &lt;figcaption&gt;&amp;quot;Unify divides, Division unifies&amp;quot;.&lt;br /&gt;30 Seconds To Mars em &amp;quot;Oblivion&amp;quot;&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;53J6&quot;&gt;Já faz algum tempo desde que compartilhei uma reflexão em que expresso uma crença baseada numa percepção de que &amp;quot;o inverso nasce de seu oposto&amp;quot; que apresentei metafisicamente como o &amp;quot;O Uno (que) gera o Múltiplo&amp;quot;, sem necessidade (em sentido aristotélico) de &amp;quot;revoluções&amp;quot; mas simplesmente por saturação e inversão, num determinismo (aberto, mas) causal.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7Sft&quot;&gt;Heráclito tem similitudes com outro pensamento que tangencia a mesma visão metafísica: o budismo (como um todo), especialmente o Zen. Recuperei 3 citações marcantes (para mim): uma da coleção &amp;quot;Os Pensadores&amp;quot;, uma de James Sire em sua obra &amp;quot;O Universo Ao Lado: Um Catálogo Básico sobre Cosmovisão&amp;quot; e outra da canção &amp;quot;Como uma Onda&amp;quot;, de Tim Maia. O que as 3 têm em comum? A descrição do monismo budista que é essencialmente A MESMA presente tanto no pensamento de Heráclito, na famosa coletânea brasileira de Filosofia chamada &amp;quot;Os Pensadores&amp;quot; e, por fim, na (que talvez seja a mais) famosa canção de Tim Maia... Comparem:&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;HERÁCLITO&quot;&gt;HERÁCLITO&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;rivm&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/8e/37/8e37c554-614f-4002-baa3-2b32b32fdd69.png&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Heráclito de Éfeso&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;wfw3&quot;&gt;Heráclito (c. 510-480 a.C.) transforma em solução o que aos outros era problema. Para ele, o mundo explica-se não apesar das mudanças de seus aspectos, muitas vezes contraditórios, mas exatamente por causa dessas mudanças e contradições. Por isso, em um de seus fragmentos, diz: &amp;quot;O combate é de todas as coisas o pai, de todas o rei&amp;quot;. Em outras palavras, todas as coisas opõem-se umas às outras, e dessa tensão resulta a unidade do mundo.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;rszP&quot;&gt;Essa oposição, esse combate, é uma guerra, e não, como pretendia Anaximandro, o equilíbrio de forças iguais. Tampouco é a harmonia dos contrários assegurada, como no entender dos pitagóricos, pela justa medida imposta por um ente supremo. Para Heráclito, a harmonia nasce da própria oposição: &amp;quot;o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como de arco e lira&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;6GlE&quot;&gt;A divergência e a contradição não só produzem a unidade do mundo mas também a sua transformação. O mundo é um eterno fluir, como um rio; e é impossível banhar-se duas vezes na mesma água. Fluxo contínuo de mudanças, o mundo é como um fogo eterno sempre vivo, e &amp;quot;nenhum deus, nenhum homem o fez&amp;quot;.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;G1BL&quot;&gt;Mas só se compreende isso quando, ao deixar de lado a &amp;quot;falsa sabedoria&amp;quot; ditada pelos sentidos e pelas opiniões, chega-se ao logos, isto é, ao pensamento sensato. E o raciocínio adequado que abre as portas para o entendimento do princípio de todas as coisas. &amp;quot;Não de mim mas do logos tendo ouvido é sábio homologar tudo é um&amp;quot;, diz um de seus aforismos.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;fzCO&quot;&gt;ABRÃO, Bernardetta Siqueira (organizadora); COSCODA, Mirtes Ugeda (revisora). História da Filosofia, Coleção &amp;quot;OS PENSADORES&amp;quot;. São Paulo, 1999 . Editora Nova Cultural.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;BUDISMO&quot;&gt;BUDISMO&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;2x45&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/97/81/9781665c-b092-4ba8-a3ee-ea437c6d009a.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;O Buda meditando&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Hfd3&quot;&gt;&amp;quot;Sidarta se inclina e escuta o rio com atenção: Sidarta esforçou-se por aguçar os ouvidos. A imagem do pai, a sua própria imagem e a do filho, todas elas se confundiam. Também surgiam e diluíam-se em seguida as visões de Kamala, de Govinda, e muitas outras. Entremesclavam-se, tornavam-se rio e como tal fluíam em direção à meta, ávida, ansiosa, tristemente. E a voz do rio ressoava, cheia de saudade, cheia de doloroso pesar, cheia de insaciável desejo. O rio rumava em direção à sua foz. Sidarta percebia a pressa daquela corrente formada por ele mesmo, pelos seus, por todos os homens que já se lhe haviam deparado. Todas essas ondas e águas, carregadas de sofrimentos, precipitavam-se em busca de suas metas, que eram muitas, as cataratas, o lago, o estreito, o mar e, uma a uma, as metas eram alcançadas, mas a cada qual seguia outra; da água formava-se bruma, que subia ao céu, transformava-se em chuva, a cair das alturas, virava fonte, virava regato, virava rio e novamente iniciava a sua jornada, novamente fluía rumo à meta. Mas a voz sôfrega acabava de mudar. Ainda ressoava, plangente, inquiridora, porém se misturava com outras vozes, alegres e aflitas, boas e más, risonhas e entristecidas, centenas de vozes, milhares de vezes.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;zeON&quot;&gt;Por fim, todas as vozes, imagens e rostos se entrelaçaram: &amp;quot;E todo aquele conjunto, a soma das vozes, a totalidade das metas, das ânsias, dos sofrimentos, das delícias, todo o Bem e todo o Mal, esse conjunto era o mundo [...] a grandiosa cantiga dos milhares de vozes se resumia em uma só palavra, que era Om, a perfeição.&amp;quot; Nesse ponto Sidarta alcança a unidade interior com o Uno, e &amp;quot;a serenidade do saber&amp;quot; brilha em seu rosto.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;ibCH&quot;&gt;HESSE, Hermann. Siddhartha, trad. Hilda Rosner. New York: New Directions, 1951 . p. 122 .&lt;/blockquote&gt;
  &lt;figure id=&quot;Wsv8&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/81/ca/81caf75c-b784-4d68-a05d-ff79fdf9d941.png&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;SIRE, James W. O Universo ao Lado: Um catálogo básico sobre cosmovisão. Editora Monergismo, 2018.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;DNGZ&quot;&gt;Nessa longa passagem, e ao longo do livro, o rio se torna uma imagem do cosmo. Quando observado de um lugar ao longo da margem, o rio flui (o tempo existe). Mas quando observado no seu todo - da nascente ao córrego, ao rio, ao oceano, ao vapor, à chuva, ao córrego -, o rio não flui (o tempo não existe). É uma ilusão produzida por quem está sentado na margem em vez de ver o rio a partir dos céus. O tempo também é cíclico; a história é produzida pelo fluir das águas a passar por um ponto na margem do rio. Ele é ilusório.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Bbwu&quot;&gt;SIRE, James W. O Universo ao Lado: Um catálogo básico sobre cosmovisão [recurso digital]. Editora Monergismo, 2018.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;&amp;quot;Como-Uma-Onda-no-Mar&amp;quot;&quot;&gt;&amp;quot;Como Uma Onda no Mar&amp;quot;&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;WJmJ&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/99/16/99167e40-56cd-4e1b-8adf-1651b37d643e.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Tim Maia&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;oThP&quot;&gt;Nada do que foi será&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;NaoL&quot;&gt;De novo do jeito que já foi um dia&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;z1Nv&quot;&gt;Tudo passa, tudo sempre passará&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;QY2d&quot;&gt;A vida vem em ondas como o mar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;nNvb&quot;&gt;Num indo e vindo infinito&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Ydf6&quot;&gt;Tudo que se vê não é&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;wN6Z&quot;&gt;Igual ao que a gente viu há um segundo&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;5IZL&quot;&gt;Tudo muda o tempo todo, no mundo&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;tcdH&quot;&gt;Não adianta fugir&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;mpAO&quot;&gt;Nem mentir pra si mesmo&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;5dF2&quot;&gt;Agora&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;wJCL&quot;&gt;Há tanta vida lá fora&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;abBX&quot;&gt;Aqui dentro, sempre&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;d0Uh&quot;&gt;Como uma onda no mar.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;3OGV&quot;&gt;Obviamente, nenhum cristão vai concordar que o mundo não foi por Deus criado, mas negar que &amp;quot;tudo é movimento&amp;quot; pode ser mais difícil.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bEcs&quot;&gt;Vou partir do ponto de que a Lógica não é simplemente o &amp;quot;estudo dos entes de razão de segunda intenção&amp;quot;, porém, mais propriamente, uma &amp;quot;proto-linguagem&amp;quot; no sentido de que &amp;quot;corrije e prescreve como expressar o que pode ser comunicável a partir de estruturas formais (verbais ou não verbais)&amp;quot;. A razão aqui pode até ser considerada um &amp;quot;afeto&amp;quot; (enquanto &amp;quot;apego&amp;quot;) já que definições são muitas vezes arbitrárias e sujeitas a alguma &amp;quot;afetação&amp;quot;, além disso, aceito que &amp;quot;não existem sinônimos perfeitos&amp;quot; - só parece ser possível preencher validamente as formas sobre as quais a Lógica se debruça a partir da experiência com o mundo externo... e só estou trazendo isso à tona para poder melhor afirmar que &amp;quot;contradições se limitam à esfera da linguagem&amp;quot;. Se aceitarmos esse ponto, veremos que Heráclito talvez não estivesse realmente propondo algo muito diferente dos Pitagóricos, mas usando &amp;quot;contraditório e contrário&amp;quot; como sinônimos (coisa que, de fato, a maioria de nós faz no dia-a-dia organicamente) além de perceber (mais acertadamente?) que bem e mal são uma unidade relacional sinérgica interdependente mas não estão em harmonia, mas em conflito.