loreto paradiso
tava no mato, do mato para loreto, de loreto para o palco, do palco pro mundo inteiro
todo final de ano era a mesma coisa: a saudade de casa, da itália, e principalmente da família iria apertar mais do que qualquer outra época, mas alegro não faria nada sobre isso. já há mais ou menos seis anos que o song não pegava um avião para casa e sempre tinha algum bom motivo: "preciso treinar mais ou não vou debutar", "minha agenda esta muito cheia e não vai dar tempo", "tenho coisas a resolver na empresa", e por aí vai, mas a verdade é que o song estava morrendo de medo de depois não ter coragem é de retornar à coreia do sul.
o mesmo tanto que allegro amava cantar e fazer música, sentia que a vida de idol não era para ele; a pressão interna e externa, a competitividade, as dietas malucas, os fãs que achavam ter algum direito sobre sua vida e suas atitudes, os comentários maliciosos e de ódio online, os treinos incessantes... tudo isso começou a fazer muito mal para a cabeça de allegro em algum momento. claro, ele mesmo sempre foi assim perfeccionista e um tanto quanto competitivo, e talvez foram exatamente essas características que pesaram tanto no final das contas e o deixaram desse jeito, ansioso e workaholic, que não sabia a hora certa de parar e se cobrava de mais. sendo assim, voltar para sua cidadezinha para passar o natal com a família parecia perigoso demais. se ele perdesse o ritmo, quem garante que teria coragem de voltar para o estresse do dia a dia, para a pressão e pra cidade grande?
só que ali, depois de receber a notícia que teriam uma folga, após seu primeiro pensamento de que teria paz no estúdio por uns dez dias, allegro começou a considerar que, bom, talvez ele devesse finalmente voltar pra casa e passar o final de ano com a família. tinha que ver seu irmão agora com dez anos de idade e apertar aquelas bochechas, tinha que comer da comida que só sua mãe sabia fazer, tinha que poder ter o apoio e o abraço do pai quanto as suas inseguranças, tinha que contar para os pais sobre suas conquistas durante o ano e poder ser realmente abraçado, tinha que juntar a família toda para tocarem juntos e fazer aquela bagunça que era tão característica dos song. pela primeira vez, ele iria conseguir conversar propriamente com os avós que só falavam coreano e que antes ele só conseguia sorrir e concordar ao invés de manter um diálogo. depois, ele conseguiria voltar, mais feliz e renovado, para o sonho que allegro tanto batalhou para realizar.
afinal, um ano diferente como aquele precisava de um final que seria ao mesmo tempo nostálgico e totalmente novo, só para variar.
por onde ele devera começar a contar as novidades? chegaria mostrando o seu primeiro win? entregando uma cópia de seu primeiro álbum solo para cada um? talvez exibindo sua aliança de compromisso ou quem sabe apresentando o namorado aos pais?
jogado na cama do hotel e pensando na loucura que foi esse ano, apesar de alguns surtos aqui e ali, allegro conseguia se sentir orgulhoso de seu progresso. trabalhou duro com o chaos, sentia-se cada dia mais próximo dos membros e os via como uma verdadeira família, ganharam um premio importante juntos, depois allegro lançou um álbum inteiro escrito e produzido por ele, conseguiu um bom número de vendas e ainda por cima voltou para casa com seu primeiro win como solista, logo em seu debut. tem muita coisa que allegro sentia que poderia melhorar e aperfeiçoar, porém, pela primeira vez sentia-se verdadeiramente feliz e orgulhoso de seu trabalho.
e pela primeira vez em anos, também, ele se sentia verdadeiramente animado para o natal.