O primeiro e (provavelmente) último porre.
Em muitos lugares do mundo, 18 anos seria o suficiente para ter uma quantidade significativa de experiências na vida, mas não para Akari. Sua vida sempre foi repleta de muita normalidade, sua adolescência recusou paixonites e focou unicamente na escola e nos covers de k-pop, na sua vidinha de fantasia como uma fangirl, e então logo depois, focou completamente em melhorar suas habilidades em busca do debut. Não lhe sobrava muito tempo para viver de verdade, para sair, para beber, para se apaixonar, para conhecer as coisas fora da sua bolha branca e inocente. Quer dizer, a japonesa sabia muito bem o que eram as coisas, não era burra, só nunca tinha tempo ou oportunidade para experimentar tudo aquilo de verdade.
Depois de sua primeira e única paixonite ainda como trainee, Akari se fechou na obsessão nada saudável em busca da perfeição artística, passando horas e mais horas mergulhada nas suas produções, sem se dar a chance de ver o mundo do lado de fora e ser o que era, uma jovem adulta, saída a tão pouquinho tempo da adolescência - que ainda se mantinha um pouco nela. Então, quando se arrumava para aquela tão esperada noite de gala, se prometeu que pela primeira vez na vida, faria as coisas sem pensar, sem vergonha.
Bom, no começo, ela só continuou sendo ela mesma, cumprimentando amigos e colegas, comendo um ou outro quitute, mas foi um homem qualquer que a convenceu de provar aquele drink colorido em especial. Tinha dito ele que era de uma empresa de maquiagens, nem se lembrava mais o nome, e conversando sobre trabalho, Akari foi engolindo e engolindo aquela bebida amarga garganta abaixo. Será que ele sabia sua idade quando tocou o ombro da japonesa, que já começava a ver os objetos e pessoas duplicadas? Não fazia ideia se ele estava tão bêbado quanto ela ou apenas tentando se aproveitar de sua posição, mas sabia que quando ficava desconfortável, fugia, e foi o que o fez quando comentou que iria ao banheiro.
Akari fugiu, jogou água no rosto e agradeceu mentalmente pela maquiagem ser resistente, respirou fundo, pensou - ou tentou pensar - e voltou ao salão cheio da celebridades e grandes empresários, torcendo para não encontrar aquele mesmo sabe-se lá quem era por aí. Pelo menos, ele havia lhe apresentado algo que, de alguma forma, havia gostado: aquela bebida azul.
Era aquela a sensação de estar ficando bêbada? Sua curiosidade era maior que sua consciência, ainda mais quando havia se prometido não se contar, e foi com esse pensamento que repetiu a dose uma, duas, três vezes. Primeiro as pessoas duplicadas só pareceram triplicar, então seu corpo ficou dormente e uma explosão de serotonina quando a música pareceu mais alta. Depois disso, não conseguiu se lembrar direito o que fazia ou deixava de fazer, só que o chão parecia mais fofo do que o normal, sua tiara havia se tornado quase um óculos e para fechar com chave de ouro, acordou com uma dor de cabeça de explodir qualquer crânio no outro dia.