<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?><rss version="2.0" xmlns:tt="http://teletype.in/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"><channel><title>le_lex</title><generator>teletype.in</generator><description><![CDATA[podlex, o podcast: uma vez por mês, monólogos existenciais do le_lex na companhia da maria clara. nessa página, todos os episódios + sua versão texto.]]></description><image><url>https://teletype.in/files/44/f5/44f59f46-d8df-4a15-9140-75f226e77168.jpeg</url><title>le_lex</title><link>https://teletype.in/@podlex</link></image><link>https://teletype.in/@podlex?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><atom:link rel="self" type="application/rss+xml" href="https://teletype.in/rss/podlex?offset=0"></atom:link><atom:link rel="next" type="application/rss+xml" href="https://teletype.in/rss/podlex?offset=10"></atom:link><atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" title="Teletype" href="https://teletype.in/opensearch.xml"></atom:link><pubDate>Mon, 06 Jul 2026 16:53:44 GMT</pubDate><lastBuildDate>Mon, 06 Jul 2026 16:53:44 GMT</lastBuildDate><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/para-onde-vamos-daqui</guid><link>https://teletype.in/@podlex/para-onde-vamos-daqui?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/para-onde-vamos-daqui?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>S02E01 2021: pra onde vamos daqui?</title><pubDate>Wed, 24 Feb 2021 21:08:36 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/3b/bd/3bbd4ad1-f447-41e9-9b3e-24130e06fafd.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/94/fd/94fdfce3-6910-4242-96a2-7ad1b355c95d.png"></img>Olá amigos, tudo bem? Aqui é o Lelex, comigo está a Maria Clara, e esse é o... Eu não sei mais como contar os episódios. A gente segue a contagem ou começa do primeiro de novo com o 2 na frente, igual quando cê baixava série em torrent pela primeira vez e vinha o episódio 101 e você pensava que tinha vindo o arquivo errado e também reavaliava sua vontade de assistir aquela série que aparentemente tinha mais de 100 episódios... Que isso, né? &quot;Irmãos Coragem&quot;?]]></description><content:encoded><![CDATA[
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  <p>Olá amigos, tudo bem? Aqui é o Lelex, comigo está a Maria Clara, e esse é o... Eu não sei mais como contar os episódios. A gente segue a contagem ou começa do primeiro de novo com o 2 na frente, igual quando cê baixava série em torrent pela primeira vez e vinha o episódio 101 e você pensava que tinha vindo o arquivo errado e também reavaliava sua vontade de assistir aquela série que aparentemente tinha mais de 100 episódios... Que isso, né? &quot;Irmãos Coragem&quot;?</p>
  <p>Em todo caso, vamos chamar esse episódio de primeiro episódio da segunda temporada.</p>
  <p>Bem vindos.</p>
  <p>2021 já começou. Se você está se sentindo como aquele cara que acorda e fica deprimido porque 2021 é igual 2020, saiba que você não está sozinho. Na realidade, eu não diria que estou assim <strong>deprimido,</strong> mas não estou surpreso. Eu não tô surpreso porque as figuras que ocupam cargos de poder no nosso belíssimo país, são figuras que prezam pela destruição, pelo fim, pelo chega. Foi o mote de campanha do amaldiçoado lá &quot;Tem que acabar com isso ai&quot;. Porra, você esperava o que? Que ele ia chegar e acabar com o que? Se a gente parar pra pensar, <strong>sempre</strong> que perguntado, ele respondia a mesma coisa. O que me leva a pensar que ele estava deixando uma pista pra gente, de que ele ia acabar com absolutamente tudo, uma vez que a resposta para todas as perguntas era a mesma.</p>
  <p>Por isso eu não fico surpreso. Eu ficaria surpreso se fosse um candidato assim, mais racional, mais consciente e até mais bonito que estivesse por trás dessa destruição toda. Por exemplo o Haddad. Se eu acordo em 2021 e o Haddad tá destruindo tudo, fazendo campanha pra um remédio cuja eficácia é zero, incentivando aglomerações em época de Pandemia, usando a influência política para proteger os filhos, ai sim. Ai seria motivo de grande surpresa.</p>
  <p>Dito tudo isso, agora que eu fiz a retrospectiva de todos os motivos pertinentes para ficar deprimido, eu acho que vou mudar de ideia e sim, eu estou deprimido. Quem não está? O Brasileiro vivo, consciente e informado nos dias de hoje, se não está deprimido (ou no mínimo desanimado) precisa procurar ajuda profissional pois corre o risco de estar apresentando sinais de psicopatia.</p>
  <p>Mas como eu dizia, 2021 está ai. Eu passei uma virada de ano muito mais intimista do que as duas últimas. Porque a última virada de ano eu passei na piscina com uns amigos e a antes dessa eu passei num rancho no meio do nada. Essa virada eu passei em casa, tranquilidade pura, só ensaiando as tristezas pro ano seguinte que não demoraram a vir. O ano começou já prometendo uma temporada mais triste, violenta e desesperadora do que a temporada anterior. E você achando que isso não fosse possível...</p>
  <p>E é nesse clima de alegria e esperança que a gente começa a segunda temporada do Podlex.</p>
  <p></p>
  <p>Por falar em clima de esperança, temos vacina né? Acho que não preciso nem narrar aqui o sentimento que vem com uma notícia dessas porque... Bem, estamos esperando há praticamente 1 ano, né? Mas desse embrolio todo, os últimos episódios foram os que mais me grudaram em frente à TV fictícia onde passa essa serie alucinante chamada &quot;Brasil em tempos de Jair&quot;. Em especial o episódio em que o digníssimo ministro da saúde Eduardo Pazuello, se fazendo de difícil perante uma pergunta mais capciosa, fez a cena de tirar a máscara pra justificar a dificuldade de audição.</p>
  <p>Eu acho isso brilhante por muitos motivos, mas pra começar: É o retrato, né? Quando a gente dizia &quot;Esse governo é composto por idiotas que só se apoiam em achismos, que não valorizam o conhecimento, a ciência, a cultura&quot; e a pessoa se fazia de desentendida, e você tinha que perguntar se ela havia entendido ou se precisava desenhar, esse seria o desenho mais simples e eficaz de se fazer para que a pessoa entendesse de fato o que você estaria dizendo.</p>
  <p>Porque não é que ele só se confundiu ou tirou a máscara por coincidência no mesmo momento em que perguntava para a mulher repetir a pergunta. O que aconteceu foi um claro desconcerto diante a pergunta, aquele desconcerto que todo militarzinho babacóide sente ao ser contráriado, sabe? Mas o que parecia é que ele não queria demonstrar que estava dando esse piti-milico então se apoiou na primeira coisa que veio à mente: A máscara. &quot;E se eu depositar a culpa na máscara? Ai ela não vai achar que eu tô fingindo que não estou escutando&quot;. Então ele embarcou total na atuação de que não estava ouvindo: Franziu a sobrancelha, fez cara de confusão, disse no microfone e fora dele que não estava ouvindo o que ela estava falando e, pra coroar, pra ser aquele momento que você vai lembrar sempre: Se inclinou, puxou a máscara de uma forma destemida como quem diz &quot;Aqui, encontrei o que está nos atrapalhando e não vou perder mais nenhum minuto deixando que isso continue aqui&quot; e pediu para ela repetir.</p>
  <p>Eu acho que esse foi o final (ou seria o começo???) de temporada mais sensacional pra esse drama todo que a gente viveu (e provavelmente vai continuar vivendo mais um pouco) com a pandemia do COVID-19. Foi aquele <em>season finale</em> com um twist cômico no final.</p>
  <p>Por falar em <em>season finale</em>, faz tempo que eu não engajo numa série até o fim. Pelo menos, uma série nova. Quando eu digo &quot;serie nova&quot; eu quero dizer uma série que tenha sido feita nos últimos 5 anos. Talvez seja um reflexo da eterna espera pelo término da série supracitada, talvez a falta de uma trama tão rocambolesca e cheia de reviravoltas como a supracitada. (Eu não acredito que eu, de fato, tenha usado a palavra &quot;rocambolesca&quot;).</p>
  <p>Pra você ter uma noção, ultimamente, eu tenho assistido &quot;Veronica Mars&quot;. Aliás, eu passei a noite de natal assistindo Veronica Mars e, apesar de parecer, esse não foi um natal triste. Pode ter sido um natal mais quieto, sem nenhum <em>rudivu</em> e polêmica e tias e namoradinhas... Mas foi um bom natal - E muito por causa da Veronica.</p>
  <p>É muito engraçado assistir uma série antiga, mas que não é antiga nível &quot;livro de história&quot;. Porque o antigo nível &quot;livro de história&quot; é aquele rolê, né, sei lá: &quot;Há 100 anos era assinado o Tratado de Versalhes&quot;. Beleza, muito bom. Eu não estava lá. Eu não conheço ninguém que estava lá. Eu não tenho nem a remota conexão com esse fato. Mas agora, vai: &quot;Em 2001 a moda era usar calça jeans sem bolso&quot;. Opa! Eu estava lá. &quot;A molecada rebelde usava camiseta e gravata por cima&quot;. Opa, eu vi. &quot;2004 foi o ano que o Green Day lançou o American Idiot&quot;. Porra, American Idiot. Eu estava lá, meus amigos estavam lá. A gente tocava Jesus of Suburbia nas rodinhas de violão fazendo segunda voz e tudo.</p>
  <p>Quer dizer, é outro nível. E eu estou passando por isso assistindo Veronica Mars. É muito engraçado, ao mesmo tempo que é meio constrangedor, às vezes ter de lidar com o antigo que você lembra. Por exemplo: Na série, 75% dos garotos tem aquelas mexas loiras... Acho que era &quot;spyke&quot; o nome... Tipo loiro e moreno. Eu lembro que quando eu era garoto, eu não tinha isso mas queria ter. E agora assistindo a serie eu vejo o quão ridículo era esse cabelo e bate aquele alívio, sabe? &quot;Ufa, não vai ter nenhum perigo de eu estar fuçando umas fotos antigas e esbarrar em uma minha com esse visual&quot;.</p>
  <p>Essa, aliás, é uma dor que todo mundo da geração z em diante não vai conseguir escapar, porque todo mundo tá deixando nos anais das redes sociais os registros da pré-adolescência pra frente. Ou seja, um dia essa pessoa vai receber uma notificação de um facebook relembrando uma postagem que ela fez 15 anos atrás e é uma <em>selfie</em> dela usando um filtro que faz parecer cartoon e, naquele momento, ela vai perceber que a partir desse ponto, parte da sua rotina é entrar nas fotos antigas e apagar ou ocultar todas as coisas que só eram engraçadas 15 anos atrás.</p>
  <p>Eu fico pensando, se eu apago uma coisa ou outra de quando eu tinha 19 anos e o Facebook já guardou... O que dirá dessa geração ansiosa que posta coisa de 5 em 5 segundos? Vai ter que contratar alguém pra fazer essa limpa. Oportunidade de emprego do futuro... Teve uma pesquisa esses tempos atrás, né? Que dizia que metade das crianças de hoje em dia vão ser empregadas em empregos que ainda nem existem... Credo, porque eu cheguei aqui mesmo?</p>
  <p></p>
  <p>Pra gente curtir bem esse clima de começo de ano, onde o outro ainda não acabou direito nos nossos corações e esse ainda não começou, antes do episódio de natal eu gravei um episódio que não publiquei. Então, pra não matar vocês de curiosidade e especulações, eu vou tocar agora. Assim eu posso acabar de gravar mais cedo e vocês aproveitam mais conteúdo: Uma situação ganha-ganha do jeito que o brasileiro gosta:</p>
  <p>Acho que eu posso explicar porque demorei tanto pra gravar um novo né? Uma coisa é desafiar o spotify, outra é não ter consideração com a audiência que passou pelas barreiras que criamos junto com o spotify pra escutar a gente. - Eu demorei pra postar porque tive semanas muito agitadas no trabalho ultimamente e eu acabava os dias querendo silêncio, alguma serie ou Rusty Lake (o que não deixa de ser algo contraditório). Ai por conta disso eu fui praticando o esporte que eu sou incentivador e praticante nato: O de adiar tarefas ou atividades. Porque eu tinha uma listinha de algumas coisas pra falar - eu sempre tenho, né? - mas elas acabaram ficando sem contexto. Por exemplo: Eu pensei em falar do aniversário da MTV, mas Outubro já acabou. Eu pensei em postar alguma coisa no dia do podcast, mas já passou... Comentar sobre a partida do Louro José. O disco novo do Gorillaz acabou de sair mas eu tenho certeza que até eu lançar esse episódio ele já não vai ser novidade então vou deixar quieto. As eleições dos EUA que, pelo visto, podem até continuar indecisas no momento que eu soltar esse episódio.</p>
  <p>Teve também o lance de eu ter ficado meio de birra da internet... O que também pode ser meio contraditório. Mas eu fiquei, fazer o que? Eu prezo aqui pela transparência com o ouvinte e a transparência é a que eu fiquei de birra com a internet. A internet tá chata. E não no sentido &quot;Ah, o mundo tá chato. Na minha época era melhor.&quot; Pela Deusa, não é isso... Mas a internet tá chata porque ela virou um antro de conceitos que remetem ao New Age, vídeos de Tik Tok e o que eu meus amigos gostamos de chamar de &quot;Cultura do incrível&quot;.</p>
  <p>Pode fazer um teste ai. Abre o instagram agora e vê se não tem, pelo menos, 3 pessoas nos primeiros posts que o algoritmo jogou pra você ai que não estão falando sobre amor e luz e transformação e cura pessoal. Se não for isso é alguns daqueles vídeos com aquele texto de caixa reciclando algum meme. Eu sei que eu tô soando tiozão reaça falando desse jeito, mas eu só queria pedir um pouco de espaço. Será que o algoritmo de todas as redes sociais é tão burro que não percebe que saturar uma parada é o que vai distanciar ela do público? Teve uma vez que eu até cogitei baixar o tiktok pela curiosidade... Mas agora eu só quero dar um soco na boca do coreano que inventou essa merda pq ela aparece toda hora na minha timeline.</p>
  <p>Maria Clara: <em>Esse podcast não endossa atitudes de violência... Exceto se forem contra o atual presilíco e sua franquia de sociopatazinhos... Ai pode bater a vontade.</em></p>
  <p>Mas de todas essas saturações das interwebs... &quot;Interwebs&quot; ainda é uma palavra usual? - Enfim, de todas elas, a que mais me cansa é a &quot;Cultura do incrível&quot;. O que é a &quot;Cultura do incrível&quot;? A &quot;Cultura do incrível&quot; é a crença do usuário de rede social de que tudo o que ele faz é incrível e ele precisa mostrar pras pessoas o quão ele é incrível pra poder falar pra elas &quot;Ei, olhe! Você pode ser incrível também! A vida é linda, nada da errado.&quot; Eu sei que a parte do &quot;precisa mostrar pras pessoas&quot; é parte integrante do discurso de rede social, mas o &quot;incrível&quot; é esse... Esse <em>coupe de grace</em> no meu interesse em rede social.</p>
