CAPÍTULO XII • Harder to Breathe
– Você disse que tinha parado. O que aconteceu?
Perguntei, incrivelmente furiosa com meu estúpido irmão.
Josh olhou para ele, sem entender. Provavelmente não sabia que aquilo já havia acontecido antes. Mais de uma vez.
– Não fui exatamente eu – disse ele, envergonhado. – Aconteceu depois da dor de cabeça e dos flashes de imagens.
– Aconteceu há algumas horas. Não adiantaria acordar você tão cedo em um domingo. O café da manhã era às nove nos fins de semana. Então achei melhor esperar.
– Estamos aqui juntos – falei, apertando sua mão sobre a mesa redonda do refeitório. – Você não pode esconder essas coisas de mim, principalmente quando essa não é a primeira maluquice mística que acontece com um de nós.
Era isso que havia me deixado assustada, depois irritada e, por fim, preocupada.
– Josh me curou. Não foi nada demais. Mas não sei dizer o que aquilo significa. Só sei que me assustou.
Olhei rapidamente por cima de seu ombro. Cecilly vinha em nossa direção com a bandeja nas mãos.
Aquela era uma péssima hora, já que havíamos começado a conversar com mais naturalidade. Olhei para o chão e, depois, para ela, sussurrando uma pergunta. Cecilly olhou para os lados, sem saber para onde ir, e passou direto por nós.
– Alguma coisa está acontecendo, e precisamos descobrir o que é. E por que você estava conversando com Killian às quatro da madrugada usando apenas uma cueca? Isso está parecendo Academia de Vampiros. E não estou dizendo isso de uma maneira positiva.
Disse, por fim, fazendo a comparação.
Josh, que estava calado desde que contou o que havia sentido, olhou para Matheus, sem entender.
Meu irmão perguntou, baixando os olhos.
– São personagens de uma saga de fantasia – explicou a Josh, que ainda não parecia entender muito bem. – Ele apareceu lá. Eu não o chamei. Para começar, desci porque não conseguia dormir. Papai me ligou e, depois, Killian apareceu.
– Papai ligou para você? Por quê?
Meu espanto era justificado e, naquele momento, havia aumentado ainda mais.
– Sei lá. Para dizer nada, como sempre. Mas comentou que vai passar o Natal conosco aqui na cidade. Desligou logo depois. Então vieram as visões malucas, os cortes e Killian voando contra a estante.
Killian e Roman caminhavam em nossa direção. Roman sorriu e fez um aceno com a cabeça. Killian, por outro lado, parecia mais sério do que de costume.
– Ajam naturalmente – Matheus acrescentou, enquanto fazia todas as coisas sobre a mesa tremerem com a mente.
– Então pare de parecer estranho – falei, encarando nossa comida dançante.
– Mande eles para longe – ele pediu.
– Os dois ao mesmo tempo? Eles não são idiotas. Apenas sorria e peça desculpas.
– Sim! – rosnei, parecendo com Rex.
– Bom dia! – disse Josh, levantando-se da cadeira mais depressa do que considerei normal.
Matheus e eu nos viramos automaticamente e sorrimos da maneira mais assustadoramente falsa possível.
Roman fez uma careta, mas Killian manteve a mesma expressão séria.
Josh voltou a falar. Ele fez um movimento com a cabeça, como se dissesse: Vá na minha.
– Isso, sentem-se – completei. – Alegria.
Murmurei a última palavra, esperando que não percebessem.
Por enquanto, era o máximo que eu podia fazer sem chamar a atenção deles ou de todos ao redor. E, vindo de mim, não querer chamar atenção já era muita coisa.
Peça desculpas, gritei na mente dele.
– Vocês estão bem? – Roman perguntou, mordendo o que parecia ser seu segundo sanduíche, a julgar pelos restos de pão em sua bandeja vermelha.
Josh riu, tentando criar alguma distração.
Matheus abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi interrompido pelo som de algo caindo.