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;080R&quot;&gt;De fato, se observarmos outra canção, desta vez extraída de um desenho animado infantil usado para explicar &amp;quot;onde o sol se esconde&amp;quot;, vamos parar na mesma demontração que pretendo fazer aqui. Com vocês, &amp;quot;O Show da Luna&amp;quot;:&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;b76N&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/IDmO6HUVs7c?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;O Show da Luna&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;mvvx&quot;&gt;&amp;quot;Gira, gira...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;daK8&quot;&gt;A Terra gira (2x)&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;VtBd&quot;&gt;E o sol&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;V7uj&quot;&gt;parado está&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;V3Nx&quot;&gt;E a gente vai mudando...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;0y4C&quot;&gt;Vai mudando de lugar&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;fKSA&quot;&gt;Vocês conseguem perceber que direções são relacionais e que, ao que parece, o pensamento humano não consegue ir além de &amp;quot;parado e em movimento&amp;quot; como &amp;quot;categorias metafísicas&amp;quot;? Ambos os primeiros princípios mais filosoficamente &amp;quot;atacados&amp;quot; na modernidade dependem dessas categorias: o princípio da causalidade (se-&amp;gt;então, no TEMPO) e o princípio da não-contradição (já escrevi um artigo bem longo aqui sobre este segundo só fazer sentido no &amp;quot;mundo sublunar&amp;quot;).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;7iJK&quot;&gt;Uma categoria de pensamento filosoficamente cristão a respeito de Deus é que &amp;quot;Deus é substância simples&amp;quot;... Mas ninguém nunca viu NADA simples! Tudo que captamos com os sentidos é feito de matéria e forma. Não havendo nada simples a ser notado pelos sentidos, também não temos nada realmente &amp;quot;parado&amp;quot;: a Terra parece parada e gira. O sol parece parado, mas a via láctea, onde ele se encontra, está em movimento (dizem...), portanto... O que de fato está parado?!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;oc9s&quot;&gt;Budismo e Cristianismo têm algumas semelhanças interessantes: ambos tem alguma tradição antropológica em que o ser humano é metafisicamente vazio. Ambos falam de esvaziamento: o primeiro da mente pela yoga; o segundo, de Deus ao criar e encarnar. Ambos admitem (em graus diferentes) a necessidade de se abdicar dos desejos, etc. Nas diferenças, a mais gritante é a ausência da crença na transmigração da alma (que nem é uma condição sine qua non de todas as vertentes budistas), mas não é disso que quero falar, porque a transmigração no budismo é uma consequência lógica de uma metafísica em looping onde tudo que foi deve voltar a ser: incriado, impessoal, sem começo nem fim. Tirando a parte do impessoal, poderíamos dízer que estão dando ao &amp;quot;tudo é um&amp;quot; os mesmo atributos que cristãos dão a Deus.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;FBgJ&quot;&gt;Meu ponto é: a diferença metafísica entre Cristianismo e Budismo está em &amp;quot;onde a digressão causal deve parar&amp;quot;: num looping (no caso do monismo budista) ou na revelação (no Cristianismo).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5wwl&quot;&gt;A ideia de unir essas passagens numa transposição cristã das ideias de Heráclito me ocorreu após ouvir uma música criada por IA! ...É, eu sei que buscar &amp;quot;sentido&amp;quot; numa letra criada por IA é um contrasenso já que &amp;quot;sintaxe não produz semântica&amp;quot;, mas aqui estou levando em conta que IA = IN e creio que podemos fazer algumas transposições inspiradas na canção &amp;quot;Transitório&amp;quot; (já destacada na Ágora em outro momento) por sintetizar o pensamento de Heráclito com alguns acréscimos sutis. Salvo engano, me parece mais uma letra criada majoritariamente por IN com &amp;quot;retoques&amp;quot; (pra não dizer &amp;quot;hallucinations&amp;quot;) de IA (irei sinalizá-los à medida que proponho uma nova interpretação de Heráclito transpondo os princípios do filósofo para um âmbito mais geral - inclusive, tangenciando conceitos budistas e cristãos que me parecem interseccionados em ambas as religiões). E não é em vão que estou relacionando Lógica com Linguagem...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;zPw9&quot;&gt;Se, para Heráclito, a condição para que o Logos se revele é que &amp;quot;só se compreende isso quando, ao deixar de lado a &amp;#x27;falsa sabedoria&amp;#x27; ditada pelos sentidos e pelas opiniões, chega-se ao logos, isto é, ao pensamento sensato&amp;quot; o erro de Heráclito não foi constatar em tudo que percebeu o &amp;quot;movimento&amp;quot; mas em assumir que a sabedoria por ele afirmada vinha do Logos quando, na verdade, ela é inteiramente dependente dos sentidos! Tentaremos reler conceitos heraclitianos na canção &amp;quot;Transitório&amp;quot; aqui a partir desse prima (tenham em mente que isto tudo aqui é uma transposição proposital de conceitos, ok?). Vamos à análise e... Me desejem sorte!&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;TRANSITÓRIO&quot;&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;YwCH&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://t.me/udiopub/8834?embed=1&amp;userpic=1&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;LSfd&quot;&gt;TRANSITÓRIO&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;QPUU&quot;&gt;No sopro leve do vento&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;u4ZM&quot;&gt;Tudo vai passar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;icXg&quot;&gt;As flores dançam no tempo&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;JM19&quot;&gt;Sabem desapegar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Ty8R&quot;&gt;A lua cheia já se esconde&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;b0sb&quot;&gt;Cede à madrugada&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;4czw&quot;&gt;Cada instante é um tesouro&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;RS8A&quot;&gt;Mesmo na jornada&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;RkHL&quot;&gt;Tudo muda&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;hKGk&quot;&gt;Tudo é movimento&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;UGNl&quot;&gt;O agora é ouro&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;6M31&quot;&gt;Um breve momento&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;WPIJ&quot;&gt;Entre o vazio e a eternidade&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;EIkq&quot;&gt;Canto a vida, celebro a transitoriedade&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;s30L&quot;&gt;No rio fluem histórias, não há como segurar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;yNHH&quot;&gt;As águas vão e voltam, sempre a se transformar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;JTZM&quot;&gt;Caminhos vêm e vão, cada passo é aprender&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;43R5&quot;&gt;Perder também é ganhar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;08wj&quot;&gt;Renascer é viver&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;m6tV&quot;&gt;Tudo muda&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1Bwy&quot;&gt;Tudo é movimento&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;GTMC&quot;&gt;O agora é ouro&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;r5Mq&quot;&gt;Um breve momento&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;4nqz&quot;&gt;Entre o vazio e a eternidade&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;482S&quot;&gt;Canto a vida, celebro a transitoriedade&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Z3wP&quot;&gt;Deixa o sol se pôr,&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;GkZp&quot;&gt;Ele volta amanhã&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;1ENe&quot;&gt;Deixa o coração soltar&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;SkuZ&quot;&gt;O que não é (vão!)&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Pq0D&quot;&gt;O sofrer é só nuvem que passa pelo céu&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;bx3J&quot;&gt;Descobre a luz além do véu&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;cpCj&quot;&gt;Tudo muda, tudo é tão presente&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;nDgp&quot;&gt;O futuro é sonho, o passado... ausente&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;TKNb&quot;&gt;Na impermanência há liberdade&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;6Wh8&quot;&gt;Canto a vida, celebro a transitoriedade&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;C89F&quot;&gt;Celebro (celebro) o agora&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;jatR&quot;&gt;Cada passo, cada história&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Ibd6&quot;&gt;Tudo dança, tudo voa&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;79qz&quot;&gt;A vida é jazz e a gente...