  <p>Porque olha só, em primeiro lugar você ter noções básicas de direção de fotografia e elaboração de texto não quer dizer que sua vida é incrível... Quer dizer, no máximo, que você fez um bom curso de publicidade e propaganda. Eu fico bolado com essa galera pq fica parecendo que o mundo é um violão de uma nota só: Todo lugar é bonito, toda experiência é incrível... e isso é só <strong>chato</strong>. É chato porque, sem o feio, como você sabe o que é bonito? Sem o sem-graça, como você sabe o que é incrível? Galera do New Age, agora vou ganhar vocês: Qual o lance do Yin-Yang? Não é o rolê de que as coisas devem existir em equilíbrio, da dualidade de tudo que existe no universo? Negar a existência dessas coisas e negar que você acaba se envolvendo também com elas, só quer dizer que você é muito chato... Ou cínico...</p>
  <p>Eu tô azedando muito esse programa... Eu sei que a gente combinou de desafiar os limites do spotify mas tá bom, né?</p>
  <p></p>
  <p>Quando eu idealizei esse podcast, lá quando ele era num carro ainda, eu tinha a intenção de postar pelo menos um episódio a cada quinze dias. Pensei que seria interessante e que seria ume exercício pra mim também de sentar a cada duas semanas e organizar as ideias... Até porque não teria como não sentar dentro do carro.</p>
  <p>Mas se você for uma pessoa atenta você deve ter percebido que o mínimo de episódios que eu consigo gravar é um por mês. Mais uma vez, eu não quero culpar a quarentena numa tentativa frustrada de negar o fato de que a minha vida vem sendo, desde de 2017 e agora com o atenuador da pandemia, uma sucessão de nada interessante acontecendo. </p>
  <p>Tipo aquele episódio de Arquivo X &quot;nada demais aconteceu hoje&quot; - só que no meu caso não aconteceu mesmo.</p>
  <p>Mas é que com a quarentena ficou difícil ter alguma história interessante pra contar, não levando em consideração a montanha russa de emoções que o governo nos proporciona. Porque você veja bem: Se desde 2017 nada de interessante acontece comigo - e isso ainda da época que eu tinha uma vida social relativamente ativa - agora que eu quase não tenho vida fica mais difícil ainda ter algo pra falar que não seja repetitivo &quot;ah fiquei em casa e sonhei com tal coisa&quot;; &quot;ah tô vendo tal série&quot;; &quot;ah revi um filme ontem e mudei de opinião sobre ele&quot;; &quot;ah tava na xavecaria com um carinha pelo tinder e acabou rolando sexo online&quot; - em primeiro lugar que não existe sexo online - &quot;Ah eu escutei um disco de uma banda que eu não escutava há muito tempo e ele é melhor do que eu lembrava&quot;. Tipo, tudo isso é o mais do mesmo da vida cotidiana.</p>
  <p>Acho que é por isso que eu acabei pegando birra de instagram e afins. Porque NÃO DÁ pra ter uma vida interessante vivendo 8 meses entre as mesmas paredes. Se você tem consciência, é uma das poucas 48 pessoas que ainda seguem em quarentena e fica postando em redes sociais dando a entender que a sua vida é super legal... Você tá mentindo. Tá ai, foi pego na mentira.</p>
  <p>Dito tudo isso, eu <strong>realmente</strong> escutei um disco de uma banda que eu não escutava há muito tempo e ele realmente soou melhor do que eu lembrava.</p>
  <p>Não sei se eu já contei aqui, mas eu sou baterista de algumas bandas aqui da minha cidade. E lá pra 2006, quando o pequeno Lelex começou a se interessar por música, a primeira banda que ele começou a escutar foi o Red Hot Chili Peppers. Gostar de RHCP é um assunto meio perigoso, eu sei. Principalmente agora. Porque o Peppers acabou se tornando a Capital Inicial do mundo, com a pequena diferença que os músicos da banda sabem mesmo tocar seus instrumentos.</p>
  <p>Por isso, é comum rolar um olho torto pra banda, porque ela virou tipo um Foo Fighters - por falar em xarope, aliás - que é aquela banda de Dad Rock pra tocar naqueles barzinho classe média alta da galera com corte de cabelo e barba lenhador, fazendo hanglose com a mão, segurando a bebida pelo bico, sabe? Aquela galera que a vida é muito interessante no instagram.</p>
  <p>Mas em 2006 eu não sabia de nada disso. Primeiro pq eu não tinha bola de cristal e segundo porque eu era só um garoto agitado, com TDAH (supostamente) é que começava a se interessar por música. E a primeira banda que eu gostei foi os peppers. E ela era perfeita pra mim. Porque? Eram quatro caras hiperativos, pulando de um lado pro outro pro palco, tocando música hiperativa que não era convencional - pelo menos, não era convencional pra mim. Cujo as letras eram escritas baseadas em fluxo livre de pensamento, que pra uma pessoa hiperativa é a coisa mais dislumbrante que tem, já que eu não queria parar pra ficar escrevendo, concentrado. Eu queria fazer enquanto ia fazendo, sabe? Todos os requisitos do currículo pra vaga de &quot;minha primeira banda&quot; tinha sido cumpridos.</p>
  <p>Junto com isso, meu tio tinha montado na casa da minha vó a bateria dele e eu passava a maior parte do meu tempo lá. Portando foi só uma questão de tempo até eu juntar a vontade de ouvir música e a vontade fazer fazendo música. Foi ai que, num dado dia, eu botei o Californication no toca cd, sentei na bateria e comecei o longo e doloroso processo que foi tentar se músico ali, no estudiozinho no andar de cima da casa da minha vó.</p>
  <p>Eu falei tudo isso, porque? Porque recentemente, como disse acima, eu escutei um disco de uma banda que eu não escutava há muito tempo e ele realmente soou melhor do que eu lembrava. E esse disco foi o The Getaway.</p>
  <p>The Getaway é o último registro em estúdio do Peppers e é o segundo registro do Peppers com o Josh Klingerseiláoque. Eu não quero passar aqui pela novela de opiniões que é &quot;Quem é melhor, Frusciante ou Klingerseiláoque?&quot; porque eu não quero que pareça que eu estou abrindo essa discussão pra debate. Porque eu não estou. É óbvio que o Frusciante é melhor e pronto, não tem nem que ter debate. Isso não quer dizer que o trabalho do Klingerseiláoque foi ruim (muito pelo contrário, aliás) ele segurou uma bucha pesada tendo de substituir o Frufru e fez um trabalho muito bom. Entretanto, se a gente analisar bem, tudo o que ele fez foi um rehash do que o Frufru estabeleceu de identidade sonora antes. Por isso que não fica aberto pra debate e fica estabelecido que o Frusciante é melhor.</p>
  <p>Mas o The Getaway foi um disco que eu tava otimista pra sair. Porque o disco anterior tinha sido o primeiro com o Josh e é claro que ele não ia ser bom porque ele era o momento transitório, de John pra Josh. O segundo disco seria o momento em que teoricamente o novo integrante já ia ter tocado bastante com a banda, se enturmado e se estabelecido. Então o segundo disco com ele, na teoria, tinha tudo pra dar certo.</p>
  <p>Quando ele saiu e eu ouvi... Eu não vou dizer que eu não gostei ou que achei ruim. Ele só não me fisgou. Ai eu deixei ele lá. Pensei que seria melhor dar uma distância, que eu tava na onda e que era melhor escutar depois. Quem sabe ele não me fisgava.</p>
  <p>Esse depois foi acontecer nessa semana, só. 4 anos depois do lançamento do disco. Eu tava trabalhando e tinha cansado de escutar o que eu geralmente escuto pra trabalhar. Por algum motivo, que eu vou fingir que é desconhecido, o Spotify me recomendou de novo o The Getaway e eu fui escutar e foi ai que eu entendi.</p>
  <p>Ele é o disco de reinvenção. Porque até aquele ponto, todos os discos dos peppers tinham sido mais do mesmo, em termos de produção e estética. A produção do Rick Rubin, aquelas guitarras do frusciante com aqueles timbres bem anos 70, o vocal &quot;eu digo charlie, vocês dizem brown&quot; do Anthony Kiedis, a bateria com a caixa com o gate no mic com reverb do Chad Smith. Músicas boas, mas que sempre orbitavam num mesmo universo.</p>
  <p>Ai veio o The getaway. Produzido pelo Danger Mouse, que pra quem não sabe produziu o Demon Dayz do Gorillaz, foi a segunda metade do Gnarls Barkley... Enfim, uma pá de coisa que pode ser interessante se você acha essas coisas interessantes. E ele veio com aquela coisa dele &quot;retrô-nova&quot; e conseguiu reinventar os Peppers mas de um jeito que ainda soa daquele jeito. O Chad Smith foi quem eu notei a maior mudança. O cara se reinventou até nas células da bateria. Não é mais aquela coisa sincopada-lugar-comum-óbvia dele. É acento de bumbo onde ele nunca colocou, nota fantasma da caixa onde costumava ter chimbal... Enfim...</p>
  <p>Foi aí também que o Josh brilhou. Porque dentro dessa reinvenção, até o rehash de john frusciante dele soava novidade porque era como se o Danger Mouse estivesse fazendo uma colagem com esses elementos.</p>
  <p>Enfim, tudo isso pra contar da distância que eu fiquei do RHCP e agora ouvi o The Getaway é um ótimo disco. E isso também não tá aberto a debate. Só que dito tudo isso, eu não vejo a hora de sair esse disco novo com o retorno do Frusciante porque, né... Joãozinho, poxa.</p>
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]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/especial-de-natal-2020</guid><link>https://teletype.in/@podlex/especial-de-natal-2020?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/especial-de-natal-2020?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>ESPECIAL DE NATAL 2020</title><pubDate>Sat, 12 Dec 2020 18:44:56 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/f2/aa/f2aa5c7f-656c-4b77-b976-59589b1633e4.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/83/c8/83c87895-02b0-4327-b6a7-101f8b18ebb5.jpeg"></img>(Aviso1: Esse episódio contem muitos recortes de áudios que podem ficar fora de contexto transcritos. Recomendo você a escutar mesmo.]]></description><content:encoded><![CDATA[
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  </figure>
  <p><em>(<strong>Aviso1</strong>: Esse episódio contem muitos recortes de áudios que podem ficar fora de contexto transcritos. Recomendo você a escutar mesmo.</em></p>
  <p><em><strong>Aviso 2:</strong> Todo texto em quote itálico é uma transcrição desses recortes de áudios.)</em></p>
  <blockquote><em>Olá amigos. Tudo bem? </em></blockquote>
  <blockquote><em>Aqui é o Lelex e esse é o “Especial de Natal” do Podlex! </em></blockquote>
  <blockquote><em>Quem diria.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Na verdade ele é um “especial de natal/ano novo/final de temporada/um monte de coisa” porque eu me programei mal. Eu ia postar mais um episódio antes desse, eu achei que a gente estava em Novembro ainda e aí a hora que eu olhei a gente estava em Dezembro.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Já era dia primeiro eu falei “Poxa, já é dia primeiro. Isso quer dizer que eu preciso fazer o especial de natal, se eu quiser fazer o especial de Natal, agora nesse momento. Porque senão eu vou perder essa data. E eu já perdi inúmeras datas, como disse no episódio anterior (não me lembro agora se eu disse isso  no episódio anterior que vocês escutaram, ou no episódio anterior que eu ia postar no lugar desse e que eu vou postar só no ano que vem agora. Eu não vou desperdiçar um episódio né? </em></blockquote>
  <blockquote><em>De qualquer forma já perdi várias datas. E eu perdi porque eu não vivo só desse podcast, ao contrário da Maria Clara, então eu tenho uma agenda muito disputada e aí eu tenho que priorizar coisas; e se tem uma coisa que eu sou muito ruim para fazer, é priorizar coisas. Porque para começar eu odeio o som dessa palavra: “priorização”. Não sei. Porque será que eu odeio né? O que será que ela lembra? </em></blockquote>
  <blockquote><em>Enfim. </em></blockquote>
  <blockquote><em>Em segundo lugar é porque eu sou ruim de qualquer coisa que envolva organização, “botar as coisas em ordem”... Eu acho que não tem outra outro sinônimo para isso. Vocês também devem estar reparando nesse ruído aqui ó: &lt;Ruído&gt; e na mudança de acústicas enquanto eu estou gravando. Então, porque que está acontecendo isso? Você enlouqueceu? Você está gravando esse episódio na loucura? Não. Um pouco, mas não. </em></blockquote>
  <blockquote><em>O que aconteceu foi: Eu sentei para começar a gravar esse episódio e ai eu disse “Olá amigos”; nesse momento, quando eu disse justamente isso, a energia caiu. Rindo da minha cara. </em></blockquote>
  <blockquote><em>Eu pensei “Ah que ótimo! A energia caiu. Agora vou fazer o quê? Não vou poder gravar, eu vou esperar”. Mas eu lembrei que eu tenho um gravador do celular e que os dois primeiros episódios do podlex eu gravei no celular. E eu pensei “Tá aí: Eu posso gravar nele”. </em></blockquote>
  <blockquote><em>Então eu vim e comecei a gravar nele. Aí eu comecei a gravar, apertei o rec e a energia voltou. Pensei “Beleza, então já que voltou eu vou gravar no microfone. Microfone é muito melhor.” -  Estou falando rápido né? É porque eu fiquei meio bolado. Vocês vão entender porque eu fiquei bolado. </em></blockquote>
  <blockquote><em>Aí eu sentei e, quando eu sentei e comecei tudo de novo, a energia caiu de novo! Então eu voltei para o celular. O celular é ruim? Ele é ruim. Eu tenho que ficar segurando ele, cansa o braço e dá uma leve tendinite, uma leve L.E.R? É uma leve L.E.R. Eu fico ansioso e começo a andar para lá e para cá com o celular, faço barulhos e mudo de acústicas? Acontece tudo isso. Mas, pelo menos, é melhor do que não ter o episódio. </em></blockquote>
  <blockquote><em>Então muito bem! Então cá estamos, muito bem-vindos ao especial de Natal/ano novo/final de temporada do podlex. Se vocês estão curiosos sobre o que vai acontecer a partir de agora fique sabendo que eu também estou. </em></blockquote>
  <blockquote><em>Eu só sei que esse episódio vai acontecer. Solta a vinheta ai, Maria Clara.</em></blockquote>
  <hr />
  <p></p>
  <p>Bom, esse episódio, apesar de ser feito na espontaneidade, &quot;na loucura&quot;, no instinto, ele não é um episódio desestruturado. A gente separou aqui momentos de bastidores e novidades do Podlex, além de umas histórias (trágicas ou não) de épocas de fim de ano. </p>
