Vinculos & Monstros
March 9, 2025

CAPÍTULO VI: Potion Approaching

Lexa

– Não tem mais ninguém aqui, além da gente, podemos começar?

Math perguntou impaciente.

– Normalmente eu que falo desse jeito.

Completei terminando de arrumar os ingredientes para o feitiço.

– Normalmente nós não fazemos feitiços as sete da manhã na biblioteca, no meio do escuro.

Comentou se abaixando.

Abri o lençol sobre o chão e comecei a depositar os objetos que usaríamos como canalizadores.

– Só os ponha de forma a ficarem se alinhando. Quatro para cada.

Acrescentei, começando pelas velas em cada ponta do lençol quadrado.

Math espalhou os cristais coloridos, e depois os copos de água.

Por fim depositei um punhado de areia sobre quatro tigelas.

– Se estamos fazendo magia elemental, por que não chamamos o Killian?

Math perguntou cruzando as pernas, já que era essa fonte natural da magia do Killian diferente de nós que usávamos magia das sombras, fazia sentindo, mas eu não era conhecida por fazer sentido o tempo todo.

– Simples – respondi – Porque eu quero fazer assim e pronto. Pare de reclamar tanto, está me irritando.

Completei me preparando, pondo meu cabelo em um rabo de cavalo.

– Então me explica novamente por que não podemos contar para ninguém o que vamos fazer aqui?

Perguntou, ele parecia uma máquina de perguntas hoje.

– Não disse que não poderíamos contar para todas as pessoas, só a maioria. O feitiço vai invocar um ser de luz do mundo invisível que se der certo, fará do meu colar sua nova morada – expliquei, retirando o colar com a pedra de diamante do meu pescoço e pondo no centro do feitiço – e consecutivamente, ele nos avisará sempre que o perigo se aproximar, qualquer tipo dele, e se der certo, ficaríamos um passo à frente daqueles que querem nos fazer mal. E potencialmente nos matar.

– Primeiro não sei dizer como você se lembra dessa aula de T.C.B.M. – Teoria e Conceito Básico de Magia – sobre o mundo invisível, se você não presta a menor atenção, segundo se é uma coisa boa por que não falamos para todos fazerem?

– Por que meu caro maninho, eu não sei se o feitiço vai dar certo, pois o ser de luz precisa nos aceitar e não quero parecer a idiota que não conseguiu realizar a própria ideia – respondi bufando – Podemos começar o feitiço então?

Perguntei.

– Tudo bem, mas tem certeza de que temos tudo?

– Sim, os ingredientes estão certos, e os cristais vão ajudar a refletir o poder. E como diz no meu livro das sombras, o feitiço precisa ser feito na manhã de um dia de lua crescente do mês em questão. O que é hoje, ao menos que queira esperar mais um mês.

Completei já ficando irritada.

– Quem está reclamando agora?

Perguntou sorrindo, agora iluminado somente pelas luzes das velas.

Olhei torto para ele e pus minhas mãos abertas sobre a nossa pequena receita e Math fez o mesmo. Por causa da união do círculo não precisávamos mais do contato direto, o que já era mais libertador do que antes e nós dava alguma mobilidade, mas aproximação ainda era necessária junto ao foco compartilhado. Longe de nosso círculo tínhamos menos espaço para nos afastar, mas junto deles poderíamos ficar metros de distância sem problema.

– Temos que repetir quatro vezes, não é?

Perguntou uma última vez.

– Sim, cada repetição vai eliminar um elemento do feitiço e oferecer aos seres do mundo invisível. Mas lembre-se da ordem. Água, fogo, terra e ar. Desse jeito não vamos perder a consciência no meio do feitiço quando ele eliminar o ar ao nosso redor.

– Pode deixar, eu peguei essa.

Disse ele sorridente, e era a hora.

Natura spiritus, exaudi vocem meam. Te invitamus ut ostendat sub luna prima pericula belli. Per aquam, ignem, terram et aerem. Et spiritus invoco in luce et potentia.

Como eu havia dito, a água foi a primeira coisa a desaparecer em um redemoinho invisível. Depois a fogo e o terra nos deixando as cegas, e por fim ar.