&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;0Bi2&quot;&gt;Ecoa&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;xxTx&quot;&gt;Tanto Cristianismo como Budismo nos convidam a alguma forma de &amp;quot;desapego&amp;quot;, seja para evitar o sofrimento não desejando seja prescrevendo &amp;quot;nunca permita que sua felicidade dependa de algo que você possa perder&amp;quot;. Ambos convidam a aproveitar o caminho, contemplar a beleza das flores e celebrar o agora (carpe diem, lembram?), ambos fazem referência a um véu que nos separou da realidade última (seja o véu de Maya ou o véu do templo, rasgado na morte de Cristo Jesus). Ambos tratam o sofrimento como transitório para o fiel. Para ambos, o tempo está entre o vazio e a eternidade. Parecem-se, inclusive, no ponto em que até para Deus foi justamente a impermanência posta na criação que gerou (para bem e para mal) a liberdade. Ambos alegam (por razões diferentes) que &amp;quot;perder é ganhar&amp;quot; e &amp;quot;renascer é viver&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;FXsM&quot;&gt;A grande novidade do Cristianismo é a Graça de uma recompensa imerecida que quebra o ciclo do sofrimento (o samsara budista)porque Deus se esvaziou em nosso favor para que não precisássemos ser nada.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;65BK&quot;&gt;Mas, afinal, mesmo pra mim, que sou cristão, parece que Buda e Heráclito acertaram em perceber que a própria mudança é permanente.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9fE6&quot;&gt;Meu desejo sincero é que eles também tenham experimentado isso na prática porque &amp;quot;o novo que se renova&amp;quot; nos ensinou que o &amp;quot;necessário é nascer de novo&amp;quot; não era literal, mas faz parte da mudança que todo homem deve passar antes de encontrar em paz com seu Criador.&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;Bdvl&quot;&gt;&lt;strong&gt;Obs.:&lt;/strong&gt; Escrito ao som de &amp;quot;The End&amp;quot;, de Audio Vex. Recomendo d+!&lt;/blockquote&gt;
  &lt;figure id=&quot;ezyZ&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/DFBmI1zfJCU?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Audio Vex - The End&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:PSICOLOGIA-E-VOLUNTARISMO</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/PSICOLOGIA-E-VOLUNTARISMO?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>PSICOLOGIA E VOLUNTARISMO</title><published>2025-08-22T14:12:07.288Z</published><updated>2025-08-22T14:17:56.694Z</updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img3.teletype.in/files/63/4e/634e0dca-7a8b-4b74-87ba-875076a8ebf5.png"></media:thumbnail><category term="psicologia" label="Psicologia"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/57/4c/574ca8b6-8578-4291-951a-f250ede46a63.png&quot;&gt;Trabalhando como psicólogo clínico desde 2012 e profundamente voltado à Filosofia como ferramenta intelectual também aplicada ao trabalho já propus aqui alguns ensaios anteriores sobre a relação entre temas da Psicologia e Filosofia que estão intimamente ligados abordando tópicos como Filosofia da Mente nos artigos A Mente (NÃO É) FÍSICA e René Descartes e O Mistério da Relação Mente-Corpo, a estreita relação entre o precário desenvolvimento do raciocínio lógico e diversos problemas de saúde mental em Primeiros Princípios da Lógica &amp; Saúde Mental,(...) etc. Hoje trataremos do tema do &quot;Voluntarismo&quot; na Psicologia.</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;DGqv&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/57/4c/574ca8b6-8578-4291-951a-f250ede46a63.png&quot; width=&quot;1280&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;&amp;quot;Onde há uma vontade, há um caminho&amp;quot;. Ditado Popular&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Introdução&quot;&gt;Introdução&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;EWQX&quot;&gt;Trabalhando como psicólogo clínico desde 2012 e profundamente voltado à Filosofia como ferramenta intelectual também aplicada ao trabalho já propus aqui alguns ensaios anteriores sobre a relação entre temas da Psicologia e Filosofia que estão intimamente ligados abordando tópicos como Filosofia da Mente nos artigos &lt;a href=&quot;/A-Mente-N%C3%83O-%C3%89-F%C3%ADsica-10-20&quot;&gt;A Mente (NÃO É) FÍSICA&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;/Ren%C3%A9-Descartes-e-o-Mist%C3%A9rio-da-Rela%C3%A7%C3%A3o-Mente-Corpo-11-12&quot;&gt;René Descartes e O Mistério da Relação Mente-Corpo&lt;/a&gt;, a estreita relação entre o precário desenvolvimento do raciocínio lógico e diversos problemas de saúde mental em &lt;a href=&quot;/Primeiros-Princ%C3%ADpios-da-L%C3%B3gica--Sa%C3%BAde-Mental-12-07&quot;&gt;Primeiros Princípios da Lógica &amp;amp; Saúde Mental&lt;/a&gt;, a dificuldade de estabelecer na modernidade um conceito adequado e perfeito para o fenômeno da inteligência em &lt;a href=&quot;/Um-pequeno-compilado-sobre-testes-de-intelig%C3%AAncia-e-o-desenvolvimento-de-intelig%C3%AAncias-artificiais-10-14-2&quot;&gt;Um Pequeno Compilado sobre Testes de Inteligência &amp;amp; Desenvolvimento de Inteligências Artificiais&lt;/a&gt; e até mesmo problemas contemporâneos como nossa má relação com a tecnologia em &lt;a href=&quot;/Culto-%C3%A0-tecnologia-e-o-esvaziamento-do-ser-05-27&quot;&gt;Culto À Tecnologia E O Esvaziamento do Ser&lt;/a&gt;, Filosofia da Linguagem aplicada aos relacionamentos amorosos em &lt;a href=&quot;/Amor-Sexo-Linguagem--A-Origem-dos-Mal-Entendidos-02-02&quot;&gt;Amor, Sexo, Linguagem &amp;amp; A Origem dos Mal-Entendidos&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;tCnb&quot;&gt;Este é mais um texto-ensaio de uma reflexão prática entre aspectos da Psicologia e Filosofia que se interseccionam. No texto de hoje, nos debruçaremos sobre o tema do &amp;quot;Voluntarismo&amp;quot; e sua relação com a Psicologia.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;O-Que-é-&amp;quot;Voluntarismo?&amp;quot;&quot;&gt;O Que é &amp;quot;Voluntarismo?&amp;quot;&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;ycmb&quot;&gt;Tentando partir de uma visão mais ampla e sabendo que muitos (assim como eu, outrora) fazem uso do termo &amp;quot;voluntarismo&amp;quot; eventualmente com um significado mais atrelado à sua bolha virtual por uma espécie de polarização filosófica, resolvi fazer uma rápida pesquisa no Copilot lançando mão de um questão de &amp;quot;campo semântico&amp;quot;:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;P1pA&quot;&gt;&lt;strong&gt;QUESTÃO: &lt;/strong&gt;Em Filosofia existem diferentes versões de &amp;quot;voluntarismo&amp;quot; que seriam incompatíveis entre si presentes em diferentes sistemas filosóficos ou &amp;quot;voluntarismo&amp;quot; seria apenas a qualidade de pressupor a primazia da vontade sobre o intelecto em quaisquer sistemas filosóficos (mesmo entre os de cosmovisões incompatíveis entre si)?&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;TuQM&quot;&gt;Excelente pergunta — e ela toca num ponto sutil e fascinante da história da filosofia. O termo voluntarismo não é monolítico; ele designa uma família de doutrinas que compartilham a ideia central de que a vontade tem primazia sobre o intelecto, mas essa primazia é interpretada de formas divergentes e até incompatíveis em diferentes sistemas filosóficos.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h3 id=&quot;*-Visões-distintas-de-voluntarismo&quot;&gt;* Visões distintas de voluntarismo&lt;/h3&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;C8Ta&quot;&gt;Aqui estão algumas versões principais:&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;1.-Voluntarismo-teológico-(Escolástica-medieval)&quot;&gt;1. Voluntarismo teológico (Escolástica medieval)&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;fuTN&quot;&gt;Autores: Duns Scotus, Guilherme de Ockham&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;2ZXF&quot;&gt;Tese: A vontade de Deus é superior ao seu intelecto. Deus escolhe o que é bom, e não o reconhece como tal por meio da razão.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;b1e8&quot;&gt;Implicação: A moralidade depende da vontade divina, não da razão universal.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;wfef&quot;&gt;Incompatibilidade: Contrasta com o intelectualismo de Tomás de Aquino, que afirma que Deus age conforme a razão.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;2.-Voluntarismo-metafísico-(-Schopenhauer)&quot;&gt;2. Voluntarismo metafísico ( Schopenhauer)&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;EBo1&quot;&gt;Tese: A vontade é a essência do mundo, uma força irracional que precede e fundamenta o intelecto.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;R45v&quot;&gt;Implicação: O intelecto é um produto secundário da vontade.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;KxwF&quot;&gt;Incompatibilidade: Diverge radicalmente do racionalismo cartesiano ou do idealismo alemão, que colocam a razão ou a consciência como fundamento.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;3.-Voluntarismo-ético-(Fichte,-Nietzsche)&quot;&gt;3. Voluntarismo ético (Fichte, Nietzsche)&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;eXZ4&quot;&gt;Tese: A ação moral e a construção do eu são guiadas pela vontade, não pela razão teórica.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;OQen&quot;&gt;Implicação: A liberdade e a autodeterminação são expressões da vontade.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;uZdf&quot;&gt;Incompatibilidade: #Nietzsche, por exemplo, rejeita qualquer moral racionalista ou universalista.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h4 id=&quot;4.-Voluntarismo-epistemológico&quot;&gt;4. Voluntarismo epistemológico&lt;/h4&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;KnXd&quot;&gt;Tese: Podemos escolher acreditar em certas proposições por um ato de vontade, mesmo sem evidência racional suficiente.