Audiência Nacional da Espanha abre investigação contra Zapatero por laços com o regime de Maduro após captura nos EUA
Madrid, 10 de janeiro de 2026 – A Audiência Nacional espanhola iniciou diligências preliminares contra o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero (2004-2011), conhecido por sua mediação em crises políticas na Venezuela e por relações próximas com Nicolás Maduro, devido a alegações de colaboração com atividades criminosas do regime chavista.
A investigação surge dias após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por forças especiais dos Estados Unidos em uma operação militar em Caracas, em 3 de janeiro. Maduro, agora detido em Nova York, enfrenta acusações federais de narcoterrorismo, tráfico de drogas e conspiração para posse de armas, em um processo que data de 2020 e foi atualizado com uma acusação supersedente.
A denúncia contra Zapatero foi apresentada pela organização conservadora Hazte Oír, que o acusa de atuar como "colaborador necessário" em crimes atribuídos ao regime venezuelano, incluindo supostos crimes contra a humanidade e ligações com o tráfico de cocaína. A entidade destaca o "acesso privilegiado" de Zapatero aos círculos de poder em Caracas e sua atuação como figura legitimadora do governo de Maduro.
Paralelamente, fontes indicam que o Departamento de Justiça dos EUA avalia possíveis ações contra figuras internacionais associadas ao "Cartel de los Soles", o que poderia incluir Zapatero. Mercados de previsão, como o Polymarket, estimam atualmente uma probabilidade de cerca de 22% de que o ex-líder socialista espanhol seja detido ainda em 2026, refletindo a incerteza sobre o avanço das investigações em ambos os lados do Atlântico.
Zapatero, que mediou diálogos entre o governo venezuelano e a oposição em anos anteriores, sempre defendeu sua atuação como um esforço pela paz e pelo diálogo. No entanto, críticos o acusam de ter ignorado violações de direitos humanos e de ter beneficiado financeiramente de suas conexões com o chavismo.
A Audiência Nacional consultará agora o Ministério Público para determinar sua competência no caso. Até o momento, não há medidas cautelares contra Zapatero, e o processo encontra-se em fase inicial.
Essa nova frente judicial adiciona tensão ao cenário político espanhol, em um momento de polarização intensa após os eventos na Venezuela, que culminaram na posse de Delcy Rodríguez como presidente interina e na liberação de prisioneiros políticos como gesto de distensão.