Demorou mais alguns segundos sem oxigênio para que o feitiço se completasse e tudo mudasse.

Os quatros cristais se tornaram verde, iluminando a ala de estudos da biblioteca. Por fim tomamos um banho de água fria, como se o teto se transformasse em nuvens carregadas d'água. O chão foi o próximo tremendo e chacoalhando, e por último veio o fogo, crepitando e zunindo do centro do feitiço.

– Está funcionando?

Math perguntou pondo as mãos perto dos olhos.

– Saberemos quando acabar.

Disse meio segundo antes das luzes retornarem e o meu diamante flamejante se apagasse.

– Tipo agora?

Perguntou.

Peguei meu colar primeiro tomando cuidado para não me queimar, mas ele não estava quente. Nem morno para falar a verdade.

– Maldição! Acho que não funcionou ou não aceitaram nosso pedido, ou qualquer outra das mil possibilidades.

Respondi chateada.

– Valeu a tentativa e de qualquer modo temos Amora, ela pode nos avisar sobre o perigo, nós podemos sentir demônios e Killian sempre sabe quando algo está estranho, aliás não sabemos como ele faz isso.

Disse Math me reconfortando.

– Então vamos arrumar tudo e ir nos preparar para o café da manhã.

Respondi me levantando.

Olhamos para o chão ao mesmo tempo e conjuramos.

Peribit.

E tudo que ainda restava começou a se dissolver em areia brilhante.

– E não vamos esquecer que temos aula de Poções com Ênfase em Botânica Oculta hoje. Pode ser um dia legal.

Acrescentou levantando os ombros.

– Não vamos forçar tanto, mano.

Completei.

– O Josh está animado.

Math acrescentou tentando tirar a água do cabelo.

– É o Joshua, ele é capaz de se animar com um dicionário novo ou uma fita tape.

– Ele é família Lexa, pare com isso.

Comentou com um meio sorriso de eu estou certo, não discuta, porque eu te amo.

– E eu concordo com a primeira parte, mas isso não significa que ele não tenha um gosto duvidoso para dizer o mínimo, excluindo Amora, obviamente, pois eu nunca erro nas minhas junções de casais, mas só significa que o amo independente disso.

– Então a única coisa certa que ele gosta é a que teve a sua intromissão?

– Exatamente.

Respondi como algo mais do que obvio.

– Algumas vezes me pergunto, por que eles amam você.

– Por que não há uma parte do meu corpo que não possa ser amada, aproveitada ou deliciada. E se você não fosse meu irmão saberia.

Retruquei, me pondo na frente da porta e apertando meus seios com as mãos.

– Por favor, me deixe vomitar agora.

Respondeu ele antes que eu atravesse e sua visão desaparecesse.

//

Olhei para o espelho uma última vez tomando certeza de que minha trança embutida estava pelo menos apresentável para ser mostrada fora desse banheiro.

A primeira aula do dia era P.E.B. – Prática e Exercício de Bruxaria – o que não havia sido nada mais do que um tiro ao alvo com roupas de proteção. E eu tinha certeza de que Hya tinha acertado meu cabelo com um disparo de energia de propósito, o que tinha tornado ele um ninho de pássaros repleto de eletricidade estática.

Mas não havia sido de todo ruim, toda aquela adrenalina, excitação e nervosismo tinha causado uma impressão em mim.

Emoções agora não eram só ondas e luzes coloridas que eu era capaz de interpretar, eram na verdade energia pura, e desde que o círculo tinha se unido meu corpo armazenava essa energia e convertia em alguma coisa diferente.

Algo que fluía pela minha pele e se condensava na minha mão, e se eu tivesse concentração o suficiente, era capaz de direcioná-la e lançá-la contra algo ou alguém. A energia brilhava em todas as cores do arco-íris, mas o amarelo e o lilás predominavam.

– Você está bem?

Alguém perguntou me tirando do torpor.

Virei de uma única vez esquecendo da energia concentrada na minha mão, e segurei na pia de mármore branco como se ela não fosse um perfeito condutor. Quando dei por mim uma enorme rachadura surgiu sobre o espelho e Clea Blunt arregalou os olhos assustada.

– Tudo está perfeito, linda.

Comentei parecendo estupidamente feliz.

