Vinculos & Monstros
February 23, 2025

CAPÍTULO IV: Nuestro Amor

Lexa

Exatos um ano atrás eu estava aqui, no mesmo local que estou agora, frente aos grandes portões da academia Beladona e tudo em mim estava eufórico e ansioso.

Aprendi coisas que não imaginava. Ganhei coisas que nunca pensei em ter. Perdi coisas que não estava preparada para perder e ainda assim, em uma lógica distorcida parecia certo retornar para esse lugar, mesmo sabendo que ele selava o meu destino, o do meu irmão e dos meus melhores amigos – incluindo aquele que era o meu namorado – Porém, certa ou não do que estava fazendo, hoje era o primeiro dia de volta a academia e o início do segundo ano letivo do nosso ciclo escolar.

Depois do desastre final da festa de aniversário do Roman, com o recado de "Nós não vamos deixar vocês serem felizes" do nosso tataratatara-tioavó demônio, nós tentamos fazer o nosso melhor. Bem, eu os obriguei a fazer. Não seria intimidada e acovardada por nada mais dentro ou fora desses muros.

Todos dentro da festa saíram com ferimentos leves, feitiços combinados de Giovanni e Rosalinda, cuidaram dos detalhes estranhos e passamos as semanas seguintes conhecendo Portland com bons turistas fariam.
Nos divertimos. Transamos. Comemos comidas diferentes e percebemos que retornar para cá não seria a sentença final disso. Pelo menos eu não iria deixar. Não mesmo.

Sorri para meu irmão e ele sorriu de volta e a tranca dos portões se abriu, nosso motorista gárgula já havia desaparecido com nossas malas e estávamos segundos de entrar.

– Por que sinto que seremos os últimos a chegar, de novo?

Math perguntou.

– Porque vocês gostam de fazer uma boa entrada.

Cecilly respondeu parada dentro do gramado da academia.

Rosto redondo, olhos quase vivos, cabelos alaranjados e se não fosse pelo fato que havíamos a visto morta nove meses atrás, eu poderia jurar que ela estava em carne e osso a minha frente.

– Oi, Lly!

Exclamei entrando com meu irmão.

Desde que Tate usou os fantasmas presos na academia para absorver a força que havia vazado do primeiro selo, eles caminhavam livremente por toda a cidade, a vista de todos, quase sólidos agora. Cheios de energia. A maioria ainda preferia ficar quase sempre invisível, mas aqueles mais acostumados a interagir como a Cecilly ficavam visíveis em algumas partes do tempo, caminhando pelos bairros de Nova Salém assustando turistas e trocando experiencias com outros seres místicos.

Na maior parte do tempo eles se mantinham afastados da academia, já que alguns estavam presos aqui décadas antes de iniciarmos nosso ciclo escolar. Poucos, volta ou outra voltavam aqui, talvez por nostalgia, talvez por medo das mudanças que havia fora desses muros.

Para nossa segurança, privacidade e comodidade, a diretora havia enfeitiçado os dormitórios, banheiros e salas de aula. Somente por precaução.

– Como foram as coisas aqui, sem os vivos?

Perguntei, fazendo os pelos da nuca do meu irmão arrepiarem pela minha falta de decoro.

– Chato, em vários níveis – Lly respondeu enquanto caminhavam para entrada da Casa Cinza – Não podemos usar os telefones ou qualquer outro veículo de comunicação. E desde que absorvemos todo aquele poder, também ficamos presos aos limites da cidade, não que algum de nós realmente pensasse em sair por aí em uma viagem ao México, mas para mim, que tenho ligação com os vivos não funcionou muito bem.

– Em que estado o Tate mora mesmo?

Perguntei curiosa.

– Ohio.

Math respondeu em vez de Cecilly.

Eu realmente sabia pouco de quase todo mundo. Mas como meu irmão vinha dizendo há alguns meses "É bom ter amigos fora do círculo".

– Mas vocês descobriram um jeito?

Math perguntou a Cecilly, separar um casal apaixonado para ele, nesse momento de sua relação perfeita com Killian, seria como um crime federal.

– Tate conseguiu me evocar usando um pouco de terra do gramado. Já que sou fortemente ligada a esse lugar.