  <p>Ou seja: <strong>o passado e o futuro</strong>, se é que se pode evitar de ser cafona colocando as coisas desse jeito. Porque, afinal, aqui a gente afronta somente as plataformas digitais, o ouvinte já é tratado com o maior respeito, a maior cortesia. Tentamos entregar um conteúdo de qualidade pra quem aperta o &quot;play&quot;. Tanto que, quando a gente decidiu gravar um episódio de natal e a tecnologia não colaborou: Cancelamos a gravação? Não! Apelamos pra um método de gravação mais arcaico, mais <em>vintage</em> eu diria. Tudo isso porque? Pra não deixar o ouvinte sem o episódio temático que ele tanto espera nessa época do ano.</p>
  <p>A gente - Eu estou falando &quot;a gente&quot; me referindo à mim (e, no máximo, à maria clara) como se &quot;a gente&quot; tivesse uma grande equipe de produção junto aqui, auxiliando no feitio desse podcast.</p>
  <p>Como primeira &quot;atração&quot; - a gente pode chamar assim? - desse episódio especial de Natal, a Maria Clara vai tocar trechos de uma conversa de <em>whatsapp</em>, cortesia de um hacker do interior de SP, amigo nosso, que revela a gestação de um podcast natalino que não tinha nada a ver com o Natal.</p>
  <p><em>Conversa de whatsapp:</em></p>
  <blockquote><em>1: Cadê sua música ai que você falou que ia mandar? Porra cara, você esquece as mensagens que você vai mandar para mim. Sabe o que isso significa? &lt;Toca uma música triste no violão&gt; Isso é muito música de segunda-feira. É segunda-feira caraio, é muito difícil esse dia. E dez episódios é muita coisa né? Vamos fazer um bate bola. Você tem que falar, eu não posso falar sozinho. Eu quero usar o seu podcast, o seu público, para espalhar uma informação que eu acho fundamental as pessoas saberem. Fundamental: Eleição nos Estados Unidos. Com comentários, eu faço só os comentários. Você fala e eu comento. O podcast é seu, é o seu público, seu alcance.</em></blockquote>
  <blockquote><em>2:Você tá falando sério, quer gravar mesmo? Porque eu topo né, porque não? Vai ser um episódio meio fora da curva ali mas se já tiver um rolê assim preparado: Vamos nessa, eu gravo sim, ué.</em></blockquote>
  <p>Bom, obviamente não tínhamos o &quot;rolê preparado&quot;, né? Do contrário você estaria ouvindo agora uma conversa sobre Eleições nos EUA e geopolítica. O que, eu não vou mentir, eu não acho que seria legal.</p>
  <p>Porque, olha só: A gente tá nesse buraco que tá hoje por conta de pseudopolíticos que não sabem nem um fio de cabelo sobre geopolítica. E gravar um episódio todo dedicado à esse assunto no natal seria fazer o ouvinte ter que passar por um mal-estar semelhante ao que ele provavelmente vai passar na ceia natalina com a família: As tia perguntando de namorados ou namoradas, os sobrinhos tocando o terror, o Roberto Carlos, a retrospectiva, o tio do Pavê. </p>
  <p>O tio do pavê, que até 2018 era só uma figura patética, agora passou por um <em>rebranding</em>, é o tio anti-comunista, defensor da família tradicional, patriota e fascista.</p>
  <p>E que continua patético, não obstante.</p>
  <p>Aliás, se você quer uma pequena vingança sobre seu tio fascista que tal matar ele de tédio explicando a origem do nome do Pavê? Porque ai você junta duas coisas que ele provavelmente detesta: Conhecimento e assimilação.</p>
  <p>Pra quem não sabe, a origem do nome Pavê é francesa. Pavê deriva da palavra <em>pavage</em> que em francês significa &quot;Pavimento&quot;. Isso porque a montagem do doce, com suas camadas e geometrias, aparentemente lembra um pavimento.</p>
  <p>Pronto. </p>
  <p>De brinde você ainda meteu uma França no meio da sua fala como golpe de misericórdia.</p>
  <p>Por falar em ceia e reunião, vamos ouvir nossa primeira história.</p>
  <p><em>Primeira história de natal:</em></p>
  <blockquote><em>A minha melhor história de natal é um natal que eu descobri que eu tinha alergia a um remédio que eu tomei. Eu tirei o dente do siso aí eu tomei um antibiótico, Clavulin, e aí eu fiquei com muita dor de cabeça, vendo dobrado, aí eu falei “Mãe, me leva no hospital”. Ai minha mãe me levou no hospital finalmente -  porque ela achou que eu tava “de role play” para não lavar louça. Foi uns dias antes do natal, dia 15 eu tirei o dente do siso, aí eu tomei uma Amoxilina normal e depois ele inflamou. Eu tive que tomar um antibiótico mais forte que era esse Clavulin. Aí eu comecei a tomar e ter dor de cabeça e não passava, nada que eu fazia melhorava, e eu falava para minha mãe e minha mãe achou que eu não queria lavar louça só. No dia do Natal eu estava com muita dor de cabeça, enxaqueca mesmo, e eu comecei a enxergar dobrado. Eu falei “Mãe, me leva no médico.” E aí eu cheguei no médico, eles fizeram vários exames, falaram para minha mãe “Talvez sua filha tenha trombose cerebral, mas não temos certeza”. Aí eu fiz uma ressonância e foi isso. Aí eles falaram “A gente não achou o que tá de errado com ela, então a gente vai entender que foi um efeito colateral do antibiótico” mas nem isso ele tem certeza então, só por precaução, eu não tomo de novo o Clavulin.</em></blockquote>
  <hr />
  <p></p>
  <p>Mesmo tendo a licença poética da quarentena, de não poder reunir muita gente no mesmo espaço, o otimismo a respeito dessa estação também arranjou uma licença poética: O google meet (ou o Zoom). Isso quer dizer que você vai ter que ouvir as piadinhas misóginas do seu tio mesmo de longe.</p>
  <p>Eu falei da França antes e isso me lembrou do Celine.</p>
  <p>Celine é um escritor nascido no final do século XIX que escreveu um livro que, praticamente, moldou a literatura marginal da década seguinte, o &quot;Viagem ao fim da noite&quot; ou &quot;Voyage au bout de la nuit&quot;.</p>
  <p>Quando eu conheci, eu fiquei maluco. Adorei o livro. Tinha tudo que eu gostava na época: niilismo, pessimismo, sátira.</p>
  <p>Só que ai, depois de um tempo, eu descobri que o Celine tinha aderido ao nazismo, além de declarar apoio voluntário ao governo “fantoche” de Vichy.</p>
  <p>Pra quem não sabe - E, não se preocupe, eu também não lembrava dessa matéria da época do colégio, só fui sacar o que é depois de ler em contexto com a história do Celine - esse governo “fantoche” de Vichy foi o Estado liderado pelo Marechal Philippe Pétain depois de mudar a capital francesa para Vichy, em 1942. Ele é chamado de &quot;fantoche&quot; porque era administrado como &quot;Estado cliente&quot; da Alemanha Nazista. Só coisa boa.</p>
  <p>Tá pensando o que? Podlex também é história.</p>
  <p>Isso tudo me fez pensar que o Celine poderia ser um escritor que os tios fascistas poderiam gostar. Um sentimento semelhante ao da licença poética do Otimismo.</p>
  <p>Bom, essa não é a proposta desse podcast.</p>
  <p>Esse podcast é feito para que você tenha, pelo menos, 20 minutos de escapismo desse rolê verde-oliva-miliciano errado - E aqui eu me esforço ao máximo pra não copiar o <a href="https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy8xMGRmZWU1OC9wb2RjYXN0L3Jzcw?sa=X&ved=0CAUQ9sEGahcKEwjoyqaok8ftAhUAAAAAHQAAAAAQOA" target="_blank">Pedro Daltro</a> já que ele teceu a descrição perfeita pra esse período que passamos.</p>
  <p>Por isso, vamos escapar de 2020 mais uma vez. Vamos voltar para o (que parece muito) distante ano de 2019, para o gênesis desse podcast.</p>
  <p>O que você vai ouvir aqui em primeira mão é o que poderia ter sido outro episódio desse podcast, se ele continuasse sendo um podcast gravado num carro.</p>
  <p>Você pode ouvir isso como um passeio pela memória, uma ode à saudade, à vida normal antes do novo normal. Quando a gente podia entrar no carro, segurando o celular, prender ele na paradinha que prende o celular na grade do ar-condicionado, fechar a porta do carro, dar aquela coçada na barba e sair dirigindo sem nenhuma preocupação com nenhum vírus, nenhuma contaminação.</p>
  <p>Lindo, um Brasil lindo.</p>
  <p><em>(Áudio que poderia ser o segundo episódio do Podlex no carro)</em></p>
  <blockquote><em>Ó: 28 segundos de silêncio. Parabéns.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Eu já quase desisti, mas é porque eu tenho essa mania né. Eu fico animado com uma coisa -  nossa que puta sol do caramba -  Eu fico animado com uma coisa, aí eu resolvo fazer e a primeira vez que eu faço é muito legal, como se espera que seja. Aí as outras vezes nem é. Eu começo a botar um monte de empecilhos, começo a pensar que nem ficou legal primeira vez, que na verdade eu tô só me enganando, que “foda-se”, que eu não vou mais fazer isso.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Enfim, eu quase desisti, mas não desisti. Estou aqui.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Tem esse relacionamento com o silêncio, né? As pessoas meio que não gostam do silêncio, a não ser quando querem dormir - ou às vezes nem mesmo pra dormir. Eu mesmo não gosto de silêncio 100% para dormir, prefiro um barulho do ventilador. Dormir em silêncio total é muito vazio, muito espaço. Mas as pessoas tem esse relacionamento com barulho. O silêncio é uma coisa ruim, ninguém gosta dele.</em></blockquote>
  <p>Magnífico, né? Fico impressionado de ver como eu já quis desistir desse podcast logo depois da primeira vez que gravei.</p>
  <p>Pra quem ficou meio perdido na linha temporal, o que eu acho totalmente compreensível, essa gravação que a gente acabou de ouvir foi feita alguns dias depois que eu fiz a primeira, que foi aquela que acabou saindo como o piloto do programa. E que, não surpreendendo ninguém, eu imediatamente depois de gravar achei muito ruim.</p>
  <p>Eu não sei nem porque guardei esses arquivos, mas que bom que eu guardei.</p>
  <p><em>(Áudio que poderia ser o segundo episódio do Podlex no carro</em> continua)</p>
  <blockquote><em>Tem esse relacionamento com o silêncio, né? As pessoas meio que não gostam do silêncio, a não ser quando querem dormir - ou às vezes nem mesmo pra dormir. Eu mesmo não gosto de silêncio 100% para dormir, prefiro um barulho do ventilador. Dormir em silêncio total é muito vazio, muito espaço. Mas as pessoas tem esse relacionamento com barulho. O silêncio é uma coisa ruim, ninguém gosta dele.</em></blockquote>
  <blockquote><em><br />É, parece que esse episódio vai ter 45 minutos porque, aparentemente, todos os carros devagar resolveram passar na minha frente. Tem essa coisa no trânsito, né? É uma lei natural do trânsito que é “As pessoas devagar sempre vão estar na sua frente”. Pela lógica, elas estariam atrás porque você está mais rápido. Se você está achando elas devagar é porque você estaria mais rápido. Só que não, o trânsito é tão lindo e mágico que acontece isso. Você não fica na frente de quem está devagar, você fica atrás. É um exercício de paciência que o trânsito te proporciona.</em></blockquote>
  <blockquote><em>(Vendo alguma barbaridade na rua) O que você está fazendo? Rapaz… Não vou narrar o que ele fez porque foi algo inenarrável.</em></blockquote>
  <blockquote><em>(Para o carro da frente) Está aberto. (Buzina). Eu acabei de buzinar para uma viatura… Será que eu vou preso agora?</em><br /></blockquote>
  <p>É legal ver que em 2019 eu estava preocupado com problemas banais como &quot;Porque alguém optaria por comprar um carro que ocupa o dobro de espaço na rua?&quot; ou &quot;Buzinei para uma viatura da polícia. Vou preso?&quot;.</p>
  <p>Da pra ver a leveza no timbre de voz de um ser-humano que tinha uma vida social normal. Fazia psicanálise às quartas-feiras, dava oficina de cinema às sextas. Tudo indo bem. A engrenagem girando ali, ó: Tinindo.</p>
  <p>Vamos ouvir mais uma história?</p>
  <p><em>Segunda história de natal:</em></p>
  <blockquote><em>O meu ex e mais três amigos estavam voltando de uma festa de natal e quando eles viraram a rua, pra entrar na rua da casa de um deles, a rua estava interditada com uma mesa de jantar gigante no meio da rua. O povo estava fazendo a ceia no meio da rua. E aí eles pararam de carro e não tinha como eles passarem com a mesa e o povo fazendo ceia no meio da rua. Aí o povo começou a pegar as panelas, mexer a mesa pro lado… Eu queria que esse fosse meu normal, meu normal é muito sem graça. É sempre eu me arrumando para ficar em casa, comendo uma comida que a minha mãe nunca faz...</em></blockquote>
  <p>Muito boa essa história, apesar da qualidade do áudio estar muito ruim.</p>
  <p>Hoje a gente tá trabalhando com a qualidade do conceito, porque os equipamentos estão deixando a desejar.</p>
  <p>Eu acho interessante que ela diz que queria que o normal dela fosse do jeito da história também. Eu não sei se ela quis dizer o normal das ceias de natal dela, ou o normal de poder ter esse desprendimento de novo, de poder aglomerar com uma galera na rua, fazer um barulho, juntar um povo.</p>
  <p>Eu mesmo que não sou muito de povo porque sou dono de uma timidez até meio canalha, sinto falta de juntar uns amigos e falar umas bobagens (como já deixei claro várias vezes durante os episódios desse ano.)</p>
  <p>E eu acho que esse vai ser um detalhe na fala de cada ser-humano que está vivendo esse 2020 caótico - lembrando que não dá pra considerar <em>minion</em> como ser-humano.</p>
  <p>Vamos ouvir mais uma história pra animar um pouco esse episódio.</p>
  <p><em>Terceira história de natal:</em></p>
  <blockquote><em>Eu provavelmente tenho [uma história de natal], mas eu apaguei elas da minha memória porque, geralmente, natal e ano novo é a época do meu pai ficar bêbado e ter briga.</em></blockquote>
  <p>Caralho, era pra animar.</p>
  <p>Podemos trazer as novidades agora? Ótimo!</p>
  <p>Não sei se vocês repararam, mas mudamos a identidade sonora do programa, que agora está muito mais conectado com sua identidade visual. Aparentemente, isso é uma coisa importante no meio audiovisual.</p>
  <p>Bom, o episódio tá ficando meio longo já. Antes da gente escutar a próxima história e encerrar esse ano lazarento, queria agradecer você - é, você mesmo, que ficou por aqui nesses 9 episódios iniciais. Eu não vou prometer mudanças, maior engajamento etc pro ano que vem, porque eu não sei se eu vou poder cumprir essa promessa e ai pega mal pra mim, né? Mas tem uma coisa que eu posso dizer, que é: Ano que vem estamos de volta.</p>
  <p><em>Última história de natal:</em></p>
