Tente Implorar (NOVEL)
March 5

Tente Implorar - Capítulo 33

Máscara de Vingança


Leon não tirava os olhos dos olhos turquesa congelados.

— Eu me perguntava por que a Daisy me chamava de porco. Nem sou gordo. — ele disse isso rindo, mas “Daisy” não riu. — Mas só lembrei ontem, quando você me chamou assim, que os rebeldes chamam os monarquistas desse jeito.

— ...

— Porco monarquista sujo.

Olhos turquesa, cabelo castanho, temperamento ousado... Ele achava que essa combinação rara não podia acontecer por acaso em pessoas diferentes.

Então só havia uma conclusão.

Sally Bristol era Daisy.

Pensara que ela escondia o fato de ser Daisy porque tinha uma história que não podia contar. Mas achava que essa história tinha a ver com a morte do pai de Leon.

“...Como fui burro.”

Ela estava bem na frente dele e ele agia como cego... Talvez, bem no fundo, ainda restasse um resto de sentimento pela primeira paixão e ele se recusasse a ligar aquilo ao crime terrível.

Ao agarrar o cabelo da raposa que o cegara duas vezes, a mulher gemeu quando o pescoço foi puxado para trás e ela foi obrigada a encará-lo de frente.

— Você brincou comigo naquele dia sabendo que sua mãe ia matar meu pai. Você é tão cruel que até o demônio ficaria sem palavras.

— Não.

Quando a mulher negou, Leon apertou ainda mais a cabeça dela.

— Todas as coisas fofas que você disse deviam ser mentira. Desde então você já era uma prostituta que beijaria qualquer um pelo Duque.

A primeira paixão era mentira. Ele podia ter visto e impedido a morte do pai. Mesmo assim, ficou completamente alheio e foi enganado por uma menina e perdeu a chance. E por causa disso Leon se ressentia ainda mais de si mesmo.

— Era sua missão espionar a vila? Você sentiu algo suspeito em mim, fingiu interesse pessoal e me distraiu!

— Eu não sabia que você era um Winston... Nem sabia que eles iam matar seu pai.

— Não espere que eu caia nessa de novo. Agora eu sei que você é uma assassina sem sangue e sem lágrimas.

No fundo da consciência de Grace ainda havia uma dívida com Leon desde a infância. Ele estimulou isso de forma muito eficaz sem saber.

— Eles nem pretendiam matar ele de propósito! Foi acidente!

No fim, aquela sensação de dívida fez Grace escapar uma palavra.

— Ha... Você sabe bastante sobre isso, para saber até os detalhes menores. Então como pode dizer que não sabe?!

Dizendo isso, a mão que segurava o cabelo pegou o queixo e forçou a boca aberta. Ao mesmo tempo, o coldre na cintura de Winston se soltou e a pistola carregada entrou na boca de Grace.

— Você estava lá também quando meu pai morreu?

— Não. Não.

— Também tentou me matar?

— Não tinha intenção de matar você. Mas agora mudei de ideia.

Winston explodiu numa risada.

— Isso soa honesto.

— Naquela época eu não menti sobre nada além do nome.

Será que ele sabia que ela tentara contar isso honestamente no fim?

— Você gostaria de acreditar que não sou responsável pela morte do seu pai.

— Então quem é responsável? Não me engane dizendo que uma mulher que pesa menos de 50 quilos fez tudo sozinha.

— Por favor... Não faça isso, huh-

Devidamente intimidada por Winston. Quando achou que a atuação de medo já bastava, Grace começou a recitar os nomes um a um. Era porque ele nunca acreditaria se ela contasse logo.

— Jonathan, Riddle.

Quando chamou o nome do pai, Winston pressionou a língua com o cano, dizendo:

— Está brincando chamando o nome de um canalha morto?

— Pa, Patrick Pullman.

Só então ele enfiou a pistola de volta no coldre e tirou um caderno do bolso interno do casaco. Parecia que não sabia que Patrick Pullman também estava morto, porque anotava o nome com seriedade. Talvez quando descobrisse, Grace já não estaria mais nas mãos dele. Ela só esperava que sim.

Winston parou a mão e fuzilou-a como se quisesse mais nomes. Grace deliberadamente soluçou e balançou a cabeça.

— Incluindo minha mãe, são três.

Na verdade ainda havia uma pessoa viva, mas ela não era traidora como Fred.

— Você, que ficou calada o tempo todo, também é cúmplice.

Winston olhou pra ela com olhos ressentidos, agravando ainda mais a culpa.

— Eu era criança naquela época, e agora somos inimigos.