– Bom para vocês, amiga.

Acrescentei sorrindo, estávamos diante a grande porta branca agora.

– Bonito vestido, aliás.

Cecilly acrescentou antes de desaparecer.

– Ela está certa, não é?

Perguntei olhando para o meu irmão.

– Quanto em roupas você gastou em Portland?

– Bem, faz quatro meses que nosso pai desapareceu da face da terra depois que Killian deliberadamente o expulsou de Nova Salém e de nossas vidas, mas para nossa sorte, nossos cartões ainda funcionam, então bem, eu resolvi não ser comedida, já que eles podem não durar para sempre.

– Bom saber.

Completou.

Matheus

Abri a porta confiante até ser tomado por uma sensação de déja vu.

Todas as cabeças giraram em nossa direção. E mais uma vez tínhamos sido os últimos a chegar.

Lexa acenou sorridente, como se fosse à primeira-dama.

A primeira pessoa que vi depois do nosso círculo foi Rex, parado do lado contrário a eles. Seu cabelo que era antes pouco acima da altura do queixo agora era quase abaixo do ombro, e vários tons mais claro. Ele sorriu e automaticamente eu acenei de volta, o mais disfarçado que consegui.

Nos aproximamos dos outros assim que Lexa terminou de posar para as fotos imaginárias.

– Vocês realmente gostam de deixar uma impressão, não é?

Roman comentou assim que nos aproximamos.

– Não comprei esse vestido à toa.

Lexa o respondeu.

– Ela nos atrasou, não foi minha culpa.

Respondi agarrando a mão do Killian.

Poderia dizer que senti sua falta enquanto estava nos seus avós – disse Killian pelo elo – Mas seria redundante.

Por que é muito obvio?

Perguntei rindo e ele respondeu com um sorriso.

– Vai começar.

Amora comentou.

A diretora surgiu sobre o mesmo palanque de madeira do ano passado.

Dessa vez seu cabelo loiro platinado estava escondido em um turbante bege, o vestido tubo era preto com uma faixa clara na lateral e ela usava as inseparáveis luvas de frio.

– Por que ela está sempre com essas luvas?

Perguntei.

– Vocês descobrirão em algum momento.

Killian respondeu deixando o mistério continuar.

– Contanto que não seja em um momento que alguém esteja tentando nos matar, está ótimo.

Joshua acrescentou e os professores surgiram logo após.

Lucian Siegfried estava de terno como o professor Henriksen Garrett, mas as cores eram o contrário uma da outra. Enquanto o senhor Garrett usava quase sempre ternos acinzentados ou de tons claros, o professor Siegfried optava por tons mais escuros, com uma gravata vermelha brilhante. Seus cabelos perfeitamente cortados e penteados, e olhares antigos contrastando com o rosto jovial que agora eu sabia esconder preocupação constante.

A professora MiMi Santiago usava um vestido roxo escuro comportado, pelo menos para ela. Tinha babado, renda e tecidos sobrepostos, porém, não a deixava com o dobro do tamanho como os outros faziam, ironicamente ela era a mais baixa de todos.

A professora Katia Moraes usava um vestido justo e discreto como o da diretora, em verde escuro e sua pele negra era do mesmo tom da Amora.

– Um novo ano se inicia hoje – disse a professora assim que todos fizeram silêncio – E com ele novos mistérios, nossos saberes e principalmente novos perigos. Como é da ciência de todos agora, o mal retornou a essa cidade, ao seu novo lar, mas isso não vai nos amedrontar. Ainda temos dois selos para proteger, e eu sei que vamos ter sucesso. De um jeito ou de outro. Porque eu confio nos meus, e espero que vocês possam confiar em si e naqueles que estão ao seu redor.

– Vocês foram escolhidos por um motivo. Todos vocês. – disse o professor Siegfried – Podem não ser um círculo como nós somos ou eles são – disse apontando para nós com olhar e todos seguiram – Mas como vimos no último ano mesmo aqueles que não fazem parte de um círculo são importantes para proteger o futuro dessa cidade.