  <blockquote><em>O dia que ele jura que eu dei em cima da prima dele.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Era véspera de ano-novo. O Guilherme falou “mano vai ter um almoço de ano novo em casa. Vamos, porque minha família vai tá lá eu não quero ficar lá sozinho, eles vão ficar falando comigo eu não quero conversar”.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Beleza, fomos nós dormir na casa do Guilherme. Dormimos na casa do Guilherme.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Aí acordei no outro dia: Ok, tranquilo. Fomos avisados que o almoço já estava pronto e a família já estava lá. Aí o Guilherme olhou bem para mim e falou “Desce lá que eu não quero conversar não”. Aí eu fiz o quê? Fui.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Fui lá, dei “oi” para todo mundo. Não conhecia ninguém. Olhava e pensava “Quem são essas pessoas?” E aí beleza, conversando e tal, conversando com a mãe do João. Ela falou “Vai lá, se serve ai. Pega o almoço.” Me servi, peguei meu almoço, nisso 20 minutos depois, o Guilherme desceu. Almoçamos todos né, e aí falei “Beleza, vou lavar meu prato.”</em></blockquote>
  <blockquote><em>Levantei, fui na cozinha, lavei meu prato. Tô ali guardando o prato no escorredor, pra voltar pra mesa e conversar com as pessoas. No meio do caminho a vó do Guilherme me parou. Uma frase muito boa, achei interessantíssima a frase: “Você chama Guilherme também né? Esse nome, viu. Não sei…” e nisso chegou a prima do Guilherme - Que eu não faço menor ideia de quem é até agora.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Ela chegou nesse momento que a gente estava comentando que o Guilherme tinha ido pra Araraquara. E ela só “grudou” ali do lado. E aí começou a conversa de que ela estava indo fazer faculdade em algum lugar. E a gente ficou conversando, isso durou uns 5 minutos ou menos, tive essa conversa de 5 minutos.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Voltei para mesa estavam todos me encarando com a cara de “Hmmm”</em></blockquote>
  <blockquote><em>Essa é minha história.</em></blockquote>
  <p></p>
  <p>Até 2021!</p>
  <figure class="m_column">
    <img src="https://teletype.in/files/83/c8/83c87895-02b0-4327-b6a7-101f8b18ebb5.jpeg" width="1856" />
  </figure>

]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/uma-quizumba-de-fato</guid><link>https://teletype.in/@podlex/uma-quizumba-de-fato?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/uma-quizumba-de-fato?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>#7 - uma quizumba de fato</title><pubDate>Thu, 03 Dec 2020 01:59:42 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/54/d1/54d12673-eade-4484-8b4f-ab0583db3a9e.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/a8/56/a8568d3c-e237-408c-b3e0-19b1fc637a01.jpeg"></img>(Esse episódio começa com uma declamação de &quot;Chovia na merda do teu coração&quot; do Roberto Piva)]]></description><content:encoded><![CDATA[
  <figure class="m_column">
    <iframe src="https://anchor.fm/podlex/embed/episodes/uma-quizumba-de-fato-emui4t"></iframe>
  </figure>
  <p><em>(Esse episódio começa com uma declamação de &quot;Chovia na merda do teu coração&quot; do Roberto Piva)</em></p>
  <p>Olá amigos, tudo bem? Esse é o sétimo episódio do Podlex.</p>
  <p>Eu tinha anotado aqui falar sobre medos e paranoias antigas tipo não dormir de guarda roupa aberto, cuidado pras crianças não prenderem o dedo na porta, não ter uma mesa de centro de vidro na sala de estar etc.</p>
  <p>Mas ai &quot;Paranoia&quot; me fez lembrar do <strong>Roberto Piva</strong> e eu fiquei com vontade de bancar o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ruN_LR60ZfQ" target="_blank">Abu</a> e declamar um poema dele aqui. </p>
  <p>Esse que eu declamei chama &quot;<em>Chovia na merda do teu coração</em>&quot; e ele não é do livro &quot;Paranoia&quot; porque esse sempre esteve esgotado, não importa em qual sebo/livraria e tentava comprar. Esse poema é do <strong>Quizumba</strong>. </p>
  <p>Trazer um pouco de cultura marginal pra essas bandas, né?</p>
  <hr />
  <p>Eu tenho um negócio aqui anotado faz um tempo já. </p>
  <p>O problema é que já faz tanto tempo que eu nem lembro o motivo de ter anotado esse tema. Não lembro o que foi que me chamou a atenção nele, nem porque achei ele interessante. De qualquer modo, vou tentar um exercício de improviso aqui e discorrer sobre o seguinte tema: <a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/lucy-liu-once-claimed-to-have-been-intimate-with-a-ghost.html/" target="_blank">&quot;Luci liu fez sexo com um fantasma&quot;</a>.</p>
  <blockquote>&quot;Lucy Liu Once Claimed To Have Been Intimate With a Ghost&quot;</blockquote>
  <blockquote><em>&quot;She was trying to take a nap on her futon when: “some sort of spirit came down from God knows where and made love to me.”</em></blockquote>
  <blockquote><em>She explained: “It was sheer bliss. I felt everything. And then he floated away.”</em></blockquote>
  <p>Legal, eu ainda não lembro o que me causou interesse nessa história. </p>
  <p>Na realidade, é um história até meio sem graça. Um daqueles momentos &quot;E dai?&quot;. Ao mesmo tempo, dá pra traçar um paralelo com o que acontece agora com o isolamento.</p>
  <p>Fazer sexo com fantasmas deve ser como a grande maioria da população está se sentindo. Me refiro a maioria porque temos os nossos maravilhosos <em>minions</em> inabaláveis e os trabalhadores que infelizmente não conseguem mesmo ficar de quarentena por conta de trabalho.</p>
  <p>Mas eu acho que esse é o sentimento que a grande maioria da população deve estar sentindo agora de quarentena. </p>
  <p>E eu nem estou me referindo tanto ao ato físico do sexo, mas ao que ele pode representar, ao que a gente pode construir de metáfora com isso. Se a gente partir do pressuposto que o sexo vem do desejo e que o desejo é o que tem que ser domado nessa quarentena e o que doma esse desejo é a imaginação e que fantasmas podem vir da imaginação... A metáfora tá pronta!</p>
  <p>Mas pra além disso, tem as outras vontades, né? </p>
  <p>Vontade de rever as pessoas, os amigos, família. De sair pra rua sem ter que usar máscara nenhuma, de voltar pra casa e só entrar, largar as chaves na mesa, a carteira em qualquer lugar. Pendurar a blusa atrás da porta, largar o tênis com a meia dentro mesmo ali do lado da cama. Não ter que lidar mais com as paranoias quando entra e sai de casa. </p>
  <p>Tem a vontade de quando eventualmente acabar encontrando alguém no mercado, banco sei lá, poder conversar normalmente, poder cumprimentar, dar um abraço ou até um beijo dependendo da intimidade.</p>
  <p>Porque, claro, de maneira bem direta e um pouco xula: Todo mundo quer fuder. </p>
  <p>Ficar de quarentena tá sendo, pros solteiros, aquele momento de descoberta. De inventar novas formas de realizar o desejo, lidar com a vontade do toque, do cheiro, do gosto... Enfim. Ao mesmo tempo que pra quem tem algum parceiro, ou parceira, tá tendo que descobrir novas formas de ter um espaço. </p>
  <p>Todas essas vontades que quando a vida real estava acontecendo a gente nem se dava conta que tinha tanta assim ou que elas fariam tanta falta: São os fantasmas. </p>
  <p>E agora a gente tá transando com fantasmas, suprindo essas necessidades de maneira restrita e como podemos.</p>
  <p>A grande questão aqui é: Porque diabos eu estava lendo sobre isso - ou como esse tipo de notícia entrou em contato comigo?</p>
  <hr />
  <p>Eu quero falar sobre &quot;<strong>Blasted</strong>&quot;. Você já conhece &quot;<strong>Blasted</strong>&quot;?</p>
  <p>Outro dia um amigo meu me mandou uma peça dessa dramaturga inglesa <strong>Sarah Kane</strong> e eu li - Que é o que você faz numa situação social em que um amigo te manda um roteiro em <em>pdf</em> de uma peça escrita em 1995. </p>
  <p>Mas eu acho que vale pra peças de qualquer ano.</p>
  <p>Deixa eu falar um pouco da <strong>Sarah Kane:</strong> Ela foi uma escritora inglesa, estudante da universidade de Birmingham, normalmente dita a melhor dramaturga inglesa de sua geração. Ela sofria de depressão e suas peças se caracterizam por sua profundidade psicológica e suas imagens agressivas.</p>
  <p>Eu decidi falar de &quot;Blasted&quot; aqui, talvez por alimentar um lado masoquista meu e querer ensaiar esse lado. Quero dizer, não me entenda mal: É uma puta peça! Como parece ser tudo o que a Sarah Kane escreveu. - O que não foi muito na verdade porque ela escreveu quatro peças apenas. </p>
  <p>Blasted é a segunda peça. Ele é incrível em várias instâncias. </p>
  <p>É incrível o quão físico, mas ao mesmo tempo o quão psicologicamente perturbador é. É incrível que essa peça tenha sido escrita e até performada em em 1995 - E eu digo isso pensando que se hoje em dia a sociedade é, em sua maioria, careta - Imagina naquela época. </p>
  <p>É incrível como ela exige ao máximo da estrutura que um teatro pode oferecer.</p>
  <p>O que se tem pra falar sobre &quot;Blasted&quot; (se é que é possível se ter só uma coisa pra comentar sobre qualquer obra de arte) é a <strong>violência.</strong> </p>
  <p>Claro, ela é violenta nas imagens, mas acho válido pontuar que a &quot;violência gráfica&quot; por assim dizer, na peça começa só lá pra metade. Entretanto, ela é uma peça violenta desde o momento em que se abre a cortina. Ela é uma peça violenta na atmosfera, na cenografia, no figurino e, principalmente, no texto. É incrível como a Sarah Kane &quot;esquarteja&quot; a maioria das palavras no vocabulário dos seus personagens. </p>
  <p>Tudo é dito de maneira &quot;curta e grossa&quot;, o que só traz um tom mais hostil pra peça.</p>
  <p>Basicamente, a peça se passa entre um dia: Um jornalista de linguajar chulo (e isso é muito importante), o Ian, aluga um quarto caro de hotel pra passar a noite com uma moça muito mais nova e emocionalmente frágil, a Cate. </p>
  <p>Só por essa breve descrição já dá pra perceber onde está a violência que fiquei repetindo aqui. </p>
  <p>A primeira cena, se não me falha a memória, uma das mais longas é onde o Ian tenta por todas as maneiras seduzir a Cate. E quando digo &quot;de todas as maneiras&quot; é literalmente isso. </p>
  <p>Ele vai desde xavecos manjados até terrorismos psicológicos, tentativa de submissão sexual etc. Até que na manhã seguinte um soldado entra no quarto. É interessante notar aqui que a lógica da guerra que acontece como plano de fundo da peça toma conta de como as relações entre as personagens vai funcionar daqui pra frente.</p>
  <p>Ler essa peça é tipo entender toda a filmografia do <strong>Gaspar Noé</strong> e começar a chamar ele de &quot;<em>poser</em>&quot;. </p>
  <p>Das duas vezes que eu acabei de ler a peça, eu me senti do mesmo jeito que me senti quando terminei pela primeira vez o &quot;<em>Inland Empire</em>&quot; do <strong>David Lynch</strong>. Elas tem essa semelhança de serem obras que vão sugar toda sua energia, que você não vai só assistir, mas vai responder de uma maneira física - vai cansar e vai ser um alívio quando acabar. E ela vai ficar pendurada ali na sua cabeça... Você vai ficar pensando e digerindo lentamente e tentando tirar mais de cada cena.</p>
  <p>Realmente queria falar mais, mas estou com medo de estragar a experiência se falar mais. Então, faz um favor: Vai ler essa peça e depois volta aqui pra me contar se eu posso falar mais ou não.</p>
  <hr />
  <p>Olha só, eu não sou geminiano. Mas quando o assunto é escolher o que assistir no <strong>Netflix</strong>, acho que todo mundo é um pouco.</p>
  <p>Domingo a noite eu não estava conseguindo dormir, talvez porque Domingo é o dia mais triste que os Sumérios inventaram, mas pode ser porque eu assisti <strong>Synecdoche, New York</strong> e fiquei metido nesses assuntos existenciais.</p>
  <p>Aliás, queria mandar um salve aqui pro <strong>Charlie Kauffman.</strong></p>
  <p>Eu adoro essa coisa no relacionamento que eu tenho com cinema que é: Sempre tem uma coisa que falta conhecer. Não que eu conheça tudo o que tenha pra se conhecer em relação à cinema, mas eu estou falando das coisas óbvias mesmo, sabe? Todo mundo que gosta de cinema já cansou de ver os filmes do Charlie Kauffman. </p>
  <p>Mas pra mim não é bem assim, porque eu tenho esse relacionamento &quot;sanfona&quot; com cinema - que uma hora eu gosto muito, na outra eu estou completamente poucas ideia - então eu acabo perdendo muita coisa de legal e conhecendo só muito depois. </p>
  <p>Depois que todo mundo tá cansado de saber, sabe? Quando você vai contar pro seu amigo cinéfilo que você finalmente viu um filme do Charlie Kauffman e ele faz aquela cara de bunda, tipo</p>
  <blockquote>&quot;Pff. Sério? Só agora?&quot;</blockquote>
  <p>De fato, o Kaufman foi um desses que eu perdi no meio do caminho. Mas foi até bom, porque ai eu pude conhecê-lo com esse filmão &quot;<em>I&#x27;m thinking of ending things</em>&quot;. </p>
  <p>Eu vi e fiquei maluco, quis ver toda a filmografia do cara. Só que eu decidi fazer isso num fim de semana só e talvez não tenha sido a melhor ideia. Porque na sexta eu assisti &quot;<em>Brilho Eterno de uma mente sem lembranças</em>&quot; e no domingo &quot;<em>Synecdoche, New York</em>&quot; já pensando em assistir &quot;<em>Quero ser John Malkovich</em>&quot; na sequência.</p>
  <p>Inocência, né?</p>
  <p>Eu digo que não foi boa ideia porque o resultado foi uma inquietação maior que eu. A cabeça a todo vapor, não parava de pensar e tal. Tanto que eu decidi assistir alguma coisa na <strong>Netflix </strong>pra ver se caia no sono.</p>
  <p>É muito difícil decidir o que assistir na <strong>Netflix.</strong></p>
  <p>Quer dizer, é isso! Conseguimos! O capitalismo triunfou. Foi uma busca constante pra oferecer um produto que desse a maior liberdade para o consumidor </p>
  <blockquote>&quot;Ah, olha só, temos muitas opções pra você não ter que ficar preso na programação que a emissora estipula pra você&quot; </blockquote>
  <p>ou </p>
  <blockquote>&quot;olha só, tá cansado de escutar o que a radio te oferece, quer conhecer coisa nova mas ter controle sobre os filtros? Que tal essa plataforma aqui? Ela tem milhares de opções pra você navegar e criar sua própria programação musical&quot; </blockquote>
  <p>e agora, olha só, não conseguimos nem decidir o que assistir num momento de agonia existencial depois de um filme do Charlie Kauffman. É trocar a angustia existencial pela ansiedade da escolha.</p>
  <p>E isso não sou eu quem tá falando não, quem disse foi um dos queridinhos da galera do marketing: o <strong>Barry Schwartz</strong>.</p>