Clea era da minha altura, tinha um cabelo curto e ondulado de um azul como o céu, ela normalmente enfeitava seu cabelo com várias flores coloridas e vivas, hoje eram pequenas margaridas, nas poucas vezes que tínhamos estado no mesmo lugar fora da academia eu já havia visto suas flores se mexerem. Minhas favoritas eram os pequenos girassóis que ela usava com menos frequência.

– Não sabia que você poderia fazer isso.

Acrescentou ela rapidamente.

– Unir o círculo evoluiu alguns dos nossos poderes.

Respondi rapidamente.

– Isso é muito legal, os professores dizem que meu dom é um dos mais importantes, mas não parece.

Comentou meio chateada, bem, eu entendia.

– Conhecimento, não é? Seu dom, quero dizer.

– Sim, sim. Basicamente, padrões, coisas faltando, informações criptografadas e essas coisas.

– E feitiços – disse percebendo a informação surgindo no meu cérebro – Seu dom te dá a capacidade de criar feitiços totalmente novos.

Esclareci surpresa, era algo impressionante que eu nem sabia. Aquela informação vinha de outra pessoa do círculo.

– Em teoria, eu ate hoje nunca consegui fazer isso. A professora MiMi disse que demoraria anos para eu aprender a usar meu dom para isso.

– Por enquanto você tenta usá-lo para descobrir a vibração correta de um objeto para se tornar capaz de atravessá-lo.

Disse tentando parecer otimista, o que só me fez parecer idiota.

Joshua, detentor da informação, por outro lado conseguia fazer isso com mais perfeita sincronia que eu.

– Não acho que meu poder vai me ajudar a ser o Flash.

Respondeu rindo.

Clea parecia meiga, o tempo todo na verdade. Uma versão colorida da Birdy, essa que esse ano parecia uma caixinha de surpresas pronta para ser aberta ao público.

– Só ignore, é o conhecimento do Joshua, às vezes ele aparece do nada. Mas não estamos atrasadas para o almoço?

Perguntei tentando escapar dali antes que falasse mais besteira. Ou Pippa viesse aparecer para reclamar da rachadura no espelho.

– Claro.

Respondeu e a porta atrás dela se abriu.

//

– Por que você demorou tanto?

Amora perguntou enquanto gesticulava com um garfo em mãos.

– Algumas pessoas demoraram um pouco mais para mostrar sua verdadeira beleza natural.

Respondi colocando minha bandeja sobre a mesa redonda.

– A demora não significa exatamente o oposto?

Joshua perguntou com olhos curiosos.

– Ao menos que queira sentir muita dor, não espere uma resposta para isso.

Retruquei irritada o fazendo voltar a atenção para seu prato de sobremesa.

– Sentimos sua falta, só isso.

Roman acrescentou me dando um belo sorriso.

– Tanto que provavelmente ficaram se perguntando como sabotar nossa ida a Arcadia esse fim de semana, aposto.

Comentei.

– Só alguns pensamentos aleatórios.

Math completou terminando sua gelatina colorida.

– Então Killian, o que você pensa da diretora nos dando aula esse ano?

Perguntei tentando comer o mais rápido que conseguia.

– Ela me deu aula a vida toda, de tudo que podem imaginar, então não é exatamente novidade para mim.

Respondeu calmo, Killian as vezes conseguia cortar qualquer graça de qualquer coisa.

– Por que eu realmente esperei uma reação humana normal?

Perguntei já na metade do meu prato.

– Por que você é psicótica?

Ele perguntou para surpresa de todos, Roman até mesmo parou de mastigar para prestar atenção.

– Você disse o que? – perguntei confusa – Por que eu ainda não acredito que isso saiu desses lábios cheios de mistério e silêncio arrebatador.

Disse com uma expressão quebrada.

– Eu pensei a mesma coisa.

Amora acrescentou, fazendo um sorriso surgir no rosto de Killian.

– Eu também.

Joshua completou abafando uma risada.

– Todos nós – Math respondeu me afagando pelo ombro – Mas como você me disse mais cedo, somos uma família e te amamos mesmo assim.

– Usar uma coisa que eu disse contra seu melhor amigo, não é muito maduro, maninho.

