Ensaios, ensaios e mais ensaios.
A confiança de Akari era sempre uma grande incógnita. Vezes em alta e vezes presa em um poço sem fundo, era muito difícil antecipar em quais dias estarias, os bons ou os ruins. Aquele era um daqueles dias em que ficava preso entre os dois, neutra, e honestamente eram seus dias quase que tranquilos.
Por um lado, estava deveras confiante em suas linhas, feliz que voltaria a mostrar mais dos seus dotes como rapper, onde tinha plena certeza de que conseguia manter um bom flow, por outro, a dança ainda era seu maior desafio, a fazendo se questionar quantas vezes precisava repetir para sintonizar com suas unnies, principalmente quando se tratava de Aria e Catarina; as garotas tinham jinga, bons rebolados e bons isolamentos, muito diferente dela, que sempre partia para um lado mais leve toda vez que dançava. Só que era aquilo, a japonesa definitivamente não queria parecer leve ou fofa com aquele single, não quando tudo nele gritava um estilo old school que requeria um jeitinho especial de se mover.
Decidiu, como nos últimos dias ensaiando, que focaria na dança, no footwork que a fazia parecer ridícula perto de suas colegas, procurando melhorar pelo menos um pouquinho antes que começassem a promover. Shooting Star ainda era um pouco mais fácil do que LEFT RIGHT, que parecia a fazer se sentir sem um único osso no corpo, a deixando com dores de coluna que nem mesmo Jesus na causa para melhorar.
Já era provavelmente a centésima vez que repetia sua primeira linha sozinha, fazendo questão de cantar junto, tudo para não esquecer quando o fosse fazer em cima de um palco.
"Everything I do I do it A1, flawless make 'em go insane, pandemonium riot, always looking fresh got that green in my diet..."
Cantarolou antes de parar novamente, bufando alto na sala em que dividia com as amigas. A imagem que queria não era aquela, não quando sabia que suas roupas não iriam, de forma alguma, disfarçar sua falta de rebolado.
— Vai Akari, você consegue. — Falou para si mesma, tentando alongar o tronco o máximo possível, se empinando e então se encolhendo diversas vezes. — Vai, é hora de ser uma rapper, faz tempo que você não faz isso, garota, bora!
Provavelmente as meninas do THE PATH já haviam se acostumado com sua tagarelice, já que sempre conversava sozinha, mas não demorou muito a estalar os dedos, tentando chamar a atenção delas. Se elas dissessem que estava bom o suficiente, talvez devesse estar? Foi assim que repetiu mais uma vez aquele começo, esperando a aprovação das garotas.