  <p>Basicamente, o que ele defende é que não é porque temos muitas opções de tudo que necessariamente nos sentimos melhores. Que um dos motivos das ansiedades modernas é aquela angustia de escolher um produto em frente uma prateleira com 15 opções de modelos diferentes daquele <em>mixer</em> que você cogitou comprar e todas essas opções prometem ser a melhor opção pra você. - Aliás, se eu fosse dono de alguma marca eu anunciaria minha meu produto como &quot;definitivamente não somos o melhor, mas somos a solução mais prática&quot; olha o atalho genial que isso ia fazer na decisão do consumidor ansioso e apressado.</p>
  <p>Enfim, o que da pra entender sobre o que o Schwartz diz é que ter um bilhão de escolhas traz um desespero muito semelhante ao de quando não se tem nenhuma opção.</p>
  <p>O mais maravilhoso de tudo isso é que ai, domingo a noite, querendo ver um troço pra ficar sussa, controle na mão, calor, várias <em>thumbnails</em> na minha frente, decidi dar um google nas melhores series de comédia do Netflix, pra ver se pulava algum nome ali que pareceria interessante. </p>
  <p>E durante a busca eu cai numa página que estava mostrando <em>apps</em> que mostram o que tem de novo no netflix, mas não de um jeito catalogado <em>&quot;Aqui estão as novidades do mês&quot;, e</em>ra tipo uns <em>apps</em> que fariam a escolha pra você! </p>
  <p>E ai eu fiquei abismado por duas coisas:</p>
  <ol>
    <li>Contemplando um futuro onde, de fato, não conseguiremos fazer escolhas porque os algoritmos farão pra gente.</li>
    <li>Fui olhar na play store só pela curiosidade e vi que tinham vários apps desse tipo. <strong>Vários</strong>. Ou seja, muitas opções de um <em>app</em> que podem te ajudar numa situação de muitas opções.</li>
  </ol>
  <p>No fim, eu fui ler um livro.</p>
  <figure class="m_column">
    <img src="https://teletype.in/files/a8/56/a8568d3c-e237-408c-b3e0-19b1fc637a01.jpeg" width="1856" />
  </figure>

]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/lager-dos-episodios</guid><link>https://teletype.in/@podlex/lager-dos-episodios?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/lager-dos-episodios?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>#6 - o lager dos episódios</title><pubDate>Thu, 03 Dec 2020 01:34:42 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/59/dd/59dda6ff-a4c0-42c9-b046-fabd1943b483.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/05/7d/057dad9d-640b-4ac4-bd95-e7f13f571b4e.jpeg"></img>Olá amigos, tudo bem? Esse é o sexto episódio do Podlex. ]]></description><content:encoded><![CDATA[
  <figure class="m_column">
    <iframe src="https://anchor.fm/podlex/embed/episodes/o-lager-dos-episdios-ejj5fc"></iframe>
  </figure>
  <p>Olá amigos, tudo bem? Esse é o sexto episódio do Podlex. </p>
  <p>Um episódio mais difícil, que teve uma maturação um pouco mais demorada. Diria que esse episódio é a <em>lager</em> dos episódios. Se você ai é um daqueles ligados em processos envolvendo cervejas artesanais, você provavelmente deve saber do que eu estou falando. Se você não é, ufa! Basta entender que esse episódio demorou muito pra ser gravado. </p>
  <p>Não que eu tenha uma agenda regular de produção de podcast mas esse episódio, em específico, demorou muito pra ser gravado. Eu não sei porque, acho que porque eu gostei muito do episódio passado e na minha cabeça formou tipo um &quot;podium&quot; que agora o próximo episódio tinha que ser melhor que o anterior e ai - quem diria - eu me estabeleci um belo bloqueio criativo por conta de expectativas altas.</p>
  <p>Muita coisa aconteceu no intervalo entre o episódio #5 e esse. </p>
  <p>Eu conheci um <em>app</em> chamado <strong>Notion</strong> e comecei a registrar as ideias para o podlex nele ao invés de anotar no Keep, como eu vinha fazendo. Eu mostrei meu podcast pra Bia do <a href="https://open.spotify.com/show/6Fr10tmEJv8SkR3WhDcJem" target="_blank">Eu tive um sonho</a> que gostou e recomendou o Podlex para os seus lindos seguidores no twitter e no podcast dela. Aliás, vai lá escutar.</p>
  <p>Eu conheci o podcast do Teatro Oficina e, se você não conhece, eu acho que devia ser obrigatório. Vai lá ouvir. Eu assisti alguns filmes, isso quer dizer que tô numa tentativa de recuperar meu ritmo cinéfilo pra assistir filmes. Por conta disso, eu revi <strong>Boogie Nights</strong> e desenvolvi uma queda (ou como os jovens chamam hoje &quot;<em>Crush</em>&quot;) pela <strong>Julianne Moore</strong>... e no <strong>Matt Damon</strong> que contracena com ela. Só que depois eu descobri que na realidade aquele não era o Matt Damon, mas era o <strong>Mark Wahlberg.</strong></p>
  <p>Mas por falar em <strong>bloqueio criativo,</strong> esses dias apareceu pra mim um vídeo no youtube sobre um texto do Bukowski, que é bem relacionado à isso, que me despertou muita preguiça quando escutei. </p>
  <p>Basicamente o que ele diz é que se a inspiração não vem até você de uma maneira raivosa, poderosa, daquelas que te fazem parar tudo o que você tiver fazendo pra ir escrever (ou compor, pintar etc) é melhor você não fazer. Que se você tiver que ficar pensando muito sobre, debruçado sobre o caderno, maquina de escrever (ou qual for a sua ferramenta de criação) é melhor você não fazer. Que se você quer fazer pra ganhar dinheiro ou ter fama então é melhor não fazer. </p>
  <p>Por mais que pode até ser válido o lance do fazer SÓ pra ganhar dinheiro ou fama, porque ai funciona como uma crítica à cultura descartável e tal, eu não quero entrar nesse âmbito aqui. O que é mais perigoso é o &quot;não fazer se for muito trabalho&quot;.</p>
  <p>O problema desse texto, quando ele trata a inspiração desse jeito, é que justamente romantiza o que é &quot;inspiração&quot;. Aquela cena, sabe? Do escritor sentado com um monte de papel amassado em volta, frustrado, meio puto, deprimido porque não consegue ter nenhuma ideia boa. Ele diz que se você não senta e escreve 100 páginas de uma vez, então você não é um artista de verdade.</p>
  <p>E eu estou batendo nisso porque eu já fiz muito isso. Eu me achava muito escritor quando não escrevia nada porque eu &quot;sabia que tinha uma puta ideia que um dia ia vir&quot;. Eu ficava lá, olhando a tela do computador ou o papel na máquina de escrever (porque sim, eu sou esse <em>hipster</em>, como dizem) sem fazer nenhum esforço só &quot;esperando a inspiração vir&quot;.</p>
  <p>É claro que tem casos que a inspiração vem mesmo, mas esse não é o fator definitivo do feitio de arte - E eu preciso frisar aqui que eu não estou falando do que classifica uma arte boa ou ruim, mas só me enveredando pelo fazer dela. </p>
  <p>Tem essa galera que escreve sobre o processo criativo, tipo o <strong>Robert Mckee</strong> que escreveu aquele <strong>Story</strong> que eles dizem que &quot;o profissional sabe o segredo que quem quer ser profissional não sabe. Que o mais difícil não é escrever, é parar pra escrever&quot;. Esse conceito pode ser perigoso porque ele pode cair no papo semi-meritocrático de que &quot;é só esforçar&quot;. Todo mundo sabe que não é &quot;só se esforçar&quot;. Mas aqui em se tratando de criação tem esse detalhe muito interessante do &quot;começar fazer&quot;. Querendo dizer que o processo criativo é mais ativo do que passivo, se você não começar de algum jeito, ele nunca vai começar por si (salvo as exceções que já falei).</p>
  <p>Tudo isso pra dizer que tá ai, fiquei adiando gravar um episódio novo porque não tinha nenhuma ideia do que falar, mas depois de ler a respeito resolvi vir aqui tentar alguma coisa pra ver se botava as engrenagens pra rodar. Então, se você tiver escutando esse episódio, quer dizer que até que funcionou! Se não... Bom, se não ouvir não precisa ter nenhum recado.</p>
  <hr />
  <p>Anda sendo difícil ficar de quarentena em Ribeirão Preto. Digo isso porque, além de um inverno onde faz <strong>trinta graus</strong> no meio da tarde e a gente não pode colocar nem uma calça de <em>tactel</em> senão já abafa, essa é a época do ano que todos os malditos usineiros dessa cidade resolvem colaborar com todas as doenças respiratórias botando fogo na plantação de cana que fica em volta da cidade.</p>
  <p>Eu queria não falar de quarentena em todo episódio. Queria que esse programa fosse uma válvula de escape do <em>status quo</em> da quarentena. Mas ao mesmo tempo eu vejo que não tem como escapar de falar de quarentena, uma vez que o que começou o podcast mesmo foi a quarentena.</p>
  <p>Claro, o piloto foi aquele gravado no carro - fica aqui a valorização do duplo sentido bem utilizado pelo meu &quot;eu argumentista&quot;. Mas mesmo o primeiro episódio sendo o do carro, antes da pandemia, ele era um piloto! Um piloto, do inglês &quot;pilot&quot; é sempre o primeiro episódio de uma série televisiva. </p>
  <blockquote>&quot;Ah, mas porque esse nome?&quot;</blockquote>
  <p>Ninguém sabe! Na verdade, existem pelo menos três &quot;mitos&quot; (usando uma interpretação bem solta da palavra &quot;mito&quot;) do porque o primeiro episódio de uma série é o &quot;Piloto&quot;.</p>
  <p>O primeiro deles é o óbvio: A palavra faz alusão a &quot;guiar&quot;, no sentido que o primeiro episódio é aquele que vai estipular todo o &quot;caminho&quot; da série. O segundo é que esse termo é aplicado desde 1920 no sentido de &quot;servir como um protótipo” tipo em “programa piloto&quot;, que quer dizer que é uma tecnologia emergente. O terceiro mito é de que esse termo deriva de &quot;chama-piloto&quot;, ou seja, é a primeira faísca de algo que vai, aos poucos, se tornando maior.</p>
  <p>Mas é tudo mistério, porque o Audiovisual mesmo é um mistério. A grande graça do audiovisual é o mistério que envolve o processo. </p>
  <p>Obviamente eu estou falando isso para as pessoas que não trabalham no audiovisual. Se eu vir algum comentário de gente estragando minha piada eu vou ficar bem bolado hein? </p>
  <p>Ninguém sabe muito bem como é o feitio do cinema, por exemplo. Eu lembro de um <em>tweet</em> antológico dum cara que dizia </p>
  <blockquote>&quot;Um filme tem em média duas horas de duração. Como que os cara demora MESES pra gravar duas horas??? É muito incompetência, só pode.&quot; </blockquote>
  <p>e ai ele respondia no próprio <em>tweet</em> - vamos lembrar que esse <em>tweet</em> é de antes de existir a ferramenta &quot;<em>thread</em>&quot;, ou seja, o cara era um visionário, um pioneiro. </p>
  <blockquote>&quot;Filme de duas horas se os cara demorar mais de um dia pra gravar sinceramente é muita vagabundagem&quot;</blockquote>
  <p>Obviamente uma piada, mas ela ilustra como o ser-humano comum, aquele que tem preocupações reais, entende o audiovisual.</p>
  <p>Maria Clara: <em>&quot;Mas audiovisual não é só cinema.&quot;</em></p>
  <p>Boa. Bem lembrado, Maria Clara.</p>
  <hr />
  <p>Lembra quando eu <a href="https://teletype.in/@podlex/24-party-people" target="_blank">comentei que comecei a assistir TV de um jeito analógico?</a></p>
  <p>Pois bem, agora resolvi levar a coisa pro próximo nível. Ultimamente anda muito calor aqui em Ribeirão (que novidade, né?) e se tem uma coisa que me tira o sono quase que instantaneamente é o calor. Por conta disso eu preciso constantemente renovar minhas estratégias pra pegar no sono. Aparentemente, estar cansado o suficiente não é mais o bastante quando se chega perto dos 30.</p>
  <p>Enfim, eu estou arrumando jeitos novos de pegar no sono. O último que eu descobri foi o de assistir TV sem se preocupar com ela. </p>
  <p>É assim: O negócio é só assistir TV. Assistir TV como se não houvesse amanhã, como se não houvesse conta de eletricidade, história da serie que vai ficar cheia de buracos pra você porque você dormiu num ponto essencial da trama. Nada disso. O negócio é deixar a série de levar até aquele momento que você começa a <em>pescar</em> de sono. É aqui que tá o truque. O negócio é continuar assistindo mesmo depois de alcançar esse ponto, porque o que vai acontecer é que você vai acabar pegando no sono.</p>
  <p> <em>Super bem bolado né?</em></p>
  <p>O negócio é que a televisão, apesar de ser tela e todos os neurologistas recomendarem que você não tenha contato com tela por, pelo menos, 30min antes de dormir, mais importante, o que tá passando na televisão vai fazer você ficar naquela inércia mental que é super importante pra pegar no sono. Você não vai deitar e ficar pensando, raciocinando e tal, somente vendo as &quot;luzes bonitas&quot; na tv. Inclusive é válido ressaltar que a série ou filme... Ou o que quer que seja que você for assistir, deve ter uma trama bem leve, bem de boa. </p>
  <p>Você não vai querer pegar no sono assistindo Dark, por exemplo. </p>
  <p>O negócio é uma série que vai te levar na história, mas ao mesmo tempo não vai exigir muito de você porque ai vai acontecer que nem numa aula que você não gostava muito. Como não era um negócio muito envolvente, você não se engajava, não tinha uma troca de informação. Você só acompanhava a cadência da fala do professor e ai, essa fala funcionava como uma canção de ninar pra uma cabeça que já estava na inércia, tranquila. </p>
  <p>Com a TV é a mesma coisa.</p>
  <p>De qualquer forma, eu elevei o nível de assistir TV de maneira analógica e constantemente eu tenho me deparado com aquele <em>sustinho</em> de quando estou quase dormindo e acontece algum barulho agudo na tv. Eu sei, eu sei. Não é um plano infalível! Tem umas falhas que eu pretendo aperfeiçoar com a prática. Mas é engraçado como que esse susto me traz uma nostalgia enorme. </p>
  <p>Eu me lembro de quando era garoto e dormia na casa de algum parente, avó, tios, primos enfim. Sempre tinha aquela festinha que seus pais queriam ficar mais e você não e daí você dormia na sala enquanto algum outro tio que também queria ir embora assistia TV pra passar o tempo e esperar a esposa decidir querer ir também.</p>
  <p>E eu lembro de estar muito bravo porque queria ir embora e não conseguia e de deitar no sofá pra esperar meus pais e, obviamente, começava a ficar sonolento. Ai quando estava quase dormindo, já meio inconsciente e rolava um barulho eu acordava meio animado, pensando que era alguém me acordando pra ir embora, porque no estado que eu estava não dava pra distinguir que era um barulho, só dava pra assimilar que &quot;alguma coisa&quot; tinha me acordado. </p>
  <p>E eu lembro de acordar com essa esperança de &quot;finalmente vou embora&quot; só pra descobrir que era o William Waack avisando que o jornal da Globo estava começando. E ai retomava a coreografia só que um pouco mais irritado.</p>
