02. Suffering.
jang junseo's journal; second entry.
tw: uso de drogas, sentimentos depressivos, angústia existencial.
“To live is to suffer, to survive is to find some meaning in the suffering.” (Nietzsche).
A viagem havia sido um fracasso, após pouco mais de 13 horas dentro de um avião o jovem sul coreano não conseguiu sequer ver as cores de sua antiga casa; havia se precipitado, havia sido mimado, apressado e cometeu um erro. Após descer do táxi com sua mala, todas as lembranças relacionadas a sua antiga moradia e como foi a última vez em que esteve nela voltaram em sua cabeça repetidamente conforme ele não conseguia fazer nada além de tentar controlar sua respiração ofegante e ignorar o embrulho extremamente forte em seu estômago… não estava pronto.
Após ter certeza de que não conseguiria voltar, não teve escolha além de ir atrás de um hotel onde pudesse passar ao menos um dia. Como ele poderia fugir? Para onde? Suas opções pareciam cada vez mais limitadas e ele não tinha escolha além de voltar para Kaytan com o rabo entre as pernas e uma sensação de fracasso absurdo. Seus melhores amigos irritados, alguns tristes e era melhor nem se lembrar das coisas que ouviu de sua chefe; sem muita escolha, começou a perguntar para seus amigos sobre presentes que ele poderia comprar, assim como enviou mensagem para alguns contatos de londres que pudessem ir almoçar consigo ou lhe ver em algum momento, não iria deixar a viagem ser um total fiasco, o rapaz já se sentia um fracasso todos os dias de sua vida e agora ele teve isso jogado mais uma vez em sua cara.
Com pouco mais de 26 horas de ida e volta em seus voos de conexão direta, Junseo passou mais tempo dentro de um avião do que em Londres de fato e isso por si só deixava um gosto horrível em sua boca, ele realmente era um fracasso tão grande assim? Mesmo após fugir para outro continente agora ele voltava arrependido já pronto para ver cara a cara aquilo que lhe machucava, pronto para olhar em seus olhos e necessitar obsessivamente de ser machucado de novo e de novo.
“Você chega antes das 23h? Perfeito, então a gente vai na midnight e eu vou te fazer sair de lá feliz e acompanhado”. — foi a mensagem que um de seus amigos deixou, não era um convite, era uma intimação, ele iria arrastar o garoto para lá quisesse ele ou não. Mas ei, o que ele tinha a perder afinal?
A noite no entanto foi para um rumo completamente diferente quando seu amigo acabou acompanhado rápido demais e o largou sozinho a noite naquela boate, "aka" um ambiente completamente distinto de onde Junseo costumava ficar. Em algum momento as coisas tomaram um rumo inesperado quando uma pessoa conhecida o levou para um lugar mais privado e com toques mais íntimos começou a o convencer de beber mais e mais, até o momento que também o convenceu a colocar duas “pastilhas” para dentro para que ele pudesse “se divertir” mais, “se sentir melhor”. No entanto, mesmo o garoto tão obsessivo em controlar a própria vida até os mínimos detalhes não conseguiu resistir ao que pareciam os encantos de uma súcubo tão mais experiente que ele, afinal, logo ele estava concordando com ela que estaria tudo bem “cheirar” também.
No outro dia o rapaz precisaria acordar para trabalhar, perdeu a maioria de seus despertadores e quando enfim acordou ele buscou pelo dado de 20 lados que mantinha ao lado de sua cama, mas não o encontrou ali, tão pouco achou seu celular e começou a brevemente se erguer confuso. Seus olhos rodeavam um ambiente talvez não tão estranho, mas era confuso o que ele fazia ali, não estava em casa. Conforme ele tentava buscar em suas memórias o que poderia ter acontecido, viu uma pessoa deitada ao seu lado, garrafas de bebida ao lado da cama e suas roupas no chão; Junseo não era o tipo de pessoa a fazer isso, nunca foi, porém agora enquanto ria sozinho com as mãos sobre o próprio rosto ele pensava que aquela havia sido a melhor noite de sua vida e certamente ele estava pronto para repetir a dose de novo a qualquer momento.
Em sua cabeça imatura e idiota ele apenas queria buscar por mais noites de diversão, mas bem lá no fundo ele ainda estava sofrendo, angustiado e essa era sua forma de destruir a si mesmo, ao seu corpo, simplesmente destruir tudo que ele mais odiava nesse momento, isso é, a si próprio.