Disse irritada, hoje não estava sendo exatamente meu dia.

– O que eu tenho a ver com isso?

Joshua perguntou surpreso.

– O foco sou eu, não vamos tentar mudar isso Joshua, é muito pequeno da sua parte – respondi pondo o dedo em seu rosto o fazendo se calar – E por acaso alguém pode me dizer o que supostamente vamos aprender nessa aula, por que eu não quero passar o restante do ano estudando com uma professora que vai se provar sendo um comensal da morte, que no final estava fazendo tudo para me proteger, causando um grave colapso na minha psiquê, resultando no fato sem graça como homenageá-la dando seu nome a uma das minhas futuras filhas.

Perguntei ansiosa.

– Qual é o seu problema com adaptações cinematográficas?

Math perguntou, mas minha resposta foi só um sorriso cínico.

//

Depois do almoço mais rápido da minha vida era finalmente hora para a primeira aula com a diretora Witwer.

Quando a porta principal da Casa da Leoa se abriu, Hya e Hazel foram as primeiras a passar, tentando demonstrar algum tipo de liderança. Contudo elas só estavam comprando uma briga que não poderiam vencer.

Birdy e Nik entraram com Amora e comigo, falando sobre alguma coisa que honestamente não prestei atenção, contudo a Amora pareceu pela primeira vez entender alguma coisa então deixei que continuassem.

Porém, após todos entrarem era o silêncio que se fez presente.

A sala de Poções com Ênfase em Botânica Oculta era gigantesca, o dobro do tamanho de qualquer uma das outras quatro. Em uma espécie de abóboda de telas de vidro que refletiam um céu de fim de tarde que não combinava com o que eu tinha visto antes de entrar.

– Ainda estamos no subsolo?

Priyanka perguntou, com os cabelos longos cabelos negros e cacheados combinando com as pequenas olhos em tom de amêndoa e o tom de pele típico do seu país de origem. Eu só não conseguia me lembrar de que lugar específico da Índia ela vinha.

– Sim, estamos senhorita Devi – disse a diretora surgindo do meio da sala, os rapazes estavam do outro lado – Só que minhas plantas precisam de luz solar e essas telas refletem a luz que é captada na superfície em determinado momento do dia ou da semana.

Todo o lugar além de gigante era construído ou de madeira ou de rocha sólida escura.

Em vez de nossos lugares habituais havia um grande círculo de balcões com uma única entrada, bem no centro da sala. Videiras cresciam do teto e do chão. Com diferentes tipos de plantas, em ainda mais diferentes tipos de vasos e canteiros espalhados pelo restante do local.

– Por favor, peguem seus lugares, seus livros das sombras estarão os marcando.

Disse ela estranhamente mais alegre do que o normal.

A diretora usava o vestido de sempre com saia reta e gola alta, mas dessa vez os cabelos loiros estavam soltos, e com cachos mais longos. E com um salto agulha que sempre me causava inveja.

Porém, a ordem dos lugares parecia praticamente a mesma das outras classes, tirando o fato que agora ficávamos dividimos entre os dos polos do círculo, e que Joshua agora estava ao lado da Amora e não do Math.

– Como podem ver essa sala é diferente das demais, é meu lugar especial, por assim dizer.

– A senhora cuida desse lugar?

Zac perguntou mexendo com os dedos no cabelo tom de areia.

Gostava do sotaque australiano que ele tinha.

– Com alguma ajuda, mas sim, senhor Fry, eu cuido. E falaremos mais tarde sobre um estágio, caso alguém se interesse em passar mais tempo aqui – acrescentou animada – A sala está oficialmente aberta para que vocês possam usufruir da coleção de flores, ervas, raízes e outros tipos de plantas que descobrirão serem de alta ajuda.

– Quantos tipos existem aqui embaixo?

Henrique perguntou. Hoje seus dreads estavam soltos.

– Para falar a verdade senhor Braga, perdi a conta há muitos anos. Recebo novas amostras todo o tempo e criamos locais para que cresçam nas suas próprias especificações, como vão descobrir.

– Acho que encontramos seu habitat natural.

Rex lançou para o ar tentando atingir Henrique, fazendo murmúrios de risadas baixas ocorrerem e a testa da diretora franzir.