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;KQVf&quot;&gt;Exemplo: William James defende que a fé pode ser uma escolha legítima em contextos onde a razão não oferece respostas conclusivas.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;h3 id=&quot;*-⚔️-Compatibilidade-entre-sistemas?&quot;&gt;* ⚔️ Compatibilidade entre sistemas?&lt;/h3&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;rS4I&quot;&gt;Embora todos esses sistemas compartilhem a primazia da vontade, eles são filosoficamente incompatíveis em muitos aspectos:&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;CW9i&quot;&gt;A natureza da vontade varia: divina, irracional, moral, existencial.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;yu56&quot;&gt;O papel do intelecto é tratado de forma distinta: subordinado, ilusório, complementar.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;yXMf&quot;&gt;As implicações éticas, metafísicas e teológicas são profundamente diferentes.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;5nrG&quot;&gt;Portanto, o voluntarismo não é uma doutrina única, mas sim um motivo filosófico recorrente que aparece em sistemas com cosmovisões incompatíveis entre si.&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;30Sg&quot;&gt;Fonte:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;5Avu&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://copilot.microsoft.com/shares/JfJPUrBkz42Bv4MGwKbJK&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://copilot.microsoft.com/shares/JfJPUrBkz42Bv4MGwKbJK&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;gg0W&quot;&gt;Agora que sabemos o que é &amp;quot;voluntarismo&amp;quot; em acepções um pouco mais amplas, podemos notar que o que todas têm em comum é uma noção de &amp;quot;primazia&amp;quot; oub &amp;quot;anterioridade&amp;quot; em relação à razão.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Voluntarismo-e-Terapia-Cognitivo-Comportamental&quot;&gt;Voluntarismo e Terapia Cognitivo-Comportamental&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;jBR3&quot;&gt;Para saber mais:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;OAXm&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/quais-as-bases-filosoficas-da-Ml7ICr.FT2eK8kvfKGs_CA&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/quais-as-bases-filosoficas-da-Ml7ICr.FT2eK8kvfKGs_CA&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Pd4y&quot;&gt;Entre as vertentes da Psicologia que contam com maior rigor &amp;quot;científico&amp;quot;, no sentido comum do termo, por dar conta de demonstrar resultados replicáveis e se submeter a validação estatística de seus pressupostos observáveis, a Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem Psicológica que parece beber de uma fonte antagônica ao Voluntarismo já que parte do núcleo epistemológico de que &amp;quot;a percepção leva ao pensamento, que leva à reação emocional&amp;quot;; logo, sua abordagem psicoterápica se propõe a elaborar racionalmente suas ações, condicionamentos, pensamentos (esquemas cognitivos, traumas, pensamentos intrusivos, etc.) e, por conseguinte, sua VONTADE.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Voluntarismo-e-Psicanálise&quot;&gt;Voluntarismo e Psicanálise&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;p5gC&quot;&gt;Para saber mais:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Qpv2&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/quais-as-bases-filosoficas-da-ugDrPIevRNyZJbx4WkU0NA&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/quais-as-bases-filosoficas-da-ugDrPIevRNyZJbx4WkU0NA&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;I75f&quot;&gt;A Psicanálise pode ser considerada, até certo ponto, a vertente espelhada e oposta à abordagem Cognitivo-Comportamental já que, na Psicanálise, estabelece um primado do irracional ante o racional e da vontade ante o intelecto. A Psicanálise talvez seja a mais importante escola filosófica voluntarista dentro das abordagens psicológicas.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;0E7O&quot;&gt;Não pretendo entrar no mérito se a abordagem é ou não científica porque, assim como na mitologia, o ferramental psicanalítico é simbólico, portanto qualitativo (ou mais &amp;quot;subjetivo&amp;quot; que &amp;quot;objetivo&amp;quot; se você acredita nessa dicotomia); inclusive, vemos quem se beneficie dessa abordagem e de fato melhore, embora seja difícil estimar quantitativamente eficácia geral daqui que, por método, tem baixa replicabilidade: a Psicanálise se detem em universos mentais individuais e particulares e o máximo de universalidade que temos na prática vem de variantes que trabalham, por exemplo, noções arquetípicas, como na Psicologia Analítica Jungiana. Assim sendo, nos deteremos apenas no aspecto do voluntarismo dentro da Psicanálise.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;2eGd&quot;&gt;O voluntarismo psicanalítico aparece tanto na primeira quanto na segunda teorias psicodinâmicas de Freud tanto nos postulados das instâncias do &amp;quot;inconsciente&amp;quot; (que é um conceito auto-contraditório na forma como foi originalmente pensado e como é amplamente divulgado até os dias de hoje) e também do &amp;quot;ID&amp;quot; que é basicamente &amp;quot;puro desejo&amp;quot;. Para mais além da contradição que é &amp;quot;afirmar conscientemente que há uma esfera da mente totalmente inconsciente que só é (convenientemente) acessível através da terapia psicanalítica&amp;quot;, temos ainda, no mínimo, caso de contradição performática no pressuposto de que &amp;quot;ao entender as próprias motivações inconscientes (ou &amp;quot;subconscientes&amp;quot;, se quisermos evitar a contradição lógica) o ser humano se torna capaz de gerenciar melhor a vontade e se libertar de seus traumas&amp;quot; - a contradição performática está em justamente pressupor que, com o ferramental psicoterapêutico adequado, seria possível ao ego &amp;quot;gerenciar&amp;quot; melhor a vontade (de modo mais racional, certo?).&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Voluntarismo-e-Psicologia-Positiva&quot;&gt;Voluntarismo e Psicologia Positiva&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;d6rw&quot;&gt;Para saber mais:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;UV99&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/quais-as-bases-filosoficas-da-xNZHs92LSVuLNB1yWFGnAw&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/quais-as-bases-filosoficas-da-xNZHs92LSVuLNB1yWFGnAw&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;TDkU&quot;&gt;Eu tenho uma impressão informal de que a Psicologia Positiva é um tipo de amálgama de #Budismo + #Estoicismo. A união do ideal de imperturbabilidade presente na ataraxia estóica somado à necessidade de olhar para a vida com &amp;quot;bons olhos&amp;quot; esvaziados do desejo, como no Budismo.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;E20y&quot;&gt;Se assumirmos que a mente interpreta a realidade a partir de sua vontade, o silenciamento da vontade seria o caminho mais óbvio para reinterpretar as emoções. Então, a liberdade real é de fazer algo independentemente das &amp;quot;paixões da vontade&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;fYKs&quot;&gt;Temos &amp;quot;memes&amp;quot; budistas na internet com monges varrendo o chão seguidos da palavra &amp;quot;enjoy&amp;quot; (&amp;quot;aproveite&amp;quot;) e acho q é um exemplo legal dado o número de pessoas que, na minha prática profissional, comprovadamente DETESTA cuidar da própria casa, mudar a mente para fazer o que se DEVE me parece um ótimo conselho.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;VKEn&quot;&gt;A base da Psicologia Positiva poderia ser sintetizada num clichê de perfil de whatsapp ou numa frase de parachoque de caminhão que dissesse &amp;quot;Eu nunca perco: ou eu ganho ou eu aprendo&amp;quot;. E trata-se de desenvolver uma capacidade (bastante difícil na prática) de submeter a vontade à realidade e ser grato por isso. Nessa acepção, a Psicologia Positiva nos ensina a retroceder alguns passos antes de falar e agir, nos convida a ouvir primeiro e aceitar de modo &amp;quot;afável&amp;quot; o outro (tal qual no Budismo). Há ecos cristãos aqui enquanto intersecção entre Budismo, Estoicismo e Cristianismo (já que as 3 tradições tem em comum uma noção que fica clara) até mesmo nas palavras de Jesus Cristo em Mateus 6:22-34:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;d6y1&quot;&gt;&amp;quot;A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo será tenebroso.&amp;quot;&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Voluntarismo,-Intelectualismo-e-Monismo-Hipostático&quot;&gt;Voluntarismo, Intelectualismo e Monismo Hipostático&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;tOy4&quot;&gt;Particularmente, sou tanto um &amp;quot;monista lógico&amp;quot; (por acreditar que a lógica é o instrumento único que dispomos para basear a linguagem a nossa interpretação algorítmica da realidade) quanto um &amp;quot;pessimista lógico&amp;quot; (por crer que a lógica sozinha não dá conta de explicar a experiência do real pela via da representação através da linguagem, havendo de fato algo pessoal e incomunicável que é um &amp;quot;não-nada&amp;quot;, realmente existente, paradoxalmente referível, demonstrável até, mas inacessível e não-compartilhável de um indivíduo aos demais inclusive no sentido original do termo &amp;quot;místico&amp;quot;).