Tente Implorar (NOVEL)
March 6

Tente Implorar - Capítulo 39

Laço do Desejo


— Coma mais.

A mulher, claro, nunca recusava por educação.

A reação dela foi diferente de quando vira a lilás. Os cantos dos lábios se curvaram num sorriso suave enquanto colocava o bolo de amêndoa na boca. Era compreensível, mas raro ver um sorriso tão sincero. No fim de uma longa sessão de amor, ela esquecia quem era, sentia o clímax e mostrava aquilo por um tempo.

...E só por causa de um bolo? Sorrir depois de duas horas com ele só por uma mordida de bolo. Quanto mais ele observava, mais estranho se sentia.

Os lábios rosados se abriram. A carne vermelha ficou exposta entre a polpa grossa, da mesma cor dos lábios inferiores. Um éclair coberto de creme de café deslizou para dentro do buraco úmido. Os lábios se fecharam, morderam a massa queimada e o creme branco jorrou. A mulher esticou a ponta da língua e lambeu o creme que escorria pelos lábios. Era uma mulher vulgar que não sabia dizer não e comia até sobremesas comuns.

Quando os olhos dele encontraram os da mulher que prendia o cabelo molhado atrás da orelha, Leon respirou fundo. O cheiro de sabonete estava forte. Uma mulher com vontade de ser vulgar com ele. Leon baixou o olhar para a própria virilha. Não era diferente de um cão que babava só ao ouvir o sino.

— Vou tentar uma vez e guardar. Vai ser mais chato do que você pensa ficar rolando por aí sem pudor.

Como era ingênuo o Leon do passado que dizia isso. Só conseguia falar porque não conhecia o gosto viciante daquela mulher. Ah, queria provar e provar de novo até cansar de puxá-la, beijá-la e cair na cama.

“Droga...”

Libido irritante. Se não fosse por isso, já teria descoberto a localização da base com aquela mulher.

“Ela sabe onde fica a base, não sabe?”

Leon conseguiu afastar os pensamentos vulgares e se concentrou na pergunta de antes. Aquela mulher parecia saber mais do que ele imaginava. O que pegara pensando ser um peixe grande podia ser só uma truta pequena... então o interrogatório talvez fosse perda de tempo.

“Ainda assim, isso não faz sentido. Por que uma Riddle não conhece as táticas principais?”

Leon encarou a mulher com olhos cheios de emoções mistas.

“O irmão mais velho dela sabe?”

Mas não era uma pergunta que queria resolver cutucando Jonathan Riddle Jr. Já bastava tê-la nas mãos.


Encontrar o ponto entre desejo particular e dever público não era tão difícil assim.

— Mais... mais...

A voz da mulher, que parecia prestes a se romper, foi abafada pelos gemidos. Era tão fraca que mal se ouvia se ele encostasse o ouvido na boca dela. A mulher agarrou a camisa de Leon e até arranhou as costas dele. A camisa que as criadas tinham passado sem uma única dobra agora estava amassada na mão dela. Não era diferente do rosto dela naquele momento.

— Mais...

Ela apertava e sugava o pilar dele com a carne molhada e escorregadia, pedindo.

— Que cadela no cio.

Uma risada baixa e um deboche cortante passaram pelos ouvidos da mulher. Ela soltou um gemido de dor quando as mãos dele, com tendões saltados, apertaram as nádegas macias com força. A pele suada grudava nas mãos dele. Não era diferente do dono, que lutava para se agarrar ao corpo dela.

Como quem faz um favor, Leon ergueu a cintura uma vez. Apesar da dor pesada que batia no colo do útero, a mulher não gritou uma única vez. Não, talvez fosse melhor dizer que “não conseguia gritar”. Grace respirou fundo, sem perder o instante em que a corda afrouxou e a garganta bloqueada se abriu. A dor de inspirar uma lâmina afiada cravou fundo nos pulmões, mas o corpo não conseguia parar de ofegar.

Leon, que erguera a cintura na medida certa até o som metálico escapar dos lábios molhados de lágrimas, relaxou devagar o aperto nas nádegas.

Kugh...

A mulher assustada arranhou as costas dele com as pontas dos dedos sem força quando a corda pendurada no teto apertou de novo o pescoço. Ela lutou com as pernas que escorregavam, até enrolando-as na cintura dele. Ele mordeu de leve a orelha fofa da mulher com os dentes da frente e puxou o cabelo castanho para trás. Gostava dos olhos turquesa que ficavam ainda mais azuis com o medo da morte. Será que ele tinha ficado assim no momento em que ela o chamara de porco sujo na Praia de Abbington?