Grace segurou o corpo que tremia. Era uma guerra... Guerra sempre vem com sacrifício. Eles mataram outros tantas vezes sem se arrepender, então por que ela devia se arrepender?

— O que você quer ouvir de mim? Quer um pedido de desculpas?

— Pedido de desculpas...? — Winston zombou. — Não preciso de nada disso. Espero que você não estivesse esperando um reencontro choroso e emocionante.

A mão apertou o pescoço de Grace de novo. Ela só pôde se levantar obediente pela força que a erguia.

— Eu pensava em quebrar o pescoço de Daisy se algum dia a visse de novo. Mas quando descobri que Daisy era você, não quis matar você de forma elegante.

Kuht...

— Só quero ver você sofrer por muito, muito tempo.

Winston jogou Grace de repente. Grace, que cambaleava, se apoiou na mesa. Não vou matar você de forma elegante. As palavras sinistras dele não a surpreenderam nem um pouco. Desde o momento em que fora pega, estava destinada a isso mesmo. Morrer de forma elegante seria luxo se não fosse resgatada.

“Pode me maltratar do jeito que quiser, só me tire daqui...”

Enquanto Grace respirava ofegante, Winston puxou uma cadeira pra frente dela e sentou. Uma pasta foi colocada em cima. Eram os papéis que Campbell preenchera de manhã.

— Hmm...

O homem enfurecido de antes desaparecera. Winston, que virava as páginas uma a uma com uma calma assustadora, murmurou:

— Ainda falta o exame físico. — fechou a pasta e a jogou na mesa. — Tire.

Mestre da tortura que destruía não só o corpo mas também a mente. Winston, que sabia como humilhar a orgulhosa Grace, escolheu não fazer ele mesmo, mas deixar que ela se despisse sozinha.

Não querendo mostrar sinal de vergonha, ela se ergueu com a cabeça erguida e tirou as roupas com orgulho. Quando tirou o cardigã, Winston sorriu de braços cruzados. O olhar parou nos seios de Grace, mais precisamente nos mamilos que marcavam o tecido fino.

— Ah!

A ponta do chicote de montaria na mão de Winston cutucou o mamilo.

— Isso é só um exame físico. O que você esperava? Ou tem o hábito de se excitar tirando a roupa na frente do inimigo? De qualquer jeito, é bem obsceno.

“...Isso inchou porque você me atormentou tanto ontem.”

Não conseguia dizer uma coisa dessas. Ele obviamente a provocava pra que ela fosse vista como prostituta, sabendo muito bem. Era um plano pra fazê-la falar sobre o que acontecera no dia anterior, incapaz de aguentar a humilhação. Depois, no fim, sofrer ainda mais desprezo.

Grace cerrou os dentes e aguentou. Não queria dar satisfação ao monstro reagindo de qualquer jeito.

E foi assim. Quando não houve reação, o chicote que esmagava a carne sem piedade se afastou.

— Continue.

Winston voltou ao jeito calmo. Enquanto Grace tirava as roupas uma a uma, ele apoiou o queixo e observou sem expressão. Mesmo quando ela tirou o sutiã e expôs o peito, ele não se apressou como ontem. Até depois de tirar as meias e a calçola e ficar completamente nua, ele não reagiu.

— Prostituta de Blanchard. Eu esperava tanto pelos boatos... Nem vale a pena.

Eram palavras sinceras? Os olhos do homem olhando o corpo dela não tinham emoção, muito menos desejo.

...Melhor se fosse sincero. Não era como ontem, tirar só para atacar. Era só um ato para humilhar. Por isso ele só olhava com olhos de quem vê um pedaço de carne.

Grace tentou acreditar nisso com força. Se era essa a intenção, Winston já tinha conseguido com louvor. A ponta do peito vermelho e inchado tremia visivelmente. Devia estar bem visível até pros olhos dele.

Grace cruzou as pernas bem juntas pra esconder sua virilha e cobriu o peito com os braços com cuidado. Mesmo assim não conseguia esconder todos os vestígios da noite anterior. Aparentemente o negócio sujo de ontem fora feito pelos dois. O homem à frente agora sentava na forma de um ser humano impecavelmente virtuoso. Enquanto uma mulher nua como uma fera com vestígios claros de um ato de amor — juntos.

Ele, que ontem não era humano de verdade, agora vestia uniforme de oficial com todos os botões bem fechados e tinha olhos frios como quem olha gado incivilizado. A vergonha que vinha junto com o negócio sujo estava só do lado dela.

Enquanto mordia os lábios trêmulos pra conter as emoções, o silêncio zombeteiro foi quebrado.

— Levante.