  <p>Então, esse jeito analógico de dormir, toda vez que eu acordo com alguma claque, algum barulho mais alto - já que a TV tá bem baixa né? - eu imediatamente sou assolado por essa mesma sensação. E é engraçado porque, na real, eu tô só em casa pegando no sono. </p>
  <p>Talvez seja meu inconsciente querendo ir embora desse 2020 ou do Brasil de Jair.</p>
  <hr />
  <p>&quot;<em>Vampetaço</em>.&quot; </p>
  <p>Eu não sei se eu tô muito atrasado nesse assunto, mas eu deixei aqui anotado e a anotação lê o seguinte </p>
  <blockquote>&quot;Vampetaço! Por favor, fale do vampetaço&quot;</blockquote>
  <p>Eu confesso que quando anotei isso no bloquinho de notas eu nem sabia o que era o <strong>Vampetaço</strong>, nem quem estava envolvido. Eu estava acabando a hora do almoço, voltando pra uma reunião (e por &quot;reunião&quot; você pode ler &quot;Chamada de vídeo pelo google meet&quot;) e ai estava dando aquela última olhada no twitter e li um tweet que alguém que eu sigo tinha curtido. </p>
  <p>Eu não li o tweet todo, mas a palavra &quot;vampetaço&quot; pulou pra mim porque eu achei muito engraçada.</p>
  <p>Tem duas coisas sobre o <strong>Vampeta</strong> que sempre vem na minha cabeça quando alguém fala dele- E aliás, <strong>quando</strong> que alguém fala do Vampeta? São elas: </p>
  <ul>
    <li>a cambalhota que ele deu no palácio do planalto na frente do FHC depois do Brasil ter conseguido o penta.</li>
    <li>o próprio significado de Vampeta, pelo que me foi dito. E quem me disse foi o <strong>Paulo Bonfá</strong> em uma introdução do <strong>Rockgol de Domingo</strong>, quando ele apresentava a mesa e disse o seguinte sobre o rapaz <strong>Marcos André Batista do Santos</strong></li>
  </ul>
  <blockquote>&quot;Ele que tem o charme do vampiro com a beleza do capeta: Vampeta!&quot;</blockquote>
  <p>E é isso. Essas são as passagens de Vampeta na sitcom de <em>dramédia</em> que é a minha vida.</p>
  <p>Mas ai quando ele &quot;ressurgiu&quot; no twitter naquela fatídica semana foi uma coisa muito surreal e depois de pesquisar sobre o que se tratava o tal &quot;Vampetaço&quot; cheguei à conclusão de que era mesmo surreal!</p>
  <p>Quer dizer, olha só: Combater um neonazi com fotos do <strong>Vampeta</strong> pelado é a coisa mais genial do mundo! E ao mesmo tempo parece uma trama de um personagem secundário de um filme do <strong>David Lynch</strong>.</p>
  <p>Sabe aquele lenhador <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rTCefc-uuEw" target="_blank">&quot;<em>Gotta light</em>&quot;</a> - Se o Lynch fosse um cara padrão da indústria de televisão e aderisse ao conceito de &quot;<em>spin-off</em>&quot; com certeza esse seria o tipo de confronto que o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rTCefc-uuEw" target="_blank">&quot;<em>Gotta light</em>&quot;</a> sofreria ao tentar intimidar uma galera de um posto de gasolina mais atitude.</p>
  <p>Você tá pensando o que, amigo? Brasileiro é um sujeito que consegue mudar fonte do nome do twitter.</p>
  <p>Sério, como vocês fazem isso?</p>
  <figure class="m_column">
    <img src="https://teletype.in/files/05/7d/057dad9d-640b-4ac4-bd95-e7f13f571b4e.jpeg" width="1856" />
  </figure>

]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/cidada-nao-maria-clara</guid><link>https://teletype.in/@podlex/cidada-nao-maria-clara?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/cidada-nao-maria-clara?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>#5 - cidadã, não. Maria Clara!</title><pubDate>Thu, 03 Dec 2020 01:06:46 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/36/f7/36f78cd9-71df-4ea7-8866-51aa969a344e.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/dd/b9/ddb94738-91e7-43f3-bb77-76bd5f047db1.jpeg"></img>
“Quanta coisa, né?”]]></description><content:encoded><![CDATA[
  <figure class="m_column">
    <iframe src="https://anchor.fm/podlex/embed/episodes/cidad--no--Maria-Clara-eh9fsn"></iframe>
  </figure>
  <blockquote><em><br />“Quanta coisa, né?”</em></blockquote>
  <blockquote><em>Já reparou o quanto essa pergunta é pesada? Quer dizer, ela pode ser pesada, né? Porque ela não é uma pergunta, de fato, ela é uma indagação reticente e é justamente a reticência nela que abre pra muita coisa vir.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Tão pequenininha, né? 3 palavras, uma vírgula e uma interrogação. Mas tão cheia de “não sei o quê”.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Por que eu podia tá numa conversa assim, num boteco ou no quintal de um amigo, e ai ele manda um “ah… quanta coisa, né?” e pronto! A partir daquele momento pode vir muita coisa. Eu posso falar da minha agenda e de quanta coisa tem nela. Quanta cobrança e o quanto as pessoas que trabalham comigo esperam que eu traga em retorno do contrato. Ele pode falar da vida dele, do quanto ele esperou pra essa noite chegar e a gente trocar uma ideia. Do quão triste o Brasil tá ultimamente ou do quanto de coisa que a gente ficou por fazer e não fez.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Por falar em distante, quanta distância né? Quanto tempo mais de quarentena tem pra gente? Quanta gente que eu não vejo que eu queria ver. Os amigos principalmente. Quanto, quando? Saudade da conversa da hora da conta. “amigão, traz a conta?” A gente pediu uma pizza “quanto ficou?” mas teve toda a cerveja que a gente tomou. “quanto ficou então?”.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Quando a gente vai se ver de novo? Quem é que sabe! O quanto demorar.</em></blockquote>
  <blockquote><em>Quanta coisa, né?</em></blockquote>
  <p>Olá amigos, tudo bem? De acordo com o post it que a Maria Clara deixou aqui no microfone, esse é o quinto episódio do Podlex. Pra você ai que prefere um <em>approach</em> mais lúdico: Quantos dedos tem na sua mão? Essa é a quantidade de episódios do Podlex. </p>
  <p>Nosso programa agora é um programa de mão cheia.</p>
  <p>Desculpem, eu já não sei mais o que é piada boa ou ruim, faz tanto tempo que não pratico que estou meio enferrujado. Aliás, eu não sei se é cientificamente comprovado que é possível, mas eu acho que eu recuperei minha timidez. Eu fui gravar um vídeo tocando violão - <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LqLWsWWOBwo" target="_blank">Suspeito</a>, do Arrigo Barnabé. E eu fiquei com vergonha só de imaginar que alguém poderia assistir.</p>
  <p>Então eu já nem sei direito distinguir o bom do ruim. O shoyu do trigo, o que presta e o que não presta. A quarentena tem esse peso de que “agora que você não está saindo de casa você não tem desculpa pra não criar” e essa pressão acaba sufocando um pouco o senso estético e o bom senso do artista. E ai toda vez que se fala disso sempre tem &quot;fela&quot; que traz Shakespeare na conversa </p>
  <blockquote>&quot;Ah Shakespeare escreveu <strong>Macbeth </strong>quando ficou trancado em casa por causa da peste negra de Londres.” </blockquote>
  <p>Todos os blogs e sites sobre cotidiano e criatividade acharam que iam tá abalando escrevendo um artigo sobre isso. Pode ir lá, <em>dá um google aí</em>, duvido que na primeira página não aparece um monte de blog com praticamente a mesma matéria.</p>
  <p>O que ninguém fala do Shakespeare é que ele era rico. Não precisava trabalhar, não tinha que conciliar a rotina de artista com a rotina do seu cargo. Aí fica fácil né? Que preocupação que tem? Que prazo que tem? Não tem que parar no meio do texto porque lembrou de mandar uma mensagem pro fulano do RH sobre aquela consulta médica no mês passado. </p>
  <p>O cara acordava, olhava a janela, pensava: </p>
  <blockquote>“É, ainda não está seguro.” </blockquote>
  <p>Então sentava, escrevia 8 páginas só de manhã… Não querendo desmerecer a obra do Shakespeare que parece que foi uma figura importante pra literatura inglesa. O que eu desmereço é esse papo meritocrático mesmo.</p>
  <hr />
  <p></p>
  <p>Esses dias no Youtube eu trombei com um negócio muito louco: <strong>Danger Music</strong>. Pra você que achava que já tinha visto de tudo, você não viu. Tem sempre a <strong>Danger Music</strong>. </p>
  <p>Depois que eu entendi o que era Danger Music - porque eu tive que ver o vídeo já que tinha uma “fotinha do vídeo” - Eu me recuso à usar a expressão “<em>thumbnail</em>”! Já parou pra pensar o que é t<em>humbnail </em>em inglês: <strong>Unha</strong> <strong>do dedão</strong>. Alguém da área de criação do vocabulário de internet um dia teve a brilhante ideia de nomear um frame de apresentação de um vídeo numa <em>playlist </em>de &quot;Unha do dedão&quot; e ninguém, desde então, teve a coragem ou a criatividade de acabar com esse filme terror. </p>
  <p>E o pior, esse cara foi muito sagaz na verdade, pensando aqui ele deve ser um cara muito sádico: Por que ele foi tão psicopata que ele escolheu uma palavra que mesmo encurtada quer dizer uma coisa bizarra. </p>
  <blockquote>“Olha a thumb do vídeo” </blockquote>
  <p>Você tá mandando a pessoa olhar o DEDÃO do vídeo! Isso não tem o menor cabimento. Como chamam aquelas pessoas com tara em pé? Esse cara deve ter essa tara, não é possível. </p>
  <p>Eu estava falando de <strong>Danger Music</strong> né? Eu tive que assistir o vídeo porque a <em>&quot;fotinha&quot;</em> era muito chamativa. Depois que eu acabei de ver o vídeo e entendi o que era o conceito de <strong>Danger Music</strong>, na minha cabeça aquilo só era possível mesmo no Japão. </p>
  <p>Você tá boiando, né? Vamos consultar a Wikipedia:</p>
  <blockquote>A Danger Music é uma forma experimental de música de vanguarda dos séculos 20 e 21 e arte performática. É baseado no conceito de que algumas peças de música (presta muito bem a atenção) podem ou prejudicam o ouvinte ou o artista, entendendo que a peça em questão pode ou não ser executada. Trabalhos como esse também são chamados de anti-música, porque parecem se rebelar contra o próprio conceito de música.</blockquote>
  <p>Não é incrível? O vídeo que eu vi comentava sobre a cena de <strong>Danger Music</strong> japonesa e pontuava sobre uma banda chamada <strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L7p_C9OlN40" target="_blank">Hanatarash</a></strong>, de um cara muito <em>over </em>que, ou gostava muito de música, ou não gostava nada. Esse cara uma vez derrubou a casa de show que ele estava tocando com uma escavadeira. </p>
  <p>O cara <strong>derrubou a casa de show que ele estava tocando com uma escavadeira.</strong> </p>
  <p>Esse foi show. Esse foi o <em>setlist </em>da <em>gig </em>toda. Eu fico imaginando o papel na beira do palco, na frente da caixa de retorno, escrito: <em>Musica tal, musica tal, agradecimentos e ESCAVADEIRA.</em></p>
  <p>Eu fui procurar mais a fundo, porque como você não procura mais a fundo sobre um cara que DERRUBOU A CASA DE SHOW QUE ELE TAVA TOCANDO COM UMA ESCAVADEIRA, e descobri que <strong>Danger Music</strong> vem lá de trás, de um cara chamado <strong>Dick Higgins</strong>: um poeta, compositor e artista plástico americano que propôs umas “partituras” de <strong>Danger Music</strong> que variavam de:</p>
  <blockquote>Danger Music Nº 15: Para a dança, trabalhe com ovos e manteiga por um tempo”</blockquote>
  <p>ou</p>
  <blockquote>Danger Music Nº41: Tire seu casaco e arregace as mangas.</blockquote>
  <p>ou ainda</p>
  <blockquote>Danger Music Nº9: Se voluntarie para ter sua espinha-dorsal removida.</blockquote>
  <p>Ou ainda o meu favorito:</p>
  <blockquote>Danger Music Nº17: Grite! Grite! Grite! Grite! Grite! Grite!</blockquote>
  <p>Eu fiquei a semana toda pensando nisso. Não consegui escutar nem metade de um disco do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1ygSGgTi7Xs" target="_blank">Hanatarash</a>,porque é o tipo de ruído branco que meus ouvidos não gostam muito. Mas conceitualmente é muito interessante.</p>
  <p>Ai um dia me apareceu a seguinte notícia:</p>
  <blockquote> “Tiago Iorc X Anavitória: entenda a treta e como acabou a amizade”. </blockquote>
  <p>Dai eu fiquei pensando: O mano derrubou uma casa de show com uma escavadeira e esses três mandando indireta por live e twitter.</p>
  <p>Amigo, se você for dar barraco na internet, dá barraco mesmo. Pensa no entretenimento da população. Uma população trancada em casa, com medo, incerta do futuro. Qualquer coisa é entretenimento pra essa população, mas você também não precisa deixar de ter capricho com seu barraco. </p>
  <p>Tem que ser nível “Programa do Ratinho” de baixaria. </p>
  <p>Maria Clara: <em>“Mas o Ratinho é um dos seres humanos mais desprezíveis que tem”.</em> </p>
  <p>Eu concordo, mas você conseguia estar <em>zapeando </em>e quando passava no sbt e estava tendo briga no Ratinho, você conseguia passar de canal? É disso que eu estou falando: <strong>Entretenimento</strong>. A galera tá na quarentena, assustada, precisa da sua catarse. Briga na internet é catarse. </p>
  <p>É a hora que o cidadão comum vai expurgar todos os seus demônios!</p>
  <hr />
  <p>Voltei a assistir <strong>Arquivo X.</strong></p>
  <p>Eu digo voltei porque <strong>Arquivo X</strong> é uma das minhas séries preferidas de todos os tempos. Eu adoro a série toda - Que se resume às 3 primeiras temporadas, porque depois disso foi só ladeira abaixo. Muitos acidentes de percurso, entre eles o mais grave de todos: Desmanche da dupla principal. </p>
  <p>Toda graça do <strong>Arquivo X</strong>, além dos homenzinhos cinzas, dos sobretudos e daquele niilismo <em>neo-noir</em> característico dos anos 90, era a de ser uma história de amor sem amor. Você quer história de amor mais bem sucedida do que uma que não tem o amor pra atrapalhar? </p>
  <p>Era a química perfeita: Um homem e uma mulher (gente, anos 90) com alguma consideração um pelo outro, desvendando teorias da conspiração malucas sem quase nem se <u>tocar</u>, mas cuidando um do outro e mantendo uma confiança mútua. </p>
  <p>Por mim essa fórmula poderia durar pra sempre.</p>
  <p>Só que não durou, né. E porque não? </p>
  <p>Alguém na sala de roteiro teve a brilhante ideia de separar os dois. E como eles fizeram isso? Simples: Um filho dos dois. Legal né? Agora o casal que era perfeito, a perfeita história de amor sem amor, virou só mais um casal normal de história de amor com amor e filhos. </p>
  <p>E ainda os roteiristas tentaram enganar a audiência botando uma outra dupla pra preencher o espaço. Ai foi o último prego no caixão.</p>
  <p>Divaguei. </p>