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;MyTt&quot;&gt;Justamente por ser um &amp;quot;monista lógico&amp;quot; não acredito que a distinção entre &amp;quot;razão&amp;quot; e &amp;quot;vontade&amp;quot; seja real. Creio tratar-se de uma &amp;quot;distinção de razão&amp;quot; já que &amp;quot;se posso inteligir o que desejo, ainda que não tenha por claro qual seja o tal desejo, ainda assim sei que desejo justamente algo que me falta&amp;quot;. Parafraseando C.S. Lewis : &amp;quot;Se eu encontrar dentro de mim desejos que nada neste mundo pode satisfazer eu só posso concluir que eu não fui feito para este mundo&amp;quot;. Cada desejo possui uma satisfação real, mas expressa (ao menos aparentemente) de modo distinto nos seres humanos em comparação aos demais seres vivos: se uma planta precisa de luz, solo e água essas necessidades existem de forma concreta num mundo em que plantas também existem; se um animal precisa de, por exemplo, comida e água, existem de fato coisas como água e alimento; mas, no caso do ser humano, é possível desejar algo que só exista como consequência de outra conduta ou mesmo como um mero estado interno (exs.: satisfação, felicidade, alegria, amor, etc.) ou ainda desejar algo que não te seja possível neste mundo (exs.: se teletransportar de lugar, voar sem maquinário, tornar-se outro ser diferente de si mesmo, etc.) e até mesmo desejar coisas incompatíveis entre si (por exemplo, quando uma mulher alegadamente diz: que ama a um homem pelo que ele é e, ao mesmo tempo, age continuamente atrás daquilo que o homem tem enquanto posses materiais, ou quando dizem querer um homem &amp;quot;forte&amp;quot; porém &amp;quot;sensível&amp;quot; ou, mais universalmente, quando almejamos a santidade e, ao mesmo tempo, há uma força simultânea e oposta dentro de nós que deseja o pecado e nos tensiona e faz &amp;quot;coxear&amp;quot; entre esses dois pensamentos). Razão e vontade operam de modo razoavelmente independente na mente se o quisermos pensar assim (seja na imaginação ou no intelecto) mas me parece haver algo como uma &amp;quot;união hipostática&amp;quot; que prende a ambos, intelecto e vontade, como dois lados de uma mesma moeda em que &amp;quot;o que quero posso inteligir, ainda que sem um referente claro porque o que é desejável, existe em algum dos níveis da realidade&amp;quot;. Parece haver algum grau natural de paraconsistência no modo como o pensamento humano se manifesta na realidade dado o problema referido aqui.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Voluntarismo-e-Trabalho-Psicoterapêutico&quot;&gt;Voluntarismo e Trabalho Psicoterapêutico&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;1QOy&quot;&gt;Como ilustrado nos exemplos anteriores, a média das abordagens psicológicas parte de algum grau de intelecção que se supõe agir sobre a volição: admite-se em algum grau que &amp;quot;a compreensão reoriente a vontade&amp;quot;. Nesse sentido, há inclusive um desejo por parte do paciente de que algo dito e orientado pelo psicoterapeuta lhe mude a conduta, o sentimento ou a vontade e há ainda na prática um certo grau de decepção e desistência da terapia quando o terapeuta foca em mostrar os erros no pensamento do paciente e a necessidade de mudar sua compreensão (no sentido de &amp;quot;metanóia&amp;quot;) planejando e assumindo as responsabilidades pelos próprios atos de forma consciente. O #paradoxo da Psicologia está justamente em pressupor a mudança da vontade a partir do intelecto e a contradição está, ao mesmo tempo (num mesmo sentido) pressupor a primazia natural da vontade sobre a razão.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;iwVT&quot;&gt;Minha tentativa de dissolver esses problemas está justamente em observar uma &amp;quot;falsa dualidade&amp;quot; entre vontade e intelecto: sendo ambos interdependentes e observando que a linguagem e o pensamento englobam naturalmente problemas não passíveis de resolução (ex.: a capacidade de pensar e expressar o &amp;quot;nada&amp;quot; mesmo o &amp;quot;nada&amp;quot; não existindo), o pensamento humano me parece naturalmente paraconsistente devido tanto à polissemia no quesito &amp;quot;linguagem&amp;quot; quanto no quesito &amp;quot;desejo&amp;quot; já que podemos sustentar desejos incompatíveis entre si numa tensão entre &amp;quot;o que é x o que poderia ser&amp;quot;, fenômeno este que, acredito eu, não pode ser realmente negado (apenas artificialmente, na mente).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;1oQ3&quot;&gt;Afinal de contas, na prática, parece tanto ser impossível mudar a quem não tenha a real vontade de fazê-lo quanto também parece ser possível (ao menos por algum tempo e, mais proeminentemente, na juventude) &amp;quot;educar o desejo&amp;quot; até certo ponto.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;TkCA&quot;&gt;A clínica psicológica exige uma capacidade de equilibrar a necessidade emocional humana de conexão e acolhimento com doses regulares de razoabilidade. Ao contrário do que pensava Descartes, a razão é uma das coisas mais mal distribuídas entre os seres humanos. Todavia, se o conhecimento não é para todos e não é garantia de &amp;quot;salvar&amp;quot; ninguém, a que(m) se presta de fato a psicoterapia e qual é seu real alcance em mudar e/ou moldar a ação, o sentimento e o pensamento do outro apenas pela técnica? Estaria a razão em clínica psicoterápica &amp;quot;eternamente&amp;quot; submissa a uma implacável vontade curvada ante o anárquico e multifacetado totem da ditadura do desejo? A isto ainda não ouso tentar responder.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Referências:&quot;&gt;Referências:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;YOdX&quot;&gt;DESCARTES, René. Discurso Sobre O Método (Tradução de Márcio Pugliesi e Norberto de Paula Lima). Curitiba-PR: Hemus Editora LTDA., 2000.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;rAzJ&quot;&gt;HAN, Byung-Chul. Filosofia do zen-budismo. Tradução de Lucas Machado – Petrópolis, RJ : Vozes, 2019.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;GrBX&quot;&gt;KREEFT, Peter. Sócrates Encontra Descartes [recurso eletrônico]; Tradução de Gabriel Melatti - Campinas, SP : Vide Editorial, 2012.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;HZCr&quot;&gt;LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. Traduzido por Gabriele Greggersen. 1a ed. — Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.&lt;/p&gt;

</content></entry><entry><id>jean_paolo:Libertarianismo-Digital</id><link rel="alternate" type="text/html" href="https://teletype.in/@jean_paolo/Libertarianismo-Digital?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_atom&amp;utm_campaign=jean_paolo"></link><title>Libertarianismo Digital: Um discurso em 3 partes</title><published>2024-11-28T18:16:40.103Z</published><updated>2024-11-28T18:19:37.208Z</updated><category term="internet" label="Internet"></category><summary type="html">&lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/cc/c5/ccc58391-8263-4301-9dd0-d046f1bcea27.png&quot;&gt;Com a recente apoteose dos novos modelos de inteligência artificial sendo incorporados a desde aplicativos de uso comum (como Whatsapp) até uso empresarial em larga escala, os sistemas de computador passaram a ser alimentados com dados pessoais íntimos dos usuários, à ponto de essas empresas poderem traçar o perfil psicológico de seus usuários e manipulá-los com técnicas de engenharia social seja para condicioná-los à compra de certos produtos ou para modificar seu comportamento em nome de pautas políticas e sociais... E isso é poder demais para estar nas mãos de quaisquer pessoas! Dito isso, o &quot;Libertarianismo Digital&quot; é um movimento de conscientização individual sobre o tamanho da &quot;pegada virtual&quot; que deixamos na Internet.</summary><content type="html">
  &lt;figure id=&quot;jDt1&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/cc/c5/ccc58391-8263-4301-9dd0-d046f1bcea27.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://youtu.be/8gOEZ9Y3ZL8&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h3 id=&quot;PARTE-1---Breve-História-da-Internet-e-Princípios-do-Libertarianismo-Digital&quot;&gt;PARTE 1 - Breve História da Internet e Princípios do Libertarianismo Digital&lt;/h3&gt;
  &lt;p id=&quot;b71v&quot;&gt;Com o final da Guerra Fria, toda a infraestrutura que se tornaria a Internet que conhecemos passou a ser direcionada para finalidades cada vez menos militares, como: conexão entre universidades, serviços de armazenamento e compartilhamento de dados entre bancos, abertura para empresas e anúncios, desenvolvimento e circulação de informações para pessoas comuns, etc. E, com a popularização dos &amp;quot;softwares de trabalho&amp;quot;, criou-se uma expectativa de que, aquilo que antes era usado apenas em ambiente empresarial, poderia oferecer soluções domésticas para compras, vendas, comunicação e aprendizagem.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;zvoa&quot;&gt;No início da Internet, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, ter o acesso à informação livre e descentralizada passou a ser visto como meio de inserir pessoas no mercado de trabalho e, talvez, até mesmo como estratégia de &amp;quot;ascensão social&amp;quot; pelo conhecimento livremente compartilhado.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;w0ow&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/8gOEZ9Y3ZL8?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Os PILARES do Libertarianismo&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;7qiv&quot;&gt;Libertarianismo é uma corrente de pensamento que não acredita na eficácia de se gerir a sociedade através de leis impostas verticalmente por governos centralizados, preferindo que as pessoas resolvam seus próprios problemas a partir de livre associação.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;XlvW&quot;&gt;Quando falamos de &amp;quot;libertarianismo digital&amp;quot; estamos somando um modo de pensar que é basicamente apolítico com uma estratégia de responsabilização das pessoas ao lidar com as tecnologias a que somos expostos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;QeZk&quot;&gt;Pensemos, por exemplo, em dois fenômenos recentes na Internet: Os anúncios baseados em rastreadores (cookies) e as redes sociais.