Quando o rosto infantil se sobrepôs ao que estava à sua frente, Leon segurou a nuca da mulher e a puxou para a frente.

— Abrir os lábios de forma tão frívola na frente de um homem. Afinal, você é a prostituta de Blanchard.

Ele beijou educadamente os lábios sem fôlego. Diferente dele, de linhagem nobre, a mulher que vivera rolando na lama não tinha educação. Leon separou os lábios e lambeu a ferida com a ponta da língua, onde o gosto de sangue se espalhava. Destinada a morrer se soltasse a mão, a mulher tola ainda o mordeu como um rato encurralado.

— Quanto mais você sangra, mais excitado eu fico. Tenho certeza de que sabe disso.

Diferente dele, que não se animava com nenhum estímulo forte, o coração batia acelerado. Aquela mulher nunca lhe dava chance de se entediar. Pelo jeito que sabia melhor que ele próprio como excitá-lo, devia ter pesquisado algo para espionar por dentro e por fora. Que espiã capaz. Era uma pena que fosse inimiga.

“Vou me divertir bastante com você.”

Leon deu uma ordem, segurando o cabelo desgrenhado da mulher com força.

— Eu imploro. Mais, para cima.

A mulher rangeu os dentes pelos lábios brilhantes de saliva seca.

— Não sei se farei assim.

— ...Mais forte.

— Mais forte? O que você quer dizer com mais forte?

Enquanto lambia os lábios secos, ele afrouxou o aperto nos quadris. A corda pendurada no teto apertou o pescoço de novo. As duas pernas finas, que balançavam moles e sem força, de repente começaram a se contorcer. O corpo, incapaz de suportar o próprio peso, deslizou pelas coxas dele enquanto a lã macia do uniforme de oficial acelerava a morte de Grace.

Kuhk...

Mesmo tentando agarrar o colarinho da camisa, Winston segurou os pulsos juntos. Olhou para o colarinho amassado e estalou a língua brevemente.

— Implore direito.

No fim, a única coisa que ela segurava era o pênis dele, e quando Grace apertou forte contra a barriga, um sorriso cruel marcou o rosto esculpido de Winston.

Kuhk, foda, me, mais forte.

Ela implorou urgente entre respirações curtas. Grace queria viver tempo suficiente para fazer o demônio sedento de sangue implorar pela vida dele. Fiel à fama de melhor torturador do reino, ele a torturava todo dia com métodos novos e mais brutais. Assim que entrara na sala de tortura hoje, colocara um laço no gancho de ferro pendurado no teto, pusera uma cadeira de madeira embaixo e ordenara que ela subisse.

Se mostrasse medo, seria brincadeira do demônio. Grace subiu no patíbulo sem resistir, erguendo o queixo. No instante seguinte, Winston colocou o laço em volta do pescoço dela e, com uma mão assustadoramente gentil, puxou a cabeça e ajeitou no lugar certo.

— Lembrou onde fica a casa do seu noivo?

Depois fez a pergunta óbvia que sempre surgia no interrogatório. Uma pergunta que ele sabia que ela não responderia. Aquele homem só precisava de uma desculpa para torturá-la. Grace se recusou a responder, mas ele não chutou a cadeira de imediato. Leon Winston não era tão comum assim. Enquanto enfiava a mão entre as pernas dela, nua na cadeira, sorriu brilhante dizendo que o corte na região secreta tinha cicatrizado bem. Mas mesmo tremendo, ela não resistiu. Não era só por orgulho do Exército Revolucionário. Era porque a velha cadeira rangia como se fosse quebrar toda vez que ela torcia o corpo.

Winston tirou a mão da região púbica e logo tirou o paletó do uniforme. Desabotoando o cinto devagar, dobrou o paletó com capricho na mesa onde ela gemera e fora amarrada como um animal inúmeras vezes. Logo o instrumento de tortura favorito de Leon Winston foi revelado.

— Um dos meus superiores fez isso. O aperto é fantástico quando se estrangula. Por isso ele estrangulava cada prostituta, e agora as madames estão enojadas e começaram a não deixar ninguém entrar.

Ele sorriu inocente na frente de Grace, que começava a tremer. Até o jeito de tirar o membro, com veias saltadas entre a abertura da calça, e segurá-lo acariciando era ainda de um homem elegante. Ela sentia náusea com a dualidade. Aquelas mãos lisas que pareciam limpas à primeira vista estavam manchadas com o sangue de inúmeras pessoas, como o porco monarquista sujo que brilhava por fora.