– Alguns de vocês podem não entender ainda – disse o professor Garrett dando um passo à frente – E eu compreendo isso, pois vocês não são exatamente a leva mais versada de perspicácia que tivemos das últimas décadas, mas foram os escolhidos para estar aqui agora. E isso significa algo para mim, e espero que logo signifique para vocês também.

– Até o final dos próximos dois anos, alguns de vocês ainda cairão – disse a professora Moraes – E isso entristece a todos a nós, mas mesmo nós não estamos livres disso, e se tivermos a chance protegeremos vocês mesmo que custe a nossas vidas. Porém, para os que voltaram eu os saúdo. Contudo, espero que essa seja uma decisão de seus corações, pois é a única que vocês devem seguir. Não a nós, não ao dever com a cidade, mas aos seus corações.

– Nós choramos pelos que partiram – disse a professora Santiago – Nós saudamos os que ficaram. E o mais importante, nós nos preparamos para tudo. Para sermos corajosos e desbravadores desse novo e inteiramente incerto ciclo. Unidos, não como um círculo, mas como uma grande família que se apoia junto, pois é desse jeito que nossa espécie se torna verdadeiramente mais forte.

– Como já dito – a diretora retomou a voz – nem todos os alunos irão retornar esse ano, por variados motivos, e não cabe a nós julgar isso. Mas para os que retornaram, vocês precisam entender que aprender agora não é mais uma questão de simples aprendizado, é o que pode diferenciá-los daqueles que ainda estão vivos, daqueles que nos enterramos em nosso lago. Por isso seus horários mudaram, incluindo duas novas disciplinas incorporadas a sua rotina. O horário do despertar e das refeições continua o mesmo, após o fim das aulas, no meio da tarde, vocês estão livres para sair para cidade e voltarem no horário padrão antes de trancarmos os portões. E como sabem, Pippa não será influenciada a conduzir qualquer transgressão do horário de recolher – houve um pequeno murmúrio ao dizer o nome do espirito guardião da academia, mesmo que Pippa agora não era mais a psicótica que queria nos unir a força, ela ainda era tão rígida com as regras da academia que desde que teve permissão novamente para se materializar passava seu dia fiscalizando os outros alunos pelas dependências – E para sua proteção, as portas da academia, que antes funcionavam como portais intercalados agora também servem para localidades para fora dela. Todos receberão um mapa com pontos fixos onde as portas podem abrir fora dos muros da academia. Memorize-os, pois o mapa se torna inútil do outro lado. Esses lugares não mudam, ficaram lá para que possam ir e vir com maior facilidade e agilidade, e principalmente para que possam usar em algum momento de crise. Que eu espero nunca precisem usar, mas que sabemos que será necessário. Suas novas disciplinas, Poções com Ênfase em Botânica Oculta e Práticas de Cura e Primeiros Socorros serão ensinadas respectivamente por mim, e Robert McHale, chefe da equipe de enfermeiros pelo próximo ano – equipe a qual nos recentemente havíamos descoberto existir mais duas integrantes, só que elas eram invisíveis, seja lá qual o motivo – Por enquanto, vão para seus quartos, descansem da viagem, compartilhem suas histórias porque amanhã suas aulas começam e esse não é mais o primeiro ano.

Lexa

– Ainda tão animada quanto antes?

Amora perguntou assim que terminou de pôr todas suas coisas em seu guarda-roupa.

– Como poderia não estar?

Perguntei virando somente o rosto, segurando as portas do meu guarda-roupa com as mãos, Amora se irritava sempre que via meu sorriso malicioso.

– Independente do fato que nossas cabeças estarem na lista de prioridade dos demônios?

Perguntou irônica.

– Destino é uma vadia incontrolável. Não pretendo domá-la, mas enganá-la. Você pode me ajudar com isso, ou ser enganada para fazer a mesma coisa, mas contra a sua vontade. É sua decisão, queridinha.

– Não faço a menor ideia do que você está falando, Lexa.

– Vamos parar de manter essa conversa fiada e vamos descer, estou morrendo de saudades das meninas. Podemos?

Perguntei animada, estava decidida a estar animada, não havia volta.

– Você só quer descobrir por que Cordelia García e Ansleen Mastrano não retornaram esse ano, isso sim.

– Claro que sim. Novamente, como poderia não estar?