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;Iu6O&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/41/41/41419ed6-9a1c-4d92-8520-7cea4e03a21c.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Exemplos de redes sociais&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;BgRp&quot;&gt;Todos sabemos o que são redes sociais: Instagram, Tik Tok, Kwai, YouTube e Facebook são só alguns dos exemplos mais famosos. Essas &amp;quot;redes sociais&amp;quot; podem ser descritas como &amp;quot;páginas da internet&amp;quot; a que você tem acesso a partir de uma chave/senha pessoal (também chamada de &amp;quot;login&amp;quot;) e que lhe permite conversar, ver e postar vídeos, áudios, textos e, eventualmente, até arquivos e documentos. A íntima relação entre &amp;quot;redes sociais&amp;quot; e &amp;quot;anúncios baseados em rastreadores&amp;quot; está diretamente relacionada ao fenômeno das &amp;quot;lojas virtuais&amp;quot; que nos permitiram fazer compras online tanto dentro quanto fora do país já que um dos pioneiros entre as redes sociais em misturar essas duas coisas foi o Facebook, ao associar termos digitados nas conversas e perfis de seus usuários a ofertas de produtos e páginas tanto de lojas quanto de governos que pretendiam manipular a opinião das pessoas através de suas postagens na plataforma investindo grandes somas de dinheiro nas redes sociais.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;fzWn&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img2.teletype.in/files/db/c5/dbc5584d-a285-4bd2-847d-8f906feec2cb.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Facebook x Google&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;2UEF&quot;&gt;Do mesmo modo, apesar de ser um empresa maior do que uma rede social (e já ter mantido diferentes redes sociais ao longo dos anos, desde sua fundação), a Google, a mais conhecida ferramenta de pesquisa online, aderiu à mesma prática com a diferença de que a empresa Google é MAIOR que a empresa Facebook/Meta de Mark Zuckerberg, por deter, a partir de prática desleal, sabotagem de empresas rivais e monopólio de mercado, a maior parte da fatia de vendas de celulares no mundo graças a seu sistema operacional proprietário: o Android, cujo único desafiante à altura é da empresa de produtos superfaturados de tecnologia: a Apple. Todavia, como a maioria das pessoas é POBRE, os produtos, serviços e soluções oferecidas pela Google ganha em números absolutos no quesito &amp;quot;quantidade de usuários&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;Sk0p&quot;&gt;Esse conluio entre &amp;quot;redes sociais&amp;quot;, comércio e governos terminou por levantar a suspeita dos libertários se esse modelo de negócio não estaria sendo usado para fomentar uma (direta ou indireta) &amp;quot;lavagem cerebral&amp;quot; em proporções globais já que cada celular produzido por &amp;quot;big techs&amp;quot; (os grandes monopólios de tecnologia) é, potencialmente, um dispositivo de vigilância e monitoramento pessoal.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Referências:&quot;&gt;Referências:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;uJOj&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-3UfQFOZGQN.8Y2ZJaeA1uQ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-3UfQFOZGQN.8Y2ZJaeA1uQ&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;nj0F&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/ed/26/ed26a9ad-4c6a-455b-bdbd-b5ca7e528e1d.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;ChatGPT: a Inteligência Artificial mais conhecida atualmente.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;NRZO&quot;&gt;Com a recente apoteose dos novos modelos de inteligência artificial sendo incorporados a desde aplicativos de uso comum (como Whatsapp) até uso empresarial em larga escala, os sistemas de computador passaram a ser alimentados com dados pessoais íntimos dos usuários, à ponto de essas empresas poderem traçar o perfil psicológico de seus usuários e manipulá-los com técnicas de engenharia social seja para condicioná-los à compra de certos produtos ou para modificar seu comportamento em nome de pautas políticas e sociais... E isso é poder demais para estar nas mãos de quaisquer pessoas!&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;L5G7&quot;&gt;Dito isso, o &amp;quot;libertarianismo digital&amp;quot; é um movimento de conscientização individual sobre o tamanho da &amp;quot;pegada virtual&amp;quot; que deixamos na Internet e o quanto de nossas informações pessoais realmente queremos (ou não) compartilhar com terceiros, sejam eles pessoas, empresas ou governos.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Referências:&quot;&gt;Referências:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;DiOx&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-q2zv2RlfSju2Wq_8UhDeTA&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-q2zv2RlfSju2Wq_8UhDeTA&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;FIM-DA-PARTE-1&quot;&gt;FIM DA PARTE 1&lt;/h4&gt;
  &lt;hr /&gt;
  &lt;h3 id=&quot;PARTE-2---Como-a-Internet-nos-Adoece?&quot;&gt;PARTE 2 - Como a Internet nos Adoece?&lt;/h3&gt;
  &lt;figure id=&quot;IWhE&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/tqJ4OOhWOiQ?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;FEITOSA-SANTANA, Claudia. CELULAR FAZ MAL? O QUE A NEUROCIÊNCIA DIZ. YouTube, 04 mar. 2020. Disponível em: &amp;lt;https://www.youtube.com/watch?v=tqJ4OOhWOiQ&amp;gt;. Acesso em: 18 set. 2023.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;C03V&quot;&gt;Traçar onde fica a linha que separa o &amp;quot;uso saudável e o nocivo da internet&amp;quot; vai depender do quanto nos lembramos de como a internet funcionou no passado. Entretanto, alguns talvez não tenham idade pra saber, então aí vai:&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;onoi&quot;&gt;&lt;strong&gt;a) No começo era tudo GRÁTIS&lt;/strong&gt;, menos a conexão: Em parte, porque a Internet de &amp;quot;acesso livre a todos&amp;quot; começou com o princípio libertário de descentralização e livre compartilhamento conhecido como &amp;quot;copiar não é roubo&amp;quot; - afinal, quando você copia uma coisa ela se multiplica e quem a tinha antes não a perde... logo, ninguém foi roubado! Acesso a sites, livros, games, filmes, música, era TUDO GRÁTIS! Bem... quase tudo. Afinal, assim como hoje &amp;quot;recarregamos os dados móveis&amp;quot; e pagamos o &amp;quot;provedor&amp;quot; da internet, no princípio você só pagava a linha telefônica para acessar a internet. Com o passar dos anos, algumas empresas de telefonia passaram a disponibilizar &amp;quot;planos de dados&amp;quot; dependendo do quanto de internet sua casa ou estabelecimento demandava até que, aos poucos, essa lógica do &amp;quot;pague pra usar&amp;quot; passou a incluir música, leitura, filmes, jogos, etc. Até chegarmos nos dias de hoje onde a lógica do comércio nos pôs uma pedra no caminho chamada &amp;quot;leis internacionais de copyright&amp;quot; ou, como chamamos no Brasil, &amp;quot;direitos autorais&amp;quot;, o que quer dizer, na prática, que se o AUTOR não detiver PLENO direito pela obra (que pode ter sido retida legalmente por uma empresa que pode ser uma editora, gravadora, produtora ou similar) ainda que ele te autorize a distribuir o material, isso ainda seria &amp;quot;crime&amp;quot;. Verdade seja dita, essas leis são anteriores à Internet, mas empresas e governos que investiram muito em infraestrutura de internet voltaram atrás na ideia inicial de que essas leis não seriam estendidas à Internet. Os piores efeitos disso ainda estariam por vir, como...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;FGP2&quot;&gt;&lt;strong&gt;b) A espetacularização da vida (ou vitrinização da informação): &lt;/strong&gt;Vejam, o que estou chamando de &amp;quot;espetacularização da vida/vitrinização da informação&amp;quot; é o princípio de que tudo na internet deve ser atrativo, chamativo, colorido e perfeito, como numa vitrine onde você expõe um produto esperando vender. E vejam, não tem nada de mal nas coisas serem bonitas, o problema é quando elas só PARECEM bonitas sem ser.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;XC0Y&quot;&gt;O caso mais clássico talvez seja o Instagram, onde mesmo PESSOAS usam filtros pra parecer o que não são passando a vender sua imagem seguindo a mesma ideia de quem vende um produto prometendo mais do que o produto de fato pode fazer. A simplicidade da Internet baseada em textos desapareceu quase completamente, mas essa simplicidade tinha justamente o objetivo de não PRENDER nossa atenção sem necessidade. Verdade seja dita de novo: sim, também existiam sites horríveis no princípio da Internet e hyperlinks também podiam chamar atenção ligando várias partes da Internet entre si, mas você tinha mais controle sobre o tempo que iria usar online, seja porque a Internet era mais lenta (e os pulsos de linha telefônica eram caros), porque os serviços de busca não eram tão bons, porque os sites não eram tão esteticamente chamativos ou mesmo porque não existia o terceiro maior problema da Internet...&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;AUOe&quot;&gt;&lt;strong&gt;c) Rolagem infinita:&lt;/strong&gt; Sim, antigamente os sites ACABAVAM à medida que se rolava para baixo! Seja porque os computadores eram mais fracos e não podiam carregar grandes quantidades de mídia de uma vez só ou porque essa função ainda não havia sido criada.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bW1E&quot;&gt;De fato, a maior parte das pessoas fica presa nas redes sociais porque essa função, além de ter &amp;quot;tomado de assalto&amp;quot; as redes sociais, passou a ser usada paralelamente aos algoritmos: identificações de padrões estatísticos de comportamento registrados pelas empresas que EXIGEM LOGIN para que você acesso aos serviços delas. O que nos leva ao quarto maior problema da lista...&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Referências:&quot;&gt;Referências:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;KnTr&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-EtMBrXFAT5qT3M_L8vggyQ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-EtMBrXFAT5qT3M_L8vggyQ&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;DnBt&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/62/96/6296efe5-46ca-41b4-a097-c0610d9129fa.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Cookies? 🍪🍪🍪&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;ChWV&quot;&gt;&lt;strong&gt;d) Cookies de rastreamento: &lt;/strong&gt;Vocês já se depararam alguma vez com a mensagem abaixo?&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;U1wA&quot;&gt;&amp;quot;We use cookies and other technologies to improve your website experience, manage personal preferences, analyze traffic and website behavior, and serve relevant marketing and promotional content. Blocking some types of cookies may negatively impact your experience and limit the services we can provide.&amp;quot;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;ScTx&quot;&gt;...Traduzindo:&lt;/p&gt;