– Muito engraçado, mas não é minha culpa se não temos aulas em uma piscina, mas se você pedir com educação tenho certeza de que vão deixar você sair para hidratar as guelras.

Rex se abaixou um pouco na cadeira, vi Math olhar para ele com repreensão e Rex dar de ombros como se dissesse eu não fiz nada. Como um garotinho sapeca.

– Achei que tivéssemos passado dessa fase, senhor Holt.

Disse a diretora, mas Rex somente sorriu com dentes amostra e pouca satisfação.

– Ele amadureceu – Skandar o defendeu – Só não é constante.

Disse ele dando tapinhas no ombro do melhor amigo.

Me esquecia com frequência que Skandar era russo, mesmo com expressão constante de alguém que estava passando por abstinência e as olheiras pesadas, ele parecia bem mais amigável do que a dureza ríspida que os russos passavam pela TV, e principalmente tendo uma tolerância muito maior para diversidade sexual. Todavia era um conhecimento puramente superficial meu e provavelmente mantido por estereótipos americanizados.

E desde o término com Birdy ele tinha o ficado um pouco para baixo, porém, a garota parecia melhor que antes. Isso deveria machucar, com certeza. Mesmo que ela não fizesse de propósito.

– Continuando – disse a professora – Em nossas aulas vamos aprofundar o conhecimento de cada um de vocês em botânica, aproveitando principalmente as poucas coisas ensinadas a vocês em Teoria e Conceito Básico de Magia no ano passado, e como utilizá-las tanto como veículos independes, elementos de ligação ou como a própria disciplina propõe, na utilização conjunta para poções, incluindo obviamente os mais variados ingredientes.

– Por favor, não diga que vamos usar olhos de animais.

Disse Hazel enquanto mexia na gola da sua camisa, que vivia, mesmo nos dias de frio enrolada na frente com um laço, como se os shorts curtos não fossem provocantes demais. Porém, em alguns dias ela usava uma jaqueta preta por cima mantendo uma parte maior do corpo não exposta.

– Ou partes mais nojentas.

Hya acrescentou.

Seu uniforme por outro lado era mais comportado. Saia godê preta, blusa social por dentro do cós da saia e um colete cinza com o brasão da academia.

– Senhoritas, vou ensiná-las a criar poções que podem ser tão letais quanto o mais poderoso feitiço ofensivo e não a preparar um cupcake de limão, então por favor, façam um pequeno esforço.

Respondeu educadamente, mas ambas ouviram pelas entrelinhas um belo e lindo não força, vadias. Ou pelo menos a minha versão era assim.

– Vocês trabalharão a maior parte do tempo em duplas nas aulas para os preparos de poções, já que é necessário certo talento nato para a arte e não só poder ou inteligência – acrescentou olhando para um lado e para o outro – Os gêmeos Herveaux obviamente precisarão ficar juntos, e consecutivamente a senhorita van Allen e o senhor Strider terão que se unir, o que creio não ser um problema – completou e as meninas fizeram um coro de risadas afetas que deixaram Joshua mais do que vermelho – Então preparem seus instrumentos, quero que cada dupla prepare uma poção para mim e me entreguem antes dos quinze minutos finais da aula.

– Que tipo de poção?

Juliette perguntou nervosa.

– Qualquer tipo senhorita Rossi – a respondeu – Vocês aprenderam algumas no ano passado, e creio que não sejam as únicas que tenha procurado descobrir. A sala proverá tudo que precisarem, só precisarão pensar e pegar embaixo de seus balcões, para as plantas vocês terão que se movimentar e encontrá-las, elas se mostraram facilmente e depois eu irei analisar o conteúdo de cada experimento.

– Então qualquer coisa é válida?

Javier perguntou tomando a voz pela primeira vez na sala.

– Sim, qualquer coisa. Porém, os conhecimentos serão vetados aos que vocês têm em seus livros da sombra. Sem pesquisa, sem ajuda dos colegas, sem perguntas para mim. Se eu notar que precisam de ajuda com alguma pequena dica eu direi, ou irei intervir caso misturem algo potencialmente explosivo e letal... O que também significa para o Círculo de Sangue, que eles não podem partilhar o conhecimento entre si – disse ela se virando para nós, balançamos nossas cabeças em concordância – Então sem mais delongas, bem-vindos A Estufa.