– Porque você não é uma pessoa preocupada com ninguém, fora é claro a nós e seu irmão.

Completou enquanto tirava os sapatos de salto.

– Por simples motivos. Um lindo vestido e a nova cor do meu cabelo. Eu quero me exibir, e descobrir as fofocas que rodeiam esse lugar, não é uma coisa realmente ruim.

– Bem, o que posso dizer... Também estou curiosa para saber por que as outras pessoas retornariam para cá. Então vamos logo.

Acrescentou agora de sandálias.

– Por reconhecimento, é claro – acrescentei – Tenho seguidores no Instagram de lugares no mundo que eu nem sabia que existiam e de alguns países que eu nunca pensei em procurar no Google Maps. Somos os mais jovens a completar um círculo na história, e um dos dez a acontecer nos últimos duzentos anos, o que já é mais velho que a maldição da família Strider e eu tenho certeza de que esses novos seguidores são todos jovens bruxos e seres místicos. Para nós isso tudo que está acontecendo é a nossa família se pondo em perigo, para eles é status.

– Ainda não gosto dessa ideia de sermos famosos em todo lugar da sociedade mística.

– E quem poderia resistir a ser famoso por sobreviver aqui por algum tempo?

– Quem quer viver até a estimativa normal da nossa espécie?

Perguntou confusa.

– Metade deles deve ser idiota, isso nós temos certeza, e a outra parte deve ter sido obrigada pelos seus pais, e nós sabemos muito bem como nossos pais podem ser irracionais.

– Bem, isso eu concordo, mais do que gostaria.

– E nós ainda nem resolvemos um terço dos nossos problemas familiares.

Pelo contrário, pensei.

– Acha que seu pai vai voltar?

Perguntou tocando em um assunto que há muito tempo estava sendo ignorado, como Paimon.

– Meu pai? Não sei, mas ainda resta a sua mãe, o pai do Killian e os pais do Joshua e para mim isso já é um número suficientemente grande de problemas ainda não explorados. Isso sem contar os pais biológicos do Roman, que nós esperamos nunca ser um problema. Agora, vamos descer. Está na hora de ser maravilhosa.

Completei.

Matheus

– Você era mais fácil de encontrar.

Comentei assim que vi Rex desligar o celular e por no bolso, ele estava de costas encostado a uma arvore na entrada do bosque.

– Oi – comentou sorrindo, ele parecia três centímetros mais alto, eu por outro lado não tinha crescido um milímetro sequer – A Casa do Leão parece um ringue de luta livre e Skandar não está exatamente em um bom momento para me ouvir conversar com o Cain.

Respondeu por fim, passando a mão sobre o cabelo e jogando para o lado.

– Você realmente deixou o cabelo crescer.

Comentei agora mais perto, de braços cruzado.

Rex agora era tão meu amigo quanto Joshua e isso ainda era engraçado de perceber. Mas de certa forma, muito mais confortável do que quando éramos inimigos declarados.

– Um cara tem que fazer o que ele tem de fazer para manter seu namoro em pé.

Retrucou rindo.

– Cain Breed, ele realmente te pegou, não é?

– Ciúmes?

Perguntou me rodeando.

Ele havia aprendido a andar em uma linha tênue entre flerte e piada.

– Prefiro o meu namorado, obrigado.

– De qualquer maneira você também mudou o corte de cabelo. Ficou bom.

– Não foi minha ideia, eu garanto.

Confessei, havia todo um feitiço que nos impedia de mudar e voltar ao que era antes de Rosalinda querer inovar. E o meu sempre tendia a cair um pouco para o lado, como uma franja longa.

– Ficou bom. Deus sabe que você fica melhor loiro do que eu, em qualquer corte.

– Isso é verdade, me desculpe por não te dar muita atenção nas férias. Lexa e Roman faziam planos novos e diferentes a cada hora, era difícil arrumar tempo.

– Também fiquei ocupado. E nós ainda vamos nos encontrar todos os dias pelos próximos dez meses. Então...

– Imagino destinos piores.

Comentei por fim rindo, e ele também.

Rex estava mais corado que antes. E não tinha diminuído as horas na academia nas férias, claramente.