  <p>Eu voltei a assistir <strong>Arquivo X</strong> e é muito legal porque me traz aquela sensação de analógico típica dos anos 90. É um analógico diferente porque era aquele analógico que já flertava com o digital, mas de uma distância segura, sabe? De maneira nenhuma que eu quero pregar aqui contra o digital e contra o avanço. Não é nada disso. Mas esse cenário de pré-digital me agrada muito porque carrega em si uma quantidade ótima de nostalgia e eu como um cara que adora uma nostalgia, caio por qualquer sinal de uma.</p>
  <p>Por exemplo, tem uma cena que o <strong>Mulder </strong>jura que o que ele e a <strong>Scully </strong>viram no céu à noite era um <strong>UFO </strong>que não era terráqueo. </p>
  <blockquote>“Ah mas como assim, UFO que não é terráqueo? UFO já não é terráqueo?” </blockquote>
  <p>Então, não. </p>
  <p>A tradução de UFO é <em>Objeto voador não identificado</em> - o popular <strong>OVNI</strong>. Isso quer dizer que se eu jogar uma tigela pra cima, tipo um <em>frisbee, </em>e alguém olhar de longe e não conseguir identificar o que é, ou no máximo conseguir realizar que era um “troço voando no céu” isso já configuraria um <strong>UFO</strong></p>
  <p>Ai ele jura que viu um UFO ET e a Scully, cética, claro, jura que não. Então ele vai lá no campo que ele jurou ter visto isso pra tentar ver de novo o tal UFO e depois poder esfregar na cara da Scully que viu. </p>
  <p>Mais uma característica de um relacionamento perfeito. Primeira temporada né?</p>
  <p>Só que ai ele vai de dia ainda, não fala o horário exato, mas parece que é começo da tarde, tipo umas duas horas. Ele vai pra ver o negócio que ele tinha visto de noite. Só que ele vai de tarde. Ele fica lá andando no campo, mexe nuns matinho, olha pro céu. Muito mais tranquilo, sabe? A noção de tempo 90tista era outra. Não tinha essa coisa jovem de <em>“Ah o negócio começa às 20, então eu vou sair de casa às 20:30”.</em> </p>
  <p>Você vê como que a galera nos 90 tinha esse desapego pelo tempo.<em> “Ah eu quero ver o negócio à noite mas eu acho que já posso sair agora, né? Que horas são, umas 14hrs? Ah tá bom, eu espero um pouquinho lá mas tudo bem”.</em></p>
  <p>Isso é uma coisa que hoje em dia jamais seria possível. Hoje em dia você sai de casa as 20:30 para um negócio que começa às 20, chega no lugar e ainda fica olhando o instagram, facebook no celular achando que tá demorando muito. Ai fica nervoso porque acaba trombando com alguma postagem que alguém curtiu, do tipo: </p>
  <blockquote>“Otaviano Costa é irmão do Celso Portiolli?”</blockquote>
  <p>Quem é Otaviano Costa?</p>
  <hr />
  <p><em>(aqui tem um trecho do vídeo do &quot;Cidadão, não&quot;)</em></p>
  <p>Assim, eu não quero de jeito nenhum maldizer meu país. Ele tá passando por uma fase meio ruim agora, resultado de uma “fraquejada” das últimas eleições. Mas aqui no Brasil esse comportamento é mais corriqueiro do que se imagina. Eu acho que isso acontece por conta da herança que a gente acabou recebendo da nossa colonização. Sabe? Aquele papo lá de qual erro de português que mais te irrita?</p>
  <p>O brasileiro, e aqui eu não quero justificar ou “passar pano” pra esse tipo de comportamento não. É só uma coisa que me ocorreu quando estava pensando sobre isso. O termo “brasileiro” vem do tempo colonial (mas olha só) e ele indicava profissão. É isso mesmo, já reparou que sufixo da nossa nacionalidade é o mesmo empregado em pedreiro, marceneiro, carpinteiro, campineiro, chicleteiro. </p>
  <p>&quot;Brasileiro&quot; nos tempos coloniais eram aqueles “tiradores de pau-brasil”. Só que essa prática era ilegal e dava extradição de volta para Portugal. Em outras palavras: Na época do Brasil colônia, “brasileiro” era um termo pejorativo.</p>
  <p>Curioso né? Ser brasileiro, desde 1500 é “ilegal”. Chega a ser até bonito isso: O fato de sermos brasileiros já é um ato de resistência, de certo modo.</p>
  <p>Ah e isso não fui eu quem falei não! Eu não tirei isso do Instituto meu c*. Isso quem disse foi o filólogo <strong>Silveira Bueno</strong>, sabe? Aquele do dicionário que você usava na escola?</p>
  <p>É interessante pensar nisso porque o <em>“Você sabe com quem tá falando”</em> é meio que um grito do brasileiro classe-média colonizado deslumbrado com o que não é Brasil, que busca de qualquer jeito ser “Brasileiro, mas pelo menos um pouco a mais”.</p>
  <p> Aquele povo que é patriota mas comemora o <strong>4th of July</strong>, por exemplo? É a tristeza de um povo escancarada ali na condescendência , na arrogância.</p>
  <p>E eu digo tristeza não pra ter dó das pessoas que fazem isso, mas é a tristeza num nível mais amplo, filosófico por assim dizer. No sentido que você já começa errado por pensar que você não é qualquer um - Desculpa ai trazer as últimas notícias, meu consagrado, mas na fila do pão (ou perante questionamento do fiscal) você não é ninguém mesmo.</p>
  <p>Você quer o quê? Acha mesmo que porque você projetou umas paradas num papel grande que parece um pergaminho moderno o mundo tem que se curvar e dobrar as regras por você? Quer dizer que você flutua quando quer porque você abre uma exceção na gravidade?</p>
  <p>A metáfora foi longe demais. Mas pra fechar, que agora me ocorreu uma comparação boa aqui, pensa o seguinte: o Descartes morreu de pneumonia em 1650 enquanto trabalhava como professor, a convite da rainha. Isso mesmo, o cara que praticamente moldou a filosofia moderna era professor empregado da rainha.</p>
  <p>Você não é ninguém só porque tem um Toyota, cara.</p>
  <figure class="m_column">
    <img src="https://teletype.in/files/dd/b9/ddb94738-91e7-43f3-bb77-76bd5f047db1.jpeg" width="1856" />
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]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/os-lusiadas-do-tinder</guid><link>https://teletype.in/@podlex/os-lusiadas-do-tinder?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/os-lusiadas-do-tinder?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>#4 - Os Lusíadas do Tinder</title><pubDate>Thu, 03 Dec 2020 00:35:29 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/b9/78/b9785e06-435a-4dec-a207-76b602722781.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/03/48/0348a085-5f74-46c5-9287-a4b7d826db78.jpeg"></img>Olá amigos, tudo bem?]]></description><content:encoded><![CDATA[
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    <iframe src="https://anchor.fm/podlex/embed/episodes/os-lusadas-do-tinder-eg0tok"></iframe>
  </figure>
  <p>Olá amigos, tudo bem?</p>
  <p>No último episódio eu falei que comecei a assistir <strong>Alta Fidelidade</strong>.</p>
  <p>Alta Fidelidade é uma série perigosa. Sabe porque? Porque Alta Fidelidade... Eu não sei vocês, mas eu quando assisto uma série entro muito no rolê da série e fico tentando colocar coisas legais da história pra dentro da minha rotina. Alta Fidelidade tem duas coisas legais: O lance de fazer <em>playlists </em>musicais como se fosse uma arte (e é, na verdade). E o lance dos &quot;<em>TopFive</em>&quot;. Esse é um mote que vai durante a série toda e tem um em específico que é o mais perigoso de todos, que inclusive é a fala da personagem principal que abre a série, que é <em>&quot;Desert Island, all time, top five most memorable breakups&quot;</em>.</p>
  <p>E o que é isso? São os cinco términos mais marcantes. Um convite pra passear na avenida da mémória, em inglês &quot;m<em>emory lane</em>&quot; e agora que eu traduzi eu vi que é uma das frases mais horrorosas já pronunciadas, pra premiar os 5 términos mais porradas (porrada, no sentido de impactante) da sua vida.</p>
  <p>Eu também demorei pra soltar um episódio novo, né? E francamente foi pq eu fiquei bem desanimado. Sabe, desanimado? Eu fiquei desanimado pq toda vez que eu atualizava a página do <a href="http://twitter.com/le_lex" target="_blank">twitter </a>era uma desgraça nova que acontecia. Então essas coisas foram me desencorajando mais e mais a gravar porque sinceramente, o que eu falo aqui é irrelevante perto de todas as pautas que deveriam tomar o tempo e a atenção de alguém.</p>
  <p>Só que minha analista falou que eu não estava roubando o espaço de atenção e tempo de ninguém. O meu podcast fica ali a disposição de quem quiser ouvir, ele exige uma postura mais ativa do ouvinte. E ai foi o que me tranquilizou a voltar a gravar.</p>
  <p>Falando em analista, recebi acusações de não ter sido claro no episódio passado quando comentei sobre a Pugli e a festinha do fim do mundo. Olha só, vou deixar essa aqui pra você: o Lacan dizia que a essência da comunicação é o mal-entendido. Quanto mais não compreendido, mais você compreendeu.</p>
  <p>É que você não sabe que você entendeu porque eu tive uma robustez elevada na transmissão dessa mensagem. Mas não se preocupa não, você entendeu tudo!</p>
  <p>***</p>
  <p>Eu comecei a fazer um curso online naquele site <em>Udemy</em> - Não sei se todo mundo conhece - enfim, era um curso sobre edição. Pensei &quot;ah não vai ter problema, né? Vou aprender umas técnicas novas no software que eu já uso, nada muito além disso.&quot; Não é?</p>
  <p>Quando eu já estava chegando no vídeo 10 (o curso é dividido em vários vídeos) notei que até aquele momento o cara não estava falando de mais nada a não ser aquele papo de <em>coach </em>do tipo &quot;trabalhe enquanto eles descansam&quot; e eu já estava fazendo cara de vômito pra tudo o que ele tava falando pensando &quot;ok, isso aqui é a intro do curso. Pelo índice, ele parece interessante então eu vou ignorar tudo isso e focar no que ele vai passar sobre o software&quot;. Mas ai ele mandou a seguinte &quot;eu trabalho em casa e eu comecei a não perder tempo com coisas triviais pra poder focar em trabalhar mais e melhor. Por exemplo, cortar &quot;amigos inúteis&quot; da minha vida (eu juro por Deus que ele usou essa expressão), evitar sair tanto... Eu até deixei de jantar pra não perder tempo de trabalho.&quot;</p>
  <p><em>&quot;Eu até deixei de jantar pra não perder tempo no trabalho&quot;</em>? </p>
  <p>Meu amigo, você tem certeza que você tá bem mesmo? Essa conversa toda me remete muito à uma linha de raciocínio de <em>coach </em>que é &quot;A jornada é interessante porque ela não é fácil&quot;. Que é essa coisa super moderna de que você tem que conquistar tudo. Tudo tem que ter um grande esforço por trás pra ser válido, do contrário você não se esforçou e portanto não merece o resultado ou até merece mas não é digno de tanta admiração.</p>
  <p>É a mais nova tendência do capitalismo: Tornar o cansaço uma coisa descolada, <em>cool</em>. Quanto mais você cansa, mais você vale. E não me entenda mal, eu não quero dizer que a gente tem que tudo ser uns <em>slacker</em> e viver ouvindo música <em>grunge </em>(apesar de que, na real, isso parece bem massa) mas o que eu acho que deveria ser proposto é um equilíbrio: Não é trabalhe enquanto eles descansam, mas trabalhe até cansar e depois descanse também! Você não é maquina, poxa. Não é crime, não é errado querer não fazer nada. Eu lembro muito de uma fala da Mickey, em <strong>Love </strong>(vocês podem perceber que eu tenho muita bagagem de séries, né?) enfim, uma fala da Mickey que é <em>&quot;Eu não quero conquistar, só quero ter.&quot;</em> E eu acho que é isso. Claro que algumas coisa, naturalmente, serão conquistas, mas isso não significa que TUDO tem que ser uma conquista.</p>
  <p>Às vezes é isso mesmo, você tem vontade, você vai lá e compra. Fim.</p>
  <p>***</p>
  <p>Outro dia eu vi uma notícia sobre algum músico, não lembro qual agora, e ele dizia algo sobre ter sido muito importante na sua época e que as pessoas deviam pensar nisso antes de criticar os trabalhos novos dele.</p>
  <p>Em primeiro lugar, <em>qualquer coisa</em> né meu amigo? A gente não vê, por exemplo, o vocalista do <strong>Weezer </strong>falando que as pessoas tinham que valorizar mais a banda pq eles gravaram dois discassos logo de cara no início da carreira. Muito pelo contrário: A gente só vê eles gravando disco ruim, um pior que o outro tocando um &quot;foda-se&quot; total.</p>
  <p>Mas aí um cara comentou na notícia desse músico que eu não lembro o nome que ele estava vivendo a Síndrome de Matthew Perry mas ai eu não concordo não.</p>
  <p>Eu quero dizer que o cara usar isso pra desmerecer o músico (e a fala dele só merece desmerecimento mesmo) acho que não tem nada a ver. Porque o cara falar que ele tá sofrendo a síndrome de Matthew Perry é falar que o cara, nos anos 90 esteve envolvido em algum produto de cultura pop e foi muito querido pelo público.</p>
  <p>Afinal, a gente não pode negar que apesar do antro de sexismo, preconceito e privilégio branco que foi o <strong>Friends </strong>- uma série que dava voz pra personagens tipo Ross - O Chandler era um personagem muito querido (de novo, apesar das piadas algumas vezes machistas. Eu tô olhando ele dentro do contexto da própria obra, pela ótica dos valores da época, não colocando ele no contexto atual pq ai não é nem justo né?)</p>
  <p>Aliás, isso é outra coisa que eu fico meio irritado: Vira e mexe sai na Rolling Stones que algum ator ou atriz que trabalhou em <strong>Friends </strong>admite que a série foi racista ou misógina e complementa que hoje em dia a série não daria certo. Porra, é óbvio que ela não daria certo. Por isso ela deu certo nos anos 90 e, por ela ter dado certo nos anos 90, a gente HOJE reconhece tudo de errado que tem nela e não repete de novo. </p>
  <p>Pelo menos, em teoria.</p>
  <p>E ai dizer que o cara sofre da síndrome de Matthew Perry sugere que ele também era querido e agora não é mais. Mas um cara que diz que foi muito importante na sua época e que as pessoas deviam pensar nisso antes de criticar trabalhos novos dele com certeza não era um cara querido nem na sua própria época.</p>
  <p>Devia ser só um babaca arrogante, tipo Roger do Ultraje a Rigor. <em>&quot;Ah, o maior QI do rock nacional&quot;</em> eu gostaria de ver uma recontagem desses votos.</p>
  <p>***</p>
  <p>Esses tempos ando zapeando o tinder e queria comentar as melhores descrições, que vi pelo app:</p>
  <blockquote>&quot;Apaixonada pela vida&quot; </blockquote>
