O Túmulo do Cisne (NOVEL) - Capítulo 2 (8/8)
Cisne, Anna – Parte 8.
Rothbart podia negar, mas sempre lançava um olhar a mais para as mulheres do continente oriental, como se tentasse extrair algo de seus rostos.
E Rose não era a única que percebia esse tratamento especial do Marquês. Como Rothbart costumava ser indiferente com os outros e áspero em seu comportamento, aquele único olhar extra se destacava ainda mais. Muitas criadas orientais tentaram ultrapassar esse limite, esperando tornar-se substituta para a Marquesa — e, no fim, foram expulsas em desgraça.
Sempre que via essas cenas, Rose zombava delas como tolas que não conheciam o próprio lugar. No fundo, porém, ficava inquieta com a possibilidade de Rothbart escolher uma delas.
Assim, sempre que via criadas orientais — ou simplesmente criadas bonitas — ela as atormentava, como se estivesse descarregando sua própria fúria. Incapazes de suportar o bullying de Rose, todas as criadas acabavam deixando a mansão antes mesmo de completar três meses de trabalho. Só então Rose conseguia se sentir tranquila.
“Mas aquela garota insolente…”
Que garota venenosa. Não importava o quanto Rose a pisoteasse, Anna apenas baixava seus longos cílios escuros e fingia não ouvir. Agia como se estivesse apenas incomodada, fingia constrangimento e usava todos os truques possíveis para evitar confronto direto. Mesmo assim, suportou aquilo por meses — e, no fim, continuava na mansão, mesmo agora que Rothbart havia retornado.
E alguns dias atrás, ao amanhecer…
Os passos de Rose pararam de repente no corredor.
Ela se lembrou do que havia visto na madrugada do dia em que Rothbart voltou.
Assim que chegou à mansão, o Marquês foi direto para o quarto da Marquesa e se trancou lá dentro. Isso não era incomum, mas Rose nunca conseguia ficar tranquila com aquilo. Para aliviar a irritação, decidiu procurar aquela criada oriental.
Mas a criada não estava em lugar nenhum.
Uma impaciência inexplicável tomou conta dela, e Rose passou a noite inteira andando de um lado para o outro em seu quarto, incapaz de dormir, até o amanhecer.
Foi então que, pela janela, ela viu a criada atravessando o corredor às pressas. Mesmo na escuridão, o cabelo negro como tinta e os traços exóticos a faziam se destacar.
Ela não havia sido vista o dia inteiro. E agora, àquela hora, para onde poderia estar indo?
Os olhos de Rose seguiram a direção de onde ela havia vindo… Era o corredor que levava ao quarto da Marquesa.
Suposições inquietantes invadiram sua mente. Mas ela rapidamente balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Não. Nada poderia ter acontecido. Quão sagrado era aquele quarto para ele…
Mesmo tentando se convencer disso, o pressentimento em seu coração não desaparecia. Rose queria saber os detalhes e diversas vezes considerou perguntar a Rothbart o que havia acontecido naquele dia, mas no final segurou a língua.
Ela sabia muito bem que ele odiava ser incomodado com perguntas pessoais — e não queria chamar a atenção dele para aquela criada se, no fim, nada tivesse acontecido.
Em vez disso, interrogou a própria criada. Mas por causa da interferência de Svanhild, não conseguiu obter qualquer informação e, quando foi conversar com Rothbart, ouviu as palavras chocantes de que os experimentos seriam suspensos.
Enquanto Rose estava sozinha no corredor, sombras rastejavam sobre seu rosto com o pôr do sol.
Até agora, ela havia suportado tudo pensando que, pelo menos, era útil para Rothbart.
“Eu sou diferente das outras mulheres. O meu mestre não vai me abandonar…”
Mas agora ela havia perdido aquele lugar especial.
Ela era apenas uma preceptora. Não era diferente daquelas criadas orientais que haviam sido expulsas. Também era alguém que podia ser descartada a qualquer momento…
Esse pensamento fez um arrepio percorrer sua espinha. Na penumbra, seu rosto se contorceu. Rose permaneceu ali por um longo tempo, mastigando os pensamentos que surgiam dentro dela.
“De perto, ela é realmente bonita. Até esse ar arrogante dela é tentador.”
Sehyun engoliu em seco enquanto observava as costas de Rose se distanciarem. Ele tinha ficado irritado com o mordomo por lhe dar tantas tarefas incômodas, mas nunca imaginou qque isso o levaria a esbarrar em Rose assim.
Sua namorada Anna também era bonita, mas apenas pelos padrões de uma estudante universitária comum. Comparada a ela, Rose parecia uma atriz de Hollywood ou uma modelo.
Por fora, Sehyun parecia um jovem diligente e educado, mas… Na realidade, porém, estava longe de ser alguém decente.
Durante a orientação da universidade, ele percebeu que Anna era a mais bonita entre as calouras e decidiu escolhê-la como alvo. Discretamente pressionou os outros estudantes para isolá-la, mas Anna não se importou e continuou frequentando a universidade sozinha.
Então ele começou a pensar em como poderia fazer aquela garota teimosa depender dele e foi nesse momento que a mãe de Anna faleceu. Sehyun não deixou a oportunidade escapar.
“Se eu conseguir conquistar ela com apenas um dia ou dois de esforço, já vale a pena.”
No final, Sehyun se tornou o namorado de Anna, mas só isso.
Anna era bastante conservadora quando se tratava de relacionamentos e raramente lhe dava qualquer abertura. O mais longe que ela permitiu foi um beijo e, mesmo assim, aconteceu apenas uma vez, depois de muita insistência dele.
Afinal, não faltavam mulheres para satisfazer seus desejos mais baixos, e conquistar Anna havia se tornado uma espécie de jogo para ele. Pretendia manipulá-la pouco a pouco.
“Agora ela age como se fosse uma filha preciosa de uma família rica, mas espere. Um dia ela vai se agarrar à mim, chorando que não tem mais ninguém.”
Mas então, de repente, foram transportados para outro mundo. E ele imaginou que Anna passaria a depender ainda mais dele por causa do medo. Mas aconteceu o contrário. Ela se tornou ainda mais cautelosa.
Insatisfeito por ser tratado como um estrangeiro indesejado, ele queria desesperadamente voltar ao seu mundo original. Mas, sem saber como fazer isso, o retorno parecia um sonho distante. E assim os olhos de Sehyun começaram a vagar.
As outras criadas eram boas o suficiente, mas a mulher mais atraente da mansão era, sem dúvida, a preceptora Rose. Antes de retornar ao seu mundo, não seria ruim se divertir um pouco com ela, não é?. Se conseguisse isso, talvez todas as humilhações e dificuldades que sofrera desde que chegara àquele mundo se tornassem apenas uma lembrança insignificante.
“Se Anna descobrir, vai ser um problema…”
Mas ele sempre poderia dizer que foi inevitável, que fez aquilo para reunir informações. Anna entenderia. Além disso, eles nem estavam realmente presos um ao outro como um casal.
Na mansão, todos acreditavam que Anna e Sehyun eram irmãos. Sempre que se encontravam em segredo para trocar informações, essa história tornava tudo mais fácil de explicar como simples afeto fraternal. Se fossem conhecidos como amantes, porém, poderia parecer que estavam se esgueirando.
Portanto, não havia problema algum em ele tentar se aproximar de Rose.
Convencendo-se disso, Sehyun soltou uma risadinha.
Em sua mente, ele já se imaginava envolvido com Rose, ambos perdidos enquanto se contorciam de tanto prazer.