– Você está me encarando.

Acrescentou ele mexendo as mãos nos bolsos do macacão jeans que vestia. Cain aparentemente havia dado um novo estilo de roupa ao namorado.

– E como foi com você, o Cain e seus pais?

– Foi bom o suficiente. Quando Cain chegou à Nova York meu pai me avisou que eu iria trabalhar no restaurante naquela semana para cobrir um garçom que tinha ficado doente. Um que nunca tinha sequer faltado, para falar a verdade.

– Achei que ele estava lidando bem com tudo isso.

Comentei, pelo menos enquanto estava longe do fato em si.

Não que eu soubesse como era trabalhar, mas não parecia exatamente bom para se acrescentar a uma semana de férias com o namorado.

– E está, para falar a verdade, melhor do que eu lidei, e mais rápido do que eu demorei para perceber que era bissexual. Foi uma coisa boa no final das contas.

– Como?

– Mamãe quando descobriu ameaçou pôr fogo na cozinha se ele me obrigasse a fazer isso, mas eu disse que não tinha problema algum, pois eram somente turnos à noite, pois acho que ele estava tentando prevenir alguma coisa extracurricular que pudéssemos fazer na casa quando não tivesse ninguém por lá para nos impedir.

– Conhecendo você, ele estava provavelmente certo.

Acrescentei me sentando, Rex pareceu ofendido e surpreso, escondendo um riso sobre a face da ofensa.

– Você vai me julgar para sempre por que eu transei com ele no nosso primeiro encontro, não vai?

– Não estou julgando – completei alongando a palavra por mais segundos do que o necessário – Só comentei que ele foi o seu primeiro, depois de... Bem, eu.

– Foi um conjunto de fatores – explicou – E eu não fazia sexo desde o dia que tinha vindo para cá, nem mesmo uma única tentativa com a Hazel, não que eu me arrependesse. E é bastante difícil resistir a voz de um tritão. Ele praticamente me induziu.

– Você se lembra que eu sei quando alguém está mentido, não é?

– Posso voltar à história?

Perguntou obviamente tentando mudar de assunto, não resolvíamos mais nossos problemas com socos ou duelos de feitiços, mas ele ainda não era fã de perder nenhuma batalha para mim, ou qualquer um.

– Claro, continue.

– Bem. Quando ninguém estava olhando Cain pegou um avental e começou a servir as mesas e no final da sua primeira noite na grande massa, ele tinha ganhado uma gorjeta de cem pratas de uma velhinha, e o número de telefone dela. Papai ficou bastante impressionado e nós trabalhamos lá todas as noites depois disso. Foi divertido, e na última noite do Cain na cidade papai nos deu folga, e até mesmo pagou o Cain pela semana. E ele havia aumentado em dez por cento o faturamento da semana. O que fez meu pai perceber que ele realmente não liga para quem eu esteja namorando, contanto que essa pessoa tenha talento para os negócios. E realmente ajuda quando seu namorado pode encantar qualquer um com a voz e os olhos de verde-mar. E aquelas sardas nas bochechas também fazem milagres. Mesmo que não sejam realmente sardas, e sim algo a ver com as escamas.

Completou perdendo o foco por alguns segundos.

– Lexa também diz que ele tem um cabelo castanho incrível e que é tão macio quanto as nuvens do céu. E de qualquer maneira qualquer um é melhor do que aquela súcubo que você tinha conhecido na Arcadia. Ela realmente me assustava. Mas falando nisso, por que você não transou com ela? Era uma súcubo, um prato cheio para um jovem sexualmente desesperado.

– Primeiramente, porque ela era totalmente assustadora até para mim, mas fizemos outras coisas divertidas naquela noite. Só poupei você dos detalhes. E os guardei para o Skandar. Agora eu o poupo dos detalhes com Cain e os guardo para você. Parece justo para mim.

– Ele vai te acompanhar com o tempo.

Acrescentei em tom compassivo.

– Quem sou para reclamar? Fui um idiota por meses. E ele não está em um bom lugar no momento, Birdy terminou com ele por telefone nas férias.

– Isso sim é complicado, mas se serve de conselho, você ainda é um idiota, mas o que a minha convivência com a minha irmã me ensinou é que ninguém é difícil de mais de se lidar que não possa ser tolerado.