  &lt;blockquote id=&quot;m0wi&quot;&gt;&amp;quot;Usamos cookies e outras tecnologias para melhorar sua experiência no site, gerenciar preferências pessoais, analisar o tráfego e o comportamento do site e fornecer conteúdo de marketing e promoções relevantes. Bloquear alguns tipos de cookies pode afetar negativamente sua experiência e limitar os serviços que podemos fornecer.&amp;quot;&lt;/blockquote&gt;
  &lt;p id=&quot;UQpp&quot;&gt;...Basicamente, &amp;quot;cookies&amp;quot; são pequenos arquivos de texto que são armazenados pelo navegador da internet em seu computador ou dispositivo móvel quando você visita um site. Esses arquivos contêm informações, como preferências de configuração e dados de autenticação, que permitem que os sites identificam e reconheçam os visitantes e suas ações anteriores no site. Os cookies são usados para várias finalidades, como prever a navegação de um usuário, personalizar a experiência do site e rastrear informações como a origem da visita, o tempo de permanência no site e as páginas visitadas e até Ela tá quantas pessoas você sabe determinado produto a partir do seu link de afiliado (para quem ganha dinheiro divulgando lojas e produtos). Embora muitos cookies sejam inofensivos e ajudem a melhorar a experiência do usuário, alguns podem ser usados para fins questionáveis, como rastrear o comportamento do usuário em vários sites e compartilhar essas informações com terceiros sem o consentimento do usuário.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;DGEm&quot;&gt;É por essas e outras que se você não clica em &amp;quot;sair&amp;quot; quando faz login vai continuar conectado ao entrar novamente no mesmo site/aplicativo. Também é graças a esse sistema que golpistas conseguem &amp;quot;roubar&amp;quot; seu acesso às suas contas de sites e apps sem necessariamente roubar sua senha. Mas a pior parte é que, sendo os cookies uma ferramenta principalmente usada para COLETAR DADOS, a sua navegação na internet fica mais pesada e visualmente &amp;quot;suja&amp;quot;: você verá muitos sites exibindo excesso de propagandas com itens relacionados à seu &amp;quot;histórico&amp;quot; da Internet numa tentativa de forçar seu consumo quando, para a maioria desses serviços, esse conteúdo não precisaria realmente ser exibido (e nem seria realmente necessário solicitar login).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;9g4c&quot;&gt;Pra quem não sabe, ou não lembra, a Internet conseguia muito bem parar em pé sem isso há poucos anos. Então, cabe perguntar: por que mudou?&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Referências:&quot;&gt;Referências:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;lUrH&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-SOpT1XKWT1GNQVW2umqYuw&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.perplexity.ai/search/encontre-referencias-sobre-a-h-SOpT1XKWT1GNQVW2umqYuw&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;FIM-DA-PARTE-2&quot;&gt;FIM DA PARTE 2&lt;/h4&gt;
  &lt;hr /&gt;
  &lt;h3 id=&quot;PARTE-3---Saindo-da-&amp;quot;Bolha-Virtual&amp;quot;:-Minimalismo-Digital,-Dicas-&amp;-Alternativas&quot;&gt;PARTE 3 - Saindo da &amp;quot;Bolha Virtual&amp;quot;: Minimalismo Digital, Dicas &amp;amp; Alternativas&lt;/h3&gt;
  &lt;figure id=&quot;r2gf&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/AE4q09Vez9g?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;LEE, Denis. Bolha Virtual. YouTube, 27 fev. 2012. Disponível em: &amp;lt;https://youtu.be/AE4q09Vez9g&amp;gt;. Acesso em: 19 nov. 2024.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;👨‍👩‍👧‍👦PARA-TODOS:&quot;&gt;👨‍👩‍👧‍👦PARA TODOS:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;cGbt&quot;&gt;☑ Compartimentação - Não usar uma única conta de e-mail ou único cadastro para login (em sites que necessitem de login).&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;QhJg&quot;&gt;☑ Evitar serviços que pedem login ou usam cookies (de acordo com sua necessidade).&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;FvWr&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/0xssCfBiUds?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Ative a legenda ☝&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;m5lo&quot;&gt;☑ Voltar a ler e escrever 📝📚📖&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;qOsC&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/RmEIKXv7czc?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;📲 Ative a legenda ☝&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;jHJs&quot;&gt;☑ Aprender a Customizar seu celular (entenda seu uso: separe o que você realmente precisa no seu dia-a-dia do que você não precisa)📱&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;kklr&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/IhJmm2t5Hwg?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;🚴 Ative a legenda ☝&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;2FQ7&quot;&gt;☑ Melhore sua rotina (Atividade Física &amp;amp; Uso consciente de tecnologias)&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;DO0P&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img4.teletype.in/files/f9/ee/f9ee22f2-b50f-4d6d-bb27-0aa0f07d8581.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Logotipo do Whatsapp&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;COM-WHATSAPP:&quot;&gt;COM WHATSAPP:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;umf1&quot;&gt;&lt;strong&gt;☑ Compartimentação: &lt;/strong&gt;Testar outro serviço de mensagens para emergências. Ex.: Telegram, Signal, Element, etc.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bWxv&quot;&gt;&lt;strong&gt;☑ Smartwatches Android:&lt;/strong&gt; Só dá pra adquirir via importações, mas mesmo com as taxas do governo sai mais barato do que um smartphone (e, pela tela pequena, corre-se mesmo risco de você ou seu filho &amp;quot;se viciar&amp;quot; no uso), Embora não tenha uma vida útil de uso menor que um smartphone: em torno de 2 a 5 anos.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;l2Vv&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/k69CZHwJBtM?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Exemplo de Smartwatch Full Android. Preço inicial: R$ 230,00 + taxa de importação. Modelos comuns saem por menos de R$ 400,00 e suportam tudo que a versão do Android do aparelho em questão suporta.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;figure id=&quot;PQIE&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img4.teletype.in/files/72/ee/72ee5455-53d1-4af3-817b-ba06f076e5db.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Opções para quem não quer usar o WhatsApp&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;SEM-WHATSAPP:&quot;&gt;SEM WHATSAPP:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;ysnX&quot;&gt;&lt;strong&gt;☑ Compartimentação: &lt;/strong&gt;Não ficar preso é o único serviço de comunicação ou app de mensagens instantâneas (ex.: Whatsapp).&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;8cUc&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/WNDFwghMmdo?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Symbian in 2022&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;D0JM&quot;&gt;&lt;strong&gt;☑ Reutilizar celular antigo (Nokia Symbian): &lt;/strong&gt;Graças a desenvolvedores independentes, o sistema operacional encerrado pela Nokia em 2015 ainda permite navegação em sites, pesquisa, e-mail, downloads e acesso ao YouTube. É necessário seguir os tutoriais em inglês mas o processo em si não é difícil: &lt;a href=&quot;http://nnproject.cc/tls/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;http://nnproject.cc/tls&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;mIfO&quot;&gt;&lt;strong&gt;☑ Celular limitado (feature phones): &lt;/strong&gt;Um &amp;quot;feature phone&amp;quot; é um &amp;quot;aparelho secundário&amp;quot; que roda apenas aplicativos essenciais do dia-a-dia e não é necessariamente focado nem otimizado para redes sociais. Pode ser uma alternativa para quem não quiser acessar redes sociais ou whatsapp fora de casa, no trabalho ou escola, por exemplo.&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;ROIl&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/c6/4d/c64d6854-5dbe-4a8f-86d1-a4923429624c.