July 16, 2025

Yubin's pov.

Yubin era fascinada por aquilo que vivia toda vez que subia aos palcos.
A adrenalina, o som forte de sua bateria, os instrumentos dos companheiros de banda em sincronia com a voz do vocalista, tudo lhe proporcionava uma sensação de "estar em casa".
Lembrava-se de estar sentada no colo de seu pai, segurar as baquetas dele e tocar desajeitadamente a bateria, dizendo um genuíno "papai, quero ser igual ao senhor quando crescer".
Era o que amava, e amava mais ainda dividir o palco com pessoas que considerava sua família.
Estar ali, naquele festival, era mais uma etapa de sua vida que poderia levar sua banda a níveis de reconhecimento maiores, sonho de todos os integrantes.

Seu preparo naquele dia foi tranquilo, havia passado a tarde toda conversando (ou tagarelando, para ser mais exato). Era sua forma de tentar acalmar a ansiedade que sentia. Não ansiedade ruim de nervosismo, mas sim da que a fazia contar os segundos para estar no palco.
Seu ritual de se arrumar era sempre divertido, estava no camarim com os amigos de banda e uma música legal tocava enquanto cada um se ocupava com algo. Ela, prestando atenção em cada etapa da maquiagem, ajeitando a roupa dos meninos, arrumando um fio de cabelo em um e bagunçando em outro. Um momento em família, que era sagrado e especial para ela.

Assim que o nome da banda foi anunciado, ela entrou já com um sorriso enorme no rosto e o coração batendo forte no peito. As mãos coçavam para estourar a bateria quando tivesse sua deixa, e assim que as luzes do palco mudaram e a voz de Oz ecoou limpa pelo local lotado, sua mente desligou completamente de qualquer coisa no mundo exterior.
Não conseguia ficar séria, o sorriso brincava com facilidade em seu rosto e a menina com cara de bonequinha dava passagem para a Yubin que sabia muito nem o que fazer com aquelas baquetas.

Seu próprio corpo se arrepiou completamente quando a guitarra e o baixo entraram em sincronia com sua bateria e a voz do vocalista e ela deu uma risadinha, imersa na sensação gostosa de estar no céu.
Conseguia ter ruma visão ampla do local mesmo que as luzes estivessem fortes na direção deles, via as pessoas curtindo o som de sua banda e não poderia estar mais orgulhosa, principalmente quando seu olhar vez ou outra desviava da bateria para observar seus companheiros dominando o palco e cativando a multidão. Interagia com eles quando se voltavam para si, cantando, balançando a cabeça no mesmo ritmo que eles e, vez ou outra, aproveitava oportunidades de brincar com suas baquetas, seja girando-as nos dedos ou as jogando para o alto.

O final da apresentação chegou cedo demais, porém o sentimento de dever cumprido lhe atingiu fortemente. Quando levantou de seu banco, notou que as pernas estavam bambas e se agarrou forte na mão de Chris e Oz para caminhar até a frente da plateia. Lhes deu o sorriso mais puro e genuíno, não somente de felicidade mas em agradecimento pelo apoio que deram a sua banda.
Era isso. O primeiro show estava feito e ela desceu do palco com a mesma convicção de sempre: estava exatamente onde queria estar, fazendo o que mais amava no mundo.