— Pervertido sujo, kuhk...

Quando ia cuspir, Winston chutou uma perna da cadeira. A cadeira tombou de lado e se quebrou com um estalo, e ele a segurou pelos quadris enquanto ela caía.

— Não há o que temer porque esse pervertido sujo está segurando você bem.

Ele abriu as coxas de Grace e enfiou o pilar rígido e ereto de carne nas paredes dela de uma só vez. Parecia que ia rasgar do volume grosso esmagando a abertura estreita que nem estava molhada, mas não havia espaço para dor. O monstro cruel a ergueu até uma altura delicada onde a corda a estrangularia se ele não a sustentasse enquanto investia.

Se não quisesse morrer, não tinha escolha a não ser implorar. Foda-me mais forte, mais rude, mais rápido.

— Por favor, kuuh, fu, me fode...

— Pedir ao inimigo para foder mais forte... seu noivo precisa ouvir isso.

Depois de implorar de novo, Winston segurou os quadris e a puxou para cima. O pênis, que saíra até a metade, foi empurrado até o estômago de uma vez. Bam, bam. Enquanto se aliviava com a dor da carne sendo golpeada sem piedade, um deboche nojento entrou nos ouvidos dela.

— Sabe o quê? Dizem que hoje em dia dá para gravar som e sobrepor no filme. Da próxima vez trago um gravador e uma câmera. Seu noivo, que vai aliviar as noites solitárias com as próprias mãos, vai ficar muito satisfeito com meu presente. Não é?

Ele mencionou Jimmy de novo, e Grace mordeu os lábios rachados pela respiração pesada.

— Ah, seria bom se todos olhassem e usassem no treinamento. Manual de Prostitutas de Blanchard.

Ah, aht...

— Então, quando vai me dizer onde fica a base, hein? Querida? Está me ouvindo?

Leon encarou a mulher que balançava e gemia. Ela nem pensava mais em cobrir os seios lascivos. Uma prostituta suja que ficava excitada sendo comida pelo inimigo. Enquanto apertava o mamilo inchado e torcia com força, no instante seguinte a mulher gritou e apertou as paredes internas sem piedade.

Aaht!

Haa, desculpe. Fiz um pedido impossível. Seria loucura ver você engolindo os genitais de um porco sujo desses.

As investidas, que mal tinham sido erguidas como quem coloca isca, ficaram mais rápidas. Enquanto Grace, completamente sem ar, recuperava devagar a consciência, Leon soltou o autocontrole sem querer. Ergueu-a mais alto e até sugou e mordeu os mamilos como uma fera. Não bastava, segurou a nuca e tentou beijá-la, mas o que pousou nos lábios não foram os lábios macios de uma mulher, e sim um riso afiado.

— Você tem uma queda pela filha da mulher que matou seu pai, então fode ela todo dia. Eu sou mais sã que você.

Grace sabia muito bem. Percebera que era só uma formiga diante de um menino. O tipo de formiga cuja perna é arrancada, queimada por uma lupa e esmagada por uma pedra. Mesmo assim, era uma formiga que mordia. Vendo a sobrancelha esquerda de Winston tremer, deu outra mordida.

— O Major Winston no inferno deve estar muito orgulhoso do filho maravilhoso.

Ele deu uma risada relaxada e olhou para cima.

— Obrigado, pai. — olhar para o teto preto significava que era óbvio. O pai dele estava no céu, não no inferno. — Graças a você, consegui uma boa escrava.

A palma grande logo deu um tapa na nádega escorregadia de suor. A mulher pulou de dor quando a pele queimou e torceu o corpo com um gemido.

— Ei, escrava. Aperta.

Huh, sua coisa é tão pequena que não tem o que apertar.

Ele sorriu e olhou para baixo. Porque as paredes internas que mal tinham se grudado rasgaram de novo, um pouco de sangue vermelho coagulou na raiz do pênis. Era fofo vê-la abrir a boca de baixo tanto quanto a de cima e gritar como se fosse morrer.

Gaahk!

A força no aperto foi solta sem aviso. A mulher se agarrou desajeitada à nuca dele enquanto o corpo despencava. A carne interna que segurava o pilar estava igualmente feia.

Haa...

Winston soltou um gemido satisfeito e acelerou as costas. Enquanto isso, o cabelo loiro-platinado, penteado para trás com perfeição, não se desarrumava nem um pouco. Pelo jeito dos olhos suavemente fechados e da boca com um sorriso leve, parecia que ele estava curtindo um hobby luxuoso. Da cintura para baixo, era tão vulgar quanto um bordel.