Winston apontou a mesa de ferro com os olhos. Como ele sentou na ponta da mesa, ela se levantou e se aproximou. A ponta do chicote cutucou leve o ombro de Grace mandando ela deitar.

A mesa estava fria. Winston agarrou o membro encolhido dela. As algemas penduradas nas pernas da mesa foram presas uma a uma nas extremidades.

— Cai bem em você.

O teto preto que não mostrava nem sangue espirrado... O homem olhava para ela com olhar de observador com pouco interesse, expectativa e uma distância enorme.

Deitada na mesa de metal frio com os membros bem abertos, ela sentia agudamente sua situação. Rato na mesa de dissecação. Nos olhos dele que olhavam de cima para ela, que virara uma criaturinha indefesa, uma alegria cruel começou a brilhar de leve.

O casaco de oficial estava pendurado na cadeira. Os olhos de Grace tremeram ao ver o homem que se aproximava com as mangas bem dobradas. Aquele homem, não um soldado de camisa branca, parecia um cientista louco de jaleco branco. Era o tipo de louco que pegaria bisturi e pinça e a transformaria em pedaço de carne.

Enquanto ele se aproximava, parou. Um olhar frio parou na caixa de meias finas na borda da mesa. Logo a caixa foi tirada e no lugar ficou uma pasta com o nome de Grace.

Ouviu-se o som de folhas sendo viradas, depois passos se afastando. Enquanto Winston preparava calmamente o “exame físico”, Grace começou a tremer sem controle. Fechou braços e pernas, mesmo sabendo que era inútil. Ao mesmo tempo as algemas esmagavam dolorosamente a carne delicada.

A respiração parou quando ouviu o som de metal pesado raspando algo.

“Será que é...”

Se parecia o som do alicate saindo da gaveta, por favor que fosse engano...

Grace rezava pra si mesma, sabendo muito bem que o que havia naquela sala de tortura era tortura em si.

“Maldição...”

Um pressentimento ruim acertou. A lâmina do alicate reluziu na mão de Winston enquanto ele andava devagar na direção dela.

Ele sorriu quando ela fechou os dedos por reflexo pra escondê-los.

— Você agia como se não tivesse medo de nada, mas é uma humana normal também.

Sim, infelizmente. Grace também era uma humana que sentia dor. Fora treinada para suportar tortura, mas isso só ensinara “como suportar”. Em outras palavras, era treino para aguentar sem revelar informação importante, mas não diminuía a dor de ter as unhas arrancadas. Ou talvez a dor de ter um dente arrancado.

Grace mordeu os dentes quando a ponta afiada do alicate traçou seus lábios. Por fim, quando a lâmina fria se afastou dos lábios, Winston segurou a cabeça dela com carinho e abaixou a própria.

Traçando devagar as curvas do corpo nu com o alicate, ele mantinha os olhos fixos um no outro a menos de um palmo de distância.

— Você e eu temos uma relação bem difícil. Não, devo dizer que Blanchard é o terrível?

Huht...

— Ele mandou a prostituta dele matar meu pai e me mandou a filha dessa prostituta.

Isso era para zombar da morte do pai e para olhá-lo de cima. Leon não aguentava. Nem Grace, que não aguentava o escárnio dirigido à mãe respeitada.

— Se minha mãe é prostituta, então seu pai é um soldado ruim que morreu nas mãos de uma prostituta.

“Mulher atrevida. Nem sabe a situação dela.”

Pensando nisso, Leon torceu os lábios. Essa mulher logo estaria suplicando misericórdia para ele também, como os outros rebeldes.

— Ah, que amor tocante. Sua mãe no inferno deve estar tão orgulhosa de você, a filha que falhou na operação e virou prostituta na minha sala de tortura.

O alicate, que rondava por cima, pousou entre as pernas abertas. Quando a mesa retiniu, Grace estremeceu. Dava para saber sem olhar que a lâmina do alicate apontava para seu centro.

— Obrigado, srta. Riddle. Por ser pega por mim. Graças a você posso curtir a sensação de me vingar direito. Posso ver o rosto do meu pai no céu.

Beijou solenemente os lábios pálidos e frios e se ergueu.

— Sabe o que seus pais fizeram com meu pai?

— ...

— Se não sabe, vou ensinar.

Dessa vez, em vez do alicate, a ponta do chicote de montaria correu pelo corpo. Cada vez que o couro triangular batia de leve na ponta das unhas, Grace ficava azul.

— Eles arrancam todas as unhas...

Ela entendeu agora. Por que ele a amarrara na mesa, o que ia fazer com ela amarrada...

“A autópsia de Richard Winston.”