  <p>Eu acho muito interessante esse posicionamento da pessoa apaixonada pela vida pq mostra que ela é ou muito despreocupada ou muito burra. Porque a pessoa apaixonada, principalmente no começo, ela tende a relevar muita coisa que incomoda. Ela fica lá abobalhada, achando tudo lindo sem fazer distinções ou considerações. Então, a pessoa apaixonada pela vida é aquela pessoa que &quot;tá tudo bem&quot;. Não importa o que acontece, tá tudo bem. É uma pessoa que não exige muito mas que tbm não espera muito pq a vida &quot;já é boa&quot;. É tipo a Dona Helena, mãe do Samuca d&#x27;O Proxeneta que sempre aparecia com uma venda nos olhos dizendo &quot;Isso não é nada, tá tudo bem&quot;.</p>
  <blockquote>&quot;Menina risonha, que ri e que sonha&quot;. </blockquote>
  <p>Esse aqui me desperta um asco. Sabe aquele efeito de vídeo de festa de 15 anos que é um coração 3D com asas voando sobre a imagem? Então, poesia urbana é tipo isso. É um tipo de texto que foi feito com a finalidade de ser tosco. &quot;Felicidade. Feliz - idade&quot; não consigo entender porque desmembrar palavras em outras palavras é poético... Acho que a única pessoa que consegue fazer isso com maestria é o Michel Melamed nas introduções do Bipolar Show. Bipolar Show, aliás, um dos programas mais legais da televisão brasileira a cabo.</p>
  <blockquote>&quot;A beleza só importa nos primeiros 15 minutos. Depois vc tem que ter algo mais a oferecer&quot; </blockquote>
  <p>Eu li isso pra uma amiga e ela disse <em>&quot;15 minutos? Que spam de atenção é esse, isso é muito pouco! Acho que a beleza tem que durar mais sim.&quot;</em> Faço minhas as palavras dela.</p>
  <blockquote>&quot;Eu não preciso saber da tua idade, nem onde mora ou com quem trabalha. Quero saber da tua relação com as estrelas, o quanto de cura tem seu sorriso e se há amor em tua fala. Me chama pra sorrir que eu vou.&quot; </blockquote>
  <p>Bom, essa dai eu não vou nem comentar né? Essa ai é um épico, &quot;Os Lusiadas&quot; do Tinder. Dividida em atos. Essa descrição tinha que ter resenha em mídia especializada.</p>
  <blockquote>&quot;Não nos deixei cair em tentação. A menos que valha a pena, ai deixeis!&quot; </blockquote>
  <p>Ai, tá vendo, é esse o tipo de comportamento que eu espero de uma pessoa em pleno século XXI. E essa pessoa ainda preza pelo entretenimento do leitor que tá ali pulando de perfil em perfil, porque ela estabelece uma realidade pra personagem principal no início do texto e depois subverte essa realidade. Isso ai é cuidado com a punchline que chama. É o gancho, se fosse uma série. Essa pessoa ai é conteudista.</p>
  <blockquote>&quot;Perdi uma aposta e sou obrigado a ficar no tinder durante 1 mês... Acontece...&quot; </blockquote>
  <p>A gente chegou a esse ponto?</p>
  <blockquote>&quot;Pq Tinder?&quot;</blockquote>
  <p>Vou deixar essa pro ouvinte.</p>
  <figure class="m_column">
    <img src="https://teletype.in/files/03/48/0348a085-5f74-46c5-9287-a4b7d826db78.jpeg" width="1856" />
  </figure>

]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/yoko-ono-garota-de-ipanema</guid><link>https://teletype.in/@podlex/yoko-ono-garota-de-ipanema?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/yoko-ono-garota-de-ipanema?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>#3 - A Yoko Ono é a garota de ipanema</title><pubDate>Thu, 03 Dec 2020 00:19:48 GMT</pubDate><media:content medium="image" url="https://teletype.in/files/62/82/628245a9-80d3-490d-996a-f0db239c4646.png"></media:content><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/d4/9d/d49da972-78bd-4804-bf38-3bc355a7913f.jpeg"></img>(esse episódio tem trechos de conversas com &quot;o menino&quot;. Em áudio é mais legal)]]></description><content:encoded><![CDATA[
  <figure class="m_column">
    <iframe src="https://anchor.fm/podlex/embed/episodes/a-Yoko-Ono--a-garota-de-ipanema-ee6edk"></iframe>
  </figure>
  <p><em>(esse episódio tem trechos de conversas com &quot;o menino&quot;. Em áudio é mais legal)</em></p>
  <p>Olá amigos, tudo bem? Esse é o 3º episódio do Podlex!</p>
  <p>Quem ouviu o episódio anterior sabe que eu fiquei de assistir Fleabag no final da gravação e eu vi mesmo.</p>
  <p>Outro dia um amigo meu perguntou &quot;E ai, cara, aproveitando o clima de quarentena pra compôr ou escrever bastante?&quot; - Vale dizer, a nome de contexto, que o &quot;compor&quot; a que ele se refere são musicas que eu escrevo pra um dos meus vários projetos musicais.</p>
  <p>Amigo, eu tenho cronograma pra seguir. Tenho prazos, metas. As pessoas pensam que eu vivo quieto, folgado... Quem dera!</p>
  <p>A gente - aqui eu tô me referindo à mim e a Maria Clara - que somos pessoas que trabalhamos com a criatividade, lidamos diariamente com a criação, precisamos ser constantemente elogiados e tal, a gente até gostaria de ter esse ócio. Porque o ócio, num dado momento, ele acaba dando no famigerado &quot;ócio criativo&quot; e ai sendo redundante pra encerrar o raciocínio: Pra gente que é criativo é ótimo.</p>
  <p>Aliás, das 12 pessoas que escutaram o episódio anterior, 12 elogiaram muito a participação da Maria Clara então acho que a gente já pode revelar que na verdade esse podcast foi feito só pra ela poder ser conhecida pelo &quot;grande&quot; público. Mas ela é humilde, preferiu ficar em segundo plano e colocar meu nome no negócio.</p>
  <p>***</p>
  <p>E o que é que pode ser dito? Agora que tá todo mundo - ou a maioria - em casa, é como se a grande febre da produção de conteúdo tivesse atacado a sociedade. Todo mundo quer deixar o seu registro nos HDs das redes sociais. Seja por live, posts, textões e afins. Por conta disso, a gente tá tendo que lidar com um número muito maior de gente que posta mais de 10 stories no dia.</p>
  <p>Queria destrinchar aqui um pouco disso. Fazendo o sociólogo, sabe? Se o <em>Olavinho </em>pode ser filósofo, eu posso ser o que eu quiser:</p>
  <p>O lance do <em>stories </em>é que ele é imediato e dura 24Hrs. A ideia dele é capturar um snippet - &quot;snippet&quot; não, um trecho, um fragmento, um pequeno extrato interessante de algo que tenha acontecido naquele dia do usuário.</p>
  <p>Ai a gente cai aqui em duas coisas: Umas delas é a quarentena.</p>
  <p>Como tá rolando a quarentena, já que o Brasil é um país comunista que não quer trabalhar, muita gente tem ficado em casa muito tempo e tem perdido o senso de o que é interessante. Junto a isso, tem o marasmo. Como não tem nada pra fazer, eu vou postar <em>stories </em>já que é alguma coisa pra fazer e já que não se tem mais muita noção sobre o que é, de fato, interessante ou não, posta-se stories sobre qualquer coisa. </p>
  <p>E eu quero dizer qualquer coisa: pés pra cima, pratos, livros, comentários, jogo de video game, textão que tem que ficar com o dedo em cima pra poder ler tudo e chega uma hora que o dedo tá em cima do texto e ai você vai mudar o dedo de lugar e o story passa...</p>
  <p>Maria Clara: <em>&quot;Mas a rede social é particular, cê vai querer agora cagar regra sobre o que pode e não pode postar&quot;</em></p>
  <p>Eu vou jogar essa pro universo e voltar a dizer: Se o <em>Olavinho </em>pode ser filósofo, eu posso fazer o que eu quiser. Fica a dica ai, universo.</p>
  <p><em>(Maria Clara sugere de comentar sobre a &quot;Festa da Pugli&quot;)</em></p>
  <p>Eu acho que a <em>Pugli </em>está para o fitness do mesmo jeito que o Milli Vanilli estava para a música.</p>
  <p>Todo mundo sabe que, em inglês, <em>fitness </em>quer dizer &quot;em forma&quot;. Mas o que a maioria das pessoas não deve saber (ou não deve lembrar... Vou dar o benefício da dúvida) é que fitness em inglês, no conceito da biologia, se refere a &quot;aptidão&quot;. Abre aspas aqui, ó: &quot; É a capacidade de um organismo para sobreviver e reproduzir no seu meio.&quot; </p>
  <p>A gente pode ficar em dúvida quanto ao lance do reproduzir, pq é uma festa e tal, numa festa pode pintar um clima etc. Mas em relação à sobreviver tá aí. Tá bem claro. Tá explícito! Em época de isolamento social, buscando-se achatar a curva de contágio e ainda TRANSMITIR ISSO AO VIVO é o mesmo que dizer que é músico, gravar um disco, ganhar um Grammy por esse disco pra chegar na hora de tocar e ser pego no <em>playback</em>. Ser desmascarado que na verdade o Grammy não é seu pq não foi você quem gravou o disco mesmo. </p>
  <p>Você só estampou a capa.</p>
  <p>Maria Clara: <em>&quot;Em uma das farsas mais escandalosas do pop que terminou com a academia exigindo que eles, pela primeira e única vez em sua história, devolvessem o Grammy.&quot;</em></p>
  <p>É isso, Maria Clara. Acho que a academia tinha que exigir que a Pugliese devolvesse o seu Grammy! Ou, pelo menos, ela podia só parar de frequentar qualquer academia e dar falso testemunho sobre saúde por aí.</p>
  <p>(Nossa, essa veio pronta demais)</p>
  <figure class="m_column">
    <img src="https://teletype.in/files/d4/9d/d49da972-78bd-4804-bf38-3bc355a7913f.jpeg" width="1856" />
  </figure>

]]></content:encoded></item><item><guid isPermaLink="true">https://teletype.in/@podlex/24-party-people</guid><link>https://teletype.in/@podlex/24-party-people?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex</link><comments>https://teletype.in/@podlex/24-party-people?utm_source=teletype&amp;utm_medium=feed_rss&amp;utm_campaign=podlex#comments</comments><dc:creator>podlex</dc:creator><title>#2 - (quase) 24hrs party people</title><pubDate>Wed, 02 Dec 2020 23:57:29 GMT</pubDate><description><![CDATA[<img src="https://teletype.in/files/89/b9/89b9092e-3759-44a8-8bbf-38a26fe8793e.jpeg"></img>(Esse episódio tem colagens de áudios de whatsapp. Muito mais legal escutar)]]></description><content:encoded><![CDATA[
  <figure class="m_column">
    <iframe src="https://anchor.fm/podlex/embed/episodes/quase-24hrs-party-people-ed1ue8"></iframe>
  </figure>
  <p><em>(Esse episódio tem colagens de áudios de whatsapp. Muito mais legal escutar)</em></p>
  <p>Olá amigos, tudo bem? </p>
  <p>Eu sinto que devo um esclarecimento: O Podlex nasceu de um momento de ousadia, de imediatismo... diria até de descuido da minha parte. É que eu sou ariano, eu me movo pelo instinto, pela emoção. Como diria uma antiga amante <em>&quot;Você é ariano, meu bem, você quer tudo.&quot;</em> Só que o meu erro foi resolver ser impulsivo no dia 21 de março, porque no dia 21 de março o Brasil tinha acabado de ser abatido por uma &quot;gripezinha&quot;, que eu acredito que não vá afetar ngm dado o histórico de atleta do povo brasileiro. </p>
  <p>Pois bem, o mote desse programa era &quot;um podcast gravado num carro&quot; e ele foi lançado uma semana antes de ser decretado pela OMS que estava proibido sair de casa - logo, proibido sair de carro.</p>
  <p>Isso se mostrou um grande problema pro programa pq agora eu não poderia gravar no meu estúdio (o carro). Ao mesmo tempo, me pousou um dilema moral: eu não queria enganar meu público não gravando um podcast supostamente gravado num carro.</p>
  <p>Por isso que depois de muito tempo eu decidi que agora seria: <strong>Podlex - Um podcast</strong>. Porque aí fica amplo, não fico preso em explicações.</p>
  <p>Está sendo, no mínimo, interessante esse momento de quarentena. A quarentena tá mexendo com a cabeça das pessoas, a minha cabeça tá mexida. Minha cabeça tá tão mexida que, depois de três semanas, eu entrei num grupo de mensagens de voz que meus amigos tem, onde eles só falam de LOL (LOL, pra quem não sabe, não é aquela risada cibernética, mas aquele jogo chato de computador) e é in-su-por-tá-vel. </p>
  <p>O assunto, não os amigos.</p>
  <p>A cabeça tá tão mexida que no almoço de páscoa da família no <em>hangout</em>, coisa que num cenário normal de sociedade eu seria veementemente contra, eu era praticamente o mediador de conversas, dizendo que estava com saudades das pessoas e causando um ciúme tenebroso na minha irmã que gosta de ser a mediadora da maioria das conversas.</p>
  <p><em>(aqui tem mais áudio de whatsapp, hein. Fica a dica)</em></p>
  <p>Eu ando passando a maior parte do tempo sentado ou deitado. Porque, foda-se né? Agora é quarentena: Agora é loucura. Vai sair? Vai precisar passar uma boa impressão pra alguém? Não! É no máximo sair pra pegar a QuatroCincoUm ou o Rascunho na garagem e passar um álcool em gel.</p>
  <p>Mais do que isso é <em>qualquer coisa</em>. A quarentena tá dando essa linda possibilidade pra gente de abrir mão da humanidade a prestação e de forma consciente.</p>
  <p>Mas eu ando passando a maior parte do tempo sentado e eu comecei a sentir falta de andar na rua, sair por ai. Esses dias eu fiquei lembrando de um encontro que eu tive, no qual a única coisa que a gente fez foi andar. Parecia que a gente tava num filme do Richard Linklater só que sem nenhuma paisagem européia no fundo ou nenhum sexo em praça pública depois da meia-noite - O que, pra ser sincero, aproveitando que tocamos nesse assunto, me deixou um pouco desapontado.</p>
  <p>E a caminhada foi tão boa que quando eu criei coragem pra beijar, a química acabou ali.</p>
  <p>***</p>
  <p>Um aspecto engraçado da quarentena é que eu tô voltando a ter um hábito analógico de assistir televisão sem ter controle da reprodução. Você jovem, que fez 19 anos ano passado - ou 20 esse ano - não deve estar muito familiarizado com o conceito de televisão. Eu quero dizer, o <strong>conceito original</strong>.</p>
  <p>O conceito original de televisão era meio que uma roleta russa do entretenimento: Você ligava a TV e ficava lá &quot;<em>zapeando</em>&quot; - tá ai uma gíria que se você tem menos de 28 anos você não conhece. Zapear era tipo surfar nos canais, passar por programação ruim, péssima, horrorosa, até finalmente encontrar alguma coisa que te chama a atenção. Que no meu caso era o &quot;Uá uá&quot;, o &quot;Neurônio&quot; ou &quot;Top top&quot; na MTV.</p>
  <p>Só que tinha um porém nessa coisa toda de assistir TV: Você não podia dar pause. </p>
  <p>Ou seja: Se você tivesse que ir no banheiro, ou ficasse com sede e fosse pegar uma água ou, sei lá, tocou a campainha e tem uma testemunha de Jeová na porta, não tinha dessa de pausar pra voltar pra assistir depois. Você tinha que fazer uma escolha e arcar com essa escolha.</p>
  <p>Agora eu meio que, sem querer, ressuscitei esse jeito &quot;antigo&quot; de assistir TV. Porque eu gosto de uma emoção, sabe? A sensação de controle é muito cômoda, não tem graça nenhuma saber que se você perdeu aquela fala, dá pra voltar e assistir.</p>
  <p>É assim que eu gosto. Tinha um cantor, não lembro o nome dele agora, que ele falava &quot;Eu gosto é do gasto&quot;.</p>
  <p>Sou eu.</p>
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