– Me sinto tão mais amado agora. Obrigado.

Comentou sarcasticamente, até ser interrompido.

Lexa

– REX!

Gritei incrivelmente animada dando alguns pulos animados até agarrar o Rex com os braços.

Killian não esboçou a mesma reação que eu, só ficou parado, tentando conter a expressão de por mim eu te expulsava a chicotadas dessa cidade, mas meu namorado não permite.

– Por que você está me abraçando? Você me odeia, na verdade nenhum de vocês cinco vai com a minha cara. Especialmente ele.

Disse Rex, com a última parte em tom baixo pois ele e Killian andavam em ovos radiativos há meses.

– Não que você tenha ido com a nossa cara em primeiro lugar, mas o Math nos deu um ultimato nessas férias nos obrigando a ser legal com você esse ano.

Respondi ainda mantendo meu grande sorriso de alegria e contentamento.

– O que perde um pouco do sentido se você conta.

Math completou com um sorriso disfarçado de ameaça silenciosa.

– Eu poderia ter convencido Amora a enfeitiçá-lo com nojentas verrugas em lugares inapropriados, mas não fiz. Isso não mostra alguma evolução?

Perguntei olhando ao redor, Killian deu uma pequena risada enquanto olhava para os próprios pés e Math me deu outro aviso com os olhos.

– Ainda bem que eu tenho outros amigos.

Rex acrescentou.

– Na verdade, um – desmenti – Você nem mesmo tem uma garota como amiga, ou qualquer uma que esteja interessado em namorar você.

– Já estou namorando alguém, você sabe disso.

Respondeu malcriado.

– Engraçado isso, não é?

Perguntei sorrindo largamente.

– Acho que vou checar o Skandar agora.

Disse Rex dando os primeiros passos.

– Não se perca, não se machuque, e o mais importante não nos espere.

Acrescentei acenando com as mãos.

Rex acenou a cabeça para Killian e ele o fez o mesmo. Com cada um dizendo o nome do outro rapidamente, da forma menos ríspida e provocativa que eles conseguiam. Uma coisa de machos dominantes prestando respeito mútuo, presumi. Sem a parte do respeito, é claro.

– Já se passaram mais de quatro meses, dá para parar de pegar no pé dele?

Math perguntou em tom calmo enquanto se aproximava de Killian.

– Só quando perder a graça, não é Killian?

– Não posso confirmar ou negar na frente dele.

Respondeu pegando Math pela cintura para um beijo.

– Boa resposta.

Meu irmão acrescentou.

– Agora vamos embora, temos muita coisa para resolver.

– Como o que?

– Todos estão se arrumando para ir para o lago. E nós também – esclareci – E é uma boa oportunidade para estrear um dos meus biquínis novos.

– Se todos vão...

Disse Math concordando.

Matheus

Ainda era domingo, por isso, ninguém parecia muito animado para ficar dentro dos quartos esperando o início das aulas amanhã de manhã.

Havia sido resolvido que nos reuniríamos na parte afastada do lago, aonde a água era cristalina e alguns peixes coloridos ficavam pela tarde. A noite eles brilhavam como fogos de artifícios embaixo d'água, então presumi ser essa a intenção.

Como sempre, chegamos atrasados, depois que Lexa resolveu trocar de roupa quatro vezes e Joshua resolveu dar um pulinho rápido na biblioteca somente para dar oi as projeções literárias.

Atravessamos todos juntos da porta principal da Casa da Leoa do lado de fora, e a porta nos levou até o lago, e eu tinha que concordar que sentia falta da praticidade de pensar e estar em um lugar.

Havia som de música e de conversa alheia, metade dos outros estudantes estava na água, a outra metade na margem rindo.

– Quem é o das tatuagens?

Roman perguntou aparentemente ofendido.

Demorou para que eu percebesse, mas não havia dúvidas.

– É o Samir.

Comentei surpreso.

Ele estava de costas, sem blusa. A tatuagem era um aglomerado de corvos começando da metade da sua costa subindo e aumentando até cobrir metade do seu ombro. Seu cabelo estava arrepiado. Suas unhas, mesmo de costas, eram visivelmente pintadas de preto. Seu corpo mais ereto, e quase mais alto, se não fosse exagero meu.

