January 11, 2024

Os 4 Temperamentos é científico?

A nova moda que está se espalhando depois da onda de coaching no Brasil é a teoria dos quatro temperamentos. A teoria propõe representar o padrão comportamental das pessoas, ou seja, é uma teoria da personalidade. E muito embora seja amplamente divulgada por coaches, terapeutas e cristãos a teoria nos desafia a responder a pergunta: “Há uma validação científica sobre a teoria dos temperamentos?”

Melancólico, sanguíneo, fleumático e colérico são temperamentos

Então, embora seja amplamente divulgada agora nas redes sociais, a teoria é mais velha que o rascunho da bíblia 😂, remonta à antiguidade por volta do século V a.C., e a sua autoria tem sido atribuída ao médico grego Hipócrates (sim, o pai da medicina), onde acreditava-se que a predominância dos fluídos corporais (sangue, bile amarela, bile negra e fleuma) influenciava o comportamento e até mesmo a personalidade das pessoas.

De lá para cá a teoria foi ganhando diversas contribuições e atualizações até chegar ao modelo atual onde quatro temperamentos representam as personalidades, e para cada um deles os comportamentos predominantes de cada um. Esses são os temperamentos e suas características básicas, segundo a teoria:

  • O melancólico 😩 me lembra muito o burro do Ursinho Pooh, o Ió. Eles são sensíveis, pensativos, criativos e emocionais. Tendem a serem introspectivos e propensos a preocupações e autocríticas.
  • Já os sanguíneos 😁 são os mais sociáveis, adaptáveis, entusiasmados e muitas vezes impulsivos. Tem como características marcantes a sociabilidade, o otimismo, a expressividade e extroversão.
  • Os fleumáticos 😅 estão na casta dos pacificadores. São calmos, relaxados, observadores e pacíficos. Mostram uma atitude serena, podem ser indecisos, mas geralmente evitam conflitos.
  • E por último o colérico 😑 é o impaciente, tem muita energia e habilidades de liderança. Em suma, tende a ser decisivo, orientado para objetivos e por vezes é impulsivo.

Embora seja interessante a classificação da personalidade por temperamentos e a sua idade milenar, a teoria dos temperamentos não tem evidências cientificas e suas explicações reducionistas atrapalham e muito o processo de autoconhecimento das pessoas. Isso porque as pessoas acabam por justificar seus comportamentos pela determinação de seu temperamento e não analisando de maneira única seus comportamentos, fazendo assim uma generalização simplista do seu funcionamento.

Vale a pena pontuar que a ciência evoluiu a ponto de compreender a personalidade de uma maneira muito mais complexa e embora as explicações não sejam tão atraentes quanto a teoria dos temperamentos, é útil reforçar que é o que há de mais robusto cientificamente.

A Análise do Comportamento também entende que a personalidade é determinada por alguns fatores, porém não à concentração de fluidos corporais, e sim por fatores múltiplos como a evolução da espécie, a história da pessoa e a influência cultural. O fundador da ciência comportamental, B. F. Skinner disse:

Seja inato ou adquirido, o comportamento é selecionado por suas consequências.

E não é difícil de entender isso, imagina em países onde a noite dura muito mais que o dia e isso influencia na sonolência de seus habitantes, diremos que as pessoas são deprimidas porque são melancólicas ou porque produzem mais melatonina (o hormônio do sono) devido ao longo período de baixa luminosidade?

Por mais tentador que seja, a teoria dos temperamentos não explica cientificamente a personalidade, e faz com que suas características sejam facilmente confundidas com quaisquer outros temperamentos e se aproximam muito mais das explicações astrológicas do que com ciência de fato. E por falar nisso acho que sou melancólico, pelo menos por hoje, e você?