Todos nos viramos ao mesmo tempo.
Amora estava caída no chão, com a bandeja ao lado do corpo. Josh e nós quatro corremos até ela, quase como se fôssemos puxados naquela direção. A maioria fez o mesmo, formando um círculo ao redor dela.
Algo aconteceu com o inofensivo e quase sempre distraído Josh. Era como se alguma coisa tivesse tomado sua personalidade invisível e ingênua, dando-lhe confiança e capacidade de liderança.
– Afastem-se dela! – gritou ele, com controle. – Deixem ela respirar. E você, vá chamar alguém pelas portas.
Disse, apontando para um rapaz com dreadlocks.
Além de Josh, nós quatro éramos os únicos realmente próximos de Amora naquele momento.
Ele se ajoelhou e aproximou o rosto dos lábios dela.
– Cure – falei, percebendo que estava mais preocupada do que imaginava ficar ao ver alguém que eu mal conhecia desmaiada no chão.
– Não há ferimento. Não há dor. Mas posso tentar outra coisa.
Ele começou os procedimentos de primeiros socorros com tanta precisão que parecia ter treinado aquilo durante toda a vida. Com os braços estendidos, pressionou o peito dela, impulsionando o peso do próprio corpo contra o coração.
Depois, fez uma respiração boca a boca. Em seguida, voltou às compressões e repetiu a respiração.
Então, como alguém que retornava à vida, Amora acordou, tossindo sangue e agonizando.
Josh segurou o corpo dela junto ao próprio, como se previsse o que aconteceria em seguida.
Amora começou a gritar com tanta força que aquilo parecia quase sobrenatural. Seu corpo se debatia, e eu conseguia sentir o medo extremo que havia se formado dentro dela. Não era apenas o medo de ter desmaiado.
Amora direcionou sua concentração abalada para mim, mas era difícil fazê-la acreditar no que eu queria. Então, me abaixei devagar e toquei seu rosto.
Foi uma sensação estranha. Sua pele estava fria no início, carregada de medo e terror, mas depois se tornou mais morna. Nossas magias entraram em algum tipo de sintonia incomum.
– Acalme-se – disse novamente.
Seus olhos acinzentados recuperaram o foco, e ela praticamente saltou do colo de Josh enquanto se levantava.
Um homem vestido de branco abriu caminho no meio da multidão. Seu rosto era liso e impecável, e os cabelos, castanho-escuros. Tinha menos de trinta anos, com certeza.
Deduzindo que fosse o responsável pela enfermaria, concluí que aquele deveria ser Robert McHale.
– Você está bem? – perguntou, preocupado.
O rapaz dos dreadlocks estava atrás dele. Só então reparei na pulseira com listras verdes e amarelas em seu pulso.
– Estou – Amora disse, por fim.
Mas ninguém poderia realmente acreditar naquilo.
Amora foi levada dali, apoiada nos braços do enfermeiro McHale. Parte do sangue que havia expelido manchava o chão, deixando marcas de pegadas. Provavelmente, seu cardigã cinza também estava sujo.
– O que aconteceu com a garota? – Roman perguntou, confuso.
– Não sei – Josh respondeu, igualmente confuso. – Só sei que nada do que fiz pareceu fazer diferença.
– Você a salvou, Josh – disse Matheus.
– Não. O fato de ela ter voltado a respirar não teve relação comigo ou com a minha magia. Foi quase como se o próprio corpo dela tivesse feito aquilo.
– Tem certeza? – Killian perguntou. Foi a primeira vez que falou desde que apareceu diante de nós.
– Não exatamente. Mas senti uma espécie de clique quando a magia dela retornou. E aquilo com certeza não fui eu. Era algo diferente.
Mas aquela sensação morna, quando nossas magias entraram em contato, também havia sido estranha. Causou a impressão de que havia alguma coisa inacabada entre nós.
– Este lugar atrai problemas – Roman acrescentou, tentando amenizar o clima.
– Você nem faz ideia – Killian completou.