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Exemplo de &amp;quot;feature phone&amp;quot; rodando KaiOS&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;ZGkN&quot;&gt;&lt;strong&gt;☑ Dumbphones:&lt;/strong&gt; Dumbphones são basicamente celulares comuns que fazem apenas ligações e SMS.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;COM-REDES-SOCIAIS:&quot;&gt;COM REDES SOCIAIS:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;1TRK&quot;&gt;☑ Desativar notificações&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;t447&quot;&gt;☑ Escolher permissões de apps&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;rnWL&quot;&gt;☑ Desativar sensores e localização&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;11bO&quot;&gt;☑ Escolha melhor o que vai ver e postar&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;SEM-REDES-SOCIAIS:&quot;&gt;SEM REDES SOCIAIS:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;kBU3&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://t.me/jeanpsicologia/581?embed=1&amp;userpic=1&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/jeanpsicologia/581&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;trMe&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;ZIc4&quot;&gt;☑ 10 Argumentos pra você deletar suas redes sociais &lt;a href=&quot;https://archive.org/details/dez-argumentos-para-voce-deletar-agora-suas-redes-sociais/page/n6/mode/1up&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;(👉📙 LIVRO)&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;bqcX&quot;&gt;☑ Usar o site ao invés do app: Pode ser uma alternativa viável, especialmente em celulares com pouco armazenamento interno. Basta entender que todo serviço online que tem um &amp;quot;site de acesso&amp;quot; não necessita realmente de um aplicativo para ser usado. Ex.: Serviço de e-mail e aplicativos de nuvem em geral como Gmail e Notion pra citar alguns exemplos &amp;quot;famosos&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;h3 id=&quot;EXTRAS---Desistindo-das-soluções-do-Google:&quot;&gt;EXTRAS - Desistindo das soluções do Google:&lt;/h3&gt;
  &lt;figure id=&quot;tylU&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img4.teletype.in/files/fd/d8/fdd8e4a2-22c8-4396-82a4-796f20088829.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;☝Serviços do Google&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;🤔💭-Por-que-desistir-do-serviço-do-Google❓&quot;&gt;🤔💭 Por que desistir do serviço do Google❓&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;NTpb&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://t.me/xerifetechyoutube/4323?embed=1&amp;userpic=1&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/xerifetechyoutube/4323 - Governo americano processa Google por acusação de monopólio &lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;mqd2&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;mGGW&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/O8g3y1hxrX4?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Fim do Google Drive Ilimitado&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;1-Substitutos-para-Play-Store:&quot;&gt;1-Substitutos para Play Store:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;Nnm9&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img3.teletype.in/files/e1/31/e131c07b-54c5-41fd-9e38-e8118c2de8b0.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Você sabia que a Google Play Store não é nem de longe a única loja de aplicativos disponível para celulares Android?&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;MAdT&quot;&gt;...Vejamos algumas outras alternativas a seguir.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;a)-Aurora-Store:-https://f-droid.org/pt-BR/packages/com.aurora.store&quot;&gt;a) Aurora Store: &lt;a href=&quot;https://f-droid.org/pt_BR/packages/com.aurora.store/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://f-droid.org/pt_BR/packages/com.aurora.store&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;NFAv&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img4.teletype.in/files/76/84/7684d673-45eb-44b0-9661-980fd53eefbf.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;Aurora Store&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;b)-F-droid:-https://f-droid.org&quot;&gt;b) F-droid: &lt;a href=&quot;https://f-droid.org/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://f-droid.org&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;ZK74&quot; class=&quot;m_column&quot;&gt;
    &lt;img src=&quot;https://img1.teletype.in/files/07/be/07be8d3e-679d-43aa-a3cd-b8a2a1c0c408.png&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;
    &lt;figcaption&gt;F-droid&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;2-Substitutos-para-Google-Drive:&quot;&gt;2-Substitutos para Google Drive:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;E3ve&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/FKQvDa-KOQo?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;We Transfer permite o envio de arquivos online até 2 GB gratuitamente!&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;a)-We-Transfer:&quot;&gt;a) We Transfer:&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;☑-https://wetransfer.com&quot;&gt;☑ &lt;a href=&quot;https://wetransfer.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://wetransfer.com&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;b)-Sendgb.com-(envia-até-5gb-grátis):&quot;&gt;b) Sendgb.com (envia até 5gb grátis):&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;☑-https://www.sendgb.com&quot;&gt;☑ &lt;a href=&quot;https://www.sendgb.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.sendgb.com&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;3-Substitutos-para-Gmail/E-mail:&quot;&gt;3-Substitutos para Gmail/E-mail:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;9OJq&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/0iVHPdx2Szc?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Pare de usar o Gmail!&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;a)-Proton-Mail:&quot;&gt;a) Proton Mail:&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;☑-https://proton.me/pt-br/mail&quot;&gt;☑ &lt;a href=&quot;https://proton.me/pt-br/mail&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://proton.me/pt-br/mail&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;b)-Tuta-Mail:&quot;&gt;b) Tuta Mail:&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;☑-https://tuta.com/pt-br&quot;&gt;☑ &lt;a href=&quot;https://tuta.com/pt-br&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://tuta.com/pt-br&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;4-Substitutos-para-pesquisa-do-Google:&quot;&gt;4-Substitutos para pesquisa do Google:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;IyOx&quot; class=&quot;m_custom&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/c_v2_vTogS8?autoplay=0&amp;loop=0&amp;mute=0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;Frogfind - Um buscador que funciona em qualquer aparelho com acesso à internet (mesmo os mais antigos)!&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;h4 id=&quot;a)-http://frogfind.de/?lg=en-us&quot;&gt;a) &lt;a href=&quot;http://frogfind.de/?lg=en-us&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;http://frogfind.de/?lg=en-us&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;b)-http://frogfind.com&quot;&gt;b) &lt;a href=&quot;http://frogfind.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;http://frogfind.com&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;
  &lt;h4 id=&quot;5-Substituto-para-assistir-YouTube-(quase-sem-anúncios):&quot;&gt;5-Substituto para assistir YouTube (quase sem anúncios):&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;APa0&quot;&gt;Para quem não quer assistir aos vídeos do YouTube pelo app oficial, recheado de anúncios e propagandas, basta acessar o nome do vídeo através do buscador Bing pelo seu navegador favorito e pronto! A única propaganda que você vai ver é a inicial, todo o resto do vídeo vai seguir sem interrupções. Você não precisa do app do YouTube para assistir aos vídeos.&lt;/p&gt;
  &lt;p id=&quot;pjEJ&quot;&gt;Esta é apenas a &amp;quot;entrada&amp;quot; do buraco do coelho... Se quiser saber mais sobre o tema, fique à vontade para pesquisar mais sobre &amp;quot;libertarianismo digital&amp;quot;, &amp;quot;história da internet&amp;quot;, &amp;quot;minimalismo digital&amp;quot;, &amp;quot;criação de sites&amp;quot;, &amp;quot;linguagens de programação&amp;quot; e &amp;quot;efeitos comportamentais do uso de internet, mídia e jogos&amp;quot;.&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;FIM-DA-PARTE-3&quot;&gt;FIM DA PARTE 3&lt;/h4&gt;
  &lt;hr /&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Lista-de-fontes:&quot;&gt;Lista de fontes:&lt;/h4&gt;
  &lt;figure id=&quot;h9UA&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://t.me/JeanPsicologia/669?embed=1&amp;userpic=1&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/JeanPsicologia/669&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;p id=&quot;5ayX&quot;&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;figure id=&quot;pOce&quot;&gt;
    &lt;iframe src=&quot;https://t.me/JeanPsicologia/1514?embed=1&amp;userpic=1&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;figcaption&gt;https://t.me/JeanPsicologia/1514&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;
  &lt;hr /&gt;
  &lt;h4 id=&quot;Mais-Informações-em:&quot;&gt;Mais Informações em:&lt;/h4&gt;
  &lt;p id=&quot;e5CZ&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://clubedeautores.com.br/livros/autores/jean-paolo-martins-de-oliveira&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://clubedeautores.com.br/livros/autores/jean-paolo-martins-de-oliveira&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;h4 id=&quot;FIM?&quot;&gt;FIM?&lt;/h4&gt;

</content></entry></feed>