001 — berlin calling.
sieglinde becker's pov for spinewirehq. aug 9th, 2025
Apesar de não sentir medo de palco com muita frequência, já que se divertia demais tocando com a banda para se preocupar com qualquer coisa, sempre sentia um leve nervosismo quando se tratava das apresentações do festival. Sabia o quanto seus amigos queriam que aquele projeto desse certo, e não era sempre que estava diante de uma plateia com gostos tão... diversificados. A preocupação que Ryō compartilhava consigo às vezes tomava conta – como um gênero musical tão "bagunçado" como garage rock se destacaria num ambiente com tantos artistas excepcionais?
Em Berlim, porém, o frio na barriga que Sieglinde sentia era de pura e genuína animação. Amava aquela cidade. Amava a música que produzia. E naquele momento, não tinha nenhuma dúvida de que conseguiriam entregar algo incrível, digno da energia etérea e caótica de sua cidade natal.
Estar no palco lhe estimulava bem mais que qualquer outra droga sintética que já tivesse consumido, e dedilhava o baixo quase como se seu corpo estivesse se movendo por conta própria, possuída pela vibração precisa das cordas. Em momentos como esse, não conseguia evitar de se sentir profundamente conectada com a mãe, de uma forma que realmente só conseguia quando estava no palco. Esperava que ela estivesse orgulhosa, que pudesse ver até onde já havia chegado. E é claro, sabia que a avó estava apreciando num lugar mais ameno do camarote, jamais perdendo uma oportunidade de vê-la tocando. Não conseguia distinguir nada da plateia com aquelas luzes, é claro, mas Ziggy conseguia sentir o seu olhar em si.
Tocando os acordes iniciais de Trial By Firewater, sua euforia começou a adquirir alguns toques melancólicos, tanto pela natureza da música quanto pelo fato de saber que estavam perto de acabar. Parecia clichê de se pensar, mas queria viver naquele momento para sempre. Se juntou à banda no final para se despedir, abraçando todos com os olhos marejados e o rosto tomado por alegria pura. Auf Wiedersehen, Berlim. Você fará uma falta imensurável.