– Sei que ele estava frequentando a sala de musculação com Zander ano passado, mas isso é ridículo.

Lexa acrescentou tão pasma quanto eu.

Até então ninguém havia nos notado.

– Ele parece bem melhor para mim.

Acrescentei levando uma olhada irônica de Killian.

– Não acredito que vou dizer isso, mas também acho – completou inclinando a cabeça enquanto mordia os lábios – Parece que a falta do Zander esse ano não vai desmotivá-lo como pensei.

Zander havia sido o único da nossa turma a não voltar.

E foi quando fomos notados.

A música continuou, mas as vozes se cessaram. Todos estavam nos encarando.

Primeiro repassei o que estávamos vestindo, me preocupando se fosse algo relacionado a isso. Mas calções de banhos e camisas de flanelas coloridas não eram o visual errado para ocasião. Muito menos o vestido de praia branco da Amora por cima do biquíni cinza, ou o top e short curto da Lexa.

Por que estão nos encarando?

Joshua perguntou usando o elo enquanto caminhavamos.

Pelo exato motivo que eu posso ouvir a sua voz na minha cabeça.

Killian o respondeu.

Todos já não tinham superado isso? Não foi exatamente nossa escolha.

Amora acrescentou nervosa.

Dois meses afastados deve ser o suficiente para desaprender os outros dois meses depois da quebra do selo?

Roman perguntou com o braço sobre o ombro da Lexa.

Aparentemente, sim.

Respondi, com um sorriso no rosto que tinha congelado sobre a expressão de desconforto.

Então vamos mostrar como amigáveis nós somos.

Lexa respondeu se desprendendo de Roman e correndo na direção de todos.

– Oi, todo mundo.

Disse ela rindo e acenando, as vozes retornaram de imediato.

Samir foi o primeiro a abrir seus braços para um abraço, Lexa girou a cabeça antes que ocorresse e piscou para nós, aceitando o abraço de Samir com agilidade.

Ele havia se arriscado para nos ajudar na luta contra Paimon. E quatro meses depois era claro que aquele momento havia deixado marcas distintas nele, que ainda precisávamos descobrir.

Onika foi a próxima a surgir, junto de Birdy, ambas haviam cortado o cabelo pouco abaixo do queixo. Enquanto Onika tinha ondas longas com finas mechas de um castanho dourado. Birdy tinha repicado o cabelo, deixando mais longo na frente do que atrás, na nuca.

– Ela parece conseguir fazer as coisas parecerem sempre normais.

Killian comentou assim que nos sentamos ao chão.

Lexa e Amora conversavam com as outras garotas, enquanto Joshua e Roman mantinham uma conversa barulhenta com Asa e Zac. Tate também estava lá com uma expressão séria. Josh somente ria, tinha minhas dúvidas se ele sabia do que estava sendo discutido, mas com certeza era engraçado, pois Roman tinha costume de discutir por assuntos que nós mal sabíamos compreender, como vídeo games e esportes. Para Joshua era conhecimento inexplorado.

– Ela deixou bem claro, em Portland, depois do ataque de Paimon, que nós teríamos uma vida normal quando voltássemos, acho que ela vai se esforçar para isso.

Acrescentei.

– E o que você quer para esse ano?

Killian me perguntou com olhos serenos.

– Que ninguém mais morra por nossa causa.

Respondi fitando meus dedos.

– Não posso te prometer isso, mas eu posso te prometer outra coisa.

– Tipo o que?

Perguntei sorrindo, mas ele respondeu girando o corpo sobre mim, me deitando sobre a areia.

– Te amar para sempre.

Respondeu antes de me beijar.

– Arrumem um quarto!

Hazel e Hya comentaram.

Passando perto de nós, ambas de biquínis brancos e shorts jeans. E rostos repletos de rancor e ciúmes.

– Se você não for cedeu o seu, calada!

Lexa acrescentou recebendo olhares furiosos de ambas, e risadas altas de Birdy e Onika.

– Algumas coisas nunca mudam.

Acrescentei.