Amarrar o revolucionário como um cadáver na mesa de autópsia e ler o relatório da autópsia do pai, apontando cada parte do corpo. Depois de ler o relatório até o fim, o conteúdo era demonstrado no corpo do prisioneiro exatamente como estava. Parando bem antes do sinal direto... Não, às vezes era tortura que nunca parava.

Era também o motivo de Leon Winston ter virado o mais notório entre tantos torturadores.

“Você vai fazer isso comigo. Não quero morrer.”

Todos que tiveram sorte de sobreviver à tortura enlouqueceram... Enquanto Grace tremia forte, agora tinha mais medo do que ontem quando esse homem tentara violentá-la.

— E, o lado esquerdo do saco... Espera, você não tem saco. Nunca vi uma coisa dessas. Hmm... o que fazer.

Ele falava com voz muito agradável.

Ahhk!

Quando Winston enfiou a ponta do chicote entre as pernas de Grace, o couro plano cortou a fenda fechada e esfregou o clitóris sem piedade. No instante em que encontrou os olhos dele, que brilhavam com alegria vulgar, Grace viu uma saída.

Ela o excitou.

— Ah, por favor, huht, pare...

Gemeu e deliberadamente torceu o corpo. O coração, que não conseguia soltar os eventos da noite anterior, sacudiu forte. Os olhos de Winston começaram a mudar devagar.

“Sim, isso, se excite por mim.”

Ahk, isso é vingança? Pelo menos seu pai não foi estuprado como eu fui ontem?

— O que é estuprado? Foi um trato. Ah, isso é estupro.

Winston finalmente entrou no cio. Desafivelou o cinto depressa e tirou o pilar cheio de sangue. Mal a carne, erguendo a ponta como o dono, apareceu, bateu na boca de Grace.

— Ugh, huhp...

O corpo foi arrastado impiedosamente pra cima. Ao mesmo tempo a cabeça jogada sobre a mesa dobrou pra trás e uma víbora impiedosa se enterrou na garganta escancarada.

Uhp-

A mesa pesada rangia seguindo o movimento feroz da cintura.

— Haa...

Com um gemido de admiração, Winston afagou a nuca onde a carne entrava e saía.

Mesmo sem ver, Grace sentia vividamente que o pilar grosso inchava a garganta toda vez que era enfiado fundo.

Como se não tivesse alma humana, os olhos pálidos ardiam de alegria lasciva como ontem.

Grace olhou nos olhos da fera e derramou lágrimas de alívio. Era uma coisa miserável se alegrar por ser violentada. Ainda assim, era humana que queria evitar dor terrível e morte mesmo fazendo coisas miseráveis.

— Sabe a definição de prostituta?

...Uma mulher que se vendia por preço. Se vender para salvar a vida é ser prostituta, sim, preferia ser uma prostituta viva do que uma santa morta.

Kuhk...

Winston tirou o pênis molhado de saliva quando Grace ofegou e torceu o corpo.

Haa, vamos continuar o exame físico.

Daí em diante, a autópsia brutal se transformou em exame físico obsceno. Grace respondia calma aos toques promíscuos de Winston, acrescentando de vez em quando resistência leve e gemidos estranhos pra manter o desejo dele vivo.

Ahht, dói... não faz, isso...

— Essas são minhas marcas de ontem. Até eu achei que estava parecendo um animal.

Ainda agia como cientista dissecando ratos. Felizmente não era um cientista louco, mas um ninfomaníaco. Tocava o corpo dela aqui e ali pra “examinar” e anotava as observações vergonhosas num documento como se escrevesse relatório de experimento.

— Hmm... Posso escrever como sensação de amassar marshmallow? O que acha?

Winston, que apertava o peito e amassava como massa, perguntou com riso maldoso. Era terrível ter algo como a sensação do peito escrito pra sempre num registro que qualquer um do exército podia ver.

— ...

Porém, Grace não abriu a boca. Se implorasse pra não escrever, ele colocaria palavras ainda mais humilhantes no papel.

— A sensação de grudar e a sensação quando sugado...

Dizendo isso, deu uma chupada longa no mamilo como se pra fazer barulho.

Huht...

— Ótimo. Aquela menina magrela cresceu bem safada. Gostei.

...Era terrível. Pensar que o menino doce da infância virara um homem tão perverso. A mão que estava no peito desceu pela barriga plana e se enterrou fundo nas pétalas úmidas.

Uht, arf, pare, ahhk!

— Está gostoso? Sei que gosta muito, mas pode soltar meu dedo?

Squelch. No instante em que o dedo foi puxado...

— Ah!

Clang. As correntes presas nos tornozelos bateram na mesa.