Ele sempre fora o tipo que torturava espiões com moderação e logo se entediava. Matá-la, mandá-la para um campo de prisioneiros ou usá-la como espiã dupla ou isca de operação — não deixara escapar quem saía da sala de tortura limpa depois de poucos dias.

— Acho que você não consegue viver sem meu buraco agora?

No ventre pantanoso da mulher que estalou a língua, zombando que ele era patético, Leon riu enquanto cravava os genitais sem parar.

— Não se preocupe. Vou jogar você fora quando me cansar em breve. Onde você prefere? Campo? Bordel? É a mesma coisa em todo lugar, tentando levantar as coisas moles de velhos pra ganhar um pedaço de pão.

— O que tem de diferente na sua?

Ele riu de novo e mordeu o lóbulo da orelha de Grace com força. Com uma mão, pressionou com violência o maxilar cerrado para não ouvir os gemidos de dor. Como antes, Grace sussurrou na boca da cobra que se aproximava para um beijo.

— Você realmente gosta de mim?

Naquele instante, tudo parou.

O movimento inquieto da cintura, os lábios que se aproximavam ligeiramente inclinados para a direita. A única coisa que se movia eram os olhos que tremiam de leve.

— Sua vadia desgraçada.

Ele fingiu respirar pesado, xingando baixinho, depois soltou a mão. Mesmo com o corpo se afastando e a carne que a violava saindo num instante, Grace não sentiu alívio. Mais dor veio.

Guhh...

Ela esticou a mão na direção de Winston, puxando o laço em volta do pescoço, mas ele não olhou para trás enquanto caminhava até a mesa. Depois ajeitou a frente da calça com capricho e remexeu devagar no bolso interno do paletó do uniforme. Logo tirou uma cigarreira de couro de alta qualidade. O gesto de cortar a ponta do charuto com um cortador, colocá-lo na boca e girar os dentinhos de um isqueiro de ouro para acender era tão calmo quanto as asas de uma águia batendo. Winston deu algumas tragadas tranquilas no charuto antes de se virar e sentar na borda da mesa. Os olhos azuis penetrantes estavam tão imóveis que era difícil acreditar que encaravam uma mulher lutando nua. Ele soltou uma longa baforada de fumaça branca e falou devagar, letra por letra, com tom gelado.

— Você é só uma escrava. Se morrer, eu só compro outra.

Guuhk, Win, ston... por, favor...

— Eu disse. Quando implorar, saiba direito o que está pedindo.

Mas a mulher não obedeceu às ordens. Não, para ser exato, não conseguia. A mão que se estendia para ele caiu. Os pés que lutavam também penderam e começaram a balançar sem força no ar. Outro xingamento escapou baixinho por entre os dentes enquanto mordia o charuto. Ele ergueu a mulher com um movimento menos calmo que momentos antes.

Hah!

Assim que a bochecha foi estapeada, a mulher abriu os olhos e recuperou o fôlego. O som de uma inspiração afiada foi seguido pelo som do cinto se soltando.

Haa, queria que apertasse assim desde o começo.

O som de carne batendo ecoou de novo pelas paredes da sala de tortura. Leon apertou o queixo da mulher com a mão que segurava o charuto entre o indicador e o dedo médio. A cabeça que pendia fraca veio fácil. Enquanto fechava rápido a boca dela com a sua, onde respirava pesado, não houve resistência dessa vez. Nem resposta, mas era a primeira vez desde o dia em que testara a ferramenta especial na mulher que não fora mordido, mesmo quando explorava a boca com a língua de forma persistente. Isso, por si só, já era satisfatório.

Quando a mulher começou a recuperar o fôlego de novo, ele separou os lábios e olhou para os olhos manchados de sangue. Respirações excitadas escaparam sem querer. Era um mar turquesa manchado de sangue. Nunca vira uma cor tão bonita. Também era a primeira vez que algo combinava tão bem com seu gosto exigente, que se entediava fácil.

Uma espiã que dava prazer depois de ser pega pelo inimigo... que espiã incompetente e ao mesmo tempo capaz. Dizer que ser inimiga era uma pena era recuar. Era porque era uma mulher cuja hostilidade não esfriava nem por um instante, e aquele olhar a deixava ainda mais apetecível.

— Grace, para ser sincero...

Ele pressionou os lábios no ouvido da mulher inconsciente e sussurrou segredos que ninguém deveria saber.