– O que vamos fazer?

Perguntei ao meu irmão..

– Tenho quase certeza que podemos fazer um explosivo ou veneno se tivermos a intenção de fazer o contrário primeiro, vendo pela nossa falta de sorte. Fora isso, temos que pesquisar em nossos livros das sombras.

– Podemos fazer a poção da revelação que fizemos no ano novo, é praticamente um chá quente potencializado.

Disse como a única ideia que tinha.

– Bem, tenho quase certeza de que seremos os únicos a pensar nisso, já que Joshua e Amora provavelmente terão alguma ideia brilhante e Killian e Roman vão nos surpreender com algo que não sabíamos existir.

Respondeu animado, era meio frustrante perceber que não éramos exatamente a dupla mais esperta.

– Você precisa começar a estudar mais.

Disse balançando a cabeça em negação.

– É... Eu...

Respondeu cínico.

//

– Acho que está pronto.

Math comentou depois de cheirar a poção de tom marrom.

O líquido no cálice esverdeado ainda borbulhava e o vapor era visível, mas parecia tão bom quanto o que havíamos dado a Joshua meses atrás. E ele não havia morrido naquela vez.

– Ainda parece um chá fortificado, mas eu acho que sim.

Respondi.

Clea e Isobelle foram as primeiras as terminar.

As duas tinham produzido uma poção hipnótica básica, algo que eu me lembrava vagamente de ter ouvido o professor Garrett grunhir uma vez na sala de aula.

A diretora Witwer pediu para que Clea provasse, mas foi Isobelle que fez, e a poção a deixou zonza e apática por minutos inteiros. A diretora deu a Clea um ramo de alguma coisa para ser queimada, que devolveu a Isobelle o controle de si mesmo. Muito provável que a situação fosse diferente, se os papeis fossem trocados, já que Clea tinha seu dom em base do conhecimento.

Depois disso houve duas sucessões de falhas com a dupla Hya-Hazel e Zita-Juliette.

Amora-Joshua foram os seguintes criando uma perfeita poção do sono.

– Terminamos.

Disse suficientemente satisfeita.

– Essa poção não tinha risco de morte?

Math perguntou nervoso.

– A poção se aproxima, proteja seus olhos.

Respondi.

Você prova se ela mandar.

Disse ele pelo elo assim que a diretora parou a nossa frente, suas luvas hoje eram de verde brilhante com desenhos florais.

– Uma poção da revelação, pelo que vejo.

Comentou enquanto analisava o conteúdo do cálice.

– Exatamente.

Comentei sorrindo, confiança nunca era demais.

– Não me recordo de terem estudado isso em nenhuma das aulas.

– Na verdade nós usamos no ano novo para tentar descobrir alguma coisa, na época que estava rolando todos aqueles probleminhas.

Respondi fazendo sua expressão mudar para surpresa.

– Isso é interessante... Quem a tomou?

Perguntou.

– Joshua a tomou – Math respondeu – Presumimos que seria a melhor escolha para época.

– Inteligente, usaram bem as propriedades da época e as características necessárias da magia, mas devo avisar que é uma poção arriscada, em casos raros pode levar a morte.

– Ela nos contou cinco segundos antes dele beber.

Math comentou com um sorriso que dizia para mim eu te disse.

Ele também falou isso pelo elo telepático.

– Então vamos ver.

Disse ela deslizando os dedos sobre o ar acima do líquido marrom, o fazendo se mexer.

O líquido mudou para duas cores diferentes, primeiro verde e depois, bem, cor nenhuma. Transparente como água, até retornar o tom marrom de antes.

– Um pouco forte, devo dizer, mas vocês passaram, parabéns.

Disse ela com uma entonação calma e sorridente.

– Te disse que iríamos conseguir.

Comentei lançando uma piscadela para meu irmão que balançou a cabeça em negação.

Porém, mesmo que ela tivesse nos ajudado a passar nessa tarefa em específico, essa poção havia nos postos um passo mais perto de muitos segredos que não fazíamos ideia que iríamos descobrir.